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epa12399948 United Nations (UN) Secretary-General Antonio Guterres (C) speaks during the General Debate of the 80th session of the United Nations General Assembly (UNGA) at the United Nations headquarters in New York, New York, USA, 23 September 2025.  EPA/LESZEK SZYMANSKI POLAND OUT
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▲O sucessor de António Guterres toma posse no dia 1 de janeiro de 2027

LESZEK SZYMANSKI/EPA

▲O sucessor de António Guterres toma posse no dia 1 de janeiro de 2027

LESZEK SZYMANSKI/EPA

Falta de fundos, mundo em crise e pressão de Trump. ONU procura novo secretário-geral, mas arrisca "tornar-se uma sombra"

Com o processo a decorrer, corrida continua morna e nenhum dos seis candidatos reúne apoio dos membros permanentes do Conselho de Segurança. Trump pode agitar corrida, mas ONU tem problemas maiores.

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“É isto que queremos de um líder. Um líder que se preocupa com as pessoas. Queremos unir [as pessoas] — é por isso que estamos aqui hoje e é isso que vamos fazer no Mundial.” Foi com estas palavras que, no final do ano passado em Nova Iorque, Gianni Infantino atribuiu a Donald Trump o primeiro “Prémio da Paz da FIFA”. Pouco menos de duas semanas depois de ter recebido a final deste mesmo Mundial, Nova Iorque é agora palco de uma competição completamente diferente: a corrida para suceder a António Guterres no cargo de secretário-geral da ONU.

Esta quinta-feira, decorreu na sede das Nações Unidas um debate transmitido em direto com os seis aspirantes ao cargo. Mas o leque de candidatos ainda pode ser alargado ao longo do verão, e o Presidente dos Estados Unidos poderá estar à procura de devolver a honra e os elogios ao presidente da FIFA, nomeando-o para o cargo. “Ele é respeitado por todos por todo o mundo e tem uma habilidade especial para aproximar as pessoas”, afirmou uma pessoa próxima do Presidente sobre a sua visão de Infantino, ao New York Post.

Devido à natureza do processo de escolha do secretário-geral, é praticamente impossível que Infantino chegue sequer a ser nomeado ou, muito menos, escolhido. Porém, muito mais realista é a possibilidade de a administração Trump utilizar o poder de veto dos Estados Unidos na ONU para forçar a nomeação de um candidato próximo de Washington, realçam os especialistas ouvidos pelo Observador.

"As organizações raramente desaparecem (a Liga das Nações sobreviveu até 1946), mas podem tornar-se uma mera sombra do que podiam e deviam ser."
Thomas Weiss, professor emérito do CUNY Gradute Center

A possível pressão dos Estados Unidos está, ainda assim, longe de ser a maior preocupação da ONU, que lida, neste momento, com a situação internacional mais complexa desde o início do século XXI. Ao comboio de desafios — que vai da situação financeira da organização ao surgimento de novos conflitos geopolíticos — soma-se uma profunda crise de legitimidade. “As organizações raramente desaparecem (a Liga das Nações sobreviveu até 1946), mas podem tornar-se uma mera sombra do que podiam e deviam ser”, alerta Thomas Weiss, professor emérito do CUNY Graduate Center, ao Observador.

Corrida começou em novembro, mas ainda não aqueceu

O processo para encontrar o sucessor de António Guterres começou há quase um ano, com uma carta enviada pela presidente da Assembleia Geral aos Estados-membros das Nações Unidas, para que nomeassem candidatos — que não precisam de ser indicados pelos seus Estados e devem disponibilizar publicamente o seu currículo e uma declaração de intenções. No dia seguinte ao anúncio, a Argentina lançou o primeiro nome. Na carta, Annalena Baerbock pedia aos países que indicassem nomes até ao início de abril, mas o prazo não é vinculativo.

Este é um traço comum do processo de nomeação do secretário-geral que a cada ciclo, de cinco em cinco anos, é adaptado e aperfeiçoado: muitas das regras são apenas informais e não vinculativas, como a regra de rotatividade regional. Por exemplo, em 2016, esta regra apontava que o novo líder da ONU devia ser da Europa de Leste, mas um português acabou por ser o escolhido. Esta mesma regra aponta que o décimo secretário-geral deve ser oriundo da América Latina.

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▲ Os seis candidatos debateram esta quinta-feira em Nova Iorque

Bloomberg via Getty Images

Chegado o prazo proposto, cinco nomes tinham sido apresentados, mas Virginia Gamba, candidata nomeada pelas Maldivas, também já tinha sido retirada da corrida. No final de abril, a Assembleia Geral realizou a primeira ronda de diálogos interativos, sessões em que os candidatos respondem a questões feitas pelos Estados-membros e pela sociedade civil. No final de junho, realizou-se uma nova ronda destas “entrevistas” — desta vez, com duas novas candidatas, entretanto nomeadas.

Esta quinta-feira, os seis candidatos encontraram-se frente a frente em Nova Iorque para um longo debate transmitido em direto em que debateram os obstáculos que a ONU enfrenta. Contudo, a corrida continua morna. Por um lado, os candidatos “partilham um diagnóstico semelhante dos problemas, principalmente no que toca à marginalização da ONU nos processos de paz e diplomacia”, aponta Daniel Forti, responsável pelos assuntos da ONU no think tank Crisis Group. A divergência “está na forma como atacariam o problema” e no currículo de cada um, explica ao Observador.

Por outro lado, a fase mais crítica do processo ainda nem sequer começou. Para um líder ser eleito, deve reunir nove votos favoráveis entre os 15 membros do Conselho de Segurança e nenhum veto dos cinco membros permanentes. A primeira destas votações informais deve acontecer no dia 30 de julho, sendo depois o processo repetido ao longo do verão — e, normalmente, até outubro. Até lá, ainda se irá realizar a 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o maior evento anual da organização.

"A história do Infantino é uma lembrança que novos candidatos ainda podem saltar para o pote, especialmente se nenhum dos aspirantes que já existem se sair muito bem nas votações informais do Conselho de Segurança."
Richard Gowan, diretor do programa de Problemas e Instituições Globais do Crisis Group

“A história do Infantino é uma lembrança de que novos candidatos ainda podem saltar para o pote, especialmente se nenhum dos aspirantes que já existem se sair muito bem nas votações informais do Conselho de Segurança”, realça Richard Gowan ao Observador. O diretor do programa de Problemas e Instituições Globais do Crisis Group não descarta esta opção, até porque os membros permanentes, em particular a China e os EUA, ainda não demonstraram o seu apoio por nenhum dos seis candidatos a concurso.

Quem são e o que defendem os seis candidatos na corrida

Rafael Grossi

Rafael Grossi é argentino, foi nomeado pela Argentina no dia 26 de novembro de 2025, e é apontado por alguma imprensa internacional como “o favorito”. Contudo, os especialistas ouvidos pelo Observador recusam utilizar esta expressão para se referir a qualquer um dos candidatos. Grossi é, atualmente, o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica e o seu nome tem ganho destaque pelo seu envolvimento na guerra na Ucrânia, na monitorização da central nuclear de Zaporíjia, e no Irão, no acompanhamento do programa nuclear.

O seu longo currículo como diplomata e o seu conhecimento nestas áreas levam-no a defender um secretário-geral com um papel mais interventivo, que “utiliza todas as ferramentas à mão”, afirmou durante o debate. Entre os seis candidatos, Richard Gowan destaca Grossi como “invulgar” pelo facto de ter “desvalorizado alguns temas como o combate às alterações climáticas, que os outros candidatos querem priorizar”.

epa12905680 International Atomic Energy Agency Director General Rafael Grossi speaks to reporters at the United Nations headquarters in New York, New York, USA, 21 April 2026. Grossi announced on November 2025 he intends to run to become the next United Nations Secretary-General  EPA/YONHAP SOUTH KOREA OUT

▲ Rafael Grossi é atualmente o líder da Agência Internacional de Energia Atómica

YONHAP/EPA

Michelle Bachelet

Michelle Bachelet foi nomeada no dia 2 de fevereiro pelo seu país natal, o Chile, em conjunto com o Brasil e o México. A chegada ao poder de um novo Presidente, de extrema-direita, levou o Chile a retirar o seu apoio à nomeação, o que permite perceber logo à partida a inclinação ideológica da candidata. Bachelet, antiga Presidente do Chile, permanece na corrida, apoiada pelo México e o Brasil.

Do seu currículo, destaca-se ainda a sua liderança do Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, onde travou diálogo com as potências e recusou pressões políticas das mesmas. Bachelet prometeu levar esse compromisso com a luta pelos Direitos Humanos em todo o globo para a liderança das Nações Unidas. “Vou dizer em voz alta aquilo que considero ser a minha autoridade moral e o meu dever”, declarou.

epa10010642 United Nations High Commissioner for Human Rights Michelle Bachelet addresses a press conference after announcing she would not seek a second mandate, during the opening day of the 50th session of the Human Rights Council at the European headquarters of the United Nations in Geneva, Switzerland, 13 June 2022.  EPA/VALENTIN FLAURAUD

▲ Michelle Bachelet é antiga Presidente do Chile e ex-Comissária da ONU para os Direitos Humanos

VALENTIN FLAURAUD/EPA

Rebeca Grynspan

Grynspan foi vice-presidente da Costa Rica, país que a nomeou no dia 3 de março, e é atualmente secretária-geral da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento, cargo para o qual foi nomeada por Guterres, pelo que é vista como uma candidata de continuidade. A par com a intervenção em “cenários de conflito”, Grynspan prima pela aposta no desenvolvimento como ferramenta de construção de paz.

epa09467838 The new Secretary General of the United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD), Rebeca Grynspan, speaks during a press conference at the European headquarters of the United Nations in Geneva, Switzerland, 14 September 2021. The Costa Rican economist took up her new role on 13 September for a four-year mandate.  EPA/SALVATORE DI NOLFI

▲ Rebeca Grynspan é a secretária geral da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento

SALVATORE DI NOLFI/EPA

Macky Sall

Antigo Presidente do Senegal e da União Africana, foi nomeado pelo Burundi e é o único candidato não oriundo da América Latina. A sua abordagem para relegitimar a ONU passa por reformas que tornem a organização mais “ágil e eficaz” e que promete implementar logo nos primeiros 100 dias do seu mandato. O seu objetivo é “aproximar as pessoas” através do diálogo.

epa10697053 A handout photo made available by Photo host Agency RIA Novosti shows Senegal's President Macky Sall listening to Russian president during a meeting with a delegation of African leaders and senior officials on the sidelines of the St. Petersburg International Economic Forum in St. Petersburg, Russia, 17 June 2023. The leaders of seven countries flew to Russia to discuss ways to resolve the conflict in Ukraine.  EPA/PAVEL BEDNYAKOV/HOST PHOTO AGENCY/RIA NOVOSTI/SPUTNIK HANDOUT  HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES

▲ Macky Sall foi Presidente do Senegal e liderou a União Africana

PAVEL BEDNYAKOV/HOST PHOTO AGENCY/RIA NOVOSTI/SPUTNIK HANDOUT/EPA

María Fernanda Espinosa

Nomeada a 11 de maio por Antígua e Barbuda, já depois da primeira fase de entrevistas, a equatoriana que já presidiu à Assembleia Geral da ONU não defende apenas a intervenção, mas a “prevenção muito precoce de conflitos”. “Eu mesma estarei lá, a carregar a bandeira da ONU”, declarou. A sua candidatura destaca-se pelo profundo conhecimento daquilo que classifica como “a máquina da ONU”.

▲ María Fernanda Espinosa é a antiga presidente da Assembleia Geral da ONU

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Carolyn Rodrigues-Birkett

Rodrigues-Birkett passou o último ano sentada no Conselho de Segurança das Nações Unidas, como representante da Guiana na ONU. Foi nomeada no dia 15 de junho pelo seu país natal, mas reúne o apoio unânime dos países do CARICOM (Comunidade Caribenha). A candidata prometeu continuar a dar rosto aos países mais sub-representados da organização caso chegue ao cargo de secretária-geral. “Eu seria uma secretária-geral que se esforça, seja no Irão, no Haiti, no Sudão ou na República Democrática do Congo”, declarou.

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▲ Carolyn Rodrigues-Birkett é a representante da Guiana nas Nações Unidas

Getty Images

Uma organização fragmentada e subfinanciada para lidar com um mundo em crise

“Diplomata, funcionário público e CEO em partes iguais, o secretário-geral é símbolo dos ideais das Nações Unidas e porta-voz dos interesses dos povos do mundo, em particular dos mais pobres e vulneráveis entre eles.” É assim que as próprias Nações Unidas definem, no seu website, o cargo de secretário-geral. Se o acumular de tantas funções já faria deste um posto difícil, o contexto internacional atual torna-o ainda mais desafiante.

Durante o mandato de António Guterres, o mundo assistiu ao acelerar das consequências das alterações climáticas, à explosão da Inteligência Artificial, a uma pandemia, a um número recorde de pessoas em situação de fome, ao eclodir de uma guerra na Europa pela primeira vez em duas décadas, a dois genocídios, na Faixa de Gaza e no Sudão (classificados como tal por painéis das Nações Unidas) — e tudo isto contribuiu ainda para também aumentar os refugiados para um número recorde.

O funcionamento da ONU não acompanha um contexto internacional em que os problemas estão cada vez mais interconectados. Pelo contrário, a reascensão dos nacionalismos e a polarização dos sistemas políticos fragilizaram o diálogo enquanto ferramenta diplomática, algo que é visível principalmente dentro do Conselho de Segurança, onde as interações são “transacionais”, define o Security Council Report de maio de 2026, que se dedica a analisar o funcionamento deste organismo.

epa13073011 Colombia's Permanent Representative to the United Nations Leonor Zalabata Torres (C) speaks during a United Nations Security Council meeting at United Nations Headquarters in New York, New York, USA, 29 June 2026. The open briefing on the situation in the Middle East focused on Israeli settlements, the humanitarian situation in the West Bank and Gaza, as well as marking the end of Colombia's one month presidency of the Security Council.  EPA/OLGA FEDOROVA

▲ O funcionamento do Conselho de Segurança é apontado como um obstáculo ao sucesso da ONU

OLGA FEDOROVA/EPA

“O hard power está na moda outra vez e a ordem internacional assente na Carta das Nações Unidas está fraturada”, resume Daniel Forti, que também aponta o dedo às “divisões no Conselho de Segurança”. Além dos problemas sistémicos que a organização enfrenta — e que acenderam o debate sobre a necessidade de reforçar o poder da Assembleia Geral e repensar o poder de veto dos Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França —, o novo secretário-geral irá enfrentar, a partir da tomada de posse no dia 1 de janeiro de 2027, problemas bem mais imediatos: “Problemas de gestão e orçamento“, especifica Richard Gowan.

O especialista aponta que António Guterres já iniciou trabalhos na direção de reduzir o número de funcionários e juntar agências, de forma a tornar a gestão financeira mais eficaz. Contudo, continua a impor-se um problema de falta de fundos e os analistas são rápidos a encontrar o principal culpado no maior financiador da organização. “A ONU está com uma grande falta de fundos, em grande parte porque os EUA não estão a pagar a sua parte“, afirma o analista do Crisis Group.

O problema já tinha sido diagnosticado por especialistas da Organização Mundial da Saúde relativamente ao mais recente surto de ébola em África e volta a impor-se com a possibilidade de os Estados Unidos cortarem os fundos do Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados, avançada esta terça-feira pela Reuters. “As pessoas foram alertadas pela UNHCR para ligarem aos seus amigos na administração”, relatou um funcionário de um grupo de ajuda humanitária que trabalha com a agência das Nações Unidas.

"Embora a candidatura de Infantino pudesse animar a corrida, é improvável que a administração Trump vá gastar capital político numa candidatura que tem poucas hipóteses de obter o apoio dos outros membros permanentes."
Daniel Forti, responsável pelos assuntos da ONU no think tank Crisis Group

O poder de Trump na ONU: o veto e, mais do que isso, os fundos

A notícia sobre o alegado desejo de Donald Trump de nomear Gianni Infantino para o cargo de secretário-geral só foi noticiada pelo New York Post, o tabloide favorito do Presidente norte-americano. Mas Richard Gowan, que já trabalhou como consultor de várias agências da ONU, afirma ao Observador que “já corriam rumores há algum tempo de que ele quer o cargo de secretário-geral”.

Contudo, Gowan é rápido a recusar a possibilidade como mais uma “ideia maluca” de Donald Trump. “Embora a candidatura de Infantino pudesse animar a corrida, é improvável que a administração Trump vá gastar capital político numa candidatura que tem poucas hipóteses de obter o apoio dos outros membros permanentes”, argumenta por sua vez Daniel Forti, no mesmo sentido. Afinal, qualquer candidato muito próximo dos EUA, teria um veto certo da China e da Rússia. Thomas Weiss considera que também não seria uma escolha popular mesmo entre aliados. “Não irritar o Trump é uma coisa, agora um lambe-botas é inaceitável”, aponta.

Colocando, portanto, Infantino de lado, a mesma estratégia de veto podia ser utilizada pelos Estados Unidos em relação a nomeados muito próximos da China ou da Rússia. Mas os especialistas ressalvam que, enquanto estas potências não derem indicações mais concretas dos seus candidatos preferidos, a previsão de que candidato pode avançar nas votações sem nenhum veto é principalmente “especulação”.

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▲ Apesar dos desejos de Trump, a nomeação de Gianni Infantino é praticamente impossível

FIFA via Getty Images

Ainda assim e tendo em conta as prioridades da administração Trump e a postura que tem adotado nas Nações Unidas, é possível encontrar exemplos que levariam ao veto dos Estados Unidos. Para além da regra não escrita relativa à região de origem do próximo secretário-geral, a Assembleia Geral incentivou ainda os Estados-membros a nomearem preferencialmente mulheres, de forma a colocar uma mulher pela primeira vez à frente das Nações Unidas. O apelo traduz-se no facto de cinco das sete nomeações feitas serem mulheres. “Eu quase apostaria que a administração Trump vai vetar qualquer mulher“, arrisca Thomas Weiss. Em causa está a luta de Trump contra políticas de diversidade e inclusão.

Em todo o caso, a decisão final dos Estados Unidos deverá estar intimamente ligada ao problema mais urgente das Nações Unidas: o financiamento. “É muito fácil imaginar Washington a dizer que vai contribuir mais para o orçamento da ONU se o seu candidato ganhar a corrida, mas que vai continuar a reter fundos se os outros países rejeitarem essa pessoa”, pondera Richard Gowan. Na aritmética atual das Nações Unidas, os ultimatos não são inéditos. Mas é ainda difícil prever se qualquer um dos candidatos que já se apresentaram ao cargo consegue passar no teste — ou se ainda serão lançados novos nomes.

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