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Apoiantes de Luís Montenegro que têm cargos dirigentes pedem "unidade" para partido ter boa prestação autárquica

JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

Apoiantes de Luís Montenegro que têm cargos dirigentes pedem "unidade" para partido ter boa prestação autárquica

JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

Críticos hibernam: Como as autárquicas são a vacina de Rio contra os "vírus" do PSD /premium

O PSD vai ter eleições em várias estruturas, mas críticos rejeitam atacar Rio. Mesmo os 'montenegristas' e autores da tentativa de "impeachment" de 2018 pedem paz e unidade. Motivo: autárquicas

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O PSD está a desconfinar e isso significa que vêm aí várias eleições internas. Só no último Povo Livre foram convocadas eleições para três distritais e 22 concelhias. E vão seguir-se dezenas de eleições nas estruturas internas até setembro. Isto significa que vem aí mais um guerra de Rui Rio contra críticos? Desta vez, não. Do que já se sabe até agora, na maior parte das distritais que se preparam para ir a votos haverá listas únicas e mesmo entre os antigos apoiantes de Luís Montenegro e Pinto Luz, a ordem é: toca a reunir para as autárquicas. Aqueles a que Rio chamou de “vírus” garantem que não vão contaminar o processo eleitoral.

Autárquicas. Rio avisa distritais que é ele quem escolhe candidatos de Lisboa e Porto e não descarta coligações com o PAN

Não vamos levantar ondas“, diz um dos maiores apoiantes de Luís Montenegro nas diretas. “Está tudo sem moral e sem vontade de criticar para depois ser acusado novamente de ser um bode expiatório“, diz outro. “O partido escolheu, está escolhido“, acrescenta outro. “O Miguel está atento, mas concentrado em ajudar o partido em Cascais”, diz um apoiante de Pinto Luz. Apenas um antigo apoiante de Luís Montenegro está mais cético: “Vamos ver se os cargos oferecidos nas diretas não podem criar fricção nas escolhas das concelhias. Isto vai correr mal”. Se é isto que muitos dizem em “off”, não é muito diferente do que outros dizem em “on”.

Mesmo o “grupo dos cinco” que alimentou aquele que Rui Rio considerou ser um “golpe de estado” em janeiro de 2018, estão pacificados e muitos deles não têm problemas de garantir em “on” que vão colaborar com a direção nas autárquicas e que a liderança é uma questão mais que resolvida.

As críticas a Rui Rio têm vindo de segundas linhas do partido. Quando o presidente do PSD foi ao programa “Isto é gozar com quem trabalha”, na SIC a 26 de abril e disse que “os vírus no PSD estão sempre em mutação” começaram a circular mensagens entre apoiantes de Luís Montenegro. Quase ninguém reagiu. Só mesmo a eurodeputada Cláudia Monteiro Aguiar é que considerou “deplorável” a prestação do líder e disse que se sentia “envergonhada”.

Já esta semana, Rui Rio foi alvo de críticas do deputado do PSD Pedro Rodrigues — que era seu apoiante — e se demitiu de coordenador da comissão de Trabalho e Segurança Social. Mesmo entre críticos de Rio o assunto é desvalorizado, já que o antigo líder da JSD não entrava nas contas de Adão Silva (futuro líder parlamentar) para coordenador. Ou seja: já ia sair dentro de duas semanas do cargo de que se demitiu.

Braga: mudar de mãos não vai ser um problema

Uma das maiores distritais do PSD, Braga, deverá ir a votos em setembro e está em fim de ciclo. O atual líder distrital, José Manuel Fernandes, foi um dos grandes apoiantes de Rio das últimas diretas, conseguindo que Rui Rio tivesse muitos votos no distrito ganho por Luís Montenegro. O adversário de Rio contou com um apoio de peso que desequilibrou a balança: o presidente da câmara de Vila Nova de Famalicão e do PSD local, Paulo Cunha.

Ora, Paulo Cunha, sabe o Observador, vai avançar com uma candidatura à liderança da distrital, mas terá um apoio consensual que inclui antigos apoiantes de Rui Rio. Deverá ser lista única, o que significa que a liderança da distrital vai assim passar das mãos de um apoiante de Rio para um antigo apoiante de Santana Lopes e Luís Montenegro. Esteve sempre no lado contrário ao de Rio. Mas isto será um problema para Rio? Não.

Paulo Cunha ainda só completou dois mandatos à frente da câmara municipal de Famalicão, pelo que o interesse é que não haja guerras internas para que seja reeleito para o terceiro mandato. Além disso, num distrito em que o PSD tem 9 autarquias em 14, ao novo líder distrital interessa não ser associado a uma derrota, até porque não vira a cara a voos futuros no partido a nível nacional (foi ele que liderou a lista Montenegro ao Conselho Nacional no último congresso).

Se isto não bastasse, é o próprio Paulo Cunha a dar essa garantia ao Observador, garantindo que embora tenha ido contra Rio em 2020 não alinhou no “golpe” de 2018: “Da minha parte não haverá qualquer movimentação até ao próximo ciclo eleitoral. Tal como fiz no último ciclo eleitoral, quando antes tinha apoiado Pedro Santana Lopes.” Paulo Cunha garante que irá “contribuir para o sucesso do partido a nível local, distrital e nacional” e acrescenta: “Rui Rio contará com a minha total colaboração e sentido de compromisso nas eleições que venham a realizar-se”.

"Da minha parte não haverá qualquer movimentação até ao próximo ciclo eleitoral. Rui Rio contará com a minha total colaboração e sentido de compromisso nas eleições autárquicas"
Paulo Cunha, candidato à distrital de Braga

Setúbal: pode haver duas listas, mas não hostilidade ao líder

A distrital de Setúbal tem sido associada aos críticos a Rui Rio, uma vez que o líder, Bruno Vitorino, fazia parte do grupo que tentou destituir Rui Rio em janeiro de 2018 e foi apoiante de Pinto Luz nas diretas de 2020. As eleições estão já marcadas para 3 de julho, esperam-se dois candidatos: Paulo Ribeiro que é vice-presidente e do grupo Bruno Vitorino (que atinge o limite de mandatos) e Pedro Tomás, antigo líder da JSD de Setúbal, que é próximo a Nuno Carvalho, deputado apoiante de Rio.

Paulo Ribeiro é o favorito à vitória, até porque, mesmo quando Rio ganhou no país, Vitorino demonstrou ter o distrito de Setúbal controlado (ao contrário da concelhia, que pende para Nuno Carvalho). Para Bruno Vitorino a candidatura de Pedro Tomás — que como Paulo Ribeiro também apoiou Montenegro, mas será candidato da fação afeta a Rio — resulta da “cobardia de Nuno Carvalho, que não apresenta candidatura e mandou o testa de ferro”.

Esta disputa não vai, no entanto, perturbar a paz com a direção nacional. Se ganhar o grupo de Vitorino (que é candidato à Mesa distrital) as relações vão sempre melhor com Rui Rio. “Ele tinha problemas comigo, deixo o órgão executivo, já não há razões para a direção ter problemas com Setúbal“, explica ao Observador Bruno Vitorino.

Não há razões para a direção ter problemas com Setúbal. Globalmente nesta fase, nem me parece que tenha estado mal. Revejo-me nesta fase na forma como Rui RIo lidera o partido".
Bruno Vitorino, presidente da distrital de Setúbal

O ainda presidente distrital diz que não vai promover qualquer conflito com Rio. Bruno Vitorino diz que o atual presidente do PSD “venceu duas eleições consecutivas, o assunto ficou arrumado, tem toda a legitimidade para liderar o partido”. Além disso, confessa, “globalmente nesta fase, nem me parece que tenha estado mal. Revejo-me nesta fase na forma como lidera o partido”. Em Setúbal também há cessar-fogo.

Santarém e Viseu: Recandidatos concentrados em autárquicas

Os presidentes da distrital de Viseu e de Santarém, Pedro Alves e João Moura, foram oposição a Rio nas diretas há pouco mais de quatro meses, mas agora querem concentrar-se em autárquicas. Ambos, sabe o Observador, vão ser recandidatos nas eleições das distritais que lideram, mas estão empenhados em colaborar com a direção nacional em prol das autárquicas.

O atual presidente da distrital, João Moura (que apoiou Rio contra Santana, mas Montenegro contra Rio), vai ser recandidato e, desta vez, há pouca vontade da outra fação do partido na distrial avançar. Motivo: autárquicas. Em Santarém há concelhos onde o PSD tem dificuldade em sequer ter candidatos e outros onde não quer estragar o trabalho conseguido (caso da capital de distrito, Santarém, onde Ricardo Gonçalves ainda tem a possibilidade de fazer um terceiro mandato).

João Moura — que também fazia parte da reunião que terá tentado iniciar o impeachment de Rio em janeiro de 2018 — garante que agora o que tem é uma “grande responsabilidade para montar todo o processo autárquico”, que envolve “21 concelhos e 21 candidaturas em todos”. Para o líder da distrital de Santarém é “tempo de unir as espingardas e colocar todos a rumar no mesmo sentido“. Daí que garanta que, da parte dele, não sairá hostilidade ao líder.

"É tempo de unir as espingardas e colocar todos a rumar no mesmo sentido"
João Moura, presidente da distrital de Santarém

Em Viseu, sabe o Observador, Pedro Alves — que apoiou Rio nas primeiras diretas do atual líder, mas foi mandatário de Montenegro nas últimas — também não quer hostilizar a liderança, mas sim trabalhar com a atual direção para obter o melhor resultado possível no distrito.

Lisboa e Porto. A continuidade e um caso resolvido

O Porto está apaziguado e tem eleições marcadas para 27 de junho. O presidente da junta de Paranhos e deputado, Alberto Machado, será recandidato a um novo mandato e sempre foi apoiante de Rui Rio, embora tivesse tido algumas divergências (que acabaram sanadas) na altura da constituição das listas de deputados. Na concelhia, que também irá a votos, só se prevê que exista uma candidatura (a de Miguel Seabra, que já tinha sido líder há dois mandatos). Parte do cimento da distrital é o eurodeputado Paulo Rangel, que é simultaneamente candidato à mesa distrital e à mesa da concelhia. Ainda assim, o que une a maior distrital do país é um objetivo comum: as eleições autárquicas.

Alberto Machado diz que o “objetivo de pacificar já está em parte conseguido” e que que agora o que todos querem é “fazer uma boa preparação para as autárquicas”. O objetivo é conseguir “um bom resultado nas autárquicas, que passa por aumentar o número de mandatos, e freguesias”.Dali não virão problemas. A Rui Rio já tirou de cima da distrital um dos maiores problemas: passará por ele  a escolha final do candidato que vai enfrentar Rui Moreira no último mandato.

"O objetivo de pacificar já está em parte conseguido, o que todos querem é fazer uma boa preparação para as autárquicas"
Alberto Machado, presidente da distrital do PSD no Porto

O caso de Lisboa é diferente. O líder da distrital, Ângelo Pereira, não vai a votos, uma vez que já foi em novembro de 2019. Apoiou Miguel Pinto Luz, à primeira volta, e Luís Montenegro, à segunda, mas também está disponível para colaborar totalmente com a direção nacional. Na distrital há duas recandidaturas autárquicas que estão certas: Carlos Carreiras, em Cascais, e Hélder Silva, em Mafra. Além disso, há um piscar de olho a Isaltino Morais (em Oeiras) e o antigo ministro do PSD até participou, no início de abril, numa sessão da distrital do PSD de Lisboa. Nos últimos meses tem havido aproximação do PSD a Isaltino Morais e isso podia dar ao partido mais uma autarquia importante. Resta saber se encaixa na bitola definida por Rio.

Independentemente dos desafios a que se propõe, a distrital está empenhada nas autárquicas e — apesar de Miguel Pinto Luz continuar presente e a aparecer com frequência — não fará oposição à direção. O presidente do PSD/Lisboa, Ângelo Pereira, garantiu ao Observador que “a distrital de Lisboa está focada nas autárquicas e está disponível para ser um braço armado da comissão política nacional no terreno“. Ângelo Pereira acredita assim que os membros da distrital estão “alinhados com a comissão política nacional para nas autárquicas fazer oposição às câmaras socialistas e comunistas, que ficaram muito aquém do que deviam na resposta à pandemia de Covid-19”.

"A distrital de Lisboa está focada nas autárquicas e está disponível para ser um braço armado da comissão política nacional no terreno"
Ângelo Pereira, presidente da distrital do PSD de Lisboa

Viana. Mais uma mudança pacífica

O presidente da distrital de Viana do Castelo, Carlos Morais Vieira, foi um dos críticos de Rui Rio e também um dos responsáveis pelo tal “golpe” que tentou destituir Rui Rio a meio do anterior mandato. O dirigente está, no entanto, de saída por ter atingido o limite de mandatos. À semelhança do que aconteceu em Setúbal, sabe o Observador, o candidato será o vice-presidente de Morais Vieira, Olegário Gonçalves, que não deverá ter oposição. Olegário Gonçalves já terá feito um acordo com o homem de Rio no distrito, Eduardo Teixeira (presidente da concelhia de Viana e deputado) para que não haja duas listas.

Em 2017, apesar do partido perder muitas câmaras a nível nacional, no distrito de Viana do Castelo passou de duas para  quatro câmaras, igualando o PS. Além disso, o PSD ainda deu uma ajuda ao independente de Vila Nova da Cerveira, o que faz com que a distrital costume dizer que ganhou “quatro câmaras e meia”. E há motivos para haver unidade: há três presidentes de câmara que chegam a fim de ciclo e o PSD quer conquistar duas dessas câmaras e não perder outra.

No caso de Valença, que é PSD, o presidente atinge o limite de mandatos e o PSD quer manter a autarquia. Quanto a Viana do Castelo, que tem a importância de ser capital de distrito, o  presidente José Maria Costa atinge o limite mandatos, o que é sempre uma oportunidade. Depois há Ponte de Lima, sonho antigo do PSD, tem tido sempre mais votos em legislativas, mas tem perdido a câmara para o CDS. O atual presidente Victor Mendes chega ao fim do mandato e o PSD está à espreita para tentar conquistar pela primeira vez a autarquia.

É por tudo isto que Carlos Morais Vieira quer pôr para trás da costa as desavenças com Rio. O líder da distrital diz que o “partido tem de estar unido e as pessoas têm de estar disponíveis para ajudar a inverter o rumo do que se passou em 2017“. Para Carlos Morais Vieira é essencial que o PSD seja um “partido do terreno, o partido mais português de Portugal, o partido do povo”. E garante, em algo que sintetiza todos os críticos ouvidos pelo Observador: “Ninguém está nesta altura com qualquer pensamento de prejudicar o trabalho desta comissão política nacional“.

"Ninguém está nesta altura com qualquer pensamento de prejudicar o trabalho desta comissão política nacional"
Carlos Morais Vieira, presidente da distrital do PSD de Viana do Castelo

Rio conseguiu, finalmente, a paz que nunca teve num partido. Pelo menos até ao último trimestre de 2021. Se as autárquicas correrem mal (ou bem) a Rio há sempre uma certeza: há diretas dois ou três meses depois. E é o líder que sairá dessas eleições internas (2020) que volta a escolher listas de deputados e, caso as coisas corram mal ao PS, até terem a expectativas de ser ministros. É por isso que os críticos não vão desaparecer, só hibernaram.

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