Minis, Masterchef e 400 lenços coloridos. Matt Preston, o crítico do punk rock /premium

02 Setembro 20191.107

Gosta mais de música que comida, é maluco por futebol, adorava jantar com Mourinho e não esconde a tristeza da saída do Masterchef Austrália. Matt Preston está em Lisboa e falou com o Observador.

Grelhada mista com sardinhas, linguado, rodovalho, amêijoas à Bulhão Pato, filetes de peixe aranha e aguardente de figo, frango assado com batata frita e salada, arroz de tamboril, ostras, torta de alfarroba, secretos de porco preto com batata frita, presunto, salada de polvo, bacalhau assado, pastéis de bacalhau, de Tentugal e pão-de-ló — esta lista podia ser a ementa completa de um restaurante de comida típica portuguesa mas não, é a listagem de algumas das iguarias que Matt Preston, o famoso crítico e jurado do Masterchef Austrália, tem provado nos últimos dias em Portugal.

Num misto de férias com trabalho — vem apresentar o seu livro de receitas “Delicioso, Fácil e Rápido” na livraria Buchholz, em Lisboa, na próxima terça-feira, 3 de setembro, pelas 18h30 –, aquele que será, muito provavelmente, o homem mais bem vestido da televisão mundial (são famosos os seus fatos e lenços de mil cores e padrões) tem estado a descobrir o nosso país de sul a norte, literalmente. Começou pelo Algarve e as maravilhas de sítios como a ilha da Fuzeta ou Cacela Velha, por exemplo, passando por Beja e seguindo por Lisboa. Foi nesta passagem pela capital, entre refeições e mil e uma provas, que o Observador teve oportunidade de conversar com ele ao vivo e a cores sobre o linguado português, as cervejas minis e outras coisas que foi descobrindo por cá.

Vestido com o rigor e aprumo de sempre — calças verdes claras com quadrículas brancas, casaco a condizer, camisa branca e lenço com flores coloridas — recebeu-nos na sua suite virada para o rio Tejo e foi lá que falou sobre o passado ligado ao mundo do punk rock, a tristeza com o fim da sua participação no Masterchef, a importância da honestidade na crítica gastronómica, o Chelsea de José Mourinho e o entusiasmo (frustrado) com um jogo de Deco, o jogador favorito dos seus dois filhos.

Matt Preston depois da conversa que trocou com o Observador em Lisboa, junto ao Tejo, no Altis Belém Hotel & Spa. ©Melissa Vieira/Observador

O Matt já está em Portugal há algum tempo, não é? Umas semanas?
Sim, mais coisa menos coisa. É a minha primeira vez cá mas há uns dez anos que tinha o vosso país na minha “bucketlist“. Finalmente os planetas alinharam-se e fiquei do género: “Yes! Vamos a isto!” Estou a adorar! Não tenho dúvida que Portugal é uma das pedra preciosas da Europa, neste momento. Em termos da relação qualidade preço é incrível, os vossos produtos  são fantásticos, as pessoas são lindas e as vossas praias… Quando alguém vem da Austrália para a Europa têm a  ideia de que praias são as nossas, o resto é outra coisa. [risos] Mas aqui não!

Teve ainda um bom tempo para explorar um pouco mais do país? Esteve no Algarve, Alentejo, agora Lisboa… 
Queríamos ir a sítios onde pudéssemos ver o Portugal real e ficar rodeado de portugueses reais, evitar sotaques norte-americanos, por exemplo. Eu adoro os EUA, ainda agora vim de lá, mas quis ver o Portugal de que tanto ouvi falar. O Portugal que muitas vezes, enquanto turista, podes não conseguir ver.

Sentiu dificuldades a encontrar esse “Portugal real” que procurava? Nos últimos tempos tudo tem crescido muito depressa e por cá há quem tenha medo que essa autenticidade possa estar a desaparecer…
[risos] Se quiseres saber o que é verdadeiro e autêntico basta pores uma foto no Instagram e imediatamente vai haver algum português a explicar-te tudo sobre determinado alimento. Vocês são verdadeiramente apaixonados pela vossa comida! Agora a sério, acho que no Algarve foi tudo muito simples. Vivemos numa altura muito bonita da democratização do conhecimento sobre a comida e há cada vez mais pessoas a dizerem-te que quando fores ao sítio X deves experimentar o prato ou o restaurante Y. Depois de abrires uma porta destas abres imensas outras. Comemos sempre muito bem, tanto na Fuzeta como em Olhão ou em Tavira.

As memórias do ex-jurado do Masterchef em Portugal foram sendo "postadas" na sua conta pessoal de Instagram.

E o que comeu nesses sítios?
Peixe incrível, obviamente. Mas também coisas tão diferentes como figos e nectarinas maravilhosos. Estou absolutamente obcecado com o linguado, que peixe espetacular! Não temos muito peixe de fundo assim tão delicado na Austrália. Cozinhado como deve ser, na brasa, é uma delícia. Algures numa banca de rua, um braseiro a beira de uma estrada com o barco de onde veio o peixe ali ao lado… Todos esses clichés mas com imenso substrato, tanto ao nível da textura como do sabor. Este linguado está entre os melhores peixes que já comi na vida. Tivemos almoços demorados em bares de praia a comer filetes de peixe aranha… O pão de Beja com manteiga! Coisas fantástica! Ah, e muito importante também: as minis.

Muitos dizem que é o tamanho perfeito para beber cerveja… Já tinha provado?
Há quem possa achar isso mas dou-te a minha versão australiana, de Melbourne, de algo semelhante. Temos dois tamanhos de cerveja, o pot, que é meio pint, e um glass, que é o tamanho de uma mini, muito semelhante. Acho que o facto de existir uma medida de cerveja como esta só mostra que estamos num país muito quente, como a Austrália, onde as pessoas gostam de beber a sua cerveja enquanto está gelada e com gás (porquê pedir uma que de meio para baixo já fica morta?) e depois porque eu posso pagar-te uma mini, depois pagas-me tu a mim, depois sou eu outra vez, e por aí adiante… Reforçam-se estes laços de amizade na compra de rodadas aos teus amigos.

"Queríamos ir a sítios onde pudéssemos ver o Portugal real e ficar rodeado de pessoas portuguesas reais, evitar sotaques norte-americanos, por exemplo. Eu adoro os EUA, ainda agora vim de lá, mas quis ver o Portugal de que tanto ouvi falar."
Matt Preston

Como é que alguém que estudou política na universidade acaba por ir parar ao mundo da comida? 
O meu pai era jornalista, a minha tia também, tenho muitos historiadores na família por isso acho que foi natural para mim acabar por seguir este caminho. A ideia era que já que ia escrever, pelo menos escrevia sobre aquilo que adorava. Comecei pela música, depois passei para a televisão e finalmente cheguei à comida. No limite acho que tenho a sorte de sempre ter escrito sobre aquilo que adoro.

Mas houve algum momento específico em que a comida assumiu um papel diferente, maior (talvez), na sua vida?
Tive um momento Cinderela, sim. Certo dia um amigo ligou-me a dizer que ia começar uma revista nova, precisava de alguém que fizesse crítica de restaurantes e achou que eu poderia ser a pessoa indicada. Nesse momento lembro-me de parar para pensar: “Ser pago para ir comer fora com os meus amigos? Claro! Adorava fazer isso!” [risos] Disse logo que sim e nesse momento não fazia a mínima ideia de que dava para ganhar a vida a escrever sobre comida. Foi mesmo tipo Cinderela — alguém bateu à porta e eu só tive de responder: “Príncipe Encantado? Por favor, entra!” Para ser sincero nessa altura já escrevia sobre televisão, já me pagavam para ver TV, por isso…

O que é preciso para se ser um crítico gastronómico?
Precisas de muita sorte porque não há muitas vagas disponíveis. A primeira coisa que é importante perceber é que não fazes parte da indústria da comida, és dos média. As tuas responsabilidades são para com o teu público ou os teus leitores. Por acaso já não faço crítica há alguns anos mas sempre que escrevo faço-o simplesmente porque tu vais ler e eu quero que gostes. Tens de conseguir entreter com a tua escrita mas ao mesmo tempo nunca descurar os factos e a honestidade. Tens de tentar dar a entender às pessoas se elas vão ou não gostar de deixar ali o seu dinheiro.

E como é que se faz tudo isto acontecer? 
É preciso conhecimento e experiência — infelizmente só consegues ter esse dois exercendo o trabalho em si, o que torna tudo mais difícil. Depois tens de ter alguém que esteja interessado em confiar em ti e dar-te um emprego. Um bom crítico cria confiança, as pessoas que o leem tem de poder ir a um restaurante que ele aconselha porque confiam nos seus critérios. Quando começas passas muito tempo a pesquisar para ter a certeza que não fazes nada que seja estúpido — o que é fácil de fazer.

"Ahhhhhh..... Tudo!!! A  música continua a ser o melhor de tudo! A comida é ótimas mas a música é outra coisa... A comida é algo que apreciamos em grupos relativamente pequenos, a música é algo que podes partilhar com 150 mil pessoas."
Matt Preston

Atualmente, o que ainda guarda dos seus tempos de rockeiro punk que tinha uma banda chamada “Volcanic Rabbits”?
Ahhhhhh….. Tudo!!! A  música continua a ser o melhor de tudo! A comida é ótima mas a música é outra coisa… A comida é algo que apreciamos em grupos relativamente pequenos, a música é algo que podes partilhar com 150 mil pessoas. No outro dia estive a ver o filme “Bohemian Rhapsody”. Eu estive em Wembley, no Live Aid, e olhar para aquilo no filme só me fez pensar “Oh meu Deus!”, lembro-me de tudo aquilo com tanta clareza… Fui ver o Macklemore no outro dia, ele é ótimo, e todo o recinto estava aos pulos. Eu sou um homem de 58 anos e ali estava eu, com eles. Toda a gente devia estar a pensar que eu procurava a minha filha, ou algo do género, mas não. Estava ali como eles, a sentir.

Mas e numa perspetiva mais intelectual? Onde se encontra o paralelismo?
Na ideia de que qualquer um pode cozinhar. Na realidade de que a opinião de qualquer pessoa que coma fora com regularidade seja tão válida como a de qualquer crítico. Se me disseres que aquele sítio é onde costumas ir sempre para comer pastéis de bacalhau, então eu vou lá experimentar. Eu quero experimentar isso e seguir a tua dica porque sei que se me dizes é porque tens orgulho nisso e sabes que será bom. Acho que o punk, no geral, é a street food da música. Os INXS, o chamado rock de estádio, é o fine dining finório. Eu continuo a adorar estar ao pé de um homem que está a grelhar carne, que a põe num pão e ta entrega para que possas comer sentado num passeio com os pés numa sarjeta. Não há nada melhor que isso.

Dez anos de Masterchef Austrália…
Onze! É impressionante, onze!

… Foi difícil dizer “adeus”?
Sim, foi. Acho que chegámos a um ponto onde estávamos prontos para ir, o canal também sentiu que estava na altura de mudar e refrescar as coisas. Acabámos por sair num momento que nos pareceu certo. Nunca quisemos deixar de adorar fazer o programa e acho que estávamos quase a chegar aí. Vamos continuar a trabalhar juntos, é como se simplesmente tivéssemos mudado de companhia discográfica. Somos o trio punk que mudou de label mas que continua a querer fazer álbuns. Filmar juntos, comer juntos… Partilhar os nossos pontos de vista sobre comida. Agora só nos falta encontrar o sítio certo para continuar tudo isto. Estamos muito entusiasmados com este próximo capítulo.

"Há muito boa gente que nos pode substituir.. Eu só quero que o programa mantenha o seu ADN, a sua natureza, o foco na comida e não no drama. Lutamos durante 11 anos para que o programa fosse sempre sobre o aquilo que ia nos pratos e não na pessoa que os fazia."
Matt Preston

Vocês fizeram uma pausa em outubro, não foi?
Nessa altura pensámos: “Ok, dez anos de Masterchef. Vamos celebrar com uma pausa antes de começarmos a nova temporada. Vamos viajar pelo mundo, três semanas, só a comer.” Assim o fizemos. Somos muito próximos mas ficámos um bocado na dúvida se depois dessa viagem ainda íamos ter paciência para nos aturarmos uns aos outros. Obviamente que foi fantástico e até devemos ter regressado ainda mais unidos. Eu continuo a escrever sobre comida, tenho os meus livros de receitas (ainda agora acabei de terminar um novo), posso viajar para países como o teu, tenho oportunidade de sair daqui e ir para a África do Sul fazer uns espetáculos ao vivo com o George e o Gary. Há algo de rock n’roll no meio disso.

O Matt, o George [Calombaris] e o Gary [Mehigan] acabaram por se tornar na imagem do Masterchef. Acha que isso vai dificultar a vida ao próximo painel de jurados?    
Há muito boa gente que nos pode substituir. Na Austrália essa mudança será fácil porque certamente toda a gente vai conhecer os novos escolhidos. No resto do mundo acho que será mais complicado porque é pouco provável que os conheçam. Isso é um salto grande mas acho que se conseguirem encontrar as pessoas certas e se o público lhes der uma oportunidade, tudo correrá bem. Eu só quero que o programa mantenha o seu ADN, a sua natureza, o foco na comida e não no drama. Lutámos durante 11 anos para que o programa fosse sempre sobre aquilo que ia nos pratos e não na pessoa que os fazia.

George (esq.), Matt (centro) e Gary (dir.) foram os jurados do famosíssimo Masterchef Austrália. Há poucos meses anunciaram em conjunto que iriam deixar esse cargo.

Mas pessoalmente o que lhe passa pela cabeça? 
Estou triste. Eu trabalhei com aquela última equipa durante uns seis anos. Alguns deles estão lá desde o início, há onze anos. É como dizer adeus a uma família. O mais positivo é olhar para o futuro e pensar que ele será entusiasmante de certeza.

Conhecia o George e o Gary quando começaram a trabalhar em conjunto?
O George começou a ser aprendiz do Gary aos 15 anos, trabalhava com ele desde essa altura. Quando o Gary ficou com outro restaurante o George foi nomeado chef-executivo… Eles tinham uma longa história de mestre-aprendiz (depois o aprendiz ficou melhor que o mestre [risos]). Eles são os dois de Melbourne, já os conhecia há dez anos quando surgiu o Masterchef, ou seja, a nossa história em conjunto já existe há pelo menos 21 anos. É como um casamento muito bom.

Isso pode ter sido uma das causas do sucesso do programa, não? 
É exatamente isso, tens toda a razão. É metade da alegria do programa. Eu sei o que o George vai dizer ou o que o Gary vai dizer antes de o fazerem. Sei que botões carregar para os chatear, como provocá-los, perceber se estão rabugentos ou não… Acho que nos protegemos muito, também. Descrevemo-nos como um triângulo, uma forma muito forte. Todos temos papéis diferentes mas sabemos bem quais é que eles são: eu sou o tipo da comida simples, fácil e saborosa; o George é mais “finório” e avant garde enquanto o Gary é só técnica. Completamo-nos muito bem e passamos imenso tempo a dizer disparates. O tempo todo! E só falamos de comida! Imagina pegar em três tipos com 30, 40 e 50 anos, todos malucos pelo Benfica. Fazes um programa com eles onde só têm de falar do Benfica. O que fazem eles quando as câmaras deixam de gravar? Claro, continuam a falar do Benfica. Nós somos assim mas com comida, é ridículo. Somos uns nerds da comida. Chegámos a avisar os concorrentes de que eles iam ouvir muitos disparates nossos ao longo do tempo. Se eu tivesse estas conversas com os meus filhos ou a minha mulher eles iam imediatamente revirar os olhos e suspirar…. “Ugh, mais uma história sobre empanadas….”. Quando chegar a casa e falar com o Gary e o George sobre o linguado eles não vão parar de fazer perguntas sobre o tamanho, onde ficam os olhos, se era estreito ou se a carne da bochecha sabia bem. Os meus filhos vão de certeza perguntar algo tipo “Ah, isso é um peixe, não é?” [risos]

A propósito do Benfica… O Matt é fanático por futebol, certo? Um adepto do Chelsea, não é?   
Eu nasci, cresci e vivi os primeiros 20 anos da minha vida a cinco minutos de Stamford Bridge…

O que acha de José Mourinho?
Sempre que chegava, as duas primeiras temporadas eram incríveis. A terceira… Nem por isso [risos] Ele é um tipo brilhante, um pioneiro, de certa forma. Mas pronto… Foi o Roberto Di Matteo que ganhou a Champions, não foi? É um tipo interessante, um treinador espetacular mas acho que seria uma pessoa fascinante para partilhar uma refeição. Talvez cá, no Porto. De certeza que ele conhecerá bons restaurantes por lá.

"Na primeira vez que regressei a Inglaterra trouxe os meus filhos para ver o Chelsea. Fomos ao estádio, entrámos e eles pediram um camisola do Deco! "Ele é espetacular! Queremos uma dele! Número 20!", disseram. Assim foi."
Matt Preston

O Chelsea tem ainda uma grande ligação com Portugal. Não só pelo Mourinho mas também por todos os outros vários jogadores portugueses que por lá passaram…
Claro, por causa de rapazes como o Ricardo Carvalho ou o Deco! Na primeira vez que regressei a Inglaterra trouxe os meus filhos para ver o Chelsea. Fomos ao estádio, entrámos e eles pediram um camisola do Deco! “Ele é espetacular! Queremos uma dele! Número 20!”, disseram. Assim foi. Eles estavam super entusiasmados de o ver a jogar mas nesse dia ele foi péssimo! Teve um jogo horrível! [risos]. Os meus filhos já são uns matulões mas ainda têm por lá duas camisolas pequeninas a dizer “Deco” nas costas.

Isto é sempre uma pergunta difícil de responder mas o Matt tem algum prato favorito? 
Curiosamente até tenho. No livro “Delicioso, Fácil Rápido” (é assim que se diz? disse algum disparate? [risos]), há uma receita de esparguete à bolonhesa que é baseada na da minha mãe, que ela aprendeu em Itália, e é fantástica! Demora quatro horas a fazer mas, meu Deus, é incrível. Adoro isso. Regra geral gosto muito de coisas simples. Gosto muito de frango panado, por exemplo, mas fui-me apercebendo que não tinha panelas suficientes para fritar tudo para os meus amigos. Por isso lembrei-me de pegar em pedaços de coxa de frango, mergulhá-los em manteiga derretida, depois enfiá-los em migalhas de pão e pôr tudo no forno. Quando os comes parece que foram fritos em manteiga mas não, é tudo no forno. São deliciosos!

Última pergunta: Os seus lenços tornaram-se numa imagem de marca. Quantos tem?
Comecei a usá-los quando tinha 19 anos, o primeiro era feito com um tecido africano. É quase embaraçoso mas todos os que tenho hoje são feitos a partir de restos de fábricas de tecidos. Quando visitamos alguma vou sempre à procura das sobras e depois transformo-os em lenços. São muito baratos, tenho uns 400 e todos eles estão guardados pela sua cor — verde escuro, verde claro, verde maçã, azul esverdeado,… — mas acho que neste momento os fatos já ultrapassaram os lenços no que diz respeito a obsessões.

Todo o seu guarda-roupa é organizado por cores?
Sim… Antigamente, no Mastrechef, tínhamos uma divisão inteira cheia de cabides onde ficava a nossa roupa. Os meus fatos ocupavam uma parede inteira, as minhas camisas o  mesmo, calças idem (ando muito interessado em calças às riscas!), e depois havia uma fila só com as coisas do George e a piada era que no final das coisas dele tinhas os três fatos do Gary [risos]. Ao longo destes anos todos, o dinheiro que deviam ter gasto no guarda-roupa do Gary foi gasto no meu, mas nunca lhe disse isso! [risos] Ele estava na boa com três, não havia stress.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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