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Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, durante a conferência "As Políticas de Mobilidade nos Grandes Centros Urbanos" que decorreu na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto em 15 de outubro de 2024. FERNANDO VELUDO/LUSA
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FERNANDO VELUDO/LUSA

FERNANDO VELUDO/LUSA

Rui Moreira: "Marcelo não esteve nada bem. Fez ajuste de contas com o Governo"

Em entrevista na Vichyssoise, ex-autarca do Porto critica "insensibilidade" e "vingança" do Presidente, considera que movimento de Cotrim vai "matar a IL" e avisa para o risco de não se eleger Seguro.

As tempestades que assolam o país são tão severas que é difícil criticar a resposta do Governo — mas é certo que a comunicação com o país correu mal. A avaliação é do ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que em entrevista no programa Vichyssoise considera que a ministra da Administração Interna não foi “feliz” e que o Governo não pode querer governar por “Tik Toks”.

Admitindo que o país tem problemas estruturais e que precisa de mudar em termos de organização para responder a catástrofes, as maiores críticas são, no entanto, dirigidas a Marcelo Rebelo de Sousa, que para Moreira “não esteve nada bem”: viajou até ao Vaticano, mostrando “insensibilidade”, e voltou com uma série de declarações “avulsas” que soam como uma “vingança” contra um primeiro-ministro com quem nunca teve a melhor das relações, diagnostica.

Nesta entrevista, o ex-autarca, que foi também mandatário nacional de Luís Marques Mendes, aponta o dedo às estruturas do PSD por se terem empenhado pouco na campanha presidencial, mas assegura que quem acabou com a campanha de Mendes — e, ao mesmo tempo, com a sua própria candidatura — foi Gouveia e Melo, que apareceu num debate com uma “granada na mão” e acabou por atingir ambos. Moreira aponta ainda o risco “distante, mas real” de António José Seguro perder a eleição se o eleitorado não se mobilizar, defende que o novo movimento de Cotrim Figueiredo vai “matar” o seu partido e lança a uma farpa a Rui Rio — que tem um “problema psicológico” e “range os dentes” sempre que ouve falar da obra do sucessor.

Ouça aqui a primeira parte da Vichyssoise:

Kristin, a depressão que deprimiu a campanha presidencial

Ouça aqui a segunda parte da Vichyssoise:

Rui Rio? “É um problema psicológico”

“O país e os governantes demoraram a perceber a dimensão da catástrofe”

Foi autarca durante 12 anos, enfrentou também cheias no Porto, embora com dimensões diferentes. Também conhece bem o modo de funcionamento da Proteção Civil. É informado sobre a realidade que o rodeia. Tendo em conta tudo isso, consegue perceber se o Governo falhou na resposta que foi dada à tempestade Kristin?
Numa situação desta natureza é praticamente impossível responder ao desafio que se coloca. De facto, não estamos habituados a alterações climáticas desta natureza. A população não está preparada, a Proteção Civil não tem os recursos e é muito difícil. É a mesma coisa se tivermos um tremor de terra. O que acontece é que a forma como o país se organiza em termos da Proteção Civil é muito assimétrico.  No caso do município do Porto, por exemplo, é um município com uma área pequena, com muita densidade populacional, que tem um conjunto de estruturas preparadas para corresponder a este tipo de circunstâncias, mas sabemos que há um país profundo, muito diferente, em que os municípios têm poucos recursos, têm pouca capacidade instalada e o país visto de Lisboa demora muito tempo a ver. A sensação com que fiquei é que o país demorou, e também os nossos governantes, demoraram algum tempo a perceber qual era a dimensão da catástrofe. Até porque, de repente, todas as comunicações foram arrancadas, temos um país que vive fundamentalmente da eletricidade e a eletricidade também ela parou e, portanto, fico com a sensação de que não havia sequer recursos para poder fazer outra coisa.

Era então difícil uma resposta totalmente eficaz.
Tenho muita dificuldade em criticar aquilo que sucedeu. É muito difícil fazer uma avaliação crítica numa situação em que o cenário do país é de caos. Eu passei pela A1 na sexta-feira passada e depois fiz a A8 no domingo. Quando olhamos para aquilo que aconteceu, nomeadamente à floresta ali na zona do Pinhal de Leiria, é que vemos árvores que foram partidas a meio, arrancadas a outras zonas, parece aquele desastre da Sibéria no princípio do século XX, em que as árvores estão todas deitadas, estruturas até de betão partidas. Não há comunicações e, portanto, é muito difícil fazer uma crítica severa relativamente a esta matéria.

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Olhando para a frente, é preciso que o governo tenha coragem para fazer algumas mudanças de fundo? Por exemplo, na organização da Proteção Civil, na maneira como a eletricidade e as ligações funcionam em Portugal?
Sim. Desde logo nós já percebemos há muito tempo que esta história do SIRESP não existe. Não vale a pena, porque na primeira circunstância há falta de energia, há falta de comunicações, as torres desaparecem, portanto não vale a pena. Mas não consigo compreender porque é que nós não usamos o Starlink.  As redes de televisão usaram o Starlink e funciona, porque é que não usam o Starlink nas freguesias, por exemplo? É uma coisa que qualquer de nós consegue perceber, que não vale a pena andarmos a insistir em tecnologias estranhas quando existem tecnologias globais que funcionam bem. É apenas um exemplo.  Ao mesmo tempo, há uns anos acabaram com os governos civis. O governo civil era, no fundo, a representação descentralizada do Estado Central. Hoje as CIMS e as áreas metropolitanas não assumiram essas funções.  Estamos muito dependentes, depois, da capacidade de cada município e também da vontade e da aposta que cada município fez na prevenção de catástrofes naturais e destes tipos de circunstâncias. E muitos desses municípios, pura e simplesmente, não têm massa crítica, não têm engenheiros, não têm trabalhadores, não têm quem possa intervir no terreno. Ficamos sempre com a sensação que há uma grande generosidade das pessoas, mas às tantas vemos alguns responsáveis que funcionam quase como o povo chama, como baratas tontas, andam para ali a correr de um lado para o outro. Falei com algumas pessoas que conheço que vivem naquela zona e diziam:  ‘Nós estávamos desesperados, passavam os carros da GNR para frente e para trás, mas ninguém parou a perguntar se precisávamos de alguma coisa’. Esta sensação a que também já assisti, em situações de incêndio, em que de repente há uma correria enorme, uma generosidade enorme, mas muito pouca capacidade de liderança e essa de liderança tem que ser descentralizada, mas com massa crítica. Talvez tenhamos que encontrar aqui uma forma de organizar o país de outra maneira.

"Vemos alguns responsáveis que funcionam como baratas tontas (...) Há uma correria enorme, mas muito pouca capacidade de liderança e essa tem de ser descentralizada, mas com massa crítica. Talvez tenhamos de encontrar uma forma de organizar o país de outra maneira"

“Marcelo faz declarações que são ajustes de contas com o Governo”

A ministra da Administração Interna disse que não sabe o que falhou, que foi uma aprendizagem coletiva. O ministro da Presidência publicou um vídeo que depois teve que retirar.  O ministro da Economia também foi um bocadinho atabalhoado quando disse que as pessoas deviam utilizar o salário do mês de janeiro e depois então viriam os apoios no final de fevereiro. Não obstante a boa vontade que o governo possa ter tido, a comunicação “não correu bem” como disse o Presidente da República?
A comunicação não correu bem mas, já agora, a comunicação do senhor Presidente da República também não correu nada bem.

Já lá iremos, ao Presidente.
Falta de senso, não é? É evidente que a comunicação não correu bem. Nos tempos de hoje os governantes precisam de saber comunicar bem. Qualquer palavra que é dita é muitas vezes até é descontextualizada, mas essa é a natureza da nossa vida contemporânea. Não vale a pena tentarmos voltar atrás. No passado, os políticos diziam as coisas que queriam e não havia este escrutínio. Hoje há um escrutínio muito grande. Parece-me que o primeiro-ministro foi capaz de falar no tempo certo. Houve quem dissesse que ele devia ter falado antes, mas era preciso perceber a dimensão da coisa. Alguns dos ministros enterraram-se em erros de comunicação que depois são escrutinados por toda a gente, principalmente numa altura destas. Precisamos de governantes que sejam políticos. Não precisamos de governantes que sejam especialistas nem técnicos.  E, acima de tudo, não podemos ter governantes que aumentam a nossa incerteza. Ou seja: quando já estamos numa situação em que não percebemos o que é que está a acontece e aparece um governante a dizer que também não percebe o que é que está a acontecer, isso causa angústia — e essa angústia depois paga-se caro. Não me parece que tenha sido muito feliz, no caso da senhora ministra da Administração Interna. O senhor ministro da Defesa também fez uma aparição que não me pareceu melhor. O Ministro da Presidência fez um vídeo e depois teve que tirar… Nós gostamos muito de Tik Toks, mas não se pode governar por Tik Toks, não é? Aquilo é uma coisa tiktokiana.  Portanto, sim, foi mais a comunicação do que a resposta que correu mal. Mas isso abrange todos os atores políticos. Tivemos atores políticos, com todo o respeito, a dizer que isto não é um jardim zoológico, mas depois aparece o líder do seu partido e vão passear e mostrar o jardim zoológico.

Neste caso, o Presidente da Câmara de Leiria.
Exatamente, que é um amigo meu, tenho a maior das considerações por ele e percebo o desespero. Mas aquelas declarações são declarações que só podemos compreender por estar em desespero.  Não é muito razoável porque só criam ansiedade, não resolvem nada. São desabafos, bem sei, mas os desabafos hoje são escrutinados de outra maneira.

Também falou aí do Presidente da República e da maneira como comunicou. O Presidente da República anda a fazer um périplo pelas zonas afetadas, já fez algumas críticas muito duras ao Governo. Acha que é falta de solidariedade institucional?
Com todo o respeito pelo senhor Presidente da República, e acho que vamos ter saudades de Marcelo de Rebelo de Sousa em muitas coisas, há aqui quase uma sensação de vingança relativamente ao Governo. Percebemos que ele e o primeiro-ministro nunca tiveram a melhor das relações, por isso parece um ajuste de contas, algumas das declarações dele. Mas nem me preocupa tanto relativamente ao Governo. Nós vimos a reação ontem das operadoras. Com toda a razão, quer dizer, há uma insensibilidade da parte do Presidente da República que, no meio disto tudo, resolveu ir para o Vaticano. Quer dizer, quando o país estava virado ao contrário, o Presidente da República resolveu ir para o Vaticano. Percebo que ele é católico, gosta muito de ir ao Vaticano, que está de saída, que teve doente e teve que adiar a viagem.  Mas depois chega cá e de repente começa a fazer um conjunto de declarações avulsas que são ajustes de contas.

O Presidente também estava a correr contra o próprio prejuízo?
Estava a reagir às críticas que lhe foram feitas, pelo facto de, numa altura destas, ter resolvido ir viajar com todo o respeito pelo Vaticano e pelas relações de Portugal com o Vaticano, não são tão cruciais. Principalmente tendo explicado que lhe tinham dito que nestas situações os responsáveis políticos não deviam aparecer nos locais, o que não faz sentido nenhum porque ele sempre o fez. Portanto, parece-me aqui também, e quando estamos em campanha eleitoral, ainda por cima — e sabemos também que a campanha eleitoral está a ser claramente atingida por isto — que o Presidente da República não esteve nada bem.

Na campanha tem visto algum aproveitamento político da tempestade?
É claro. André Ventura tem feito aquelas rábulas do costume. Tem tentado apostar naquilo que sucedeu e nas consequências do desastre para tentar mostrar que o Estado que ele quer alterar não funciona. E isso obrigou António José Seguro também a vir a terreno, mas com uma presença bem diferente, quer da André Ventura, quer até do atual incumbente.

Uma das críticas que a André Ventura fez é que, às vezes, o que afeta a estrutura é que as pessoas que são nomeadas como responsáveis da Proteção Civil nas autarquias são mais boys ou alguém da confiança partidária do que propriamente especialistas. Essa crítica é justa?
No nosso caso [Porto], a nível municipal, seguramente não é assim. Nós montámos uma estrutura diferente ao longo dos anos diferente, um centro de gestão integrada. O que é que pensámos? Que é preciso ter uma sala de pânico que funciona todos os dias. Temos lá, desde a Proteção Civil municipal, aos sapadores bombeiros, à PSP, à polícia municipal, também às pessoas ligadas aos transportes públicos e à limpeza urbana. E com um conjunto de interações através de câmaras de filmar que nos permitem fazer o diagnóstico e intervir rapidamente. E quer em inundações, quer em grandes eventos, no fim do ano, no São João, temos essa estrutura montada. É verdade que quando olhamos para as estruturas mais a nível distrital, percebemos que as escolhas são muitas vezes feitas por razões de ordem política, por nomeação política. Não tenho dúvidas de que assim é. Haverá casos e casos. No nosso caso, nunca foi assim: eram pessoas que faziam parte de uma estrutura municipal, escolhidas por concurso público. Os concursos públicos na Câmara do Porto são feitos, como devem ser, com um júri externo, em que temos inclusivamente professores da Faculdade de Psicologia a fazer a avaliação dos candidatos.

"Não me parece que [a ministra da Administração Interna] tenha sido muito feliz. O senhor ministro da Defesa fez uma aparição que não me pareceu melhor. O Ministro da Presidência fez um vídeo e depois teve de tirar… Não se pode governar por Tik Toks, não é? Aquilo é uma coisa tiktokiana.  Foi mais a comunicação do que a resposta que correu mal"

“Gouveia e Melo apareceu com uma granada e matou as duas candidaturas”

Faltam dois dias para acabar a campanha oficial. Rui Moreira foi mandatário de Luís Marques Mendes. Já percebeu o que é que correu mal? Envolveu-se e disponibilizou-se, e esteve sempre muito presente, talvez mais até do que muitas pessoas esperavam, pelo que teve uma visão privilegiada da campanha.
Há coisas que não queria mesmo revelar, porque não quero ofender ninguém, mas houve falta de envolvimento de pessoas que se deviam ter envolvido, porque candidatura tinha um apoio partidário. Vou dar apenas um exemplo para não criar grande polémica, porque não me interessa criar nenhuma. No dia em que Marques Mendes veio ao Porto, na quinta-feira antes das eleições, andou a passear pela rua de Santa Catarina e eles entenderam, e bem, não fazer uma arruada porque estava muito mau tempo. Depois fomos ao Bolhão, onde notei que havia muito poucas pessoas das estruturas partidárias. E acabámos numa sessão num edifício municipal que foi cedido pela Câmara, como, aliás, é sua obrigação. Nessa mesma noite, mais ou menos à mesma hora, decorria aqui no Terminal de Cruzeiros de Matosinhos, portanto a cinco quilómetros de distância, um grande evento organizado pela candidatura de Cotrim. Esse evento era promovido por duas ou três pessoas que aparecem no cartaz, uma delas era a presidente da Assembleia Municipal do Porto, Marta Massada. Quando se chega a este ponto… Marta Massada foi escolhida pelo PSD, não foi escolhida por outro, não é? Antes era mais ou menos uma pessoa inexistente politicamente. Quando há este tipo de funcionamento, é difícil esperar mais. Ainda assim, não atribuo a isso o que aconteceu à candidatura de Luís Marques Mendes. Estava a correr relativamente bem até um determinado momento e há um momento crítico, em que ele entra num debate e o almirante Gouveia Melo entra no elevador com uma granada e resolve tirar a cavilha e atirá-la para o chão. Isso matou as duas candidaturas. Não houve golpe de rins suficiente no momento imediato para reagir.

Foi dos primeiros apoiantes de Marques Mendes a declarar que ia votar em António José Seguro nesta segunda volta. O presidente do PSD também devia tê-lo feito?
Não, acho que o primeiro-ministro não o podia ter feito. Vivemos neste momento num sistema tripartidário. Temos três forças políticas muito próximas umas das outras, em termos de peso eleitoral e peso parlamentar. O primeiro-ministro não tem nenhuma garantia de ter apoio, seja de um partido, seja de outro, para poder aprovar os orçamentos e cumprir a legislatura e por isso, não o devia fazer. Também não devia por outra razão: isso iria dar vantagem objetivamente a André Ventura, que iria dizer: “estão a ver, sou eu contra todos”. A partir daí sim, poderia dizer-se que os votos de André Ventura eram todos votos de Chega. Ora, os votos que o André Ventura vai ter nesta segunda volta não são os votos do Chega, são votos do Chega e de outras pessoas que simplesmente não querem votar num candidato da área socialista. Portanto, ele não tinha outra coisa a fazer que não fosse aquela declaração. Achei perfeitamente razoável e, cá para nós, estou mesmo convencido de que sei em quem é que vai votar. Tenho a certeza de que vai fazer a mesma coisa que Luís Marques Mendes, que eu e que todas as pessoas moderadas vão fazer neste momento, que é votar em António José Seguro.

Uma abstenção grande provocada pelas condições climatéricas e por o voto ser mais de rejeição do que por convicção, pode colocar em causa a vitória de António José Seguro?
Pode.

Acha que é um risco real?
É um risco distante, mas existe, porque o voto de André Ventura é muito voto de rejeição. Notamos isso muitas vezes nas eleições europeias. Quando vamos fazer a avaliação do resultado eleitoral, percebemos que muitas das pessoas não foram votar a favor de coisa nenhuma, até porque não percebem muito bem para que é que serve o Parlamento Europeu, e vão mostrar a sua indignação, o facto de estarem zangadas, desiludidas. Esta é uma altura em que muitas pessoas estão extremamente zangadas, desiludidas e aflitas. E para muitas outras o risco maior é a abstenção: nestas circunstâncias não vão votar. Umas porque dão como adquirida vitória de António José Seguro, o que é perigoso; e outras porque nestas condições atmosféricas adversas não estão para ter o incómodo de ir votar. E vai estar mau tempo.

"Tenho a certeza de que Montenegro vai fazer a mesma coisa que Luís Marques Mendes, que eu e que todas as pessoas moderadas vão fazer neste momento, que é votar em António José Seguro"

“Movimento de Cotrim é o fim da IL”

Disse que não avançou para Belém porque João Cotrim Figueiredo já tinha avançado. O que é que acha deste novo movimento criado pelo antigo líder da IL? Ainda há alguma hipótese de vermos o Rio Moreira a integrá-lo?
Não, de forma alguma. Este movimento vai extinguir a IL. Acho que é o fim da IL. Para já é o administrador da massa falida da IL, porque a partir deste momento o partido pura e simplesmente não tem condições de subsistir. Não vejo como. Pode dizer-me: mas ele está a preparar uma candidatura para as eleições.

Chamou-lhe movimento 2031.
Já viu a distância? Também poderia dizer que é 2036. Agora, objetivamente, isto é utilizar o voto que ele teve para extinguir a IL. Não vejo como é que a IL vai sobreviver a este impacto.

Daqui a cinco anos, o João Cotrim Figueiredo é da idade que o Rui Moreira tem agora. Portanto, é novo.
Sim, sim. Não tenho dúvida que ele vai poder concorrer. Agora, é um bocadinho cedo para atirar a pedra para o charco, não é? Agora, acho que a ideia é diferente. Tentar recentrar o movimento liberal dentro do espectro político em que a IL, desde que ele saiu, e reconheça-se isso, não foi capaz, nem com o Rui Rocha, nem com a atual líder. Não se percebe muito bem o que é que a IL anda a fazer no espectro político. Isso para a IL é absolutamente mortífero.

Agora que já não é presidente da Câmara, já pode confessar que votou em Pedro Duarte?
Não vou dizer em quem votei.

"O risco de Seguro perder é distante, mas existe, porque o voto de Ventura é de rejeição. Muitas pessoas estão zangadas, desiludidas e aflitas. E para muitas outras o risco maior é a abstenção: umas porque dão como adquirida vitória de Seguro, o que é perigoso; e outras por causa das condições atmosféricas"

“Rui Rio range os dentes quando ouve falar no que eu faço. É um problema psicológico”

Saiu uma notícia há pouco mais de uma semana que dizia o seguinte: “Pedro Duarte trava a construção de casas e duplica câmaras de videovigilância no Porto”. Rui Rio, que é sempre muito ativo no Twitter, partilhou a notícia e escreveu o seguinte: “Uma opção inteligente pela qualidade de vida, só é pena já não se conseguir emendar alguns exageros que em má hora se fizeram nos últimos anos”. Isto era autocrítica ou estava a criticá-lo a si, o Rui Rio?
Não, o Rui Rio é absolutamente incapaz de autocrítica, portanto seguramente que me estava a criticar, porque range os dentes sempre que ouve falar em alguma coisa que eu tenha feito. Mas isso é um problema dele, é um problema psicológico que não quero avaliar, não sou psicólogo.

Foi falado para a cabeça de lista da AD às Europeias. Também admitiu no verão essa tal candidatura a Belém, mas não avançou. O que é que o futuro lhe reserva? Aceitaria, por exemplo, ser ministro de um governo de Luís Montenegro?
Para já estou a fazer um período sabático que me está a dar imenso gosto. Estou a organizar a minha biblioteca, consigo estar mais com os meus filhos e com os meus netos e fazer coisas que eu queria fazer, viajar um pouco…. Agora, um cargo ministerial de forma alguma, nunca se colocou, não faz nenhum sentido.

Numa entrevista anterior dizia-nos que não tinha vontade de ir para fora. Já admitiria, agora, um cargo como o de embaixador da OCDE? Nessa altura dizia que tinha ali uns problemas de saúde, mas agora já está em forma.
Não tenho nenhuns problemas de saúde. Já me falaram de tantas coisas… Ao longo dos últimos anos deram-me como certo na EDP, depois disseram que eu ia para a Federação Portuguesa de Futebol, tantas coisas… Não faço essas avaliações. Uma coisa é certa: não vou seguramente para o setor privado, para qualquer empresa que tenha tido transações e negócios na cidade do Porto ou tenha aqui feito investimentos. Não vou fazer aquilo que tantos fazem. Portanto prefiro ir pela negativa, ou seja: quais são as portas que estão fechadas? Essa porta está absolutamente fechada.

A presidência do Futebol Clube do Porto também?
Temos um excelente Presidente, o André Villas Boas está a fazer um ótimo trabalho, é uma pessoa nova, tem essa capacidade, e também eu nunca disse que queria ser Presidente do Futebol Clube do Porto. Várias vezes me deram um candidato ao Futebol Clube do Porto, e eu nunca quis.

"Não vou seguramente para o setor privado, para qualquer empresa que tenha tido transações e negócios na cidade do Porto ou tenha aqui feito investimentos"

“Rui Rio? Não gosto de marinheiros de água doce”

Vamos à fase do Carne ou Peixe, em que o convidado tem de escolher uma de duas opções.

Foi campeão de vela. Quem é que levaria num barco à vela pelo Douro: Rui Rio ou Filipe Araújo?
Filipe Araújo, seguramente. Não gosto de marinheiros de água doce, não levaria Rui Rio, até pelo nome.

Quem é que levava num tour fotográfico? Luís Montenegro ou António Costa?
Provavelmente, António Costa.

Quem é que apoiava numa candidatura à presença do Futebol Clube do Porto? Pedro Duarte ou Manoel Pizarro?
André Villas Boas. Aqui nem carne nem peixe, ia para o marisco. Vejo ambos no camarote presidencial [no estádio do FC Porto], o que é muito saudável. Estão irmanados nessa causa.

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