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O que faz uma equipa debruçada sobre um portátil?

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

O que faz uma equipa debruçada sobre um portátil?

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

“Gente Que Não Sabe Estar": estivemos nos bastidores do novo programa de Ricardo Araújo Pereira /premium

Em vésperas da estreia do novo programa da TVI, fomos assistir a uma tarde de trabalho numa sala em Queluz de Baixo, com "Ricardo and friends", ou os 8 magníficos à beira de esgotar o Villaret.

    Índice

A sério, do fundo do nosso lugar no sofá do canto quase dávamos um dedo para antecipar a resposta que se segue: como é que reage uma produtora quando lhe pedem um braço a poucos dias da estreia de um programa? Ricardo Araújo Pereira senta-se à mesa e põe a chamada em alta voz para ninguém perder o desfecho. Foi assim que aconteceu:

 – Está, Anabela, nós precisávamos do seguinte…
 – Tens que falar mais alto.
 – Nós precisávamos do Zé Diogo a fazer de braço no domingo.
 – Queres um braço?
 – Sim, mas tem que ser o direito…
 – Com a mão aberta ou fechada?
 – É melhor aberta, se calhar…

Já podem fechar a boca. Está tudo resolvido. “Foi muito triste. Estava à espera que nos mandasse pró… (introduzir aqui aquela palavra que também não sabe estar) mas afinal a Anabela tem respondido a todos os pedidos”. No final, já com o telemóvel encostado ao ouvido de Ricardo, a produtora há-de confidenciar que quando desliga chamadas como esta solta um palavrão começado por “F”. Mas, “quando acho justo, eu faço”, desdramatiza, em resposta a um desafio como tantos outros. “O que o Zé Diogo mais gosta é de pessoas vestidas de frutas, animais… porque não alguém vestido de braço?”, denuncia Ricardo.

É neste pequeno quartel-general improvisado em Queluz de Baixo que tudo se passa antes do grande arranque de “Gente que Não Sabe Estar” (TVI, domingo, pelas 21h, mas será um rubrica do Jornal das 8, por isso convém ter cuidado), com vários detalhes por afinar, como a relação do grupo com o arquivo ou a montagem das imagens. “Quando tivermos uma rotina, se calhar basta-nos aparecer à quarta, descansamos segunda e terça. Agora ainda estamos aflitos. Falta decidir quem aparece ao vivo, mas o mais determinante é mesmo o processo de escrita”, descreve RAP, provavelmente o acrónimo mais valioso da casa depois de TVI.

O exército de escribas com que nos reunimos inclui humoristas mais jovens como Manuel Cardoso, Cátia Domingues, Guilherme Fonseca, Cláudio Almeida, Joana Marques e ainda a indispensável ala veterana, ou geriátrica: Miguel Góis e José Diogo Quintela juntam-se ao cicerone, que admite que a maior clivagem de gerações é registada à hora de almoço. “Os três velhos bebem água das pedras, os outros não”. Ausente está a personagem “Insónias em Carvão”, responsável pelo genérico, e por contributos extra semana após semana.

Como dominar a mecânica de uma laranja, módulo I

“Deram-nos uma mesa, um tapete e um mini bar”, aponta Araújo Pereira. Circulam mais águas com gás, águas sem gás e embalagens com frutos secos para picar (sussurra-se que também há cerveja, mas nós estamos em horário de expediente). Há também muita pesquisa, ou trabalho em progresso, como se diz em inglês traduzido para português. O que não há é volta a dar: a semana é marcada pelo poder do braço. Daquela “baderna do Conselho Nacional” do PSD ao Brexit; de moções de confiança a moções de censura. Ao longo de duas horas, entre as quatro e as seis da tarde, nesta sala só dá Rui Rio e Luís Montenegro, que “é bom a jogar à bola”, ao contrário de Santana Lopes, “que é péssimo”, desenterrado por Guilherme num vídeo do período cretáceo da política nacional, e que em tempos sucedeu a Durão Barroso, “que também era péssimo a jogar à bola”.

“A gente precisa é de umas folhas em vez do quadro, porque depois temos que apagar o que escrevemos no quadro”, lembra Ricardo. “Ou tiramos fotos…”, simplifica a ala millennial. “É por isso que temos aqui gente jovem”, aplaude RAP.

Há exceções numa hierarquia de pancada, como é o caso destes dias marcados pela convulsão laranja — “Amanhã fazemos uma noitada a ver o Conselho Nacional do PSD e mandamos vir pizzas”, sugere Zé Diogo. Mas a lei da vida, e acima de tudo a lei da sátira, são bem claras sobre a conduta no ringue. “Quem manda mais, apanha mais. Os alvos serão Costa, o Governo, o líder da oposição, o Marcelo lá pelo meio”, enumera RAP, uma pessoa que também não se livra de uns bons sopapos. “O meu treinador de kickboxing, o Pedro Kol, mostra-me muitos vídeos de combates e diz-me que aquilo é gente que não sabe estar. É uma ideia que germina. A ideia do verbo ‘estar’ intransitivo é boa. Temos um suplemento de um programa informativo e há uma diferença muito clara entre o discurso deles, sério, e o nosso. De um certo ponto de vista, somos essa gente que não sabe estar. Toda a gente sabe como se está num programa a sério. Nós somos uns vikings no meio do Jornal”.

Por falar em Jornal das 8 e atividades de lazer, para a história recente das redes sociais (onde RAP não está, nem vai saber estar hoje nem nunca), fica o momento em que Judite de Sousa e o humorista se cruzaram no treino. “Uma vez chego lá e estava a Judite, que já não ia há muito tempo. Foi uma coincidência. Tirámos uma foto”. A pivô partilhou-a no seu Instagram. Uma pessoa dá por si sem rede de segurança quando não está nas redes mas os outros todos estão.

José Diogo Quintela quando se lembrou de aparecer disfarçado de braço no domingo. Quem nunca teve uma ideia deste género que levante o seu © Diogo Ventura/ Observador

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Como dominar a mecânica de uma laranja, módulo II

Nem de propósito, desmontar o PSD envolve regressar a um passado 100% offline. Não havia Facebook, expediam-se cartas e tomara nós haver uma menina da Trivago para comparar preços em unidades de alojamento, um anúncio em que a equipa se está a inspirar para mais um momento bem disposto. “Eles tratavam-se por camaradas?”. Sim, e eram pela “construção do socialismo”. Cátia vasculha os arquivos em busca de outras memórias ao estilo “quem nunca?”.

A um canto, o quadro branco onde a atualidade vai sendo dissecada. Em tópicos. Nestas coisas, todos sabemos que os tópicos ajudam. E os tópicos incluem Montenegro versus Montenegro, uma escadinha de traições, listas e compras de votos. Entretanto desenterram também Balsemão no primeiro congresso do PPD/PSD. “Já fomos buscar duas intervenções a preto e branco. Isto vai ser um programa retro”, sublinha Cláudio, sentado a uma mesa onde há espaço para mais dois arqueísmos: uma caixa de canetas e uma resma de papel. “A gente precisa é de umas folhas em vez do quadro, porque depois temos que apagar o que escrevemos no quadro”, lembra Ricardo. “Ou tiramos fotos…”, simplifica a ala millennial. “É por isso que temos aqui gente jovem”, aplaude RAP.

Entretanto, ponderam a hipótese de incluírem uns miúdos no primeiro suplemento dominical, algo que envolve cante alentejano e talvez umas togas, “ou becas”, e era giro se os juízes usassem aquelas perucas, “mas não temos disso cá” — o mais parecido com a América é mandarem vir as tais pizzas para assistir ao Conselho Nacional do PSD. “Os miúdos a discutirem num tom cada vez mais infantil”. Parece que são da Damaia. Ou de Pias, atira um deles. “A não ser que haja uma Damaia no Alentejo”. Despedimo-nos sem perceber muito bem esta parte. Suspeitamos que eles também não. Adiante. Domingo logo se vê.

Uma espinhosa incursão no PS, módulo I e II de seguida, para despacharmos isto mais depressa e irmos “todos para casa ter com as nossas famílias”

“O Costa foi à Associação 25 de Abril. Às vezes nestes contextos dizem coisas que não desejavam dizer”. Eis que pinga uma notificação do Observador, sinal de boas abertas para o resto da jornada criativa. O primeiro-ministro alerta para o indesejado risco de uma “pneumonia” económica no país, informamos. “O Costa trata a economia como aquele puto que está a sair de casa e a mãe diz-lhe para levar uma malhinha para não se constipar”, compara Guilherme. “E se estivéssemos no verão, como é que era?”, especula Cláudio, uma pessoa que neste caso sabe estar em dois trabalhos ao mesmo tempo, mas não vamos elaborar muito mais para não comprometer ninguém. “Pneumonia da economia? Isto é ótimo para rimas. E lá atrás alguém gritou ‘geringonça forever’”, ri-se Guilherme.

A agenda está bem preenchida até domingo, para não dizer atafulhada de compromissos inadiáveis. “Adivinhem quem vai ao Goucha na sexta?”, atira RAP depois de atender um telefonema. “Eu gosto imenso do Goucha mas é muito em cima da estreia...”. E domingo vai ao "Dança com as Estrelas". Calma, leitores, não vai. NÃO VAI, NÃO VAI.

Em frente, quatro ecrãs de TV por onde desfila a “última hora”. E aquele anúncio do ferro de engomar que faz milagres. E o outro das grelhas para carne que são uma maravilha. No meio, gente com o futuro imediato um bocado frito. Armando Vara acaba de se entregar na prisão. Ou, em linguagem de reality show, “Armando V. é o primeiro a entrar na Casa”. Não é segredo que o miúdo de Vinhais é “o primeiro arguido do Face Oculta a ser preso”, nota uma repórter à porta da cadeia que em tempos acolheu José Sócrates e recusou a entrada a um pobre coitado que bem tentou entrar mas acabou por ser barrado, essa pérola de vídeo que Joana Marques acaba de pôr a rodar no seu computador. “O regime especial de Évora foi pensado por Sócrates. Isto é literalmente fazer a cama em que te vais deitar”. Mais uma piada que Cláudio pode registar no seu google doc — isto é gente que usa google docs, quase de certeza. “Que número é que o Vara vai ter?” “Vai ser descondecorado?” “Quantos já foram descondecorados?” As dúvidas e a contabilidade prosseguem.

Já tinham batido à porta para instalar um computador num dos gabinetes. Agora aparece Teotónio Bernardo, o realizador e produtor que os tem acompanhado (“os” aqui refere-se aos rapazes que em tempos assinavam como Gato Fedorento) desde a série “Lopes da Silva”. É preciso fazer uma peça sobre o arranque do suplemento para passar na TVI. “Uma coisa do tipo Ricardo and friends”, resume. Ricardo e os amigos anuem, apesar do evidente contra-relógio. “Estamos à rasquinha, assim a tentar reter a urina dentro do organismo”. Enfim, quem aceita um tipo vestido de braço, também aceita tudo.

A agenda está bem preenchida até domingo, para não dizer atafulhada de compromissos inadiáveis. “Adivinhem quem vai ao Goucha na sexta?”, atira RAP depois de atender um telefonema. “Eu gosto imenso do Goucha mas é muito em cima da estreia…”. E domingo vai ao “Dança com as Estrelas”. Calma, leitores, não vai. NÃO VAI, NÃO VAI. Foi só uma piada de um deles (até devia estar entre aspas). Mas era engraçado se fosse.

Parecendo que não, ainda é preciso saber quais destas ideias em cima da mesa vão ser concretizadas. A do cante alentejano continua a pairar no ar, confusa que só visto. E o nível de confusão adensa-se quando percebem que “Vasco Lourenço está contra greves”, como adverte Cátia. “Contra greves? Mas é a dos enfermeiros?” Todas. “Todas? Ah, são greves de direita”, compreendem por fim.

Lembra-se da ideia do braço? Isto foi quando RAP ligou à produtora a formalizar o pedido. Anabela achou que tinha pernas para andar. Os jovens registaram com os smartphones © Diogo Ventura/Observador

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

E os números, minha gente?

Chegados a 2019, meio mundo esbraceja por atenção. O outro meio faz o mesmo mas usa Twitter, ferramenta insípida quando os Gato Fedorento começaram a fazer humor e que hoje se enche de matéria-prima em concorrência direta com as piadas que aqui se escrevem. “Nós somos oito, eles são milhões”, nota Ricardo. Acresce que um minuto de TV leva uma hora a escrever. São 25 horas de trabalho para conseguir os cerca de 25 minutos que o formato deve durar. E a verdade é que o mundo mudou. “Sentimos logo muito isso entre 2009 e 2015, quando fizemos na SIC o ‘Esmiúça os Sufrágios’. Em 2015, quando viemos aqui fazer o ‘Isso é tudo muito bonito mas…’ notámos que havia uma diferença enorme. O exemplo do Observador, mas também o investimento de outros jornais tradicionais nos seus sites, davam-nos matéria a que dantes não tínhamos acesso. Foi uma grande ajuda. Por outro lado, a torrente de informação é tão grande que temos que ter capacidade de ir filtrando. Consegue ser sufocante”.

Além disso, tudo indica que os portugueses redescobriram a televisão e a magia dos anos 60, e que o verdadeiro horário nobre se situa algures entre a manhã e a tarde. Não acredita? Bastaram-nos cinco minutos de espera na receção para conferir a gula popular e o ritmo frenético de trabalho das duas telefonistas de serviço.

“TVI, boa tarde. Se a Ana Leal não lhe responde à carta é porque não pode.”

“TVI, boa tarde. Mas como é que está a dizer que está a ver a Fátima Lopes se o programa ainda nem começou? Nossa senhora…”

“TVI, boa tarde. Quer ter uma consulta com o doutor João ou assistir ao programa?”

O primeiro “Gente Que Não Sabe Estar”, e provavelmente o segundo também, serão gravados antes de irem para o ar, por volta do meio dia, no palco do Teatro Villaret, em Lisboa, onde decorre uma matiné que acaba às sete da tarde e que deixava pouca margem para a transição de cenários a tempo do arranque do programa, às nove da noite. Haverá 350 pessoas, a lotação máxima, que poderão assistir ao vivo, e a avaliar pela procura não estranhe se houver mudança de morada em breve. “Uma sala cheia é logo outro ambiente. Insistimos muito para que não fosse no estúdio para fazer do programa um acontecimento semanal. A Anabela Ventura telefonou-me há bocado a perguntar se dava para mudar isto para o Coliseu. Aparentemente, há bastantes inscrições para ir ver. É excelente. Antes da gravação gostávamos de poder conversar com o público”, continua RAP.

"Gostávamos andar com o programa pelas capitais de distrito. Passarmos por Évora, ir lá dar um beijinho. Vamos ver. Para já, para já, fazer o primeiro e tentarmos sair vivos da experiência”
Ricardo Araújo Pereira

O formato terá uma estrutura envolvente em madeira, e ainda uma mesa e três cadeiras, que serão ocupadas por Araújo Pereira, por um eventual convidado e por um comentador da equipa. Por cima das cabeças, suspensas no teto, estarão as mesmas mesa e cadeiras. “Se por absurdo o mundo se virasse ao contrário conseguiríamos continuar a fazer o programa. O cenário ainda não estava pronto, por isso adiámos uma semana. Gostávamos também de andar com o programa pelas capitais de distrito. Passarmos por Évora, ir lá dar um beijinho. Vamos ver. Para já, para já, fazer o primeiro e tentarmos sair vivos da experiência”, deseja RAP, ciente de que os serões têm tudo para ser mais descontraídos. “À noite é mais calmo, sim, acho que não nos exigem tanto. Embora eu ache que nós conseguimos ter talento suficiente para fazer um programa que tem audiências tão más que mesmo dando à noite ainda consegue perder com a Cristina de manhã”.

Em bom rigor, esta “Gente” deverá concorrer com o espaço de comentário de Marques Mendes, mas a maior preocupação, senão a única, é fazer coisas com graça. “Confesso que não percebo de audiências, mas também o que é que eu posso fazer? Não faço ideia o que as pessoas querem ver, acho que ninguém sabe. Há um sentido de responsabilidade, mas também temos muita facilidade em professar uma ideologia que o Alfred Jarry lançou, que é o “estou-me cagandismo”. Se correr bem, o suplemento semanal dura de janeiro a junho, depois vêm as férias, e no regresso à rotina segue-se o registo diário em outubro, por altura das eleições legislativas. “No ano seguinte, em princípio volta a edição semanal. Vamos ver se tem fôlego”.

José Diogo, Miguel, Joana, Cátia, Guilherme, Manuel, Cláudio, Ricardo e o quadro branco © Diogo Ventura/ Observador

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Convém lembrar que, no limite, isto é só humor. Coisa séria, é certo, mas ainda assim sem o poder de derrubar ou eleger governos, por mais módulos que pudéssemos arranjar para descrever uma tarde como esta. “Ficaria muito preocupado se isso acontecesse, mesmo do ponto de vista do funcionamento democrático seria estranho que oito gajos numa sala escrevessem uma piada que fizesse cair a vontade do povo nas urnas. Estamos preocupados em fazer coisas que tenham graça.” E depois a vida não é só trabalho: “Isto agora é mais meia hora e vamos todos para casa. Descansar. Cada um para a sua”. Resumindo: RAP tem mais que fazer — ainda vai escrever a crónica para a Folha de São Paulo e o texto da Comercial do dia seguinte. E não é só isso. Nunca é só isso. “Alguém quer estar com a minha família? Algum de vocês está disponível para estar com a minha família?”

Estamos a aproximar-nos do fim quando José Diogo Quintela percebe que foi adicionado a um grupo. “Este gajo com a foto do Luís Filipe Vieira é o Insónias?”. Já sabe, se se cruzar com uma foto de perfil de Luís Filipe Vieira pode não ser Luís Filipe Vieira, mas sim o Insónias em Carvão, cuja identidade não vamos naturalmente hackar, porque ainda tentamos ser pessoas que sabem estar, nem que seja um bocadinho. “Está feito. Ainda temos dois dias para escrever o programa”, remata.

Fica aquela sensação que toda a gente acusa, a que sabe estar e a que não sabe estar, quando só faltam cinco minutos para o supermercado fechar e é preciso comprar leite para os putos. Mas eles lá sabem. “Temos aqui boas piadas. Ninguém está a tomar nota disto? Devíamos estar a tomar nota”, lamenta Guilherme. Deixem lá, nós mandamos o link.

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