Foi há 34 anos que Portugal ficou a conhecer os genéricos. A 8 de julho de 1992 (data em que se assinala o Dia Nacional do Medicamento Genérico), este tipo de medicamentos foi oficialmente introduzido no mercado português, dando início a um caminho que não se viria a revelar nada fácil.
Durante muitos anos, os genéricos foram vistos com alguma desconfiança, quer por parte dos utentes, quer dos profissionais de saúde, o que fez com que, inicialmente, a sua representação no país fosse praticamente irrisória. Mais de três décadas depois, o cenário é outro. Atualmente, a quota de mercado de utilização dos medicamentos genéricos em ambulatório já ultrapassa os 50%.
Para Luís Abrantes, CEO da Generis, o aumento da confiança dos portugueses nos medicamentos genéricos foi um fator fundamental neste percurso. E, para isso, foi necessário um trabalho constante de combate à desinformação, para o qual contribuíram não só os profissionais de saúde, com destaque para os farmacêuticos, mas também as ações de literacia e comunicação – por exemplo, a Generis foi a primeira marca de genéricos a comunicar em televisão em Portugal -, e a proximidade e consistência.
Ao longo de mais de 30 anos, o medicamento genérico provou, com evidência e rigor regulamentar, que tem a mesma qualidade, segurança e eficácia do original.” – Luís Abrantes, CEO Generis
Luís Abrantes, CEO Generis
De um ponto de vista mais prático, também as questões financeiras tiveram influência no aumento da utilização de genéricos em Portugal. “A pressão sobre a sustentabilidade do SNS e o esforço financeiro das famílias tornaram o genérico não uma alternativa, mas uma escolha racional e responsável”, conta Luís Abrantes.
Medicamentos genéricos: facilitar o acesso a tratamentos a um custo acessível
Os medicamentos genéricos são formulados com a mesma substância ativa – aquilo que lhe confere efeito -, forma farmacêutica, dosagem e indicação terapêutica que o medicamento original que serviu de referência, garantindo, assim, eficácia equivalente.
Esta semelhança é assegurada através de um rigoroso processo de fabrico, que segue as mesmas exigências, regras e procedimentos de validação impostos pelas autoridades competentes, de forma a garantir a qualidade dos produtos.
É neste contexto que a Generis se tem vindo a destacar como marca sinónimo de rigor e acessibilidade no mercado farmacêutico português. Fundada em 2003, a marca atingiu pela primeira vez, em 2010, a liderança de mercado e, em 2017, passou a integrar o grupo Aurobindo, ganhando escala internacional. Um ano depois, chegou, também, à liderança no setor hospitalar. A chave para manter esta posição, esclarece o CEO da Generis, “é rigor, confiança, proximidade com as farmácias e os hospitais, investimento sério na produção nacional e uma postura ética e responsável”.
A liderança, para nós não é um número de quota ou exercício de ego, é uma responsabilidade diária.” – Luís Abrantes, CEO Generis
Durante mais de 20 anos de atividade, a Generis tem tido como missão facilitar o acesso dos portugueses a tratamentos seguros e eficazes, a uma fração do preço, ajudando a libertar o orçamento das famílias e a evitar que alguém tenha de escolher entre a sua saúde ou outras necessidades. “Com o maior portefólio do mercado, mais de 1400 medicamentos, conseguimos garantir alternativas acessíveis no maior número possível de áreas terapêuticas. Trabalhamos para que nenhum doente português fique sem o seu tratamento por razões económicas”, conta Luís Abrantes.
Sendo, atualmente, a marca que mais doentes trata e que mais tem impulsionado o mercado de genéricos em Portugal, além de beneficiar os utentes, o trabalho da Generis também contribui de forma significativa para a sustentabilidade do SNS. Como explica o CEO da marca, “cada euro poupado com o medicamento genérico é um euro que o SNS pode reinvestir, em terapêuticas inovadoras, em mais doentes tratados, em melhores cuidados. Os genéricos são, por isso, um pilar de sustentabilidade: permitem ao sistema fazer mais com os mesmos recursos”. Recorde-se que, só entre 2011 e 2025, os medicamentos genéricos permitiram libertar recursos no valor de 7,2 mil milhões de euros.
Num momento de enorme pressão sobre os sistemas de saúde, os genéricos não são parte do problema, são parte da solução.” – Luís Abrantes, CEO Generis
Inovar para responder a necessidades reais
O crescimento da oferta de genéricos no mercado tem de acompanhar, não só os prazos das patentes, mas também as necessidades da população e o impacto na saúde pública, que são sempre os primeiros critérios que a Generis tem em conta quando escolhe novas moléculas ou áreas terapêuticas para investir. A estes, junta-se a capacidade industrial, a exigência regulamentar e a sustentabilidade económica do projeto. “No fim, todos estes critérios convergem num só princípio: cuidar de mais pessoas, com mais soluções acessíveis”, explica Luís Abrantes.
Para o CEO da Generis, existe um grande potencial para aumento dos tratamentos genéricos, sobretudo “nas doenças crónicas de larga prevalência: cardiovascular, diabetes, respiratório e sistema nervoso central, onde o genérico tem um impacto enorme na adesão à terapêutica e no orçamento das famílias”.
Além disso, o canal hospitalar é outro foco claro de crescimento, onde se incluem áreas tão complexas como a oncologia e o HIV, bem como os medicamentos não sujeitos a receita médica. “Esta visão reflete-se na nossa atividade: se em 2024 fizemos cerca de 20 lançamentos, em 2026 iremos fazer cerca de 55 lançamentos de novos produtos: 31 de retalho/ambulatório, dos quais 6 OTC’s [medicamentos de venda livre] e 24 hospitalares. Trata-se de um ritmo tremendo, mas que constitui uma aposta clara no mercado português e europeu. É assim que continuamos a responder às necessidades reais da população”, afirma Luís Abrantes.
Desafios e oportunidades para o futuro
Atualmente, a quota de mercado de utilização de medicamentos genéricos em ambulatório, em Portugal, é de cerca de 52%. Sendo esta marca uma grande conquista para o país, a verdade é que ainda está longe dos valores alcançados por alguns países europeus – a Alemanha, por exemplo, está nos 77,7% e os Países Baixos nos 75%.
O Governo definiu como meta, ainda para 2026, alcançar a quota de 55%, mas, para lá chegar, a indústria dos medicamentos genéricos ainda tem de enfrentar alguns desafios. E para Luís Abrantes, atualmente, existem três principais. “O primeiro é económico: a contínua pressão sobre os preços ameaça a viabilidade da produção e o próprio abastecimento. Garantir um preço justo para o utente sem comprometer a sustentabilidade industrial é um equilíbrio delicado. O segundo é a resiliência do abastecimento, num contexto de cadeias globais de matérias-primas e de custos de energia voláteis – e aqui a produção nacional é um ativo estratégico para o país. O terceiro é o desafio cultural: continuar a aproximar Portugal das taxas de utilização dos melhores mercados europeus”.
A tudo isto acresce a dificuldade de atrair e reter talento qualificado, algo em que a Generis é, orgulhosamente, uma das empresas que mais investe em Portugal.
Quanto ao futuro dos genéricos, para Luís Abrantes, este assenta em três pilares: sustentabilidade, confiança e inovação acessível. “Espero um mercado mais maduro, com taxas de utilização a convergir gradualmente para os melhores padrões europeus, e com o genérico a afirmar-se como peça essencial da sustentabilidade do SNS. Veremos também novas fronteiras, da digitalização e do suporte ao doente ao crescimento no hospitalar. Nesse cenário, a Generis quer continuar a fazer o que faz há mais de 20 anos: liderar assegurando qualidade, segurança e preço justo, reforçando o nosso papel como hub industrial europeu dentro do Grupo Aurobindo, e mantendo Portugal como base de uma operação de referência”.
“Continuaremos aqui, com a mesma missão de sempre, como a marca de genéricos preferida pelos portugueses e colocando a saúde sempre em primeiro”, conclui o CEO da Generis.
O Observador esclarece: 6 perguntas para entender melhor os genéricos
1 – É mesmo seguro optar por medicamentos genéricos? Sim. Os medicamentos genéricos cumprem exatamente as mesmas normas que qualquer outro medicamento, tanto no seu desenvolvimento e fabrico, como no controlo da qualidade e nas condições de fornecimento.
2 – Porque é que os genéricos não têm o mesmo aspeto dos medicamentos de referência? Por opção do fabricante, podem existir diferenças na forma, tamanho ou cor do medicamento, o que em nada compromete a sua qualidade, segurança ou eficácia.
3 – Como é avaliada a eficácia e segurança dos genéricos? Os medicamentos genéricos estão sujeitos à legislação europeia, o que significa que são obrigados a passar por vários testes antes da sua comercialização. Todos os medicamentos – genéricos ou não – têm de ser autorizados pela Agência Europeia do Medicamento ou pelas autoridades nacionais (em Portugal é o Infarmed) antes de poderem ir para o mercado.
4 – Como é que sei que o medicamento genérico faz o mesmo efeito que o medicamento de referência? Os genéricos têm obrigatoriamente de passar por um teste de bioequivalência para demonstrar que atuam no organismo da mesma forma que os medicamentos inovadores.
5 – Porque é que os genéricos são mais baratos? Quando entram no mercado, os genéricos não precisam de incorporar os gastos com investigação e desenvolvimento, uma vez que esse trabalho já foi feito pelas farmacêuticas que criaram o medicamento de referência. Além disso, a lei impõe que um medicamento genérico tem de ser, pelo menos, 50% mais barato do que o medicamento inovador.
6 – Como é que se reconhece um medicamento genérico? Os genéricos têm na caixa a indicação MG.