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Ler em Portugal ainda não convence os estudantes. Um terço dos alunos de 15 anos afirma que só lê se for obrigado e 22% diz que ler é uma perda de tempo. Os valores são ainda maiores quando se olha apenas para as respostas dos rapazes, que sobem para 41% e 31,2%, respetivamente. Já entre as raparigas, metade (53,3%) diz que gosta de falar com outras pessoas sobre livros e quase outro tanto, 45,5%, diz que ler é um dos passatempos preferidos. Os rapazes? Ficam pelos 22,9% no gosto de conversar sobre literatura e nos 18,8% quando a pergunta é sobre os passatempos preferidos. Estas são algumas das conclusões do PISA 2018, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos da OCDE, que é feito de três em três anos, e que este ano se focou na competência da leitura. Os resultados foram divulgados esta terça-feira.

Em Portugal, um estudo coordenado por Maria de Lurdes Rodrigues mostra que não saber ler é o principal motivo para as crianças chumbarem logo no 2.º ano — o início de uma bola de neve. Chumbar na primária é quase garantia de que haverá outras retenções ao longo do percurso académico, e um caminho de repetência leva ao ensino profissional. Daqui, a percentagem de jovens que segue para o ensino superior é muito baixa e, sem esse canudo, também é maior a probabilidade de ter uma vida profissional marcada por baixos salários e precariedade.

A maioria dos jovens com percursos de insucesso vem de meios sócio-culturais baixos e são filhos de pais que, também eles, tiveram percursos escolares complicados que conduziram a empregos precários e à pobreza, lembra o antigo ministro Eduardo Marçal Grilo, numa conversa com o Observador antes de serem conhecidos os resultados do PISA. O antigo governante descreve uma pescadinha de rabo na boca chamada leitura que só termina quando o primeiro membro da família aprende a ler fluentemente.

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