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epa12616910 Iranian shopkeepers and traders protest against the economic conditions in Tehran, Iran, 29 December 2025. Iran is experiencing an economic crisis as the value of its currency declines as a result of tensions between Iran, Israel, and the USA as well as sanctions implemented by the US and EU against Iran.  EPA/STRINGER
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STRINGER/EPA

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"Morte a Khamenei!" Regime dos ayatollahs treme com manifestações e Trump ameaça intervir: Irão pode ter nova revolução?

Protestos começaram no Grande Bazar de Teerão e estenderam-se a várias cidades. Crise económica na origem das manifestações. Trump promete apoiar manifestantes. Irão ameaça atacar soldados dos EUA.

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Foi no Grande Bazar de Teerão, no coração da capital do Irão, que tudo começou. Vários comerciantes que vendiam naquele gigante mercado decidiram encerrar, no passado domingo, as lojas em protesto contra o estado da economia e a profunda desvalorização da moeda iraniana, o rial. Longe estavam os donos de estabelecimentos de imaginar que seriam os primeiros de uma nova vaga de manifestações no país — que se espalhou a várias cidades.

“Morte ao ditador”, “morte ao ayatollah”, “unidos somos mais fortes”. São vários os gritos que se ouvem nas manifestações em cerca de 50 cidades iranianas, que já duram há uma semana. Isolado internacionalmente, o Irão apresenta uma economia totalmente asfixiada pelas sanções internacionais de que é alvo. O regime não tem conseguido dar resposta ao aumento da taxa de inflação e à subida de custo de vida. A população sofre cada vez mais dificuldades no dia a dia — e, talvez por isso, talvez tenha perdido o medo e saído às ruas.

Os protestos já ganharam contornos violentos: pelo menos sete manifestantes terão morrido. Há várias manifestações marcadas para os próximos dias — e esta onda parece estar longe de acalmar. O governo, pela voz do Presidente Masoud Pezeshkian, tem reconhecido a precária situação da economia e diz querer negociar. “Temos ações fundamentais na agenda para reformar o sistema monetário e bancário e preservar o poder de compra da população.”

Mas estas promessas não acalmaram a população iraniana, que promete continuar a sair às ruas nos próximos dias. O regime parece estar a viver uma situação semelhante àquela que aconteceu há cerca de três anos, aquando da morte na prisão de Mahsa Amini, a jovem detida por ter quebrado as regras de utilização do véu islâmico. Na altura, o governo reagiu com pulso firme e conseguiu — através de detenções em massa e à força — travar os protestos.

Em 2026, há uma nova variável que pode mudar o jogo: o Presidente norte-americano, Donald Trump. Há um histórico de tensões entre a atual presidência dos Estados Unidos da América (EUA) e o regime iraniano. Usando como justificação a destruição do programa nuclear iraniano, Washington bombardeou o Irão em junho de 2025. Teerão também enfrentou Israel, o maior aliado dos EUA, na chamada “guerra de doze dias” em que os dois países estiveram envolvidos.

Em resposta às manifestações mais recentes, o Presidente dos Estados Unidos escreveu na Truth Social: “Se o Irão dispara e mata violentamente os manifestantes pacíficos, o que é costume acontecer, os Estados Unidos da América vão ir em seu auxílio. Estamos prontos para agir”. Donald Trump pressiona o regime iraniano, que já respondeu e disse que uma eventual intervenção norte-americana seria uma “linha vermelha”.

"Se o Irão dispara e mata violentamente os manifestantes pacíficos, o que é costume acontecer, os Estados Unidos da América vão ir em seu auxílio. Estamos prontos para agir."
Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América

O Grande Bazar de Teerão. Como o histórico mercado deu origem à revolução e a estas manifestações

A greve e encerramento de muitas lojas no Grande Bazar de Teerão foi um sintoma da crise em que vive o Irão. Muitos comerciantes revoltaram-se contra a falta de estabilidade económica, devido a uma crise inflacionária grave, desvalorização constante da moeda iraniana e a alteração constante das taxas de câmbio. No final de 2025, um dólar norte-americano chegou a equivaler a 1,45 milhões de riais iranianos, sendo que este valor altera-se rapidamente.

Os comerciantes encontram-se totalmente sufocados pela inflação, sem saber como estipular os preços, gerir os stocks e sem vender. Os consumidores não sabem quanto vale o dinheiro que têm, bem como temem uma desvalorização ainda mais acentuada do rial. Ao jornal New Arab, um vendedor de tapetes no Grande Bazar de Teerão desabafa: “O comércio precisa de um certo nível de estabilidade, que não existe atualmente”. 

Por tudo isto, os comerciantes do bazar (e de outras lojas) saíram às ruas da capital com alguns gritos de ordem no passado domingo: “Não tenham medo — estamos todos juntos. Os mercadores do bazar podem morrer, mas não aceitam humilhação”. Como explica a Deutsche Welle, o Grande Bazar de Teerão funciona como um dos barómetros da situação política do Irão, devido à sua centralidade e importância que tem na sociedade do país.

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Lojas no Grande Bazar do Teerão encerradas por protestos contra a situação da economia

Anadolu via Getty Images

Este grande mercado — que não tem só lojas, como também uma mesquita, casas de chá e restaurantes — na capital iraniana já desempenhou também um papel fundamental na Revolução Islâmica de 1979. Sucessivas greves dos comerciantes — semelhantes às que começaram este domingo — foram decisivas para a substituição da monarquia dos xás e a implementação da teocracia dos ayatollahs. Citado pelo Financial Times, um comerciante na área do ferro que vende no bazar escreveu online: “Talvez isto sirva como uma chamada de atenção”.

Também ao Financial Times, Shirin, uma comerciante que tem um negócio online na área da alimentação no Irão, explica o que muitos vendedores sentem: “Os custos dos transportes subiram drasticamente. A procura diminuiu, porque o poder de compra colapsou e as pessoas têm de priorizar os bens essenciais. A situação tornou-se tão grave que muitos sentem que faz mais sentido económico ficar em casa e não fazer nada”. 

A frustração económica que também dá lugar à frustração política

A subida de preços é praticamente transversal e inclui bens essenciais. Em comparação com dezembro de 2024, os bens alimentares subiram 72% e os medicamentos 50%. A maioria da população ganha um modesto salário e não consegue compensar esses aumentos. Até o Presidente iraniano o assumiu, num discurso do parlamento: “Dizem-me para aumentar os salários, mas por favor alguém me diga: onde vou buscar o dinheiro?”

"Dizem-me para aumentar os salários, mas por favor alguém me diga: onde vou buscar o dinheiro?"
Masoud Pezeshkian, Presidente do Irão

A base para esta vaga de protestos é indiscutivelmente económica. Mas também abre espaço para as vozes contra o regime se manifestarem. Depois dos comerciantes dos bazares, foi a vez dos estudantes nas universidades, muitos deles mais liberais e a ambicionar uma mudança do regime. Na Universidade Khajeh Nasir, em Teerão, muitos alunos juntaram‑se aos protestos com palavras de ordem contra a repressão e o próprio regime, alguns dos quais fizeram mesmo greve de fome. 

Mas foram muito mais do que esses. Reformados, trabalhadores do setor privado e até funcionários públicos: milhares de pessoas saíram à rua em vários pontos do Irão nos últimos dias. Essencialmente para reivindicar melhores condições de vida e o fim da crise inflacionista, ainda que muitos também defendam uma mudança de regime. O que começou com uma greve dos comerciantes no bazar estendeu-se a todo o país.

O regime tem apertado a malha, mas tem deixado alguma margem para protestos. O governo iraniano parece perceber as dificuldades que a população está a atravessar. O procurador-geral do Irão, Mohammad Movahedi-Azad, afirmou que as manifestações pacíficas são “compreensíveis”. Mas deixou o aviso: qualquer tentativa de as subverter para gerar um clima “de insegurança e de destruição da propriedade pública terá uma resposta legal, proporcional e decisiva”.

O executivo liderado por Masoud Pezeshkian já tentou reagir aos protestos com a nomeação de um novo governador do banco central: substituiu Mohammad Reza Farzin por Abdolnasser Hemmati, antigo ministro da Economia. O objetivo desta alteração passa por renovar os esforços para combater a inflação e fortalecer a moeda iraniana.

Contudo, estas mudanças pouco alteraram o estado de espírito dos iranianos. “Seria uma ilusão esperar que o governo vá repensar as suas políticas. A experiência mostra que eles raramente ouvem”, lamentou Shirin. A comerciante demonstra pouca esperança em mudanças de fundo: “Ainda assim, espero que resolvam os problemas em vez de atirá-los para debaixo do tapete. Talvez ainda haja uma forma de voltar atrás com todos os danos que causaram”.

O que causou esta profunda crise económica no Irão?

O Irão vive há vários anos numa precária situação económica, em grande parte agravada por sanções internacionais e pelos seus alinhamentos geopolíticos. O início da guerra da Ucrânia e o alinhamento militar (com o envio de drones Shaded) com a Rússia aumentou a desconfiança no Ocidente. Essa apreensão escalou com o 7 de Outubro: Teerão apoiou o Hamas, o Hezbollah e os houthis (o eixo da resistência que patrocina no Médio Oriente) na ofensiva contra Israel, o que causou grande descontentamento em Washington e nas capitais europeias.

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Desvalorização da moeda iraniana causa instabilidade na economia do Irão

Anadolu via Getty Images

As consequências destes posicionamentos? Os Estados Unidos e a União Europeia aplicaram vários pacotes de sanções ao Irão. Ao mesmo tempo, o maior aliado do regime iraniano está concentrado noutros objetivos: a Rússia está focada na guerra da Ucrânia com pouca margem para o apoiar. Por sua vez, a China (que é o principal comprador de petróleo iraniano) tem efetivamente ajudado a economia do país, mas tem evitado a exposição a sanções secundárias e não quer entrar noutra arena de confronto com os EUA e a Europa. Como tal, Pequim apoia o regime especialmente em termos financeiros — mas evita comprometer-se totalmente na defesa dos ayatollahs.

A situação económica do Irão ainda piorou em junho na ofensiva que manteve contra Israel. A guerra dos doze dias até pode ter unido a população iraniana contra um inimigo em comum, mas exigiu gastos milionários em termos militares e de reconstrução de infraestruturas ao governo. Andreas Krieg, professor universitário na King’s College London, estimou à TRT World que Teerão teve prejuízos entre os 24 a 35 mil milhões dólares (cerca de 20 a 30 mil milhões de euros), o que corresponde a cerca de 6 a 9% do PIB iraniano.

“Esta guerra aprofundou os desafios fiscais e sociais com implicações duradouras para a estabilidade interna” do Irão, constatou também à TRT World Aimen Jamil, especialista em assuntos iranianos. O regime está agora a pagar a fatura de uma guerra que foi curta, mas bastante custosa. E isso também poderá ter tido implicações no Médio Oriente: o Hamas e o Hezbollah estão enfraquecidos, enquanto os houthis continuam ativos, embora possuam uma capacidade bastante inferior para atingir Telavive.

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Foto de ataque israelita a Teerão na Guerra dos Doze Dias

Middle East Images/AFP via Getty

Apesar disso, a retórica contra o Ocidente e Israel parece não abrandar no Irão: o país continua a insistir em desenvolver o seu programa nuclear, o que desagrada aos EUA e a Europa. A política sancionatória do Ocidente deve, assim, continuar a fustigar a já débil economia iraniana, principalmente no que concerne à venda de petróleo — o principal pilar das finanças do Irão durante décadas.

Como analisa a Forbes, o Irão usou as receitas da venda de petróleo para diminuir o custo de vida durante décadas. Mas esse sistema “entrou agora em colapso”: “Com as sanções a restringir as exportações de petróleo e as reservas cambiais esgotadas por causa das guerras, o governo teve de deixar os preços a flutuar e o preço dos alimentos disparou”.

Os protestos violentos e que pedem a morte do ayatollah

O regime iraniano dificilmente mudará a posição em relação ao Ocidente — e, por arrasto, continuarão impostas as sanções em vigor. Ainda no passado dia 27 de dezembro, Masoud Pezeshkian declarou que o país “continua numa guerra total contra os EUA, Israel e a Europa”. “Eles não querem que o nosso país seja estável”, acusou o Presidente, assumindo que este conflito é “mais complicado e difícil” do que a guerra do Irão contra o Iraque nos anos 80.

epa11830635 Iranian President Masoud Pezeshkian during his meeting with Russian President Putin at the Kremlin in Moscow, Russia, 17 January 2025. The Iranian president is on an official visit to Moscow, where he is expected to hold talks with his Russian counterpart Putin and sign an agreement on comprehensive strategic partnership.  EPA/EVGENIA NOVOZHENINA / POOL

Presidente do Irão diz que país está em "guerra" contra Estados Unidos, Israel e a Europa

EVGENIA NOVOZHENINA / POOL/EPA

Por causa desse posicionamento geopolítico, as sanções ocidentais vão continuar a sufocar a economia iraniana. Neste contexto, os problemas económicos dificilmente se desvanecerão — e o governo de Teerão não terá grande margem de manobra para diminuir a inflação e conceder estabilidade a comerciantes e consumidores. Muitos manifestantes estão a exigir uma mudança de regime, que, para eles, será a única solução para a crise financeira.

Daí que, em dezenas de cidades iranianas, se ouçam gritos como “morte ao regime”, personificado na imagem do ayatollah Ali Khamenei, ou o slogan “Mulher, Vida e Liberdade”, numa alusão aos protestos de 2022 pela morte de Mahsa Amini. Gissou Nia, especialista em política iraniana no think tank Atlantic Council, assinalou à Deutsche Welle que a economia foi a principal causa destas manifestações: “Mas se ouvirmos os slogans, e a extensão dos protestos, existe uma profunda insatisfação com o regime iraniano”.

Como fez em 2022, o governo iraniano está a agir com força, apesar da alegada liberdade que diz conceder nos protestos com motivos económicos. As manifestações estão a ser reprimidas em vários pontos do Irão e já se registaram dezenas de feridos e pelo menos sete mortos. Centenas de pessoas terão sido detidas, algumas das quais violentamente. Mas isso não impede que, todos os dias, os manifestantes saiam às ruas.

Em cidades como Isfahan, Shiraz, Mashhad, Hamadan, Qeshm, Qom e Teerão, os manifestantes exigem melhores condições económicas, assim como muitos exigem a “morte do ditador”. Alguns dos presentes pedem mesmo o retorno da monarquia e da dinastia Pahvali, deposta com a Revolução Islâmica em 1979. O sucessor do último xá, Reza Pahlavi (que vive nos Estados Unidos), tem recorrido às redes sociais para incentivar a mais protestos: “Estou orgulhoso de cada um de vocês. Precisamos de grande solidariedade para ficar nas ruas. Peço-vos para usarem todas as oportunidades para se juntarem e para expandirem este movimento”.  

O xá está, contudo, longe de ser uma figura consensual no Irão. A proximidade aos Estados Unidos — e principalmente a alegada ligação a Israel que os críticos lhe apontam — fazem muitos iranianos ter dúvidas sobre a sua legitimidade para o cargo. Alguns pretendem um regime novo: nem uma monarquia, nem uma república islâmica.

Trump promete agir à violência do regime, Irão ameaça soldados norte-americanos

Donald Trump ameaçou o governo iraniano na madrugada desta sexta-feira: se mantiver a violência contra os manifestantes, os Estados Unidos poderão reagir e atacar o Irão, como, aliás, fizeram em junho. É um aviso sério a um regime que já usou métodos brutais para impedir os protestos. Vários aliados do Presidente norte-americano pertencente ao Partido Republicano já vieram elogiar estas palavras.

epa12616406 A handout picture made available by the Presidential Press Service shows US President Donald Trump speaking during a joint press conference with Ukrainian President Volodymyr Zelensky (not pictured) in Palm Beach, Florida, USA, 28 December 2025.  EPA/PRESIDENTIAL PRESS SERVICE / HANDOUT HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALESHANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES

Donald Trump prometeu agir se houver violência contra os manifestantes

PRESIDENTIAL PRESS SERVICE / HANDOUT/EPA

Ted Cruz, senador do Texas, escreveu no X que o “povo iraniano está a acordar” e que “os dias do ayatollah estão contados”. Na mesma linha, o senador Lindsey Graham — amigo pessoal do Presidente norte-americano — escreveu que é tempo de “Tornar o Irão Grande Outra Vez”. “Com a liderança do Presidente Trump e em colaboração com os nossos aliados, poderemos ver a queda do Hamas e do Hezbollah em 2026”, referiu ainda nas redes sociais.

Israel também tem feito pressão para que esta vaga de manifestações se concretize no fim de regime. Nas redes sociais, a diplomacia israelita tem publicado vários cartoons a ridicularizar o ayatollah Ali Khamenei e a declarar apoio aos manifestantes, acusando o regime de “afundar a economia” para manter as suas “ambições nucleares”.

Porém, o regime não ficou sem responder a estas ameaças, esperando capitalizar com o antagonismo contra os EUA e Israel, os seus rivais geopolíticos. Existem relatos de contramanifestações em Fars e Hamadan que pedem uma resposta firme do governo contra uma eventual intervenção norte-americana contra o país, se bem que esse cenário ainda não se tenha materializado.

Em todo o caso, o governo e a Guarda Revolucionária já deixaram várias ameaças aos EUA. No X, Ali Shamkhani, conselheiro do ayatollah, escreveu que os iranianos lembram-se bem dos “resgates” dos EUA, numa referência ao golpe de Estado de 1953 patrocinado pela CIA e que consolidou o poder da monarquia do xá. “Qualquer intervenção que coloque em risco a segurança iraniana terá uma resposta que provocará arrependimento. A segurança nacional do Irão é uma linha vermelha, não algo para tweets aventureiros.”

Ainda mais longe foi Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão. “Trump deveria saber que qualquer interferência neste assunto interno irá desestabilizar toda a região e prejudicar os interesses norte-americanos”, realçou, avisando que os Estados Unidos “deveriam ter cuidado com os seus soldados”.

O porta-voz do Parlamento iraniano repetiu a ameaça. “O desrespeitoso Presidente da América deveria também saber que, com admissão oficial, todos os centros e forças norte-americanas na região [do Médio Oriente] serão alvos legítimos para nós em resposta a qualquer potencial aventurismo”, alertou Mohammad Bagher Ghalibaf, acrescentando que os “iranianos sempre estiveram unidos e determinados para agir em resposta a um inimigo agressor”.

"O desrespeitoso Presidente da América deveria também saber que, com admissão oficial, todos os centros e forças norte-americanas na região [do Médio Oriente] serão alvos legítimos para nós em resposta a qualquer potencial aventurismo."
Mohammad Bagher Ghalibaf, porta-voz do Parlamento iraniano

Ao fazer estas ameaças, o regime tenta dar uma prova de vida e tentar mobilizar a opinião pública a seu favor. Por sua vez, com um comportamento volátil na política externa, Donald Trump é imprevisível: e não se sabe se vai agir ou não contra o Irão, mesmo que haja violência contra os manifestantes. Indiferentes a estas trocas de palavras, nas ruas, os iranianos parecem não se render perante as crescentes dificuldades económicas que sentem no seu quotidiano — e deverão continuar os protestos agendados para os próximos dias.

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