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Gamma-Keystone via Getty Images

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Françoise Hardy (1944-2024): a menina do yé-yé de Paris morreu aos 80 anos

Ícone da cultura francesa da década de 60, ajudou a definir música e estilo de uma geração. Retirada desde 2021 devido a doença, lutou até ao fim pela eutanásia. Françoise Hardy morreu aos 80 anos.

Quando tinha 16 anos, o pai ofereceu-lhe uma guitarra. O ano era 1960 e tinha acabado de completar o baccalauréat, equivalente francês do ensino secundário. Rapidamente começou a aprender o instrumento, a escrever e a compor pequenos temas que ia testando, aqui e ali, sempre inspirada pelo rock de língua inglesa que ouvia na França do pós-guerra. Uma cover de Elvis Presley viria a valer-lhe o primeiro contrato discográfico; menos de um ano depois, Tous les garçons et les filles tocava pela primeira vez na rádio – e Françoise Hardy, então com 18 anos, ajudava a dar vida a um movimento.

A música (e o álbum do mesmo nome) foram os primeiros sucessos de uma carreira que a consolidou no panteão das grandes figuras da música francesa do último século. Ao lado de Gainsbourg, Birkin, Hallyday e Vartan, Hardy, que morreu esta terça-feira aos 80 anos, foi o rosto e expoente do yé-yé, simultaneamente género musical, estilo de moda e movimento contracultura que ajudaram a definir o espírito de uma juventude rebelde e de uma nova ordem social.

A voz melancólica, a solidão e sofrimento amoroso que projetava nas suas letras e a timidez do olhar aliado à beleza fizeram da “menina do yé-yé de Paris” um ícone da moda e o ideal romântico de uma geração. “Gostar de Françoise Hardy é sinal de um homem inteligente”, dizia-se, uma máxima que atesta bem o fascínio coletivo que inspirou. Os Rolling Stones adoravam-na; David Bowie disse ter estado apaixonado por ela durante anos; Bob Dylan dedicou-lhe poemas de amor.

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Mas nem assim Hardy, introvertida inveterada, largou as inseguranças características de alguém que, como a própria escreveu na sua autobiografia, “chorava antes de sentir dor”. A tumultuosa relação com o também músico Jacques Dutronc, de quem teve um filho, marcou-a de forma profunda, para o bem e para o mal. Separados desde a década de 1980 mas casados até hoje, a autora de Les temps de l’amour resumia o “evasivo” e “misterioso” companheiro de uma vida em 2016 num detalhe curioso: “Quando vivíamos juntos, nem conseguia dizer o nome dele”.

[Já saiu o quinto episódio de “Matar o Papa”, o novo podcast Plus do Observador que recua a 1982 para contar a história da tentativa de assassinato de João Paulo II em Fátima por um padre conservador espanhol. Ouça aqui o primeiro episódio, aqui o segundo episódio, aqui o terceiro episódio e aqui o quarto episódio]

Apesar de tudo, foi resistindo às pressões dos holofotes. Uma estrela pop sempre relutante, no final da década de 60 afastou-se dos palcos para se focar por inteiro na criação em estúdio e no amadurecimento artístico. Escreveu livros, compôs e continuou a aperfeiçoar a “sonoridade melódica” que fora sempre a sua obsessão. A franja e os longos cabelos castanhos deram progressivamente lugar a um corte branco e curto, próprio de alguém que soube envelhecer. E reconhecer o fim, quando sucessivos problemas de saúde a levaram à reforma e a apelar repetidamente ao governo francês que lhe permitisse a eutanásia – um pedido que não foi aceite.

O começo tímido de um ícone francês

Françoise Hardy não teve uma infância fácil. A mãe, solteira, criou-a e à irmã com dificuldades num modesto apartamento parisiense. O pai, de família burguesa, casado e secretamente homossexual, não reconheceu de imediato a existência das filhas e, durante toda a infância de Françoise, foi ausento. As sequelas de uma infância difícil foram particularmente difíceis em Michèle, a sua irmã, que passou a vida adulta de internamento em internamento, com tendências suicidas e esquizofrénicas (em 2004, seria encontrada morta em casa).

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Françoise Hardy começou a aprender guitarra aos 16 anos após o pai lhe ter oferecido o instrumento como prenda

Sygma via Getty Images

O escape deste contexto familiar conturbado (e das dificuldades da vida no pós-guerra) era a música, particularmente a música americana, o rock ‘n roll. Os Everly Brothers, os Shadows, Cliff Richards e claro, Elvis Presley (“todos adorávamos o Elvis”, lembrava à Pitchfork em 2018), representavam um ideal musical, rebelde e livre que apelava à geração que crescia na década de 1950 – e que ajudou a influenciar o que veio a seguir.

O yé-yé francês seguia a tendência da cultura juvenil que marcou a década de 1960 um pouco por todo o mundo: irreverência e uma rejeição das convenções que os adultos da época definiam como socialmente aceitáveis. “Há um elemento de escapismo e uma ironia em alguma música yé-yé. (…) Outra componente era o conteúdo lírico atrevido, cheio de inuendos sexuais, duplos sentidos e humor”, explica Jean-Emmanuel Deluxe, autor de um livro sobre o movimento artístico.

Esse lado mais mordaz e autodepreciativo (o próprio termo “yé-yé” começou por ser uma expressão pejorativa empregue pelos que viam as músicas do género como cópias baratas de artistas anglófonos, como os Beatles) não comprometia a inovação e sofisticação musical que consagrou nomes como Jane Birkin e Serge Gainsbourg – sofisticação da qual François Hardy era um dos principais símbolos.

Se o yé-yé encorajava as suas estrelas a assumirem personas e os seus clichés (Hallyday “o rockstar”, Vartan “a colegial”, France Gall “a menina inocente”), Hardy era “a eterna apaixonada”. De expressão triste e olhar melancólico, condenada a amar sem ser correspondida, a sua identidade artística fica cristalizada logo à primeira impressão, no single que a lançou na carreira, Tous les garçons et les filles:

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Tous les garçons et les filles de mon âge / Se promènent dans la rue deux par deux
(Todos os rapazes e raparigas da minha idade / Passeiam juntos na rua)

Tous les garçons et les filles de mon âge / Savent bien ce que c’est qu’être heureux
(Todos os rapazes e raparigas da minha idade / Sabem bem o que é ser feliz)

Et les yeux dans les yeux / Et la main dans la main
(E de olhos nos olhos / E de mãos nas mãos)

Ils s’en vont amoureux / Sans peur du lendemain
(Seguem apaixonados / Sem temer o amanhã)

Oui mais moi, je vais seule / Par les rues, l’âme en peine
(Sim, mas eu sigo sozinha / Pela rua, com dor na alma)

Oui mais moi, je vais seule / Car personne ne m’aime
(Sim, mas eu sigo sozinha / Porque ninguém me ama)

Subjacente ao sucesso estava uma ideia central de autenticidade. “Françoise Hardy descrevia com veracidade a experiência adolescente, o não se achar boa o suficiente, o sentir-se amarrada. Todas as raparigas da sua idade se reconheciam nesta melancolia”, escrevia, em 2023 a Radio France. Ao mesmo tempo, e ao contrário de outras contemporâneas do yé-yé, havia em Hardy algo de inefável e inatingível, a projeção de uma sofisticação para lá da tenra idade, que fez dela um tipo diferente de sex symbol para uma geração na antecâmara da Revolução Sexual.

A redobrada atenção sobre a sua música e imagem foram uma realidade particularmente difícil para Hardy, cuja timidez e personalidade reservada lhe eram amplamente reconhecidas. Na década de 1970, já mundialmente famosa, quando se encontrou com o cantor e compositor britânico Tim Drake para um café e uma conversa sobre a escrita de letras, estava tão nervosa que nunca olhou para o musico enquanto falava, passando o tempo de olhar preso na chávena que segurava nas mãos. “Ela tinha dificuldade em ser considerada um ídolo e acabou por desenvolver uma certa paranoia”, disse ao jornal Le Fígaro Maxine Schmitt, produtor musical que trabalhou com Hardy e com aquele que viria a ser o seu marido, Jacques Dutronc.

Não obstante, um ídolo foi exatamente aquilo que se tornou, nos palcos e fora deles. Um dos mais reconhecíveis ícones da moda e a “cover girl” da década de 60, ainda hoje muitos dos seus visuais são fortemente associados com o período. Vários designers importantes tinham-na como musa; Nicolas Ghèsquiere, anos mais tarde, descreveu-a como “o pináculo do estilo francês”, incorporando elementos da moda masculina e representando o reverso da medalha de figuras como Brigitte Bardot no que a noções contemporâneas de sex appeal diziam respeito.

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Alguns dos visuais mais icónicos de Françoise Hardy

Falar de Françoise Hardy neste contexto é também falar de Paco Rabanne, o enfant terrible do mundo da moda cujos designs pautados por materiais como o metal ou o plástico também contribuíram de forma decisiva para o look futurista tão fortemente associado à década de 60. Hardy foi, com efeito, uma das suas principais musas, modelando várias das suas criações mais conhecidas, incluindo o célebre vestido metálico-dourado apelidado à época de “o mais caro do mundo”.

Paco Rabanne. O excêntrico “metalúrgico da moda” que chocou a indústria e que afirmava ter vindo de outro planeta

Todos estes fatores convergiram para a tornar, mais do que uma cantora, num símbolo, uma it girl e um modelo do que constituía a “nova mulher francesa”. Maxine Schmitt resume: “Em Inglaterra ela era uma representante de França, tinha estatuto de estrela. Era equiparável à Torre Eiffel”.

O amadurecimento artístico e “a questão” Dutronc

A primeira metade da década de 60 confirmou Hardy como um dos grandes nomes da música francesa do seu tempo. Músicas como Le temps de l’amour, L’amitié e Mon amie la rose, as suas doses iguais de romantismo e melancolia, fizeram sucesso e são ainda hoje lembradas pelo público entre as mais icónicas composições dos anos áureos da chanson francesa.

A mesma opinião, curiosamente, não era partilhada pela sua autora, que veio a olhar para os temas com algum desdém. “Era muito jovem e amadora. Não percebia nada sobre música”, disse em 2018 ao jornal The Guardian. “Algumas daquelas primeiras canções são terríveis. A sofisticação musical era algo que na altura estava mesmo muito longe das minhas preocupações”, acrescentou.

Esse desejo por um aperfeiçoamento da técnica musical e uma crescente antipatia pelas más condições dos estúdios de gravação franceses levou-a a procurar mudar de ares. Mais uma vez, as referências da música britânica serviram-lhe de farol. Em 1964, no pico da invasão britânica e da beatlemania, Hardy partiu de armas e bagagens para Londres, onde estabeleceu uma relação profissional com o músico e produtor Tony Hatch, que viria a ser responsável por alguns dos seus principais êxitos fora de França, como o tema All Over the World, cantado em língua inglesa.

Os anos que se seguiram foram de amadurecimento e independência profissional. Em 1965 chegou aos Estados Unidos onde, pese embora a barreira linguística, se tornou um nome de culto entre o público mais conhecedor; no mesmo ano, uma série de atuações televisivas na Alemanha tornaram-na um êxito internacional no país; pelo meio, criou a sua própria editora, a Asparagus (uma aventura que acabaria por correr mal e dar azo a vários processos judiciais em torno do controlo das gravações).

O culminar deste processo deu-se em 1967 quando, à semelhança do que já tinham feito os Beatles, Hardy decidiu deixar de atuar ao vivo para se focar a 100% no estúdio de gravação. Na transição para a década de 70, as músicas da cantora, ainda que carregando a tristeza de sempre, foram-se afastando da pop adolescente do passado. Exemplos desta crescente experimentação artística podem ser encontrados no tempo rítmico e cordas de Fleur de lune, ou no simbolismo poético evocado num dos seus temas mais conhecidos, La question.

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De ta distance à la mienne / on se perd bien trop souvent
(Da tua distância à minha / perdemo-nos demasiadas vezes)

Et chercher à te comprendre / c’est courir après le vent
(E tentar compreender-te / é como perseguir o vento)

Je ne sais pas pourquoi je reste / dans une mer où je me noie
(Não sei porque continuo / num mar que me afoga)

Je ne sais pas pourquoi je reste / dans un air qui m’étouffera
(Não sei porque continuo / no ar que me sufoca)

Tu es le sang de ma blessure / tu es le feu de ma brûlure
(És o sangue da minha ferida / és o fogo das minhas queimaduras)

Tu es ma question sans réponse / mon cri muet et mon silence
(És a minha questão sem resposta / o meu choro mudo e meu silêncio)

As letras de Hardy falavam muitas vezes de angústias pessoais, dores resultantes da insegurança e dificuldades amorosas vividas. Dificuldades como as provocadas pela relação com o também músico Jacques Dutronc, uma das mais célebres do meio artístico francês. Os dois conheceram-se no final da década de 60 e, nos anos seguintes, viveram um romance marcado por altos e baixos, aproximações e afastamentos, exacerbadas pelas infidelidades e alcoolismo de Dutronc.

“Uma das principais características dele era ser muito evasivo, muito misterioso. Acho que também foi isso que me seduziu”, recordou a cantora ao Le Parisien em 2016. De resto, os dois só viriam a morar juntos após o nascimento do filho, Thomas, em 1973. Mesmo assim, de acordo com Hardy, a relação esteve longe de ser normal. “Vivemos juntos na mesma casa durante 24 anos. (…) Não conseguia dizer o nome dele, era impossível. Talvez os psicólogos devessem arranjar uma explicação”.

Na década de 1980 acabariam por casar: foi um conselho de um advogado depois de a cantora ter tido um problema de saúde. “O casamento foi como a relação que tínhamos. Ele chegou à Córsega com os amigos, de avião, eu vim com as minhas testemunhas noutro voo. Não nos vimos o resto da noite”.

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Jacques Dutronc e Françoise Hardy protagonizaram uma tumultuosa relação entre as décadas de 60 e 80

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Eventualmente, a instabilidade da relação ditou a separação, em 1988. Por recusa de Dutronc, os dois nunca chegaram a divorciar-se, ainda que o músico tenha passado as últimas décadas da sua vida com outra companheira. “Quando se vivem os melhores anos de uma vida com outra pessoa, essa ligação é indestrutível”, disse Hardy. “Ele continua a ser o homem da minha vida. À distância… e sei que, quando quase morri, ele disse o mesmo de mim”.

A doença e a partida no “comboio especial”

Ao longo da década de 70, Françoise Hardy continuou a explorar novas abordagens e maneiras de fazer música. Em 1974, lançou o primeiro concept album, Entr’acte, fortemente informado pela relação com Jacques Dutronc. Depois, abrandou o ritmo para tomar conta do filho recém-nascido, regressando em 1977 com Star, o início de uma relação profissional de vários anos com o produtor Gabriel Yared, que viria a revitalizar a sua carreira e a dá-la a conhecer a uma nova geração de ouvintes.

O final da década e a transição para os anos 80 viu Hardy adotar um estilo mais comercial, apoiado na produção de Yared e nos ritmos dançáveis da música pop e funk que estava na moda na altura. Desta período, destaca-se o tema J’écoute de la musique saoule, um dos maiores sucessos de vendas da cantora.

Já consagrada entre os grandes nomes da música francesa, os anos 80 foram sobretudo de reconhecimento público pelos louros conquistados ao longo da carreira. Nestes dez anos, lançou apenas dois álbuns, em 1981 e 1988; este último, Décalages, foi promovido como o derradeiro trabalho de estúdio de Françoise Hardy, e representou mais um sucesso comercial.

A saída de cena da cantora francesa – e o eventual regresso, quando assinou um contrato discográfico com a Virgin em 1994 – coincidiu com a ascensão do fenómeno britpop, movimento musical com origem no Reino Unido e raízes na cultura que Hardy ajudou a desenhar. Tal como o yé-yé e a música dos swinging sixties, bandas como os Oasis, os Suede e os Pulp privilegiavam um som diferente, alternativo e jovial, em contraste deliberado com a sonoridade antiquada do pop-rock dos anos 80 e a melancolia e alienação do grunge norte-americano.

Uma das principais bandas deste movimento, os Blur, tornaram literal o elo de ligação com a França dos anos 60 ao colaborarem com Hardy em 1995 na versão francesa do tema To the End, uma homenagem à sonoridade da chanson.

De resto, a lista de artistas que se disseram influenciados pela música de Françoise Hardy foi apenas crescendo nos anos seguintes. De Caroline Polachek a Charlie XCX ou aos Cigarettes After Sex – destes últimos, a propósito, a própria Hardy chegou a dizer que capturaram o som que a cantora procurou “toda a vida” –, as “impressões digitais” da “menina do yé-yé de Paris” podiam ser ouvidas um pouco por toda a parte, fazendo a ponte de uma sonoridade clássica do passado filtrada pela tecnologia e sensibilidades do presente.

Sobre o porquê de ter perdurado, a própria ofereceu, com a autodepreciação característica, uma possível explicação, em 2018. “Sem a melodia não pode haver palavras, mas também preciso de uma sonoridade, um som poético que as palavras fazem quando combinadas com a melodia. Esta foi desde sempre a minha obsessão. Sei que sou muito limitada vocalmente, mas também sei porque é que ainda aqui ando – é puramente porque sou muito seletiva na escolha da melodia”.

2018 viria a marcar o ponto final na carreira, com o lançamento de Personne d’autre, o seu último álbum. A lutar contra um linfoma desde 2005, o estado de saúde de Françoise Hardy foi piorando nos últimos anos da sua vida, tendo a própria assumido uma luta pública com o governo francês pela morte medicamente assistida.

“Não posso ficar aqui, à espera que a morte chegue”, disse em 2021, num dos muitos apelos para que França aprovasse a lei da eutanásia. “[Que Macron] tenha empatia (…) os franceses que estão muito doentes e que já não têm esperança parem com o seu sofrimento quando sabem que já não há alívio possível”, disse noutra ocasião, no final de 2023.

A morte não era tema estranho às suas preocupações. Ainda que não a assustasse, foi estando cada vez mais presente com o passar dos anos, na vida e na música, em temas como Train spécial, do seu último álbum de estúdio.

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Dans ce décor crépusculaire
(Neste cenário crepuscular)

Malmené trop souvent
(Tantas vezes maltratado)

Par des courants des vents contraires
(Por entre rajadas de vento contrárias)

Il me reste peu de temps
(Já não me resta muito tempo)

Pour prendre avec toi le train spécial
(Para apanhar o comboio especial contigo)

Qui va nous emporter
(Que nos vai levar embora)

Loin du désordre et peine capitale
(Longe da desordem e da pena capital)

Vers la lumière et la liberté
(Rumo à luz e à liberdade)

 

 

“Canto sobre a morte de forma muito simbólica, positiva até. Acho que há uma aceitação da minha parte”, disse. Essa aceitação, e a luta para poder “sair de cena” nos seus próprios termos, marcaram os últimos anos daquela que foi um dos grandes nomes de um movimento e de uma geração. Uma luta que perdeu na cidade de Paris onde nasceu e onde ajudou a criar um som.

 
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