É uma acusação esperada — e demolidora. Ricardo Salgado, o ex-dono disto tudo que liderou o Banco Espírito Santo (BES) entre 1991 e 2014, foi acusado pelo Ministério Público de liderar uma alegada associação criminosa que terá tido como objetivo delapidar o património do BES para financiar as holdings falidas do Grupo Espírito Santo (GES). São 65 crimes que o MP imputa a Salgado, entre os quais 29 crimes de burla qualificada e 12 crimes de corrupção ativa no setor privado num despacho de encerramento de inquérito com 4.117 páginas a que o Observador teve acesso.

De acordo com o MP, Salgado terá ordenado a falsificação da contabilidade das principais holdings do GES, corrompido os seus próprios administradores e funcionários para criarem esquemas de financiamento fraudulento e burlado os clientes que confiavam na família Espírito Santo e que ficaram sem as suas poupanças com a falência do GES.

Na prática, a equipa de sete procuradores liderada pelo procurador José Ranito acusa Ricardo Salgado dos crimes económico-financeiros mais graves inscritos no Código Penal português: associação criminosa, corrupção ativa no setor privado, burla qualificada, infidelidade, manipulação de mercado, branqueamento de capitais e falsificação de documento. O MP acusa Salgado de ter capturado os termos da relação dos bancos GES [o português Banco Espírito Santo, o suíço Banque Privée Espírito Santo e outras instituições de crédito internacionais do GES] com os seus clientes, em benefício próprio, com a venda de dívida de empresas empresas do GES tecnicamente insolventes.

No total, são 25 acusados — 18 pessoas singulares e sete empresas.

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