A campanha da segunda volta teve pouca história até ao primeiro debate entre Rui Costa e Noronha Lopes em canal aberto transmitido por RTP3, SIC Notícias, CNN/Portugal e CMTV, a campanha da segunda volta ganhou muita história depois de um encontro que acabou por favorecer mais o atual presidente do que o seu principal adversário nesta maratona eleitoral no Benfica. Houve várias entrevistas, houve algumas presenças em Casas do clube, houve um par de “farpas” que foram sendo trocadas entre candidatos num duelo a que se quis “juntar” também André Villas-Boas, líder do rival FC Porto que teve declarações “explosivas” antes da partida dos dragões para os Países Baixos, para defrontar o Utrech na Liga Europa, ao dizer que “o Sporting tinha o presidente do Benfica no bolso”. Noronha Lopes reagiu, Rui Costa reagiu, o assunto “ficou”.
Os contornos do segundo e último debate desta segunda e última parte da corrida eleitoral seriam sempre diferentes, tendo em conta o contexto de ser um canal do clube com temas mais balizados e tendo como meta principal a possibilidade de ambos os candidatos poderem partilhar as suas visões sobre variados temas dos encarnados. Mais: aquela frase de Villas-Boas era quase “obrigatória”. Afinal, contas feitas, quando Luís Costa Branco, que voltou a moderar o debate no Hotel 1904, antiga sede dos encarnados no coração da cidade de Lisboa, disse que “quase tudo tinha dito aos sócios”, não imaginava o nível de choque frontal que tudo acabaria por assumir. Aliás, bastaram 145 segundos de João Noronha Lopes a abrir para se ver que este seria um debate diferente de todos os outros, com o gestor a ir com tudo ao ataque contra Rui Costa sem pensar no eleitorado que podia ou não ganhar entre outros candidatos ou faixas etárias mas a querer fazer desta última presença pública quase um statement que ficará em qualquer cenário apurado na segunda volta.
– JNL: Estou aqui a representar aqueles que não se contentam com um Benfica que sabe a pouco. Os benfiquistas têm de perguntar se este Benfica chega depois de gastarmos 400 milhões em jogadores, 700 milhões em vendas, ganhámos um Campeonato, uma Taça [da Liga], estamos mais próximos dos títulos do Sp. Braga do que do Sporting e do FC Porto. A mim não me chega. Não sei se o Rui Costa tem netos, que é mais novo do que eu, mas estou farto de explicar aos meus netos por que não ganhamos, porque perdemos todos os dias, porque vê o avô triste quando chega a casa. Vejo um Benfica resignado, que ganha pouco e que procura sempre desculpas. Ontem [Quarta-feira] foi mais uma noite mal dormida. Estamos no último lugar da Champions. Há 12 jogos que não ganhamos em casa na Champions. O que se passou ontem é responsabilidade de toda a gente menos do presidente sempre. O menos responsável é José Mourinho. Motivou a equipa. Quem é o responsável disto, Rui? Quem é o responsável por haver cinco treinadores em quatro anos? Quem é o responsável por continuarmos a não ganhar aos nossos adversários diretos? O responsável está aqui à minha frente. O responsável é Rui Costa. O que nos surpreende mais é que depois de gastarmos 130 milhões em reforços já estamos a falar dos reforços de janeiro. Houve mais uma vez uma má gestão desportiva e o responsável está aqui à minha frente.”
– RC: É isto, dois minutos e 25 segundos para responder a uma pergunta que não responde e só falou na minha pessoa. A sua campanha é o Rui, Rui, Rui…
– JNL: Lá está o Rui Costa a vitimizar-se…
– RC: Não estou a vitimizar-me, não estou não…
– JNL: Está sim, outra vez…
– RC: Eu não o interrompi e peço que não o faça. O que proponho é um mandato em que ganhamos mais do que os outros. O que se pretende é que se ganhe mais do que os outros. Não temos bolas mágicas, mas temos obrigação. Foram quatro anos de reformulações. Obviamente que não foi um mandato com queríamos. Tenho um sonho que vou transportá-lo, que no mínimo é acabar o mandato com a quarta estrela. É o desejo de todos os benfiquistas. Ontem foi uma noite triste para os benfiquistas, uma noite em que devíamos ter ganho. E quando não ganharmos o responsável sou sempre eu. Os 400 milhões… Tenho ouvido falar disso como se fossem mandados à rua e não é assim…
“É evidente que o Benfica não pode gastar todos os anos 100 milhões. O plantel no futuro não precisa de grandes alterações. Vai haver anos em que não é necessário de gastar tanto dinheiro. Relembrar que hoje estamos preparados para enfrentar o mercado com clubes importantes mas ainda estamos abaixo em salários. O Benfica está pronto no futuro para fazer melhores investimentos”, acrescentou ainda o atual líder do Benfica, antes de novo bate-boca com Noronha Lopes num clima de tensão que se ia adensando.
– JNL: O Benfica não tem de gastar menos, tem é de gastar melhor. Está a gastar pior do que devia gastar. Todos dizemos que o Benfica tem de ganhar mais do que os outros. Rui Costa já provou que não sabe ganhar. Eu tenho um projeto para vencer. Acabámos de gastar 130 milhões e vamos ao mercado, prova mais uma vez que o investimento foi mal feito. O maior legado desportivo do seu mandato é o bicampeonato do Sporting…
– RC: Sim, agora essa… Já li essa frase…
– JNL: Desbaratou-se dos melhores jogadores. Mais uma vez, o Benfica tem o maior orçamento para o futebol em Portugal. Na SAD gasta 120 milhões em salários, mais 40 milhões do que o Sporting, e não ganha. Isto é o quê? Má gestão desportiva. Entre os jogadores mais valiosos, temos dois. Os nossos adversários têm os outros. O que se chama a isto? Má gestão. Como podem os benfiquistas acreditar que vamos passar a ganhar se está a ser tudo feito da mesma maneira? José Mourinho está a trabalhar com um plantel feito com Bruno Lage como Bruno Lage trabalhou com um plantel feito com Roger Schmidt. Rui Costa quer dizer que tem uma varinha mágica e dizer que vamos começar a ganhar…
– RC: Eu não tenho varinha mágica, o João por acaso tem? O João é que está a dizer que tem o projeto, mas não diz qual. Até agora não conseguiu responder a nada. Em relação aos jogadores, evidente que comprámos muitos. Nem sempre se vai acertar, mas tenho lido e ouvido o que tem dito e permita-me que lhe diga isto. No futebol os jogadores não têm paternidade. Vai haver falhas em todas as presidências. Vi que disse que o Benfica não pode ter mais Meïtés. Tenho aqui quatro relatórios do Meïté, que é contratado pelo Pedro Ferreira. Vou oferecer-lhe e pode levar ao Pedro Ferreira, para ver o que ele diz…
– JNL: Isso é mentira…
– RC: Está aqui, um documento do Benfica. Oficial. É mentira?
– JNL: Isso é mentira…
– RC: Não me chame mentiroso. Se o debate vai por aqui, não vale a pena haver debate…
“Há uma diferença entre a minha candidatura e a de Rui Costa, parece que Rui Costa já leu o meu programa. Rui Costa é um homem do futebol que, supostamente, sabe tudo de futebol. Se um homem do futebol ganha um Campeonato em quatro, precisamos de outros homens do futebol. A minha equipa sabe o que vai fazer, conhecem os cantos à casa. São pessoas que já passaram pela formação, pelo scouting, já ganharam no Benfica. Na equipa de Rui Costa houve uma pessoa que não sabe o que vai fazer. O Benfica não tem um chief scout ao fim de um ano e meio. Deve ser a única equipa das ligas europeias sem um chief scout. Já saíram sete pessoas do scouting. Saiu o diretor do Benfica Campus, o diretor da formação, Lourenço Pereira Coelho, Rui Pedro Braz, dois treinadores da formação para os adversários. Como pode o Benfica ganhar se sai tanta gente? Saem porque não querem trabalhar consigo, algumas disseram-me isso. Já me disseram que Duarte Beirolas pediu para sair e que lhe pediu para adiar a saída para depois das eleições. As pessoas continuam a sair. Você não tem liderança. O Rui nem atribui pelouros aos seus vice”, atirou depois Noronha Lopes.
“Não vamos falar de liderança porque você já meteu a equipa a falar nos jornais durante toda a semana. Eu percebo que Noronha Lopes, depois da semana passada, venha com a agressividade toda. Posso falar ou vai fazer um debate sozinho? Estava para aí a falar das saídas… No scouting saíram três pessoas porque o Pedro Ferreira quando foi para Inglaterra conseguiu levá-los por preços mais caros…”, começou por responder Rui Costa, interrompido por Noronha Lopes dizendo que isso não era verdade. “Eu não vim para aqui com este nível. A questão é muito simples: trocou-se o diretor do Benfica Campus, fizemos o trajeto do futebol de formação que conquistou títulos, lançámos jovens na equipa principal. Saiu Rodrigo Magalhães para a Arábia por valores incomportáveis. É natural porque somos uma referência mundial a nível da formação. Mesmo as pessoas que saíram, nunca ficou um vazio. As pessoas que tem para meter no Benfica é um camião tal, com tanta gente… Foi preciso o debate a seis para você perceber que não há um vice para o futebol e depois disso apresentou o Nuno Gomes”, prosseguiu, abrindo mais um foco de duelo aberto.
– RC: Tem feito o debate sozinho… Não há vice para o futebol porque é da SAD. O meu cargo era de administrador. Os seus vices são todos para o futebol? Diga lá… O que é que é um vice para o futebol?
– JNL: O que estava lá a fazer? Estava nas relações institucionais…
– RC: Outra vez… É uma questão de conseguir falar e neste momento está a fazer o debate sozinho. Quanto mais fala melhor para mim…
– JNL: As verdades têm de ser ditas. Rui Costa esteve 13 anos ligado ao futebol.
– RC: Tive os méritos de ganhar e de perder…
– JNL: Não sabia nada, assinava sem ler…
– RC: Mas nunca abandonei o clube!
– JNL: Vieira dizia que Rui Costa se encostava, que era um símbolo. Que esteve lá, esteve. Era responsável pelo futebol. Não pode dizer que limpou tudo quando foi ele que pôs lá o plantel. Chega de mentiras!
– RC: Não vai voltar a chamar-me mentiroso, isto não é nada. Já é a terceira vez que me chama mentiroso…
– JNL: No último debate chamou-me mentiroso várias vezes…
– RC: Olhe, nunca abandonei o clube…
– JNL: Não abandonou mas esteve lá encostado…
Com 13 minutos de debate, Rui Costa já se queixava do “nível”: “Se estou a dar provas e ainda sou chamado de aldrabão, se o nível é este…”. Pouco depois, com 20 minutos, a questão de um Rui Costa “impreparado” já tinha voltado à baila, com o atual líder de dedo em riste na direção de Noronha Lopes a tentar colocar o seu adversário com outra postura. “Já me chamou três vezes mentiroso, isto não é nada”, atirou. Os temas iam mudando, passando por futebol feminino, associativismo e modalidades, a postura de “ataque” do gestor mantinha-se sempre viva, colocando Rui Costa sempre sob pressão entre várias saídas mútuas a dizer que o adversário estava mais nervoso do que era costume. Na altura das contas, mais um “choque” frontal.
– JNL: Rui Costa vive numa realidade paralela na questão das contas. O problema começa com Rui Costa não conseguir reter pessoas no departamento financeiro. Houve quatro pessoas a tratar das finanças: Soares de Oliveira, Luís Mendes, Jaime Antunes e agora Nuno Catarino. Quando se muda de diretores financeiros como se muda de treinador, os resultados não aparecem. Em 2021, Rui Costa disse que Vieira e o seu projeto eram de topo. Em 2025, disse que teve de reerguer o clube. Mas reerguer de quê? O Rui Costa tem mais contradições neste debate do que títulos de campeão.
– RC: Ao contrário de si, tenho oito títulos de campeão nacional. Não fugi do Benfica, nunca o abandonei.
– JNL: Eu estive no Benfica quando ajudei a eleger Manuel Vilarinho e você foi bandeira eleitoral de Vale e Azevedo. Há dois assuntos em que fica nervoso: quando se fala de Proença e de ter sido bandeira eleitoral de Vale e Azevedo…
–RC: Esteja descansado, já encontrei adversários em campo muito mais difíceis…
O debate estava a chegar ao final, o tema das infraestruturas ainda voltou a incendiar o ambiente entre os dois candidatos. “Faz sentido aumentar o Estádio até pelos Red Pass em espera. Há necessidade, temos o projeto para 80 mil. É uma necessidade extrema. Há mais de 15 mil Red Pass em espera. Se fizermos contas, mesmo o valor do Benfica District pode não chegar. Com 80 mil pessoas continuamos a garantir a comodidade aos sócios do Benfica, não queremos colocar sócios em cima de sócios. Queremos o aumento do Seixal para fazer mais campos e o projeto Benfica District que será de um crescimento muito grande para o nosso clube”, disse Rui Costa. “Deixe-me aproveitar para explicar ao Rui Costa o que é ser líder recuperando outra vez o tema dos direitos televisivos”, apontou Noronha Lopes. “Sonha comigo…”, ouviu.
– JNL: O futebol português não vale nada sem o Benfica. O Rui Costa deve assumir isso e quando diz que não se opõe aos direitos televisivos porque não queria ficar sozinho, isto revela que não sabe o que é o Benfica…
– RC: Vai ensinar-me o que é o Benfica?
– JNL: Não, vou ensinar-lhe a ser líder. No estádio, temos um projeto para aumentar a lotação para 83 mil lugares. Temos um projeto com uma das maiores construtoras de estádios do Mundo. Não apresentamos porque queremos alguma informação que só teremos quando chegarmos à presidência. Não vou apresentar isto ao Presidente da Câmara mas sim aos sócios. Não será de 200 milhões como o Benfica District, que é ridículo. O Benfica não precisa de betão nem shoppings. Isto é fácil prometer. Temos de ser realistas. O Benfica tem de fazer aquilo que pode fazer de acordo com as condições financeiras..
– RC: O Benfica District vai dar vida ao estádio todos os dias e não só durante os jogos. É uma experiência diferente. Foi ver o Manchester City, provavelmente viu o projeto do Manchester. Vai ao encontro do que está ser feito noutros clubes, vai dar uma dimensão e receita diferente ao clube. Não é só uma questão estética. O Noronha Lopes vai fazer o Benfica District avulso. A própria Sonae já demonstrou interesse. Isto é uma fonte de receita que o clube não pode abdicar. O crescimento do clube também passa por isto…
– JNL: Cada vez que o Rui sente que vai ser contrariado, interrompe-me. Mas vai ouvir-me. O projeto de Rui Costa foi apresentado por um consultor. Tenho Manuel Mota, líder da maior construtora portuguesa. Não é gente que fala, que faz acontecer. Todos os projetos que engrandecem o Benfica são positivos, mas quando se diz que o custo é de 220 milhões é falaciosos. Só o Estádio custa entre 120 e 150 milhões de euros. O Rui nunca explica no projeto como vai gerar 37 milhões por ano…
– RC: Está tudo explicado…
– JNL: Tenho um vice para o património que sabe fazer acontecer. O meu projeto de modernização é um projeto a sério. Não vou é dizer que vou investir no estádio e criar uma fila em que uma pessoa tem de ter 1,70 m para ver o jogo, isso é estar a enganar os sócios!
– RC: Mas sabe quem é que apresentou o projeto? A Populous, que é só quem construiu o Estádio…
– JNL: Conheço as pessoas da Populous há muito mais tempo do que você…
– RC: Eh pá fantástico, isso é fantástico…
– JNL: Não apresento já o projeto porque quero ver primeiro o que se aproveita da parte do Estádio, não da outra fantasia que anda cá fora, o parque de diversões que pôs lá…
– RC: Percebo que tenha medo que o Estádio possa crescer…
– JNL: Já agora, tem aqui o relatório do Meïté mas não tem por exemplo do Bernat?
– RC: Sim, olhe, tenho de todos. E até aproveito para lhe deixar mais um do Darwin, que também disse que foi o Pedro Ferreira que fez… Veja lá aí quem é que fez os relatórios…
– JNL: Isto é mentira, é mentira. E sabe porquê? Luís Filipe Vieira disse que Darwin estava identificado em 2016 pelo Pedro Ferreira. O que o Rui diz não é verdade. Está a chamar mentiroso a Luís Filipe Vieira?
– RC: Não, você é que me está a chamar mentiroso…
– JNL: Não, você é que está a chamar mentiroso a Luís Filipe Vieira…
– RC: Está a chamar-me mentiroso. Está a morrer de amores pelo Luís Filipe Vieira, percebo porquê. Tenha respeito pelos benfiquistas. Não me chama mentiroso, estou a dar-lhe relatórios do Benfica! No que dependesse de si, Vieira já nem era sócio…
Chegava o momento das mensagens finais. Finalmente, um pouco de paz? Nem por isso. Aliás, muito longe disso. “Rui Costa só tem uma estratégia, que é fazer-se de vítima. Caros benfiquistas, não estamos a votar num jogador que todos admiravam. Estamos a eleger quem está mais preparado para ser presidente. Estamos a escolher entre quem não fez e quem pode fazer. Estamos a escolher entre passado e futuro. A escolha é simples. Se querem um Benfica que ganha um Campeonato em quatro, pior financeiramente do que há 4 anos, um Benfica que se ajoelha perante os adversários e que tem medo de Proença, não votem em mim. Se querem um Benfica ganhador e respeitado, que não gasta 130 milhões para ter zero pontos na Champions, que tem a firmeza para enfrentar os adversários, que se faz grande na Europa, um Benfica que é à Benfica, votem na Lista F. Tenho a equipa e o projeto certo. Tenho a coragem para defender o Benfica. O Benfica não aguenta mais quatro anos assim. Como disse Cosme Damião, não sou benfiquista de coração porque este um dia pára. Sou um benfiquista de alma porque esta é eterna”, disse Noronha Lopes nessa última mensagem.
“Estamos a falar do senhor doutor Noronha Lopes, que depois de informar que decidiu aceitar um convite irrecusável que lhe tinha sido feito a nível profissional e era incompatível com o lugar de vice-presidente do clube, apresentou a sua demissão do cargo ao fim de 58 dias…”, começou por dizer Rui Costa, no início do derradeiro bate-boca mais aceso que levou mesmo Luís Costa Branco, que estava a moderar o debate, a dizer que os candidatos que não estavam a prestar o melhor serviço do clube.
– JNL: É mentira, você é mentiroso!
– RC: Está aqui na ata do clube. Não me chame mentiroso!
– JNL: Não vou deixar passar isto. Sabe o que é que isto demonstra… demonstra que não conhece a história do Benfica. Estive um ano no Benfica a defender o Benfica e a ajudar Manuel Vilarinho. Sabe porquê? Porque quando cheguei ao Benfica Manuel Vilarinho disse-me ‘olhe, aqui não há nem efetivos nem suplentes. Estás a trabalhar desde o primeiro dia’. Foi isso que fiz. Estive lá desde o primeiro dia, a trabalhar de sol a sol. Tive dois empregos e estive a defender o Benfica. E se não fosse o meu trabalho e o de Vilarinho naquela altura, o Benfica neste momento não era dos sócios
– RC: Está a dizer que isto é mentira? Que esta ata é mentira?
– JNL: Estou a dizer que trabalhei no Benfica. Fale com alguns dos seus apoiantes porque eles sabem. Não há efetivos nem suplentes, todos estavam a trabalhar. Estive lá um ano. Você mente, Rui.
– RC: Isto é uma ata do Benfica. A ata do Benfica não mente…
– JNL: O que está a dizer é mentira!
– RC: Mentiroso, não. Isto está nas atas do Benfica que podem ser consultadas. Mentiroso não sou. Os relatórios que entreguei são do scouting do Benfica e não me chama mais nenhuma vez mentiroso!
“A mensagem final é simples. Desde já peço desculpa por este debate porque isto não foi nada. Foi algo que não dignificou o clube e lamento por isso. Quisemos um registo, talvez por ser a última cartada, quisemos um registo desta dimensão. Lamento profundamente que os sócios tenham assistido a um debate desta maneira. Eu assumo as minhas responsabilidades. O João só tem a bola mágica para resolver os problemas todos. A situação é muito simples. Nunca me vou impor aos sócios do Benfica. Serei presidente do Benfica se os sócios assim o entenderem porque foi assim que sempre servi o meu clube. Sempre à disposição do meu clube, nunca virei a cara ao meu clube. E estarei sempre à disposição do meu clube. Os únicos dois apelos que faço, além naturalmente de votarem na lista G, é que se bata o recorde outra vez. Que mostremos novamente ao mundo a nossa dimensão. Está cá o Guinness para comprovar isso. O pedido de ser presidente não se impõe. Temos de nos meter à disposição dos sócios. É isso que farei sempre”, concluiu Rui Costa.
O debate mais quente entre o atual líder e o adversário direto chegara ao fim mas até mesmo depois de a emissão ter saído do Hotel 1904 ainda se ouviram mais críticas mútuas entre os candidatos, sendo ainda bem percetível uma frase de Rui Costa para Noronha Lopes antes de tudo ser interrompido e passar para estúdio: “Não me chama mais mentiroso, não me chama mais mentiroso! Você é um mentiroso compulsivo”.
Como foi a interação mais tensa entre Rui Costa e Noronha Lopes no debate nos generalistas
– JNL: Em primeiro lugar, partilho a condenação e a repulsa pelos atos e campanhas que fazem na internet e que envolvem os candidatos e as suas famílias. Aquilo que o Rui passou é o que eu também tenho passado. Nestas eleições já fui acusado de tudo: de ser o novo Vale e Azevedo, de querer viver do Benfica, de não pagar impostos… A ponto de fazer algo que nunca pensei fazer: apresentar a minha declaração de rendimentos. Essas campanhas na internet são miseráveis. Mas outra coisa são os ataques que vêm de outra campanha. Um vice-presidente da sua campanha disse que estava farto das burrices de João Noronha Lopes. Eu tinha-o colocado na ordem. A campanha de Rui Costa, em determinada altura, disse que eu festejava as derrotas do Benfica. Acha que Bagão Félix ou Luís Tadeu festeja as derrotas do Benfica?
– RC: Sabemos como as redes sociais funcionam. Lamento o que se tem visto, que não se perceba que no final do dia somos todos do mesmo clube e que isto não é uma eleição política. Não somos partidos a lutar contra os outros a ver quem fica no Governo. Tudo daquilo a que se tem assistido é lamentável. Quando metem famílias, os meus filhos… Capacidades de gestão de Noronha Lopes? Falo das ofensas, o fomentar o ódio no clube. Não estamos em partidos. Não pode ser uma campanha política. Tem de ser visto como a campanha do maior clube do mundo. Só somos grandes se conseguirmos estar mais juntos. É natural que haja quem esteja do lado e do outro. Fomentar o ódio não consigo compreender. Abomino…
– JNL: Concretize, Rui, concretize. Eu também não quero entrar nisto. O que se passa na internet é uma vergonha e estou completamente de acordo com o Rui. Mas há uma diferença. Quando pergunto a Rui Costa para concretizar, ele não consegue concretizar. Se esses ataques partissem da minha candidatura, eu teria reagido de forma diferente. Se uma pessoas estiver próxima de mim e ofender, eu reajo. Essa é a diferença que existe entre mim e Rui Costa em relação a este ponto…
– RC: Quem da minha candidatura disse isso? Ontem o seu diretor de campanha ofendeu-me de alto a baixo. Numa Assembleia Geral, o seu diretor de campanha chamou a minha mãe à conversa. Os seus apoiantes diziam esta semana que o melhor que podia acontecer ao Benfica era ser goleado frente ao Vitória [de Guimarães] e frente ao Leverkusen. É extraordinariamente triste desejar que o clube perca. Ontem, da sua campanha, mandaram-me coisas à procura de podres meus. Não acho natural. Quem falou sobre a sua pessoa não está na minha campanha. Fernando Tavares não está na minha lista.
– JNL: Para ser claro, nesta campanha todas as críticas que faço são críticas objetivas ao que se passou durante o mandato de Rui Costa. E digo-lhe mais: durante uma Assembleia cheguei a defender Rui Costa de ataques pessoais. Um presidente do Benfica tem todo o respeito institucional. Não é o meu estilo. O que estamos aqui a defender, mais uma vez, é um mandato de quatro anos. Em quatro anos, Rui Costa, que quer ganhar tanto como eu, que é um grande benfiquista, não ganhou, não equilibrou as contas…
– RC: Quando fizeram a pergunta, falei no geral. Tenho de ir às ofensas todas que me fazem, como as pessoas nas Assembleias Gerais, muitas pessoas da sua lista. O apelo que faço é que, pelo menos, as pessoas percebam que toda a gente é do Benfica…
Como tinham sido as interações entre Rui Costa e Noronha Lopes no primeiro debate na BTV
Tema 1. Futebol
– JNL: Não posso deixar de estranhar que, depois de termos investido 130 milhões de euros em jogadores o plantel ainda apresente estas lacunas. Na gestão do futebol todos cometemos erros, mas é preciso aprender com eles. Se continuarmos a cometer os mesmos erros, os resultados não aparecem (…) Ouvi Rui Costa a dizer que se é para perder, que seja assim, e a falar das entradas e saídas. Fico surpreendido porque parece que o candidato Rui Costa critica o presidente Rui Costa, que constituiu o plantel, tal como o presidente Rui Costa criticou o antigo vice e diretor desportivo Rui Costa quando disse que tinha herdado um plantel mais velho e com jogadores a mais. A pergunta que faço é: quantos Costas há na Direção?
– RC: Começar por esclarecer que este trajeto, esta gestão do futebol não pensa no imediato. E é por não pensar no imediato que o Benfica tem esta estrutura e apenas seis jogadores acima dos 25 anos (…) Dizer só a Noronha Lopes que o Rui Costa nunca festejou nem assumiu que festejou algo que não fosse um título do Benfica. Nasci neste clube com 8 anos e aprendi muito cedo que aqui não há vitórias morais. O que disse é que o Benfica, se não ganhar, que jogue até ao fim. Queremos que o Benfica lute por títulos e, o que disse, foi que no ano passado lutámos por todos. Em relação à estrutura, acho muito estranho que se prometa uma ampla estrutura que não se percebe muito bem quem vai comunicar com quem porque é muita gente. Uma estrutura altamente profissional com cargos onde nenhuma das pessoas executou, no passado, qualquer cargo desses. Mário Branco leva uma vida neste cargo. Não estão em causa as pessoas, mas nenhuma delas teve o cargo que o senhor está a meter neste momento no Benfica.
– JNL: Rui Costa foi vice para o futebol e diretor desportivo. Se não sabe o que faz um vice e um diretor desportivo, fico surpreendido. Posso garantir que o Nuno Gomes e o Pedro Ferreira estão preparadíssimos. Trazem qualidade, preparação. O Nuno saiu do Benfica pelo próprio pé, tirou um curso de gestão desportiva, é consultor da FIFA. O Pedro é um dos melhores scouts que o Benfica já teve. Foi para Inglaterra, levou o Nottingham Forest aos lugares europeus. Tiveram carreiras no Benfica, não se encostaram, foram à vida deles e voltam mais enriquecidos. O seu diretor desportivo, ou diretor geral porque a definição das funções na sua estrutura foi opaca, ou quem esteve a tratar do futebol era comentador televisivo. Dizer que o Nuno Gomes, que teve um passado na formação, que o Pedro Ferreira, como chiefscout, estão pior preparados do que alguém que foi comentador televisivo…
– RC: Explique lá o que faz o vice-presidente para o futebol no clube. Eu acompanhava a equipa. Está aqui o ex-presidente e pode confirmar.
– JNL: O vice-presidente terá toda a supervisão do futebol do Benfica. É uma pessoa extraordinária, com competências. O diretor-geral coordena o futebol do Benfica. Tem debaixo de si a formação, o scouting e a ligação com as áreas operacionais de apoio ao clube. Aqui as pessoas não entram de paraquedas, estão a falar há muito tempo e estão prontas para trabalhar…
– RC: Não pus em causa as pessoas, pus em causa a experiências nestes cargos. Nunca estiveram nestes cargos…
– JNL: Mas qual é a experiência do Rui Pedro Braz?
– RC: Estou apenas a colocar em causa os cargos, não as pessoas…
Tema 2. Futebol de formação
– JNL: Rui Costa diz que não era possível segurar João Neves. Todos os jogadores um dia quererão sair, mas os benfiquistas não percebem que João Neves, que não queria sair, tenha saído. Quem disse foi João Neves. O processo não foi resolvido na altura certa. Devia ter sido em dezembro ou janeiro. Aí é que se devia falar com a família e empresário. Se deixamos o assunto arrastar-se quando o jogador está com a cabeça no outro lado, claro que não fica. Rui Costa não fez o que deveria ter feito para segurar João Neves. Não é só um dos melhores médios do Mundo, mas personificava a mística, entrega e ambição que os adeptos do Benfica querem ver (…) Não pode ser João Neves a pagar os erros de gestão desta Direção. O João não saiu por estratégia, mas sim por urgência. Os benfiquistas não percebem que num ano tenhamos de vender o João Neves porque é preciso receber 50 milhões e depois gastamos 130 milhões em reforços. Eu percebo o motivo. Estamos em período eleitoral.
– RC: Em relação ao João Neves, não me lembro de o ter visto em nenhuma reunião connosco, caro Noronha Lopes. Não me lembro de o ter visto em qualquer reunião para me estar a desmentir daquilo que foram as reuniões com João Neves. Não queria sair do Benfica, mas evidentemente não queria perder valor em relação ao que foi ganhar para Paris. Que é completamente incomportável para o Benfica. Chegar a determinados valores. Hoje já consegue levantar o valor das transferências, mas não consegue levantar até esses valores os contratos.
– JNL: A questão do João Neves não é do passado. Simboliza duas coisas: a importância de ter jogadores no plantel que passam a mística e o talento para os jogadores que vêm a seguir. Se o jogador da formação vê que outro jogador sai ao fim de 6 meses ou um ano, o que quer? Quer sair também. A formação faz-se de símbolos, Rui. E eu estou farto desta conversa de que não podemos cortar as pernas aos jogadores. Não devemos é cortar as pernas aos jogadores, para eles serem primeiro campeões no Benfica.
– RC: E foi, e foi…
– JNL: Esse discurso fatalista de que não podemos fazer melhor é que faz com que não ganhemos. Temos excelentes técnicos da formação a sair. Tem de haver uma aposta nos técnicos. Eles têm de ser valorizados, estão a tratar dos diamantes para o futuro.
Tema 3. Finanças
– JNL: Pergunto como é possível termos quatro diretores financeiros em quatro anos. Tivemos cinco treinadores em quatro anos. E tivemos Domingos Soares de Oliveira, Luís Mendes que se demitiu, Jaime Antunes que se demitiu e agora Nuno Catarino. Não é surpreendente que o passivo tenha aumentado 100 milhões. Não é uma surpresa que os resultados correntes apresentem um resultado negativo todos os anos de 15 milhões. Os sócios perguntam para que isto serviu? Ganhámos mais títulos? Modernizámos o estádio? Melhoramos o Seixal? Rui Costa, zero. Tem de haver rigor financeiro. Temos de equilibras as despesas e receitas correntes. Temos de apresentar sucesso desportivo, foi por isso que apresentei uma organização. Não festejamos Relatórios e Contas (…) Temos de colocar mão nisto. Mais quatro anos disto e ficamos numa situação complicada…
– RC: Não tive cinco diretores financeiros, tive três, terminando com o Nuno Catarino, que está a fazer um excelente trabalho. Se falarmos das pessoas que saíram, talvez o recorde seja seu: 58 dias. É uma coisa que está em ata…
– JNL: Mas qual ata?
– RC: Se puder continuar… A única coisa que fui enquanto jogador de futebol foi ter a vontade de voltar ao Benfica para jogar e seja com A, B ou C. Está aqui o senhor que era presidente na altura e pode prová-lo. Em relação à parte financeira. Se contabilizarmos a dívida total do Benfica, hoje é de 241,5 milhões. Baixou e não aumentou. É verdade que aumentou a dívida líquida, estabilizámos e vimos até onde podia aumentar dentro de três pilares muito simples (…) O estranho, e aqui pergunto onde está a sua responsabilidade [fala com João Noronha Lopes], é chumbar um exercício de 30 milhões ao Benfica. E era sobre isso que gostava de perguntar. Em relação aos custos, repito. Subiram 5,6 milhões para um aumento de receitas de 11% ao ano e vai aumentar até aos 500 milhões com as várias medidas. Subimos em todas as alíneas. De área comercial, todas. Subiram no meu mandato e vão continuar a subir.
– JNL: Rui Costa disse que o problema do passivo tinha a ver com o Covid-19. Houve seis jogos com Covid-19 no seu mandato. Quanto aos FSE, diz que continuam a subir. Se fossem custos internos aparecia como lucro. Na página 115 do relatório, o lucro é de 1,4 milhões. Onde foi o dinheiro? Digo-lhe com toda a amizade, mas nesta matéria aquilo que está a dizer não faz sentido. Ao contrário do que acontece consigo, que não leu o meu programa, eu li o seu e vê-se um conjunto de lugares comuns que não dizem nada sobre o futuro do Benfica. Duplicar as receitas do digital. Como?
– RC: Continuo a achar muita piada a todo este conflito em relação à parte financeira do Benfica… Continua a ser claramente o clube português em melhor condição financeira, isso é incomparável. Nunca teve sequer perto de ter problemas com o fair play financeiro, nunca necessitou de ir à banca pedir perdões, nunca faltou a um atleta, fornecedor, colaborador, inclusive reduziu as dívidas de 40 milhões a clubes. A dívida total passou de 247 para 241 milhões (…) Mas acho graça à preocupação do lado de Noronha Lopes. que tem José Theotónio como grande símbolo para resolver os problemas financeiros, mas ao mesmo tempo ainda não conseguiu explicar se vai ficar a tempo inteiro, em part time… Numa altura disse que ficaria a part time, noutra situação já a tempo inteiro. Tanta preocupação com a parte financeira e ainda estamos à espera para saber se o seu CFO estará a tempo inteiro.
– JNL: Rui Costa disse numa entrevista que o próximo exercício está feito. Como é que alguém com responsabilidade pode dizer uma coisa destas? Não sabe o que serão o resultado das vendas dos jogadores. Chego à conclusão, com toda a estima que tenho por si…
– RC: Não diga que tem estima e está a atacar-me há três meses…
– JNL: Há uma coisa que eu não faço que são críticas pessoais. Faço críticas relativamente ao seu mandato como presidente. Já disse que assina muitas vezes sem ler e agora chego à conclusão que não lê os jornais. José Theotónio disse o que vai fazer no Benfica: compromisso total.
– RC: Mas o próprio não disse isso…
– JNL: Devia era estar satisfeito por alguém com o calibre profissional de José Theotónio se dedique ao Benfica. Rui Costa disse que estive 50 dias no Benfica. É mentira. Se ler a entrevista de Manuel Vilarinho, hoje ele disse que fui um suplente até ao último dia. Leia, informe-se.
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Tema 4. Direitos televisivos
– JNL: Em relação aos direitos televisivos há falta de coerência de Rui Costa. Sancionaram o projeto de Pedro Proença durante quatro anos. Quando se verificaram os acontecimentos da Taça, saltaram do processo. O Benfica esteve omisso, foi entregue um projeto e o Benfica nem foi informado. Isto não é defender o Benfica. 94% das receitas são geradas por três clubes. Nesses três, o Benfica gera mais receitas. Geramos mais receitas, audiências, impacto social. O Benfica tem de defender os seus interesses. É muito importante iniciar já conversas com o Governo sobre este decreto-lei, perceber se continua a fazer sentido. O panorama audiovisual mudou. Se a Liga e a FPF não o fazem, o Benfica tem de ser líder no processo. Temos de ouvir o mercado. O Benfica vai ser respeitado. Não é pelos outros votarem a favor que eu voto.
– RC: Acho que neste tema acabamos por estar todos de acordo, mesmo quem dá mais um floreado para abrilhantar a festa. Na verdade, estamos todos de acordo com a preocupação que há com os direitos televisivos (…) Há duas regras básicas: 2026 a 2028 o Benfica tem de fazer um ótimo contrato, e depois defender a causa, nem que a lei seja adiada, como é o que andamos a propor há meses.
Tema 5. Infraestruturas
– RC: Tenho um estudo prévio para aumentar a capacidade para 83 mil espectadores feito por uma das maiores empresas de engenharia de construção de estádios do Mundo, um estudo que visa em modernizar e tornar o estádio mais cómodo e digital. Há um conjunto de natureza financeira que só posso ter quando entrar e o processo. Não vou apresentar ao presidente da Câmara e aos jornalistas primeiro, mas sim aos sócios. Quero melhorar os pavilhões e a piscina, vejo o estado ao que aquilo chegou. A terceira área é de investir no Seixal e melhorar as condições da formação. Quero criar um centro de convívio para os sócios, que vivem à volta do estádio o seu benfiquismo e para as Casas quando vêm de fora. O meu vice para o património é Manuel Mota. As estradas e as pontes em que circulamos foram feitas por empresas dele.
– RC: Apresentámos um projeto que está mais do que pronto para ser apresentado aos sócios. No dia em que o aprovarem, está pronto para entregar na Câmara. Não é uma utopia. No fundo, tudo o que ouvi aqui inclui-se no Benfica District, parece-me uma coisa muito simples. É uma questão de modernizar e dar uma dimensão diferente ao Benfica. A criação deste Estádio fez o Benfica crescer, a criação do Benfica District irá estar na mesma medida. É uma situação que resolve os problemas das entradas, das saídas, das Fan Zones… É um projeto elaborado e construído para modernizar e fazer crescer o clube. Está estruturado por uma empresa mais do que conhecedora do caso. A Cidade das Modalidades não foi concretizada por uma razão simples. Precisamos de um terreno com uma certa medida e numa certa modalidade. Para fazermos, vamos fazer uma coisa à séria, à Benfica, e que vá ao encontro das necessidades.
– JNL: Tenho dificuldade em entender como a Direção que prometeu a cidade das modalidades e que não saiu do papel quer fazer acreditar aos benfiquistas que vai fazer um projeto como o Benfica District…
– RC: Não sei o que tem uma coisa a ver com a outra. Aqui estamos nos nossos terrenos. Percebo a sua aflição de fazer crescer o Estádio da Luz. Foi uma das coisas que o fez sair do Benfica…
– JNL: Ninguém acredita que a Direção tenha a capacidade de concretizar. Não vou fazer hotéis nem centros comerciais. Tudo tem de ficar concentrado no Estádio e no Seixal. Tenho dúvidas em relação à Cidade das Modalidades. Não prometo aquilo que não posso cumprir. Mas, oh Rui Costa, por que diz que sabe por que saí do Benfica?
– RC: Eu li as atas. Era a favor deste estádio?
– JNL: Era.
– RC: Então as atas estão enganadas.
– JNL: Tem as atas? Já sabíamos que Rui Costa não lia aquilo que assinava. Eu tenho a ata.
– RC: A questão do Benfica District tem uma componente que está a ser desvalorizada, que é a receita na entrada. Isto não será só um tema estético. As obras são fora do estádio, as grandes obras. É viável continuarmos a jogar aqui. O facto de fazermos este projeto não é só para fazer uma coisa bonita e para os sócios terem muito orgulho – que vão ter. Ultrapassa muito isso. Tem a ver com as condições para as modalidades. E vocês foram ao encontro disso. E tem uma receita esperada de 40 M€ por ano. Se vamos aproveitar o Euro-2030? Como é óbvio!
Tema 6. Associativismo
– RC: Só fazer aqui uma nota sobre as Casas do Benfica: tenho visto nas redes sociais e têm espalhado por aí que o Benfica fechou 120 Casas neste mandato. O Benfica fechou três casas. Paris, Mira e Luxemburgo. E no Luxemburgo está para abrir de novo. E abrimos quatro que estavam fechadas: Arganil, Foz Coa, Montreal e Ourém. Fizemos obras em 29 Casas, inserimos o modelo 2.0 em Santarém (…) Tudo o que fazemos, todos nós aqui, temos de apontar aos sócios. São os verdadeiros donos do clube. A Casa do Sócio, uma promessa eleitoral minha, não está feita por causa das obras que vão ser feitas aqui à volta do estádio. E também se encaixará dentro do Benfica District.
– JNL: Tenho ouvido os sócios, não só para dizer as minhas ideias, mas para ouvir. As Casas não podem ser só notícia em altura de eleições e aniversário. O presidente tem de ir às Casas. Cresci fora de Lisboa e sou emigrante. Dou um grande valor às pessoas que estão nas Casas. Vamos realizar duas reuniões da Direção por ano fora de Lisboa. Vamos criar a figura de Provedor de Sócio, para ouvir as queixas e reclamações. Os sócios vão passar a ter resposta. Vamos criar o Congresso das Casas. Há uma nova geração que não tem a dedicação para ir às Casas com a geração mais velha. Muitas Casas têm comissões administrativas que vão ficando com as pessoas porque ninguém as substitui. Recebi um SMS do presidente da Casa de Algueirão-Mem Martins, que não consegue pagar a conta da eletricidade…
– RC: Eu estive lá e sei, falei com o presidente…
– JNL: Mas não está resolvido. Ele mandou-me uma SMS hoje…
– RC: Já tem um gerador para resolver o problema no imediato.
– JNL: Vamos criar o Portal da Transparência, com as comissões de intermediação e o calendário do meu programa eleitoral. Queremos melhorar o programa Mais Vantagens, há muitas vantagens que não são regionais. Há que melhorá-lo. Estas ideias são de todos. Tenho um projeto para aumentar para 500 mil sócios, para expandirmos o benfiquismo. Vamos criar um portal da bilhética transparente e funcional.
Tema 7. Relações externas e institucionais
– RC: O Benfica terá de estar na linha da frente em todos esses temas. Foi falado da relação com os outros clubes e o que queremos dos outros clubes é: fomos toda a vida o alvo a abater pela nossa grandeza. E concordo plenamente que temos de querer, evidentemente, procurar evidenciar o melhor para o futebol português. O futebol limpo, que possa ser jogado dentro das quatro linhas. Não tenho intenções de cortar, até prova contrária, relações com ninguém, mas irei sempre defender o Benfica intransigentemente como tenho feito e como procuro fazer no futuro de modo a que o Benfica seja respeitado como merece.
– JNL: O Benfica quer ter as melhores relações institucionais. Mas para ser respeitado o Benfica tem de se dar ao respeito. Rui Costa disse que coloca o Benfica acima de tudo. Estou completamente de acordo, mas não foi o que aconteceu com Pedro Proença. Votou em Proença porque não podia ir contra a corrente. Se tiver de ir contra a corrente, vou…
– RC: Não é porque não podia, não queria.
– JNL: Não queria? Ainda pior. Ouvimos de Rui Costa que não tinha votado em Proença mas sim no projeto de Proença. Fiz-lhe essa pergunta em Assembleia Geral mas ainda não percebemos esse apoio. Garanto que estarei a defender os interesses do Benfica até à primeira à última jornada. Não será com comunicados meiguinhos. Quando o presidente tiver de dar a cara, dará.
– RC: Quando digo projeto, e não a pessoa em si, é toda a estrutura que levou para a Federação, o projeto que colocou em cima da mesa e acima de tudo porque antes era presidente da Liga. Todas as matérias que acabei de referir são necessárias modificar, estão nas mãos de uma pessoa que se lamentava dos mesmos temas e que os conhece na exatidão das preocupações dos clubes. Esta foi a promessa que levou para a Liga e estaremos sempre vigilantes em relação às promessas cumpridas e não cumpridas. Há um Conselho de Arbitragem que esperamos que possa ter identificado as lacunas. Mas há aqui ainda uma questão: sou sempre visado, Noronha Lopes sempre que começa a resposta, começa com Rui Costa. Vou só dar-lhe um exemplo flagrante. Sabe quem foi um dos apoiantes de Pedro Proença à Federação? O seu vice-presidente, Nuno Gomes. Pergunte-lhe se está de acordo com isto…
– JNL: Querer transformar Nuno Gomes como principal apoiante de Pedro Proença quando o presidente do Benfica o apoiou… Está tudo dito. Nuno Gomes está alinhado com a minha visão para o futebol português e com o que temos de fazer.