Os inspetores da Polícia Judiciária chegaram a Cachoeiras, concelho de Vila Franca de Xira, logo pela manhã. Levavam uma lista de diligências para cumprir — e a incerteza sobre se, ainda nesta quarta-feira, fariam detenções. A operação, rodeada de um enorme sigilo, tinha um primeiro alvo: Rosa Grilo, a mulher do triatleta encontrado morto na berma de um caminho de terra, em Avis, no final do mês de agosto.

Não era a primeira vez que falavam com ela, bem pelo contrário. Ao longo de 10 semanas, a viúva de Luís Grilo prestou declarações várias vezes no processo que investigava o desaparecimento e a morte do marido, como testemunha. Mas agora era diferente. Com a lista de diligências, os inspetores levavam também a convicção de estarem perante o autor do crime. Ou um dos autores — além de Rosa Grilo, havia um outro alvo: um homem com quem a suspeita terá uma relação “de grande proximidade”, conta fonte da PJ ao Observador, e cuja identidade não foi revelada.

A operação desta quarta-feira serviria para tirar todas as dúvidas. Durante todo o dia, depois de buscas feitas nas casas de ambos, os dois suspeitos foram confrontados com dúvidas, pontas soltas e indícios encontrados pela investigação. As respostas que deram — ou não deram — terão acabado por expô-los e os elementos recolhidos pelos inspetores bastaram para que fosse dado o passo seguinte: já a noite tinha caído quando foram emitidos dois mandados de detenção. Rosa Grilo, de 43 anos, e o tal outro homem, de 42, foram detidos e levados para a sede da Polícia Judiciária em Lisboa, por fortes indícios da prática de crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver. As diligências efetuadas ao longo do dia permitiram concluir o “envolvimento de ambos os detidos, os quais mantinham uma relação próxima”.

Na manhã após a detenção, a PJ revelou que o triatleta terá sido atingido com um tiro no crânio que lhe terá causado a morte, um dia antes da mulher ter participado o desaparecimento. “No dia seguinte, a ora detida, cônjuge da vítima, participou o seu desaparecimento às autoridades, supostamente após se ter ausentado da residência comum para efetuar um treino de ciclismo”, informa a PJ em comunicado. A arma já foi entretanto recuperada, “bem como foram recolhidos e apreendidos outros elementos de relevante valor probatório”.

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