“Inovadores tecnológicos e empresários que estejam dispostos a levar as suas inovações e as suas empresas a novos desafios”. Esta é a premissa do Global Tech Innovator, uma competição organizada pela rede global da KPMG, que tem como objetivo identificar startups com soluções tecnológicas inovadoras, robustez comercial, tração de mercado e potencial de crescimento internacional. A Final Nacional aconteceu no passado dia 4 de setembro e deu lugar a oito pitchs de oito finalistas portugueses, consagrando-se apenas um como o grande vencedor.
Mas o que significa esta vitória? A ideia vencedora representará Portugal na Final Global, a ter lugar no Web Summit em Lisboa, já no mês de novembro, numa competição com startups de dezenas de outros países. A par, destacam-se outros fatores, como: a exposição nacional e internacional que ser finalista acarreta, bem como, a credibilidade e visibilidade junto de investidores, clientes e parceiros; a oportunidade de fazer networking, com acesso, de todos os participantes, a eventos da KPMG, bem como a oportunidade de gerar uma forte rede de contactos; a mentoria e o apoio recebido por parte da KPMG, incluindo consultoria gratuita em áreas como advisory, fiscalidade e contabilidade, durante 12 meses.
“Para nós, na KPMG, é um momento muito intenso e muito especial. É o dia em que selecionamos a startup que vai concorrer à final global, que vai representar o nosso País, é o dia em que ficamos a conhecer um conjunto de negócios e ideias inovadoras que poderão ser significativos para Portugal, para a economia nacional, e que nos aproxima da vanguarda da inovação. Para nós a inovação é crítica e, por isso, quero dar-vos estas palavras de boas-vindas”. Foi João Sousa Leal, Head of Advisory da KPMG Portugal, o responsável pelo pontapé de partida para o início da tarde. Depois de cumprimentados os participantes e saudados os jurados, foi altura de dar início aos pitchs de apresentação que se dividiram da seguinte forma: cinco minutos de apresentação do projeto e 10 minutos de questões colocadas pelos elementos do júri. Foi aqui que se tornou possível ficar a conhecer as ideias finalistas. Oito startups que se dividiram pelas áreas de Healthtech & wellness, Hardware, robotics & IoT, Energy & utilities, Security e Fintech & financial services.
Conheça os oito finalistas
BloodFlow: Revoluciona os fluxos clínicos ao usar IA para interpretar análises de sangue e gerar relatórios clínicos instantâneos, reduzindo erros humanos, aumentando a eficiência e permitindo que hospitais poupem centenas de milhares de euros por ano, enquanto os médicos se focam nos doentes.
CleoCare: FemTech que inova na deteção precoce do cancro da mama através da SenseGlove, uma luva inteligente com sensores ligada a uma app que guia autoexames e usa IA para identificar anomalias. Os resultados são revistos por médicos, permitindo maior prevenção sobretudo em mulheres de alto risco ou com acesso limitado a rastreios.
Eliot: Atua no setor da Mobilidade Aérea Avançada, desenvolvendo UAVs inovadores como o ET15 (aeronave híbrida VTOL) e o CASTA (drone modular para entregas de precisão). Combinando hardware, software e serviços, oferece soluções integradas para setores como saúde, defesa e logística, garantindo conformidade regulatória e operações reais seguras.
Enline: Fornece tecnologia Digital Twin sem sensores e soluções de dados que permitem ao setor energético monitorizar, manter e otimizar ativos energéticos, promovendo maior eficiência e sustentabilidade em toda a indústria.
Ethiack: Oferece uma plataforma de cibersegurança ofensiva alimentada por IA que testa continuamente sistemas digitais com agentes autónomos e hackers éticos, simulando ataques reais para identificar e corrigir vulnerabilidades críticas antes que sejam exploradas.
HyCarb: Pioneira na tecnologia IT-CMS (Intermediate Temperature Catalytic Methane Splitting), utiliza biometano para produzir hidrogénio com pegada negativa de carbono, carbono grafítico de alto valor e créditos de carbono. Com três patentes registadas e custos competitivos, a sua solução é facilmente aplicável em indústrias como refinarias e produção de amoníaco.
Manie: Assistente digital de energia que ajuda consumidores e empresas a reduzir faturas de eletricidade e gás, analisando faturas em segundos, comparando ofertas e automatizando a troca de fornecedor para garantir sempre o melhor preço. Desde 2024 já analisou mais de 300.000 faturas e poupou mais de €12M aos utilizadores, estando agora a expandir para Espanha.
Sunshine & Kittens: Plataforma gamificada de literacia financeira para jovens dos 6 aos 18 anos, que combina psicologia infantil, gamificação, personalização por IA e missões reais para ensinar competências essenciais de gestão de dinheiro de forma envolvente.
Inovação e disrupção, potencial de mercado, adoção por parte dos clientes, marketing e visibilidade, potencial a longo prazo, e qualidade do pitch foram os critérios de avaliação que levaram cada membro do júri a tomar uma decisão.
De acordo com João Sousa Leal, este foi “o melhor ano de sempre. Tivemos oito pitchs muito interessantes e todos estão de parabéns. Temos aqui startups com muito potencial”. Startups essas que dificultaram, e muito, na hora de atribuir a distinção. Ainda assim, foi Jorge Monteiro, Co-founder & CEO da Ethiack quem recebeu todos os aplausos da tarde, distinguindo-se das restantes sete ideias com aquela que se mostrou a mais inovadora e disruptiva.
“O que nós fazemos é hacking ético autónomo. Somos os hackers do bem. Acho que todos já sabemos a era em que vivemos. Vivemos numa era de cibercrime em que um em cada oito negócios são atacados por ano, numa média de seis dígitos de prejuízo”, explicou na sua apresentação, acrescentando: “O que nós fazemos é colocarmo-nos do lado do atacante e identificar vulnerabilidades. Porque é que nós somos melhores do que os outros? Primeiro, somos contínuos. Estamos 24/7 a testar, somos rápidos, testamos em minutos, somos precisos e focamo-nos nos riscos que realmente são impactantes”, reforçou o CEO da startup vencedora.
Quanto ao prémio, atribuição que ambicionava há muito tempo, não hesitou em reforçar a sua importância: “Significa que o trabalho que tem sido feito, nestes últimos anos, é de alguma forma admirado. Dá-nos esse sentimento de gratidão. Realmente mostra-nos que é importante para o mundo, e para empresas como a KPMG, este tipo de soluções. Mais do que tudo, é uma grande vitória para a equipa toda que está por detrás de mim. Estou aqui a apresentar, mas represento o trabalho de uma grande equipa. Fico muito feliz por eles e por estarmos a ir pelo caminho certo”.
Vencedor apurado, finalistas parabenizados por todo o trajeto até aqui, chegou a altura de preparar a próxima apresentação, agora a uma escala global. A Web Summit terá lugar de 10 a 13 de novembro e será lá que o vencedor nacional voltará a subir a palco para disputar o primeiro lugar, agora numa competição com várias startups internacionais. Num ano de ideias fora da caixa, o desejo é que esta quinta edição se multiplique e que a maior das distinções seja atribuída a uma ideia nacional.