Percorrer o norte de Espanha tanto é seguir uma linha costeira recortada por falésias como é atravessar parques naturais, reservas da biosfera e troços dos Caminhos de Santiago, que ligam pequenas localidades a cidades com forte vida cultural. Galiza, Astúrias, Cantábria e País Basco formam a chamada Espanha Verde – a rota certa para quem procura natureza, gastronomia e cultura autênticas.
Galiza: Fim da terra, começo da viagem
A região a norte de Portugal é marcada pela forte ligação ao Atlântico. Ponto de chegada de peregrinos e viajantes, Santiago de Compostela é a capital da região. Vale a pena subir à catedral para perceber a escala da cidade histórica, assim como passear no parque de San Domingos de Bonaval. Em Lugo, a muralha romana pode ser percorrida a pé, ao longo de mais de dois quilómetros. Para equilibrar cultura e natureza, desce-se até às Rías Baixas ou exploram-se as ilhas atlânticas, onde a observação de aves e as praias quase intactas imperam. Para relaxar depois de tanto caminhar, recomenda-se uma passagem pelas termas de Ourense. O périplo galego termina, claro, à mesa: para provar marisco fresco acompanhado por um Albariño, é marcar mesa numa taberna local.
Astúrias: Montanha e mar sem intervalo
Numa área relativamente pequena, sobressaem os cenários tão distintos. Nos Picos da Europa, os Lagos de Covadonga são ponto de partida para trilhos com vista ampla sobre o maciço calcário. A herança pré-românica, presente em tantas igrejas, ajuda a compreender a longa história dos Caminhos de Santiago. Em Gijón, o bairro de Cimadevilla e as Termas Romanas recordam o passado portuário. Em Oviedo, há que visitar o Museu de Belas Artes das Astúrias, assim como o animado centro histórico, com uma forte tradição sidreira – é obrigatório experimentar uma sidra natural servida em escanciado, isto é, vertida da maior altura possível, numa espécie de ritual asturiano. A gastronomia alterna entre mar e montanha, com destaque para as faladas (guisados com feijão e enchidos) e para a impressionante variedade de queijos locais.
Cantábria: Grutas, ondas e arquitetura
Uma combinação entre património natural e intervenção contemporânea define a região. As grutas pré-históricas, com destaque para de Altamira, são importantes para compreender a evolução da ocupação humana naquela zona. De volta ao tempo presente, o teleférico de Fuente Dé leva os passageiros às alturas dos Picos da Europa – passeio lento mas de emoções fortes. Para quem prefere ter os pés assentes na terra, há trilhos menos percorridos para caminhar. Em Santander, atravessa-se a baía até Somo e observa-se o Centro Botín a partir da água; ao final do dia, o passeio marítimo até ao imponente Palácio da Magdalena faz-se sem pressa. A costa é também território de surf, com praias extensas e bem menos concorridas do que a maioria das praias espanholas do sul.
País Basco: Identidade e inovação
A identidade cultural do País Basco sente-se na língua, na arquitetura e à mesa. San Sebastián é referência gastronómica, dos pintxos nos bares da Parte Vieja aos restaurantes com estrelas Michelin. Mas Bilbau, onde o Museu Guggenheim e a ponte suspensa de Biscaia simbolizam a renovação urbana das últimas décadas, não fica atrás – nem em cultura nem em “potes”, o hábito basco de andar de bar em bar a provar petiscos). Para lá das cidades, na costa, há trilhos, como o Flysch de Zumaia, que dão a conhecer formações rochosas com milhões de anos de história geológica. Entre o mar e o interior montanhoso, o território convida a uma viagem autêntica, virada para mercados locais, adegas contemporâneas e uma agenda cultural viva ao longo de todo o ano.