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O "sintrense" amigo dos animais, o reencontro de ex-ministras e o "fenómeno das redes". Como se luta pela vitória nas ruas de Sintra

Com empates nas sondagens, partidos apostam forte em Sintra. Sousa Real juntou-se à campanha do PSD, Temido e Mendes Godinho estiveram em associações e Rita Matias conversou com comerciantes.

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Cães a ladrar. Isabel Peitaço era quem comandava esta sexta-feira de manhã a comitiva com um autocolante da coligação “Sempre com os Sintrenses” que junta o PSD, a Iniciativa Liberal e o PAN, numa associação animal. Entre os presentes, estava Inês Sousa Real, a porta-voz do partido e “funcionária da Câmara de Sintra que está de empréstimo à causa pública na Assembleia da República”, Marco Almeida e até a cantora Mónica Sintra. No terreno desnivelado do Núcleo de Apoio a Animais Abandonados de Sintra (NAAAS) ao ar livre, o candidato social-democrata à câmara chegou a dar a mão à deputada única do PAN para a ajudar a descer — no que pode ser visto como um símbolo da sintonia em que os dois estão nesta coligação. “Não queremos acidentes de percurso de campanha”, brincou Inês Sousa Real.

A meio do dia, a alguns quilómetros, em Algueirão Mem-Martins, uma comitiva vestida de verde visitou a Associação Simples Partilha, um espaço de recreação para idosos. Enérgica e sempre com um sorriso, Ana Mendes Godinho liderou a delegação da coligação “As Pessoas, Sempre” (que conta com o Livre), na qual também esteve presente Marta Temido, a atual eurodeputada socialista. As duas antigas ministras do PS dos governos de António Costa conversaram com os mais velhos, alguns dos quais pintavam quadros, enquanto outros costuraram tapetes. Por mais do que uma vez, recordaram os tempos da pandemia — e quiseram lembrar a obra feita durante um período conturbado para Portugal.

Em Janas, uma localidade da União de Freguesias de Sintra, Rita Matias passeou esta sexta-feira a meio da tarde pelo comércio local. A deputada do Chega entrou em vários estabelecimentos — uma mercearia onde comprou um centro de mesa para a sua casa e até uma engomaria chamada Rita onde conversou com uma apoiante que tinha cartazes do Chega na loja. Juntamente com a sua comitiva, distribuiu panfletos e brindes por onde passava. E nas ruas, vários jovens pediram-lhe para tirar fotografias. Mesmo que alguns transeuntes não tenham sido simpáticos com a comitiva, praticamente todos a conheciam.

▲ Rita Matias visitou várias lojas numa ação de campanhas em Janas esta sexta-feira

Em Sintra, segundo mostra a sondagem publicada pela CNN Portugal publicada a 23 de setembro, a corrida será renhida nestas autárquicas. A coligação PSD-IL-PAN está ligeiramente à frente, mas muito perto está a coligação entre o PS e o Livre, assim como o Chega. Neste clima de incerteza, cada um joga os trunfos ao seu dispor na rua. Os sociais-democratas tentam piscar o olho a eleitores mais ao centro, os socialistas tentam lembrar obra feita (não só no país, como com Basílio Horta) e o Chega aposta numa das suas deputadas mais conhecidas. No segundo maior concelho em número de habitantes, num “mini-Portugal” onde convivem várias realidades, todos acreditam que podem ganhar, apesar de reconhecerem que está taco a taco.

“Não sei em quem vou votar” até aos decididos. Há indecisão e divisão nas ruas

Carla Fernandes estava com uma amiga na entrada da estação ferroviária de Sintra. Trabalha no centro histórico e preparava-se para apanhar o comboio para Algueirão Mem-Martins. Ainda está muito indecisa sobre em quem vai votar no dia 12 de outubro. “Eu confesso que estou muito em dúvida”, disse ao Observador. O candidato do PSD “não a convence”, Ana Mendes Godinho “também não” e Rita Matias “é muito exagerada naquilo que diz”. “Ainda estou a refletir. Vou votar, mas tenho alguns dias para pensar.”

Quem já tomou a decisão foi a amiga, Emília Morgado, de 59 anos, que igualmente ia fazer o mesmo percurso. “Vou votar na antiga ministra. Gostei dos mandatos de Basílio Horta e costumo votar PS nas eleições”, afirmou, ressalvado, contudo, que “até nem se importa que ganhe o PSD”: “Só o Chega é que não. A jovem que se candidata não me inspira confiança nenhuma e nem sequer é daqui. Nunca gostei do André Ventura, é um vendedor de banha da cobra e ela também não foge muito disso”.

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▲ Centro histórico de Sintra

AFP via Getty Images

Em sentido inverso, perto da estação, Miguel Góis revelou que já tem a sua escolha feita: o Chega e Rita Matias. Tem 35 anos e identifica-se com a mensagem do partido: “Eles já são a segunda força no país. E espero bem que ganhem”. O barbeiro sintrense acusou Basílio Horta e o PS de “terem destruído Sintra”. “É preciso novos rostos, é preciso uma nova força que tire Sintra da pasmaceira”, defendeu ao Observador, destacando a “segurança” como o principal problema do concelho.

Mais perto do centro histórico de Sintra, António Delfino, de 54 anos, assumiu-se como um “eleitor fiel da Iniciativa Liberal” — e já decidiu “sem qualquer dúvida” que vai votar em Marco Almeida. “É o candidato que conhece melhor a realidade do concelho, é experiente e sabe bem o que tem para fazer. É sintrense, não veio para cá à procura de protagonismo ou à procura de emprego”, atirou ao Observador o lojista, que recordou que tinha votado no atual candidato do PSD no passado.

Nas ruas, verifica-se efetivamente essa corrida a três — com posições vincadas —, mas também alguma indecisão. Tal como Carla Fernandes, Vânia Lopes, uma assistente técnica que esperava pelo comboio na estação de Sintra no início da tarde desta sexta-feira, “não sabe em quem votar”: “Para ser honesta, talvez até nem vote”. Questionada sobre se conhecia os candidatos, a mulher de 36 anos anuiu, mas vê pouca “seriedade” em todas as candidaturas. “São tantas eleições seguidas que uma pessoa já nem sabe em quem vota”, desabafou.

Greve de trabalhadores da CP e das várias empresas da IP - infraestruturas de Portugal, na estação de comboios da Portela de Sintra, em Sintra, 28 de fevereiro de 2023. RODRIGO ANTUNES/LUSA

▲ Estação comboios de Sintra

RODRIGO ANTUNES/LUSA

“Não devo votar”, sinalizou ao Observador, por sua vez, André Matos, estudante de engenharia de 19 anos, que estava perto do parque de estacionamento perto da estação ferroviária. O jovem assumiu que votou no PSD nas últimas legislativas, mas nas autárquicas “não sabe mesmo” qual será o seu sentido de voto: “Também não são eleições tão importantes como as legislativas”.

Entre elogios e com Mónica Sintra no terreno, PSD e PAN mostram união em Sintra

Ao lado de Marco Almeida e de nomes como Fernando Seara (que regressa à política de Sintra como líder da lista à Assembleia Municipal), Inês Sousa Real fazia festas aos cães e ouvia de perto as queixas de Isabel Peitaço, uma das responsáveis da NAAAS, que criticava a falta de apoios do executivo camarário de Basílio Horta e que mostrava as infraestruturas do núcleo animal. “Não faz sentido nenhum, nós já tivemos um caminho que foi feito em Sintra que pôs Sintra no mapa das boas práticas do bem-estar animal e agora tivemos este recuo. Temos de virar a página”, respondia-lhe a deputada única. “Vamos virar”, garantia o candidato do PSD, que acusou o atual autarca de “distância” face a várias associações no concelho.

Inês Sousa Real e Marco Almeida pareciam totalmente alinhados na mensagem e no seu teor político. Mesmo que o PAN e o PSD tenham mais dificuldades em dialogar a nível nacional, em Sintra, aparentemente não há esses problemas. “O PAN tem muito orgulho do trabalho que o presidente Seara fez em Sintra para colocar Sintra no mapa das boas práticas do bem-estar animal”, lembrou a deputada à porta do NAAAS, assegurando agora que o “diálogo foi muito fácil com Marco Almeida, o único candidato que é efetivamente sintrense”.

▲ Inês Sousa Real abraça Fernando Seara

LUSA

A deputada do PAN lembrou também a “experiência” de Marco Almeida. “Queremos alguém que esteja verdadeiramente comprometido com os sintrenses”, disse. “Sabemos bem que Marco Almeida que conhece bem o território, não caiu de paraquedas aqui. É alguém que conhece as dificuldades dos sintrenses”, destacou, acrescentando também que o seu partido também “já deu provas” que sabe colaborar com outros a nível nacional — como em Faro.

Depois do NAAAS, a comitiva seguiu para a Associação Aldeia dos Gatos, em Algueirão Mem-Martins. À porta, Marco Almeida salientou ao Observador a importância do PAN nesta coligação. “O PAN traz compromisso com o ambiente, com destaque para a causa animal, mas também com a causa social”, realçou o candidato social-democrata, que assegurou que foi “muito fácil” chegar a acordo com Inês Sousa Real.

“O PAN não procurou lugares, mas compromisso em termos de causas”, frisou Marco Almeida, salientando que a criação da provedoria animal foi um dos temas trazidos para cima da mesa por Inês Sousa Real e com o qual concordou imediatamente. O social-democrata deixou ainda elogios à deputada única: “O PAN traz-nos muita energia e estou muito contente com a presença de simpatizantes do PAN nas listas”.

▲ Inês Sousa Real, Marco Almeida e Mónica Sintra no NAAAS

LUSA

Foi num ambiente de união que a delegação visitou a Associação Aldeia dos Gatos. A comitiva, juntamente com o Observador, entrou no espaço relativamente pequeno com duas portas. Quem entra na segunda, apesar da dimensão do espaço, vê-se vários gatos — uns dormiam, outros estavam na sua cama e outros observavam atentamente o que se passava. Sónia, a responsável pela gestão da associação, explicava que o local acolhe entre 100 a 110 gatos. “Está a faltar a parte de esterilização nas ruas. Está a tornar-se o caos”, queixava-se a proprietária do espaço.

“Estamos a ficar muito cansados”, criticou Sónia, que dizia que o espaço estava a ficar sobrelotado com tantos animais e que havia vários nas ruas ainda à espera de ser “apanhados”, esterilizados e entregues a associações. “Vai ter instalações novas”, prometeu, no final da visita, Marco Almeida, claramente convencido de que vai ganhar as eleições. Inês Sousa Real demonstrava a mesma confiança: “No 12 de outubro, vamos instaurar a figura do provedor do animal”.

Quem visitou quer o NAAAS, quer a Associação Aldeia dos Gatos — onde afagou gatos e cães — foi a cantora Mónica Sintra. Ao Observador, garantiu que “apoia a 100%” a coligação PSD-IL-PAN: “Estou aqui pelo Marco, das outras estive sempre ao lado dele, que é sintrense e isso é uma mais-valia”. “Cresci aqui e vi Sintra no auge. Infelizmente, agora existem vários problemas que o concelho se debate e acredito que o Marco Almeida pode resolver”, aclarou, sublinhando que o candidato conhece “Sintra na sua plenitude”.”Sintra não é só a vila. As pessoas esquecem-se da parte rural. O Marco conhece todas as realidades e tem muito que fazer.”

▲ Inês Sousa Real e Marco Almeida visitaram a Associação Aldeia dos Gatos em Sintra

LUSA

Ana Mendes Godinho lembra a pandemia com a companhia de Marta Temido — que só “sabe fazer ponto cruz”

A comitiva socialista chegou a Associação Simples Partilha ao final da manhã desta sexta-feira. A chegada foi um pouco hostil, já que uma mulher do prédio ao lado da associação — desde a varanda — começou a queixar-se de que “ninguém varre nada” e como Basílio Horta e os socialistas “não tinham feito nada” por Sintra: “Está tudo cada vez pior”. Ana Mendes Godinho respondia-lhe desde a rua e assegurava que todos “tinham direito à sua opinião”.

A chegada à Associação foi bem mais pacífica. Recebidos por Verediana Serra, a comitiva cedo conviveu com os presentes no espaço, que é usado por vários idosos para passarem os dias e uma forma de combaterem o isolamento social. “De manhã, venho às 10 até ao meio-dia, depois venho das 14h00 até às 16h30. Todos os dias fazemos coisas diferentes: pintura, tecido, porcelana”, contou ao Observador Ana Rosa, uma das mulheres que se ocupava a fazer um tapete. “Aqui ganha-se mais cem anos de vida”, comentava Ana Mendes Godinho.

Marta Temido também acompanhava a comitiva e chegou a comentar que só “sabe fazer ponto cruz”, ao lado de quem tecia uma tapeçaria. “Não tenho jeito para trabalhos manuais.” Em contraposição, Ana Mendes Godinho referiu ter mais experiência, uma vez que “tem aulas de costura com as amigas”. Ao longo da visita, a antiga ministra da Saúde e a candidata à Câmara de Sintra distribuía folhetos e brindes, explicavam os pontos do programa dedicados ao envelhecimento ativo e mantinham várias conversas com os idosos do espaço.

▲ Ana Mendes Godinho explicou o plano eleitoral a vários dos presentes na Associação Simples Partilha

Não havia dúvidas de que praticamente todos conheciam a antiga ministra, que se mantinha bastante extrovertida e arranjava forma de meter conversa com todos. Júlia Sousa, uma mulher que pintava um quadro, disse que se lembrava de uma entrevista que Ana Mendes Godinho tinha dado na televisão. Natural de Moçambique, a mulher ficou surpreendida quando soube que a antiga governante também ter vivido no país africano até aos dois anos e meio.

A campanha tem tido, segundo Ana Mendes Godinho ao Observador, “muito entusiasmo” e tem-se observado “muita proximidade”, tal como “deu para ver” pela ação na Associação Simples Partilha. A presença de Marta Temido é algo que a antiga governante valorizou. “Foi uma pessoa com quem demonstrámos ao país e ao mundo que os impossíveis são possíveis até serem feitos“, enfatizou, numa referência à gestão da pandemia. “Aliás, ainda hoje nos cruzámos com uma pessoa que veio dizer ‘obrigada por terem salvo o meu posto de trabalho durante a pandemia com o lay-off simplificado’. Salvou muitos empregos e que permitiu que tivéssemos saído de uma pandemia com uma taxa de desemprego mais baixa do que aquela com que entrámos.”

A experiência enquanto ministra também a ajudou nesta candidatura, considerou Ana Mendes Godinho, que garantiu ter um programa “estruturado, com medidas concretas e com uma visão de futuro”. O legado de Basílio Horta (apoiado pelo PS nas últimas autárquicas) é um trunfo ou pesa? A antiga ministra não respondeu cabalmente, mas recordou a “capacidade financeira e orçamental” que foi deixada — que é a base para o seu programa — e destacou que os “problemas de há doze anos não são os problemas de hoje em dia”.

"Aliás, ainda hoje nos cruzámos com uma pessoa que veio dizer 'obrigada por terem salvo o meu posto de trabalho durante a pandemia com o lay-off simplificado'. Salvou muitos empregos e que permitiu que tivéssemos saído de uma pandemia com uma taxa de desemprego mais baixa do que aquela com que entrámos."
Ana Mendes Godinho, candidata à Câmara Municipal de Sintra

Já a coligação com o Livre, é um “movimento de esperança e muito pragmático”, sublinhou Ana Mendes Godinho, que pretende “dar resposta às pessoas, nomeadamente trazer propostas muito direcionadas para o jovens”. Em relação ao PAN — um parceiro do PS noutras autarquias, ao contrário de Sintra —, a antiga ministra não deixou de achar “estranha” a coligação com o PSD e a Iniciativa Liberal. “Juntaram-se a uma coligação que diz que não tem linhas vermelhas com o Chega. Não só diz que não tem linhas vermelhas como o Chega, como procura ser uma cópia do original com uma linguagem recorrente de agressividade.”

Apesar de a corrida ser renhida, Ana Mendes Godinho disse sentir uma tendência “vitoriosa” para o dia 12 de outubro com uma candidatura que traz “esperança”, mandando farpas ao Chega, o partido que considera que encontra vários “bodes expiatórios” entre os sintrenses. Na saída da associação à hora do almoço, a antiga ministra saiu ainda com uma oferta: um colar oferecido, que prontamente fez questão de usar.

▲ Ana Mendes Godinho com o calor oferecido na Associação Simples Partilha

Rita Matias faz campanha no concelho natal de Ventura. “Tem quase uma dimensão umbilical ao Chega”

Uma loja de animais, um centro de estética, uma mercearia, uma engomaria e uma loja de decoração. São vários os locais em Janas pela qual a comitiva do Chega passou esta sexta-feira à tarde. Rita Matias falava com lojistas e clientes, sorria e entregava brindes — como sacos com o símbolo do partido ou pins. A candidata insistia em apresentar o seu programa e conversava com todos aqueles que desejassem, no que Jorge Belo (candidato à junta de freguesia da União das Freguesias de Sintra) definiu como “campanha de proximidade”. 

Houve vezes em que a comitiva não era bem-recebida. À porta do centro de estética, um homem que ia entrar com o filho suspirou um “que azar” ao entrar no espaço. Outra ironizou e perguntou se os membros do Chega “iam assaltar a loja” de decoração. Noutros locais, ainda assim, havia apoiantes que a recebiam com grande entusiasmo, como na engomaria Rita, em que Rita Matias garantiu que era ali que ia levar o seu “vestido de noiva” para engomar.

Numa mercearia, Rita Matias ouviu detalhadamente uma merceeira, que explicava os pães que tinha à venda — típicos de Janas. Abordada às vezes por apoiantes, houve um que quis falar com ela na mercearia para dizer que “conta com o voto dele” numa câmara em que é preciso fazer “uma limpeza total”. À saída, um jovem com cerca de dez anos pediu para tirar uma fotografia com a deputada. E não foi ao único. Ao longo da ação de campanha, os mais novos reconheciam a candidata do Chega, que tem uma presença ativa nas redes sociais, e muitos pediam para interagir com ela.

▲ Rita Matias visita engomaria Rita com um cartaz do Chega

“Nós vemos que, pelo fenómeno das redes sociais, as pessoas sabem quem somos, conhecem a nossa mensagem e os jovens têm curiosidade, querem aproximar-se, querem conversar connosco. Isso também é sempre interessante: perceber que as novas gerações começam a despertar para a política”, corroborou, ao Observador, Rita Matias.

Mesmo com alguns comentários mais negativos que ainda vai recebendo, a candidata do Chega em Sintra reconheceu que tem havido uma normalização do partido nas ruas. “Se o apoiante e o eleitor do Chega antes era envergonhado e não dava a cara, cada vez mais esse paradigma muda. Conforme se vê, há pessoas que param o carro ou que saem dos negócios para nos abordar. É sempre gratificante ver a confiança que depositam”, analisou Rita Matias.

Nas últimas legislativas, o Chega já ganhou as eleições em Sintra. Nestas autárquicas, haverá uma “vitória” — sim ou sim, como explicou Rita Matias: “Neste momento, ninguém sabe dizer quem é que vai ganhar as eleições e se olhar para o histórico eleitoral de Sintra, havia uma história de alternância, depois de 12 anos de PS era natural que viesse o PSD. Neste momento, ninguém sabe o que é que vai acontecer porque existe uma força nova que se chama Chega e que tem uma forte presença no terreno”.

"Aconteça o que acontecer, seja um cenário de vitória estrondosa em que consolidamos e que ficamos a liderar o executivo, seja um cenário onde fique definido que nós somos o fiel da balança para onde vai pender a capacidade de resolução de maiorias, já sabemos que há uma vitória eleitoral."
Rita Matias, candidata à presidência da Câmara de Sintra

“Aconteça o que acontecer, seja um cenário de vitória estrondosa em que consolidamos e que ficamos a liderar o executivo, seja um cenário onde fique definido que nós somos o fiel da balança para onde vai pender a capacidade de resolução de maiorias, já sabemos que há uma vitória eleitoral”, prosseguiu Rita Matias. Questionada sobre as coligações à direita e à esquerda, a candidata atirou que foram “anunciadas depois do dia 18 de maio, quando o Chega venceu o concelho de Sintra”. 

Rita Matias assinalou não entende como o PS quer “estar sentado ao lado de extremistas” como o partido Livre, que, para a deputada, é um “partido profundamente radical com medidas profundamente totalitárias e profundamente subversivas do Estado de Direito”. Além disso, apelidou a como “profundamente perversa” a coligação entre PSD, IL e PAN, uma vez que não vê um “fio condutor e nem uma linha de confiança que possa ser assegurada”.

Em Sintra, o Chega joga para ganhar com uma candidata conhecida, que assegura que ficará como vereadora, mesmo que o partido não vença as eleições. Acima de tudo, Sintra tem “quase uma dimensão umbilical ao Chega” não só por ser o “concelho natal do presidente” do partido, mas também por ser o local onde o “Chega levantou as primeiras bandeiras”. Caso vença, o concelho poderá ser também um tubo de ensaio para “mostrar como é que vai ser um governo do Chega”, realçou Rita Matias.

A corrida promete ser renhida até ao fim e os candidatos vão multiplicar-se em ações de campanha nos próximos dias para convencer mais eleitores. Marco Almeida é elogiado por ser “sintrense” e por ter uma coligação que seduz partes distintas do eleitorado. Ana Mendes Godinho tem a herança de Basílio Horta e a recordação dos seus tempos em que foi ministra. Rita Matias conta com a popularidade nas redes sociais e tem um partido em ascensão. Os dados estão lançados para 12 de outubro.

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