Senhoras e senhores, eles são os Linda Martini, banda com mais de 20 anos de história e uma das forças musicais mais relevantes do país desde o início do milénio. Passa-Montanhas, o sétimo álbum de originais, chega já esta sexta-feira, 24 de janeiro. Mais do que nunca, como descrevem em entrevista ao Observador, trata-se de um disco sobre o “agora”, com muitas leituras internas e externas para se fazer.
A capa, amarela, apresenta um rosto negro ao centro. Coberto por um passa-montanhas, que muitos também conhecem como balaclava, revela apenas um olhar atento e vigoroso. Trata-se de uma figura bem real; ou, melhor, trata-se de uma personagem criada por uma pessoa real que marcou a juventude de todos os membros dos Linda Martini. Ficou conhecido como o Corvo, um “herói da periferia” na Linha de Sintra, e a sua história inspiradora foi agora recuperada pela banda para embrulhar canções políticas e sociais que, acima de tudo, deixam um apelo: “conversar melhor”.
A apologia do diálogo é também uma conversa interna. Este é o primeiro disco do grupo com Rui Carvalho, mais conhecido pelo seu trabalho a solo enquanto Filho da Mãe, que se tornou o guitarrista dos Linda Martini nas últimas duas digressões, após a saída de Pedro Geraldes do coletivo. São estas nuances de círculo fechado, que refletem sobre como é manter uma banda há mais de duas décadas no ativo, mas também os grandes temas que hoje marcam o mundo, que ditaram e moldaram este Passa-Montanhas. O álbum será oficialmente apresentado no Lisboa Ao Vivo a 31 de janeiro; e no Hard Club, no Porto, a 1 de fevereiro. O primeiro concerto, contudo, acontece já esta sexta-feira, dia 24, em Tondela.
A história real do Corvo, “herói da periferia” que inspirou o imaginário do novo álbum
Foi em maio de 2023 que a banda composta por André Henriques, Cláudia Guerreiro, Hélio Morais e Rui Carvalho se trancou durante quase duas semanas para uma residência artística no Serra, espaço cultural em Leiria. Foi uma das estratégias que, com o tempo e a evolução das vidas de cada um, arranjaram para compor álbuns e escapar às muitas distrações e afazeres do dia a dia. As bases das canções que viriam a resultar em Passa-Montanhas foram forjadas naquele local, depois trabalhadas no estúdio HAUS em Lisboa e, só depois, gravadas no meio das montanhas da Catalunha, com o produtor e amigo Santi Garcia.
Os Linda Martini dizem nunca ter feito um álbum conceptual, mas a verdade é que muitas vezes arranjaram conceitos para embrulhar as canções compostas num determinado período — até porque um disco necessita sempre, pelo menos, de um título e uma capa, uma(s) palavra(s) e uma imagem que sirvam de fio condutor.
“Olhando para os discos anteriores, é uma coisa que pontualmente vamos buscando: conceitos que nos unam, que façam parte da nossa história em comum”, diz André Henriques. Em Casa Ocupada (2010), homenageavam a sua formação punk e hardcore dos concertos nas casas ocupadas da Grande Lisboa. O homónimo Linda Martini (2018) surgiu naquela fase após aparecer uma foto da estudante italiana que deu o nome à banda. Em Sirumba (2016), evocavam o jogo de polícias e ladrões que estava desenhado a giz no chão de uma das escolas por onde vários passaram. Desta vez, a inspiração também chegou através de um elemento visual e voltou a passar pelas memórias de juventude no eixo Queluz-Massamá, onde cresceram todos os membros (e ex-membros) da banda. Passa-Montanhas representa, nesse sentido, um certo regresso às raízes.
Foi num jantar com uma amiga local que Hélio Morais redescobriu uma reportagem do jornal Público de 1992, assinada pelo repórter José António Cerejo, e enviada em 2023 pelo jornalista Mário Lopes para a tal amiga em comum. Esta era a história mirabolante de Felisberto “Beto” Cabral, descendente de cabo-verdianos, líder carismático de um grupo de miúdos delinquentes, de famílias pobres e trabalhadoras, racializadas e vítimas de violência policial, que encontrara na figura do Corvo uma maneira de unir os muitos grupos rivais de miúdos que existiam na Linha de Sintra naquela época.
Beto era o líder do Ghetto, de Massamá; mas também existia o Gang do Limão, em Queluz de Baixo; os Beat Street, de Monte Abraão; a Gália, de Queluz; ou o Bronx, da Serra das Minas. Foi depois de uma cena de pancadaria que envolveu dezenas de adolescentes, num ambiente cada vez mais tenso, numa altura em que o flagelo da heroína (e do crime associado) crescia a passos largos, que Beto teve a ideia de inventar um inimigo comum que unisse todos os grupos locais.
“Já se dizia em Massamá que havia um ser misterioso a violar meninas, a matar velhos, a cortar cabeças, a roubar miúdos. Nas escolas primárias as crianças berravam, os professores não tinham mão nelas. À noite, os ‘gangs’ juntavam-se e partiam, pelos montes e pelas hortas, à caça do Corvo. Levavam mocas, lanternas, correntes, facas e até a GNR e a PSP entraram na dança”, pode ler-se na reportagem do Público de 1992, ilustrada com fotografias de Luísa Ferreira.
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Beto, admirado e respeitado por todos, era quem estava a espalhar os boatos que tornaram o Corvo uma autêntica figura mitológica suburbana. “Eu morava no nono andar, mas o medo era tanto que tinha medo que me aparecesse o Corvo ali”, lembra Cláudia Guerreiro. “Lembro-me de um dia as aulas pararem porque o Corvo ia aparecer. E todos os miúdos saem das aulas… Para uma escola decidir que não há aulas, e estava toda a gente em pulgas e maravilhada porque o Corvo disse que ia fazer uma aparição na escola do Monte Abraão onde eu andava…”, recorda, por sua vez, Rui Carvalho.
Hélio Morais cresceu precisamente no Casal do Olival, bairro de Massamá onde morava a família de Beto. “Todos nós vivemos, a dada altura, cheios de medo do Corvo”, também ele assume. Eventualmente, Felisberto Cabral iria revelar a identidade do Corvo e assumir os rumores que tinha difundido, com o objetivo nobre de terminar com as rivalidades que se tornavam cada vez mais perigosas.
“Criara uma falsa ameaça para unir os bandos, combater a droga, propor uma sociedade mais justa”, lê-se na mesma reportagem do Público. “No dia 22 de maio, o Corvo entregava-se às centenas de jovens que, mais uma vez, se preparavam para a ‘batida’. Perante a estupefação geral, o Corvo, ágil como ninguém, mas sem asas, entrou no recinto e desfez o enigma. (…) As palmas caíram e a ‘caçada’ acabou num jogo entre todos os bandos, sem paus nem correntes, sem pedras nem navalhas. A pedido do Beto. (…) A GNR andou atrás dele para o prender. Hoje, perseguem-no o Ministério da Educação e a Igreja — mas para lhe pedir apoio.”
▲ “Olhando para os discos anteriores, é uma coisa que pontualmente vamos buscando: conceitos que nos unam, que façam parte da nossa história em comum”, diz André Henriques
PAULO SEGADAES
Felisberto “Beto” Cabral tornou-se um símbolo pacifista local, um agregador de jovens que acabou a criar uma figura maior do que ele. De repente, era convidado por instituições oficiais para se envolver em atividades de inclusão social juvenil; ou para participar em programas de debate na televisão.
Era também esta figura — que hoje, segundo Hélio Morais, vive no sul de França e trabalha nos barcos — que encaixava na narrativa que os Linda Martini estavam involuntariamente a criar em torno do mote de “conversar melhor”, promovendo o (bom) diálogo com este disco. “A qualidade da conversa tem piorado substancialmente. Mesmo na televisão e em meios mais mainstream. Há uma certa dificuldade em pôr boas questões. A pergunta perdeu o interesse, a afirmação contundente é tudo”, diz Rui Carvalho. “E esta história, a do Corvo, batia certo com o que estávamos a fazer e achámos que era interessante”, acrescenta André Henriques.
“Quando enviei as fotos da reportagem do Público, todos achámos que dava uma grande capa de disco, mas não tínhamos a certeza se depois o disco se ligaria com aquilo”, explica Hélio Morais, que era amigo de um dos irmãos mais novos de Beto e chegou a integrar as fileiras daquilo a que chamavam o Ghetto Júnior, os protegidos e herdeiros dos mais velhos. “Acabámos por encontrar, meio por acaso, acho que não foi nada forçado, esta forma de ligar isto ao ‘conversar melhor’, que foi o que o Beto tentou fazer na zona. Havia muitas rivalidades entre os gangues e ele não estava confortável com isso. Queria pôr as pessoas todas a conversarem umas com as outras e a perceber que era possível, por mais que andassem à porrada, terem outro tipo de objetivos. Tinham mais coisas em comum do que se calhar achavam que tinham.”
Para este disco de alguma forma ligado às raízes, os Linda Martini decidiram ser fotografados junto da célebre via rápida IC19, que percorre toda a Linha de Sintra, por baixo do viaduto da CREL, que não existia no início da década de 90, quando tinham 11 ou 12 anos e o Corvo andava à solta. “Atravessávamos aquilo que era um lamaçal para irmos para a [escola] Miguel Torga.”
Foram também retratados, no Monte Abraão, em frente à garagem do fotógrafo, o também músico Paulo Segadães, que era guitarrista dos X-Acto, referência maior do hardcore nacional e banda de Queluz, que muito influenciou a construção dos Linda Martini. “Eles faziam ensaios abertos aos domingos naquela garagem. Nós éramos putos e aparecíamos”, contextualiza André Henriques. “O Ricardo Avelino, que também era dos X-Acto, ainda hoje faz o nosso merchandising. Mantivemos a ligação”, acrescenta Hélio Morais.
Da violência policial a Elon Musk, a urgência de fazer um disco sobre o “agora”
A morte de Odair Moniz por um agente da PSP, que aconteceu na Cova da Moura na madrugada de 21 de outubro de 2024 e desencadeou uma série de tumultos nos subúrbios da Grande Lisboa, é uma realidade que acaba por se interligar com o imaginário deste disco.
“Quando aconteceu isso com o Odair, lembro-me de pensarmos entre nós: quais são as probabilidades de termos esta capa de disco guardada há meses e é um cidadão português, de pais africanos, com um passa-montanhas? De repente ligas a televisão e há bairros a arder e convulsões sociais porque uma pessoa foi assassinada, e ainda estão por se apurar as causas. De repente a realidade choca com aquilo que já tinhas na gaveta e que ainda ninguém tinha visto”, conta André Henriques.
“O que é triste é que na altura do Corvo se falou muito da discriminação e da invisibilidade que algumas pessoas das periferias, particularmente se tiverem tons de pele diferentes da maioria, são constantemente vítimas. Eles falavam sobre isso, o Beto falava sobre isso. Passaram estes anos todos e não mudou assim tanto. A pertinência continua a mesma e é mais grave ainda porque já passou tempo para se melhorar bastante as coisas”, acrescenta Hélio Morais.
A canção O Cão Tinhoso é, indubitavelmente, uma alegoria ao populismo da direita autoritária; e parece dialogar diretamente com O Avô Cavernoso, tema icónico de José Afonso que aludia ao ditador António de Oliveira Salazar e ao Cardeal Cerejeira. Em A Cantiga É, o paralelismo estabelece-se facilmente com a também emblemática A Cantiga É Uma Arma, do GAC, mas aqui com mais dúvidas do que certezas.
“Se calhar muita gente ouviu e pensa que é um repisar desse tema, mas nós estamos é a perguntar se a cantiga é uma arma”, argumenta André Henriques. “Uma coisa era fazer canções de intervenção antes do 25 de Abril ou no PREC, outra é fazê-lo agora. Mais do que ser uma farpa a alguém, é uma reflexão nossa. Por exemplo, no ERRÔR temos aquela canção que é E Não Sobrou Ninguém, em que temos um jogo de palavras à volta dos braços em riste. Agora tivemos a saudação nazi do Elon Musk. Fizemos essa canção na altura: será que mudou alguma coisa? Estamos a falar connosco próprios. Até seria de uma soberba um bocado incomportável achares que a tua música vai mudar a mentalidade das pessoas. Tenho dúvidas. Acho que pode inspirar, porque a minha vida mudou muito pelos artistas que fui ouvindo, pelas coisas que fui bebendo e tendo curiosidade de ir atrás e buscar outras coisas, não sou cínico ao ponto de dizer que não poderá inspirar; agora, também tenho algum pudor em achar que as nossas canções e as minhas letras vão mudar o posicionamento político de alguém ou abrir os olhos para alguém que está muito focado num determinado quadrante político. Às vezes gostava de acreditar que sim, mas tenho muitas dúvidas.”
A figura do homem mais rico do mundo, o empresário multimilionário Elon Musk, que é agora o dirigente do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental no novo executivo norte-americano liderado por Donald Trump, volta a pairar em Meu Deus. “É uma canção que fala da ideia do dinheiro e de ele mandar em tudo, de ser um Deus moderno, o Deus do capital. E de repente tens o Elon Musk, um bilionário a ser quase a figura número dois da dita liderança do mundo livre. Isso é muito estranho, como é que um cromo daqueles é a segunda figura mundial? Acho que este é o disco em que falamos mais do agora. No passado, se calhar as letras eram um bocadinho mais codificadas e acabavam tanto por ser sobre agora como sobre há 20 anos, mas estas conversas que fomos tendo, por via da entrada do Rui na banda, de tudo o que se passa à nossa volta, fez que os temas se impusessem e que o agora fosse mais premente. O disco é mais sobre agora e nunca foi tanto sobre agora.”
A conversa interna de uma banda com novidades e mais de duas décadas de história
As forças e as (novas) dinâmicas internas de uma banda que já leva 22 anos de vida também se refletem neste trabalho, nesta fase mais madura do grupo, que se viu renovado após a entrada de um novo membro. “A história do ‘conversar melhor’ fala um bocado para dentro. Até porque a formação mudou, então a ideia do conversar melhor teria necessariamente que acontecer”, assume Rui Carvalho, companheiro de Cláudia Guerreiro, que tem acompanhado o grupo ao vivo no último par de anos mas só agora participou no processo criativo em estúdio. “A química de palco estava lá, mas fazer um disco é uma coisa diferente. Uma banda de 20 anos teve de conversar muito para chegar aqui e fazer todo este trabalho. Há muito compromisso, cedências, discussões e a conversa tem de ser boa para se chegar a bons resultados.”
▲ Os Linda Martini mantêm-se inquietos, frescos, pertinentes, ousados, a levantar questões e a procurar a catarse através da distorção, do noise, de versos certeiros e do libertador espírito rock'n'roll
PAULO SEGADAES
André Henriques acrescenta: “Já estávamos a namorar, mas não sabíamos se nos despíssemos e nos metêssemos na cama se iria dar certo e funcionar quando chegássemos a vias de facto. E houve um alívio gigante no primeiro dia, porque a coisa resultou. E, claro, sem grande surpresa: porque o Rui também veio de Queluz, porque cresceu a ouvir muitas coisas que nós também ouvimos e havia um tronco comum. Embora as pessoas conheçam sobretudo o trabalho dele mais ligado à guitarra clássica, a raiz dele também é barulho, guitarras, ruído… Então havia ali uma linguagem que era fácil ser estabelecida. E no processo criativo continuamos muito fiéis ao método das bandas de garagem”.
Após ponderar, Hélio Morais conclui nunca ter sentido o peso do historial do grupo na hora de compor um novo disco. “Este é talvez o primeiro álbum em que não tenhamos feito isso, mas tem-nos sido muito natural o disco seguinte ser uma espécie de reação ao anterior. O Turbo Lento tinha muitas mas mesmo muitas camadas de guitarras gravadas. Então o disco a seguir, o Sirumba, quase não tinha distorção. No Linda Martini, quando sentimos falta daquela energia e daquele rasgo, voltámos a fazer uma coisa mais assim, mas era mais rápido; depois o ERRÔR era mais lento…”
Para André Henriques, a escrita das letras é, de longe, o principal desafio. “O instrumental, como o cozinhamos todos em conjunto, a coisa de uma maneira ou outra vai acontecendo. As ideias vão todas para dentro da misturadora”, explica o músico. “Agora, quando chega às letras, para mim é como se fosse o trabalho de casa, aquilo que não queres fazer quando és miúdo. Agora está toda a gente à espera que eu faça aqui uma coisa em cima e aquilo pode não acontecer. O dilema da folha em branco acontece-me severamente. Estou ali uns meses a passar mal, acho que perco peso e tudo. Mas depois as coisas acontecem, pelo menos até ao dia. Sempre que penso nisso é horroroso, dá-me arrepios na espinha, é estranhíssimo.”
As montanhas e desfiladeiros por ultrapassar ao longo de mais de duas décadas também se refletem neste título de Passa-Montanhas, que oferece uma certa ideia de resistência, de sobrevivência perante a adversidade. “Até a questão do cara a cara, de a gente se encontrar hoje em dia, na geração dos áudios por WhatsApp. Não, ‘bora encontrar-nos, estar aqui cara a cara. Tirares a máscara. Há tantas leituras possíveis”, remata André Henriques.
Das sessões cruas à remistura, um álbum que se desdobra em vários formatos
Pela primeira vez, os Linda Martini decidiram divulgar ao público as sessões registadas na residência artística que deram origem às canções do álbum. Essas sessões estão numa cassete intitulada Serra que pode ser adquirida em conjunto com a edição física de Passa-Montanhas. É uma peça documental com os primeiros takes, um registo cru que permite aos ouvintes escutar o processo de criação do grupo, uma gravação que esperam ter captado o entusiasmo de quem compõe e toca algo pela primeira vez.
“Tem muitas falhas, mas é mesmo um primeiro registo”, explica Cláudia Guerreiro. “Depois as músicas foram crescendo, e achámos que seria interessante ter os primeiros e os últimos registos”, diz a baixista. “Há sempre esta ideia de perfeição no disco, porque só mostras o que cristalizas no fim, mas o processo todo até se chegar aí é muito longo e super interessante”, acrescenta Hélio Morais.
“As músicas são o resultado de uma série de decisões pragmáticas. Tens de lidar com as tuas limitações, com o gosto dos outros, e às vezes projetas uma coisa incrível e não tens mãos para construir aquele palácio. Mas é giro teres essa perspetiva do que é que poderia ser e houve aqui canções que mudaram imenso”, diz ainda André Henriques.
Passa-Montanhas desdobrou-se ainda de outra forma, através da remistura assinada por Pedro da Linha — músico de uma geração mais recente, mas igualmente influenciado pelo imaginário suburbano da Linha de Sintra, como assume orgulhosamente no seu próprio nome artístico — ao tema Assombro. Mais de 20 anos volvidos, os Linda Martini mantêm-se inquietos, frescos, pertinentes, ousados, a levantar questões e a procurar a catarse através da distorção, do noise, de versos certeiros e do libertador espírito rock’n’roll.