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Numa entrevista no final de 1996, Oprah Winfrey perguntou ao músico Prince por que motivo continuava a viver em Minneapolis, uma cidade longe dos centros culturais dos Estados Unidos. “O frio afasta as pessoas más“, respondeu o cantor. A frase foi interpretada como uma referência aos tabloides e paparazzi. Contudo, para muitos habitantes da cidade, nas últimas semanas “as pessoas más” ganharam um rosto mais concreto: o de agentes dos Serviços de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).
Estes agentes federais foram enviados para o estado do Minnesota no início de dezembro, no âmbito da Operação “Metro Surge”, que tinha como objetivo deportar imigrantes sem documentos e que foi classificada pela administração norte-americana como “a maior operação de imigração de sempre”. Em Minneapolis, o ICE foi recebido com resistência pela população local e, no dia 7 de janeiro, um confronto entre agentes federais e residentes da cidade resultou na morte de Renee Good, uma mulher de 37 anos que foi baleada por Jonathan Ross, um agente do ICE.
“A morte de uma mãe tem um forte impacto emocional. Isto foi um ponto de viragem crucial no conflito entre o Minnesota e as forças federais”, avalia Mark Osler, professor de Direito na Universidade de St. Thomas, em Minneapolis, ao Observador. Depois da morte de Good, as tensões escalaram: milhares de pessoas saíram à rua em protestos, os agentes responderam, as autoridades locais apelaram à pacificação e a administração federal ameaçou enviar tropas para travar os protestos. Este sábado, uma segunda pessoa foi morta durante uma operação do ICE: Alex Jeffrey Pretti, um enfermeiro também com 37 anos, aproximou-se dos agentes e foi baleado — o Departamento de Segurança Nacional alega que os agentes se estavam a defender da arma que o homem carregava, de forma oculta.
No entanto, a ação das autoridades federais no estado do Minnesota não é apenas mais um capítulo na sequência de ataques de Donald Trump a estados e cidades “santuário”, que recusam cooperar com as autoridades de imigração para proteger as comunidades imigrantes. “Ele visou de forma consciente o Minnesota para as suas vinganças pessoais, que estão completamente, ou em grande parte, desligadas de esforços legítimos de manter o estado em segurança”, resume Rachel Moran, também professora de Direito na Universidade de St. Thomas. As “vinganças pessoais” têm dois alvos em particular: o governador Tim Walz e a congressista Ilhan Omar.
▲ O governador do Minnesota e candidato a vice-presidente de Kamala Harris, em 2024, é um dos alvos de Trump
Anadolu via Getty Images
Além de vinganças pessoais, o estado do Midwest é o alvo perfeito para Donald Trump testar as suas políticas. Profundamente democrata, o Minnesota caracteriza-se, historicamente, pela sua abertura à imigração, envolvimento cívico dos cidadãos e desenvolvimento de um sistema de segurança social comparável ao modelo europeu. “O Minnesota representa tudo aquilo que esta administração odeia. Se ele conseguir [aplicar as suas políticas] no Minnesota, nada mais o vai parar. Isto é o nível zero. Se o Minnesota cair, o resto do país vai cair“, considerou Mukhtar Ibraim, jornalista e empresário somali e norte-americano, que mora no estado há mais de vinte anos, ao New York Times.
O governador que quis ser vice de Harris e a congressista que representa a comunidade somali: os alvos de Trump
No final do ano passado, um Youtuber norte-americano publicou um vídeo em que visitava várias creches no Minnesota e levantava questões sobre a legitimidade do seu funcionamento e da gestão de fundos públicos. As creches eram, na sua maioria, geridas por pessoas de dupla nacionalidade, somali e norte-americana. Vários membros da administração norte-americana, incluindo o vice-presidente JD Vance, mencionaram e partilharam o vídeo, atirando-o para a agenda mediática.
A acusação de fraude no estado não era nova. Ao mesmo tempo, decorria o julgamento de um esquema de desvio fundos federais no âmbito de um programa já existente de distribuição de refeições gratuitas nas escolas, que foi flexibilizado durante a pandemia de Covid-19. Dezenas de pessoas receberam 250 mil milhões de dólares, mas as refeições nunca foram servidas às crianças. Os dois casos — que não eram únicos — serviram como gatilho para Donald Trump responder duramente. Primeiro, anunciou a suspensão de fundos federais para o Minnesota e, a 5 de janeiro, o destacamento de mais dois mil agentes federais, incluindo do ICE e do Departamento de Segurança Nacional, para investigar os esquemas de fraude.
A professora Rachel Moran argumenta, contudo, que o caso de fraude é apenas uma “justificação para tentar deportar ou assustar grandes partes da população”. “Sabemos que não está realmente preocupado com a fraude, porque ele perdoou várias pessoas condenadas por fraude e outros crimes financeiros, mas parece mais uma desculpa conveniente para enviar mais agentes de imigração para o Minnesota”, elabora, em tom crítico. A mesma denúncia foi feita por um agente do ICE, sob anonimato, à revista TIME.
▲ Ilhan Omar (à esquerda) é uma das vozes mais progressistas e críticas de Trump no Congresso
Middle East Images/AFP via Getty
“Nenhuma dessas capacidades [para investigar fraudes financeiras] foi pedida quando procuraram voluntários, ou quando recrutaram. Foi só ‘precisamos de pessoas para irem para lá e encherem a área‘. [Se esse fosse o objetivo], trariam uma equipa de agentes especiais do HSI [Investigações de Segurança Nacional, uma agência dentro do Departamento com o mesmo nome] que fizeram isto antes, que investigaram este tipo de fraude”, elaborou o agente.
Tendo isto em conta, coloca-se uma questão: por que motivo Trump se focou no Minnesota, quando a comunidade imigrante e o número estimado de imigrantes sem documentos está abaixo da média nacional e é particularmente pequena, quando comparada com grandes estados como Nova Iorque, Califórnia, Texas ou Florida? A resposta, apontam os especialistas ouvidos pelo Observador, está, em parte, nos sentimentos negativos que nutre por dois políticos democratas do Minnesota.
O primeiro é Tim Walz, o governador do Minnesota. O conflito com Walz é explicado pelo facto de o governador o ter enfrentado nas eleições de 2024, quando concorreu como candidato a vice-presidente de Kamala Harris. A par com as críticas a Trump e às ações do ICE, Walz tem apelado aos manifestantes que se mantenham pacíficos e não “agitem as chamas do caos”. Em resposta, recebeu uma intimação do Departamento de Justiça por obstrução à justiça. E a pressão de Washington já parece ter tido um preço. Ao contrário de outros governadores democratas, cujos confrontos com Donald Trump os levam a tomar posições mais combativas — entre os quais o exemplo mais evidente é o governador da Califórnia, Gavin Newsom —, Walz já anunciou que não se irá recandidatar a governador.
O outro político visado por Trump é Ilhar Omar, congressista progressista eleita pelo 5.º distrito de Minneapolis em 2019. Omar foi a primeira pessoa somali e americana a ser eleita para o Congresso e tornou-se a cara da comunidade somali do Minnesota. Vivem no estado cerca de 80 mil pessoas de origem somali — a maior comunidade somali nos EUA — a maior parte dos quais, tem, como Omar, nacionalidade norte-americana. Motivado pelo alegado caso de fraude das creches geridas por somali, exposto no final de 2025, e pela oposição firme de Omar a todas as suas políticas, a Somália e a comunidade têm-se tornado um dos alvos favoritos de Trump — nas últimas semanas, o Presidente referiu-se ao país como “lixo” e chegou a dizer que “nem é um país, não tem nada que se pareça com um país e, se é um país, é o pior do mundo”.
Omar e outros dois congressistas enfrentam agora contra o poder presidencial uma luta pelo acesso aos centros de detenção do ICE, depois de a sua entrada ter sido bloqueada pelo Departamento de Segurança Nacional. Os congressistas tentaram recorrer da decisão, que viram como um bloqueio do livre exercício do poder legislativo, mas um tribunal distrital aceitou o bloqueio imposto pelo departamento federal.
Minnesota: um estado que abre portas a imigrantes, vota firmemente nos democratas e protagoniza um “paradoxo”
Quando Donald Trump regressou à Casa Branca, há pouco mais de um ano, a sua promessa de deportar imigrantes sem documentos traduziu-se num investimento singular no ICE, que se tornou na agência federal mais bem financiada, e numa mudança no treino dos seus agentes, que baixou de 13 para seis semanas. “Uma receita para o desastre“, definiu um agente do ICE à TIME, notando que a falta de treino resulta em falta de conhecimento sobre a lei de imigração. Sem este conhecimento, os “erros” — como Trump definiu — tornam-se mais prováveis. “Às vezes, o ICE vai ser demasiado duro com algumas pessoas. Vão cometer erros”, declarou o Presidente na passada terça-feira sobre a morte de Renee Good.
Apesar da vitória eleitoral concedida a Trump e à sua política de imigração, a maior parte da população norte-americana não concorda com a atual atuação do ICE. Segundo um inquérito da YouGov para a CBS, depois da morte de Good, 61% dos inquiridos consideram que o ICE está a ser “demasiado duro” — um aumento de cinco pontos percentuais em relação ao inquérito anterior. O cenário no Minnesota é ainda mais específico: afinal, o estado não deu a vitória a Trump em nenhuma das três eleições que disputou.
A realidade parece “aborrecer” Trump, destaca o professor Mark Osler. No início do mês, num discurso em Detroit, o Presidente chegou mesmo a insistir que ganhara as eleições “manipuladas” de 2020 e, especificamente, que tinha ganhado as três eleições no Minnesota. (quando, na verdade, perdeu tanto para Hillary Clinton, como para Joe Biden e Kamala Harris). Mas mais do que um mero chumbo a Trump, os resultados eleitorais são um sintoma do clima político no estado — que se traduz no facto de a última vez que o Minnesota votou num candidato presidencial do Partido Republicano foi na eleição de Ronald Reagan, em 1984.
“As pessoas do Minnesota, especialmente em Minneapolis, tendem a ser politicamente liberais e opõem-se fortemente à invasão de agentes do ICE que vieram prender e deportar muitos dos nossos vizinhos”, analisa Rachel Moran. O “liberalismo” do Minnesota é uma tendência histórica. Em 1973, o então governador do Minnesota foi capa da revista TIME, com o título: “Minnesota, um estado que funciona“. A peça, relembrada agora pelo New York Times, deixava longos elogios ao estado, à sua economia sólida, números baixos de crime, largos investimentos na educação e na saúde, apoiados por políticos e uma classe alta disposta a taxar os mais ricos em troca de uma sólida rede social.
▲ A evolução histórica e política do Minnesota resulta num estado particularmente liberal e anti-Trump
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A economia mais à esquerda que no resto do país era fruto do contributo de imigrantes que ali chegaram vindos da Europa durante o século XIX e início do século XX. Ao longo do século XX, a abertura à imigração continuou, com comunidades Hmong e do Camboja, que chegaram ao país depois da retirada norte-americana do Vietname, e depois da Etiópia, da Somália e, mais recentemente, da Ucrânia. “Esta ética entra em conflito com a hostilidade de Trump a imigrantes, particularmente aos que vêm de nações mais pobres”, pondera Mark Osler.
Inversamente, esta realidade contribuiu para acentuar uma divisão cultural entre comunidades, argumentou o professor Samuel L. Myers Jr., em 2020, num fenómeno a que deu o nome de “Paradoxo do Minnesota“. De um lado, estão pessoas brancas, de classe média e média alta, dispostas a financiar o Estado social, mas a não estarem dependentes dele. Do outro lado, estão as comunidades imigrantes e racializadas, que são vítimas de “políticas discriminatórias que se tornaram institucionalizadas”. Alguns analistas apontam que esta divisão pode ser explorada por Trump para colocar em prática, de forma bem sucedida, as suas políticas.
“Nós já passamos por isto antes”: semelhanças e diferenças com os protestos depois da morte de George Floyd
Poucos quarteirões a sul da rua onde Renee Good foi morta pelo ICE, a apenas três minutos de carro, fica a Praça George Floyd. O nome foi dado em 2022, para homenagear George Floyd, o homem afro-americano morto por um polícia, Derek Chauvin, nesse mesmo cruzamento no verão de 2020. Depois da morte de Floyd, milhares de pessoas saíram às ruas por todo o país, em manifestações com o lema “Black Lives Matter“. Em Minneapolis, as manifestações evoluíram para motins que fizeram vários mortos e levaram Tim Walz, que era já governador, a convocar a Guarda Nacional.
A morte de Floyd marca ainda a memória comum de Minneapolis, o que facilitou uma resposta organizada à “invasão” do ICE. Hillary Oppmann, uma consultora de energias renováveis de 50 anos, relatou ao New York Times que os grupos que estavam “adormecidos” desde 2020 foram rapidamente reativados, sem ter sido necessário organizar redes de apoio a partir do zero. Estes grupos dividem-se entre vigiar agentes do ICE à paisana e alertar a comunidade para a sua presença e providenciar bens a famílias e imigrantes que não têm saído de casa com medo de serem detidos. “O ICE não estava à espera disto, de estarmos tão organizados, mas nós já passamos por isto antes“, afirmou Letitia Meyer, que mora no bairro onde Good foi morta e também faz parte destes grupos, ao Le Monde.
▲ Na Praça George Floyd e por toda a cidade de Minneapolis, ainda há memórias do assassinato e dos motins de 2020
CRAIG LASSIG/EPA
A partir do centro de Minneapolis, onde mora desde antes de 2020, a professora Rachel Moran relata que “acompanhou atentamente” os dois casos e reconhece que são “semelhantes”: um civil foi assassinado, seguindo-se “uma ocupação federal” que “envolveu táticas abusivas dos agentes da autoridade”. Depois da morte de Good, multiplicaram-se os relatos de incidentes caracterizados pelos manifestantes e autoridades locais como “abusivos”: pessoas foram arrastadas despidas para fora de casa, uma mulher que disse estar a caminho do hospital foi arrastada para fora do carro, um homem foi baleado durante um protesto e crianças foram detidas.
O escalar de tensões resultou, este sábado, na morte de um segundo cidadão norte-americano às mãos do ICE. Apesar das temperaturas negativas, a morte de Alex Pretti levou milhares de pessoas às ruas, em Minneapolis, mas também noutros pontos do país. Em resposta, o governador do Minnesota e o autarca de Minneapolis, Jacob Frey, voltaram a apelar à calma dos manifestantes e a reiterar pedidos a Washington para retirar os agentes federais da cidade. Contudo, também foi anunciado o destacamento da Guarda Nacional estadual do Minnesota, que utilizarão coletes refletores, de forma a serem distinguidos dos agentes federais.
Se o Presidente caracterizou a morte de Renee Good como “uma tragédia” que lamentou, a mesma empatia não foi estendida aos manifestantes que têm ocupado as ruas de Minneapolis, que classificou como “agitadores profissionais”, nem à administração local. Este sábado, Trump acusou Walz e Frey de “incitarem uma insurreição”, enquanto JD Vance os acusou de “trabalharem com agitadores de extrema esquerda”. Já a secretária da Segurança Nacional Kristi Noem, foi mais longe e acusou os manifestantes de serem, como já tinha feito com Good e fez novamente com Pretti, “terroristas domésticos“.
Porém, os professores ouvidos pelo Observador são rápidos a notar uma enorme diferença entre os manifestantes de 2020 e os “agitadores” e “terroristas domésticos” de 2026. Os atuais protestos continuam há vários dias de forma pacífica, sem qualquer relato significativo de violência perpetrada pelos manifestantes ou de destruição de propriedade privada — ao contrário dos protestos depois da morte de Floyd, que resultaram em motins e em 19 mortos. Esta sexta-feira, na véspera de Alex Pretti ter sido morto, Minneapolis cumpriu um dia de greve geral. Durante 24 horas, cerca de 50 mil pessoas, segundo estimativas dos organizadores, não trabalharam, não foram à escola e não fizeram compras e, em vez disso, saíram às ruas, apesar dos termómetros, que rondavam os 29ºC negativos.
O “laboratório” para testar deportações, ataques a adversários e uso de força militar
O frio, que Prince falava na entrevista de 1996, tem sido uma constante nos protestos. Hillary Oppmann, a manifestante que falou com o New York Times, utiliza o tema para fazer um trocadilho frequente nos cartazes que ocupam Minneapolis: “As pessoas do Minnesota são muito boas a partir gelo” (“ice”, em inglês, que significa tanto gelo, como a agência federal). Esse mesmo gelo tem funcionado como “aliado” dos manifestantes: pelas redes sociais, multiplicam-se vídeos de agentes, pouco habituados ao clima do estado do Midwest, a escorregar e a cair no gelo que cobre as ruas. Numa destas ocasiões, um agente que seguia um manifestante caiu e deixou no chão a recarga da arma automática que carregava.
A munição foi apanhada por um comissário da câmara de Minneapolis que estava no local. “Bem, estamos muito perto de uma guerra civil, porra“, declarou a uma colunista do New York Times, que também assistiu ao momento. Este funcionário, Dan Engelhart, não é o único a fazer referência a uma guerra civil. Claire Finkelstein, diretora do Centro de Ética e Estado de Direito da Universidade da Pensilvânia, escreveu uma coluna de opinião no jornal The Guardian em que compara o cenário atual em Minneapolis ao de uma simulação conduzida em outubro de 2024 nesse mesmo centro de investigação. Nessa simulação, um Presidente destacava tropas federais para o estado da Pensilvânia, o governador resistia e o cenário terminava numa guerra civil entre poder local e poder federal.
▲ As autoridades locais denunciam "abuso de poder" por parte do ICE. Trump ameaça enviar também o Exército
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Saltando da simulação para a realidade, Donald Trump ameaçou invocar a Lei da Insurreição, uma lei de 1807 que permite ao Presidente enviar tropas federais para um estado para restaurar a ordem pública, sem precisar de permissão estadual. A última vez que esta Lei foi utilizada foi há mais de 30 anos, em 1992 — nunca os Estados Unidos tinham estado tanto tempo sem um Presidente invocar esta Lei, pelo que o momento atual é inédito, mesmo que o mecanismo não venha a ser utilizado.
Porém, o professor de Direito Mark Osler desvaloriza que isto possa conduzir os Estados Unidos a uma guerra civil. “Uma guerra civil não está iminente nem é sequer possível — afinal, um lado tem um Exército”, salienta. E mesmo sem mobilizar a Guarda Nacional ou as Forças Armadas, o poder federal está claramente em vantagem sobre o poder estadual: neste momento, estão em Minneapolis cerca de 3 mil agentes, mais do triplo dos agentes de autoridade locais. E o Departamento de Defesa tem pelo menos 1.500 soldados em standby para também serem enviados para a cidade, avançaram responsáveis norte-americanos à Associated Press.
Contudo, mesmo sem a possibilidade de uma “guerra civil”, o atual cenário em Minneapolis é muito relevante, pois representa um teste de Donald Trump. A cidade é a “placa de petri” ou o “laboratório ao ar livre“, como define a imprensa internacional, onde o Presidente pode testar os seus poderes presidenciais, as suas políticas anti-imigração, a perseguição a inimigos políticos por via da justiça, a retirada de fundos federais ou o bloqueio dos poderes legislativos.
Se for bem-sucedido no Minnesota — um dos estados onde é menos popular e onde enfrenta mais resistência popular —, o cenário poderia ser replicado com mais facilidade noutras cidades. Esse mesmo plano foi confirmado por uma porta-voz da Casa Branca, que declarou que o escrutínio a democratas “incompetentes e corruptos” ia acelerar. E nem foi preciso esperar por um sucesso comprovado no Midwest para avançar com operações noutros estados — esta quarta-feira, o Departamento de Segurança Nacional anunciou uma nova operação semelhante à “Metro Surge” no Maine.