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▲Delegação norte-americana no encontro na Suíça

AFP via Getty Images

▲Delegação norte-americana no encontro na Suíça

AFP via Getty Images

Trump ameaçou, mas encontro na Suíça foi amigável e terminou com garantias para Kiev. O papel da Europa ainda é uma incógnita

Ucranianos e americanos ultrapassaram as polémicas e anunciaram que, "como resultado das discussões, as partes elaboraram um quadro de paz atualizado e aperfeiçoado" — em contacto próximo com Europa.

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Pouco fazia prever que o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acabasse por a declarar à imprensa que este domingo tinha sido “o dia mais produtivo” desde que a administração Trump passou a estar envolvida nas negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia. Todavia, foram essas as palavras que proferiu, tais como “progresso enorme” e “estou muito otimista”, após a reunião da delegação norte-americana junto da ucraniana em Genebra, na Suíça, para discutir o plano de paz que Washington gizou para pôr fim ao conflito. Ao final do dia, Kiev e a administração norte-americana deram a garantia que “qualquer acordo futuro deve respeitar plenamente a soberania da Ucrânia”.

Num comunicado conjunto publicado já durante a madrugada desta segunda-feira no horário europeu, Kiev e Washington cristalizaram o compromisso de defesa dos interesses ucranianos, defendido por Rubio horas antes. Ucrânia e EUA afirmaram que as “conversações foram construtivas, focadas e respeitosas” e que mantêm um “compromisso comum de alcançar uma paz justa e duradoura”. Mais substancialmente, o comunicado avançava que, “como resultado das discussões, as partes elaboraram um quadro de paz atualizado e aperfeiçoado“.

Sem avançar detalhes sobre esse novo plano, as duas potências anunciaram também que vão “continuar a trabalhar intensamente em propostas conjuntas nos próximos dias” e “permanecerão em contacto próximo com os seus parceiros europeus à medida que o processo avança”, na única menção feita a Bruxelas no comunicado.

Depois de Trump ter criticado a reação ucraniana ao plano de paz norte-americano, o texto também reafirma a “gratidão” ucraniana pelo “compromisso firme” dos EUA e “pessoalmente do Presidente Donald J. Trump, pelos seus esforços incansáveis”. Por fim, afirmam que as futuras decisões relativas ao plano de paz serão tomadas em conjunto pelo Presidente dos EUA e por Volodymyr Zelensky.

Plano dos EUA: dois dias de críticas

Dois dias antes tinha sido revelada a substância do plano norte-americano: 28 pontos que implicariam enormes cedências para Kiev, como a perda de territórios que não estão sob o controlo russo, a redução do seu exército regular a 600 mil efetivos e a garantia de nunca se juntar à NATO nem de permitir a entrada de soldados da Aliança Atlântica no país.

“Bom acordo para ambos” ou “capitulação” ucraniana? O que diz o plano dos EUA para um cessar-fogo, ponto por ponto

O plano mereceu amplas críticas dos líderes europeus desde sexta-feira até este domingo — com Donald Tusk, primeiro-ministro polaco, a afirmar publicamente esta manhã que “seria bom saber de certeza quem é o autor do plano e onde é que este foi criado”. Essa acusação velada de que este projeto de paz norte-americano teria sido desenhado pela Rússia foi antes atirada sem subterfúgios por membros do Congresso dos EUA, que a consideraram uma “lista de desejos dos russos”.

Tais críticas obrigaram Marco Rubio a salvar a face e garantir que o plano é da autoria dos EUA, baseando-se tanto em “contributos do lado russo” como em “contributos anteriores e contínuos da Ucrânia”. O secretário de Estado dos EUA encontrava-se então numa posição ingrata — até porque a Bloomberg noticiaria ao longo do dia que as acusações tinham um fundo de verdade.

O plano de paz proposto pelos EUA

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Este é o plano de paz que terá sido apresentado pelos EUA à Ucrânia, conforme noticiado por meios de comunicação como a AFP e o Axios:

1. A soberania da Ucrânia será confirmada;

2. Será celebrado um pacto abrangente de não agressão entre a Rússia, a Ucrânia e a Europa. Todas as ambiguidades dos últimos 30 anos serão consideradas resolvidas;

3. Espera-se que a Rússia não invada os países vizinhos e que a NATO não se expanda ainda mais;

4. Será realizado um diálogo entre a Rússia e a NATO, mediado pelos Estados Unidos, para resolver todas as questões de segurança e criar condições para a redução da tensão, a fim de garantir a segurança global e aumentar as oportunidades de cooperação e desenvolvimento económico futuro;

5. A Ucrânia receberá garantias de segurança fiáveis;

6. A dimensão das Forças Armadas ucranianas será limitada a 600.000 efetivos;

7. A Ucrânia concorda em consagrar na sua Constituição que não aderirá à NATO, e a NATO concorda em incluir nos seus estatutos uma disposição que estabelece que a Ucrânia não será admitida no futuro;

8. A NATO concorda em não estacionar tropas na Ucrânia;

9. Os caças europeus ficarão estacionados na Polónia;

10. A garantia dos EUA:

  • Os EUA receberão uma compensação por assumir esta garantia;
  • Se a Ucrânia invadir a Rússia, perderá a garantia;
  • Se a Rússia invadir a Ucrânia, além de uma resposta militar coordenada e decisiva, todas as sanções globais serão restabelecidas e o reconhecimento do novo território, tal como todos os outros benefícios deste acordo, serão revogados;
  • Se a Ucrânia lançar um míssil contra Moscovo ou São Petersburgo sem motivo, a garantia de segurança será considerada inválida;

11. A Ucrânia é elegível para a adesão à UE e receberá acesso preferencial de curto prazo ao mercado europeu enquanto esta questão estiver a ser analisada;

12. Será criado um forte pacote global de medidas para reconstruir a Ucrânia, incluindo, mas não se limitando a:

  • A criação de um Fundo de Desenvolvimento da Ucrânia para investir em indústrias em rápido crescimento como a tecnologia, centros de dados e inteligência artificial;
  • Os Estados Unidos cooperarão com a Ucrânia para reconstruir, desenvolver, modernizar e explorar conjuntamente as infraestruturas de gás da Ucrânia, incluindo gasodutos e instalações de armazenamento;
  • Esforços conjuntos para reabilitar áreas afetadas pela guerra para a recuperação, reconstrução e modernização de cidades e áreas residenciais;
  • Desenvolvimento de infraestruturas;
  • Extração de minerais e recursos naturais;
  • O Banco Mundial criará um pacote de financiamento especial para acelerar esses esforços;

13. A Rússia será reintegrada na economia global:

  • O levantamento das sanções será discutido e acordado em etapas, analisando-se caso a caso;
  • Os Estados Unidos celebrarão um acordo de cooperação económica de longo prazo para o desenvolvimento mútuo nas áreas de energia, recursos naturais, infraestruturas, inteligência artificial, centros de dados, projetos de extração de metais raros no Ártico e outras oportunidades empresariais mutuamente benéficas;
  • A Rússia será convidada a voltar a integrar o G8;

14. Os fundos congelados russos serão utilizados da seguinte forma:

  • 100 mil milhões de dólares em ativos russos congelados serão investidos em esforços liderados pelos EUA para reconstruir e investir na Ucrânia;
  • Os EUA receberão 50% dos lucros deste empreendimento;
  • A Europa adicionará 100 mil milhões de dólares para aumentar o montante de investimento disponível para a reconstrução da Ucrânia;
  • Os fundos europeus congelados serão descongelados;
  • O restante dos fundos russos congelados será investido num fundo de investimento separado entre os EUA e a Rússia, que implementará projetos conjuntos em áreas específicas. Este fundo terá como objetivo fortalecer as relações e aumentar os interesses comuns, a fim de criar um forte incentivo para não voltar ao conflito;

15. Será criado um grupo de trabalho conjunto americano-russo sobre questões de segurança para promover e garantir o cumprimento de todas as disposições deste acordo;

16. A Rússia consagrará na sua lei uma política de não-agressão em relação à Europa e à Ucrânia;

17. Os Estados Unidos e a Rússia concordarão em prorrogar a validade dos tratados sobre a não proliferação e o controlo de armas nucleares, incluindo o Tratado START I;

18. A Ucrânia concorda em ser um Estado não-nuclear, em conformidade com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares;

19. A Central Nuclear de Zaporíjia entrará em funcionamento sob a supervisão da AIEA, e a eletricidade produzida será distribuída em partes iguais entre a Rússia e a Ucrânia;

20. Ambos os países comprometem-se a implementar programas educativos nas escolas e na sociedade com o objetivo de promover a compreensão e a tolerância de diferentes culturas e eliminar o racismo e o preconceito:

  • A Ucrânia adotará as regras da UE sobre tolerância religiosa e proteção das minorias linguísticas.
  • Ambos os países concordarão em abolir todas as medidas discriminatórias e garantir os direitos dos meios de comunicação e da educação ucranianos e russos.
  • Todas as ideologias e atividades nazis devem ser rejeitadas e proibidas.

21. Territórios:

  • A Crimeia, Lugansk e Donetsk serão reconhecidas como territórios russos de facto, inclusive pelos Estados Unidos.
  • Kherson e Zaporíjia serão congeladas ao longo da linha de contacto, o que significará o reconhecimento de facto ao longo da linha de contacto.
  • A Rússia renunciará a outros territórios acordados que controla fora das cinco regiões.
  • As forças ucranianas retirar-se-ão da parte da região de Donetsk que controlam atualmente, e esta zona de retirada será considerada uma zona tampão desmilitarizada neutra, internacionalmente reconhecida como território pertencente à Federação Russa. As forças russas não entrarão nesta zona desmilitarizada.

22. Após chegarem a acordo sobre os futuros acordos territoriais, tanto a Federação Russa como a Ucrânia comprometem-se a não alterar esses acordos pela força. Quaisquer garantias de segurança não serão aplicáveis em caso de violação deste compromisso.

23. A Rússia não impedirá a Ucrânia de utilizar o rio Dnieper para atividades comerciais, e serão celebrados acordos sobre o transporte livre de cereais através do Mar Negro.

24. Será criada uma comissão humanitária para resolver questões pendentes:

  • Todos os prisioneiros e corpos restantes serão trocados numa base “todos por todos”.
  • Todos os detidos civis e reféns serão devolvidos, incluindo crianças.
  • Será implementado um programa de reunificação familiar.
  • Serão tomadas medidas para aliviar o sofrimento das vítimas do conflito.

25. A Ucrânia realizará eleições em 100 dias.

26. Todas as partes envolvidas neste conflito receberão amnistia total pelas suas ações durante a guerra e concordarão em não fazer nenhuma queixa ou examinar quaisquer reclamações no futuro.

27. Este acordo será juridicamente vinculativo. A sua implementação será monitorizada e garantida pelo Conselho de Paz, liderado pelo presidente Donald J. Trump. Serão impostas sanções por violações.

28. Assim que todas as partes concordarem com este memorando, o cessar-fogo entrará em vigor imediatamente após ambas as partes se retirarem para os pontos acordados para dar início à implementação do acordo.

De acordo com a agência, tal como a Reuters já tinha avançado, o plano na verdade terá sido cozinhado entre o enviado especial Steve Witkoff para as negociações de paz e o seu congénere russo, Kirill Dmitriev, que gere um dos maiores fundos soberanos da Rússia e se encontra sob sanções norte-americanas, contando ainda com os contributos de Jared Kushner, genro de Donald Trump. Rubio terá então sido incumbido de defender e negociar na Suíça um acordo feito nas suas costas e ao qual só teve acesso tardiamente.

O “progresso enorme” perante o prazo apertado e a “zero gratidão” dos ucranianos

Esta não foi, contudo, a única razão para as expectativas serem baixas quanto ao avanço das negociações este domingo. O plano, que parecia prejudicial às pretensões ucranianas, tinha como prazo final para a sua adoção por Kiev o dia 27 de novembro, quinta-feira, dia da Ação de Graças nos EUA — um prazo imposto pelo Presidente Trump. A exiguidade do tempo, de resto, levou o chanceler alemão, Friedrich Merz, a confessar-se “cético” em relação às hipóteses reais de se alcançar um acordo até essa data limite.

Além disso, apesar de ter garantido este sábado que a proposta que fez à Ucrânia não era a “final, nem de longe”, o Presidente dos EUA revelou publicamente o seu desagrado com a forma como o processo tem sido conduzido. “Herdei uma guerra que nunca devia ter acontecido (…) A ‘liderança’ ucraniana tem mostrado zero gratidão pelos nossos esforços e a Europa continua a comprar petróleo à Rússia. Os EUA continuam a vender enormes quantidades de armas à NATO, para distribuir à Ucrânia”, atirou Donald Trump na sua Truth Social.

Horas depois, tanto o líder da delegação ucraniana como o próprio presidente Volodymyr Zelensky demonstraram publicamente gratidão aos EUA, os seus “grandes amigos”, e em particular a Trump pelo seu esforço nas negociações. E, horas depois, o dia terminou com Rubio a evitar declarar vitória, mas a sinalizar que não só tinham sido feitos enormes avanços, como este processo terá deixado Trump “bastante satisfeito”.

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▲ O chefe de gabinete de Zelensky Andriy Yermak e o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio

AFP via Getty Images

“Estou muito otimista de que podemos conseguir algo aqui, porque fizemos um progresso enorme”, afirmou, dizendo que o “grande objetivo” passa agora por “limitar” a discórdia quanto a alguns pontos-chave, sendo que para isso será necessário “mais tempo do que aquele que tivemos hoje”. Tal como já tinha ocorrido noutro briefing igualmente otimista feito a meio da tarde, Rubio voltou a não se referir a nenhum aspeto em específico.

No entanto, não só sinalizou que a posição dos EUA era a de poder aceitar alterar pontos do plano — “posso dizer-vos que as questões que continuam em aberto não são insuperáveis”, afirmou —, como admitiu ainda que o prazo de 27 de novembro poderia ser estendido. “Seja na quinta-feira, seja na sexta-feira, seja na quarta-feira, seja na segunda-feira da semana seguinte, queremos que seja em breve, porque pessoas vão continuar a morrer”, afirmou.

Ao final do dia, os EUA regozijaram-se, mas a Ucrânia também. “É importante que haja diálogo com os representantes norte-americanos e há sinais de que a equipa do Presidente (Donald) Trump nos ouve”, afirmou Zelensky no seu tradicional discurso à nação. Um dos membros da delegação ucraniana, Rustem Umérov, foi mais longe, afirmando no Telegram que a versão atual do documento em negociação “já reflete a maioria das principais prioridades ucranianas”. A este respeito, Zelensky mostrou-se mais cauteloso, mas sugeriu que foram introduzidas alterações. “Muitas coisas estão a mudar: estamos a trabalhar com muita atenção nas medidas necessárias para pôr fim à guerra”, informou.

Mas não só as negociações entre os EUA e a Ucrânia ainda não estão fechadas, como ainda falta perceber como irá Moscovo reagir a esta proposta. Apesar da ausência russa, Rubio assegurou que “os russos também têm voz aqui e, desde o início do processo, temos tido em conta a sua posição, que nos foi comunicada de várias formas”.

E há ainda outra incógnita — depois de tudo o que se passou desde 24 de fevereiro de 2022, data da invasão da Rússia à Ucrânia, que papel terá afinal a Europa neste processo?

Uma contraproposta como sinal de vida

Um dos motivos de oposição ao plano norte-americano de paz para a Ucrânia surgiu de uma tensão que tinha vindo a borbulhar desde que Donald Trump sucedeu a Joe Biden na presidência norte-americana: a subalternização dos parceiros europeus especificamente face ao conflito e, mais abertamente, ao futuro da sua defesa pela NATO.

A ser aceite tal como foi apresentado pelos EUA, este projeto avançaria sem qualquer contributo europeu, apesar de o conflito afetar muito mais duramente os aliados ucranianos deste lado do Atlântico do que do outro. Tal levou a Presidente da Comissão Europeia a manifestar-se, com Ursula von der Leyen a frisar este domingo que o papel “central” da União Europeia devia ser “plenamente reconhecido” em qualquer plano de paz sobre a Ucrânia.

Também por essa razão, estiveram presentes delegações europeias este domingo em Genebra — todavia, não reuniram com os norte-americanos mas apenas em encontros paralelos com os ucranianos.

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▲ Keir Starmer, Emmanuel Macron e Friedrich Merz, os líderes britânico, francês e alemão

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Rejeitando esse estatuto de afastamento, os países do E3 — Reino Unido, França e Alemanha — apresentaram então uma contraproposta ao plano de Trump que desafia fortemente os pontos estabelecidos pelos norte-americanos, a começar pelo papel da NATO junto da Ucrânia. Neste documento, apenas é referido que a Aliança Atlântica concorda em “não estacionar permanentemente tropas sob o seu comando na Ucrânia”, com esse elemento de temporalidade a divergir do original norte-americano “a NATO concorda em não estacionar tropas na Ucrânia”.

Mais importante — e uma das diferenças de fundo nestas negociações — era que a proposta norte-americana pretendia que a Ucrânia consagrasse constitucionalmente nunca vir a integrar a NATO e que esta Aliança incluísse nos seus estatutos a recusa de aceitar Kiev. Na contraproposta europeia é apenas referido que “a adesão da Ucrânia à NATO depende do consenso dos membros da NATO, o que não existe”, não estabelecendo trâmites definitivos.

A contraproposta europeia

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Esta é a contraproposta adiantada pela Reuters que terá sido desenhada pelo Reino Unido, a França e a Alemanha, tomando por base o texto original apresentado pelos EUA. As alíneas com alterações significativas encontram-se a negrito:

1. A soberania da Ucrânia será reconfirmada;

2. Será alcançado um acordo total e completo de não agressão entre a Rússia, a Ucrânia e a NATO. Todas as ambiguidades dos últimos 30 anos serão resolvidas;

3. Eliminação do ponto 3, que defendia: “Espera-se que a Rússia não invada os países vizinhos e que a NATO não se expanda ainda mais”;

4. Após a assinatura de um acordo de paz, será convocado um diálogo entre a Rússia e a NATO para abordar todas as questões de segurança e criar um ambiente de desescalada, a fim de garantir a segurança global e aumentar as oportunidades de cooperação e oportunidades económicas futuras;

5. A Ucrânia receberá garantias de segurança robustas.

6. A dimensão das forças armadas da Ucrânia será limitada a 800.000 efetivos em tempo de paz;

7. A adesão da Ucrânia à NATO depende do consenso dos membros da NATO, o que não existe;

8. A NATO concorda em não estacionar permanentemente tropas sob o seu comando na Ucrânia em tempo de paz;

9. Os caças da NATO serão estacionados na Polónia;

10. Garantia dos EUA semelhante ao Artigo 5.º [da NATO]:

  • Os EUA receberão uma compensação por assumir esta garantia;
  • Se a Ucrânia invadir a Rússia, perderá a garantia;
  • Se a Rússia invadir a Ucrânia, além de uma resposta militar coordenada e robusta, todas as sanções globais serão restauradas e qualquer tipo de reconhecimento do novo território e todos os outros benefícios deste acordo serão retirados;
  • Eliminada a alínea: “Se a Ucrânia lançar um míssil contra Moscovo ou São Petersburgo sem motivo, a garantia de segurança será considerada inválida”;

11. A Ucrânia é elegível para adesão à UE e terá acesso preferencial de curto prazo ao mercado europeu enquanto isso estiver a ser avaliado;

12. Pacote robusto de reconstrução global para a Ucrânia, incluindo, mas não se limitando a:

  • A criação de um Fundo de Desenvolvimento da Ucrânia para investir em indústrias em rápido crescimento como a tecnologia, centros de dados e inteligência artificial;
  • Os Estados Unidos farão uma parceria com a Ucrânia para restaurar, expandir, modernizar e operar conjuntamente a infraestrutura de gás da Ucrânia, que inclui os seus gasodutos e instalações de armazenamento
  • Um esforço conjunto para reconstruir áreas afetadas pela guerra, a fim de restaurar, reconstruir e modernizar cidades e áreas residenciais.
  • Desenvolvimento de infraestruturas.
  • Extração de recursos minerais e naturais.
  • O Banco Mundial criará um pacote de financiamento especial para acelerar esses esforços;

13. A Rússia será progressivamente reintegrada na economia global:

  • O alívio das sanções será discutido e acordado em etapas, analisando-se caso a caso;
  • Os Estados Unidos celebrarão um acordo de cooperação económica de longo prazo para o desenvolvimento mútuo nas áreas de energia, recursos naturais, infraestruturas, inteligência artificial, centros de dados, projetos de extração de metais raros no Ártico e outras oportunidades empresariais mutuamente benéficas;
  • A Rússia será convidada a voltar a integrar o G8;

14. A Ucrânia será totalmente reconstruída e compensada financeiramente, incluindo através de ativos soberanos russos que permanecerão congelados até que a Rússia compense os danos causados à Ucrânia;

15. Será criada uma task-force conjunta de segurança com a participação dos EUA, da Ucrânia, da Rússia e dos europeus para promover e fazer cumprir todas as disposições deste acordo;

16. A Rússia consagrará na sua lei uma política de não agressão em relação à Europa e à Ucrânia;

17. Os Estados Unidos e a Rússia concordarão em prorrogar a validade dos tratados sobre a não proliferação e o controlo de armas nucleares, incluindo o Tratado START I;

18. A Ucrânia concorda em ser um Estado não nuclear, em conformidade com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares;

19. A central nuclear de Zaporíjia será reiniciada sob a supervisão da AIEA, e a energia produzida será partilhada equitativamente numa divisão 50-50 entre a Rússia e a Ucrânia;

20. A Ucrânia adotará as regras da UE em matéria de tolerância religiosa e proteção das minorias linguísticas;

21. A Ucrânia compromete-se a não recuperar o seu território soberano ocupado por meios militares. As negociações sobre trocas territoriais terão início a partir da Linha de Contacto;

22. Uma vez acordados os futuros acordos territoriais, tanto a Federação Russa como a Ucrânia comprometem-se a não alterar esses acordos pela força. Quaisquer garantias de segurança não serão aplicáveis em caso de violação desta obrigação;

23. A Rússia não obstruirá a utilização do rio Dnieper pela Ucrânia para fins comerciais, e serão celebrados acordos para que os carregamentos de cereais possam circular livremente pelo Mar Negro;

24. Será criada uma comissão humanitária para resolver questões pendentes:

  • Todos os prisioneiros e corpos restantes serão trocados com base no princípio “Todos por Todos”;
  • Todos os detidos civis e reféns serão devolvidos, incluindo crianças;
  • Será criado um programa de reunificação familiar;
  • Serão tomadas medidas para lidar com o sofrimento das vítimas do conflito;

25. A Ucrânia realizará eleições assim que possível após a assinatura do acordo de paz;

26. Serão tomadas medidas para lidar com o sofrimento das vítimas do conflito — Este ponto é idêntico a uma das alíneas do ponto 24, não se sendo possível verificar se é um erro.

27. Este acordo será juridicamente vinculativo. A sua implementação será monitorizada e garantida por um Conselho de Paz, presidido pelo presidente Donald J. Trump. Serão impostas sanções por violações.

28. Após todas as partes concordarem com este memorando, um cessar-fogo entrará imediatamente em vigor assim que ambas as partes se retirarem para os pontos acordados para o início da implementação do acordo. As modalidades do cessar-fogo, incluindo a monitorização, serão acordadas por ambas as partes sob a supervisão dos EUA.

Outro aspeto fulcral prende-se com as pretensões territoriais da Ucrânia — os EUA defendiam que as regiões da Crimeia, Donetsk e Luhansk fossem explicitamente reconhecidas como de facto russas e que as áreas sob controlo russo em Kherson e Zaporizhzhia assim se mantivessem. Já a contraproposta dos europeus diz que se devem manter sob controlo russo apenas o território “soberano” ucraniano que está “ocupado por meios militares” [russos], em vez da totalidade das regiões.

Entre as diferenças de fundo constava também o prazo de 100 dias imposto pelos EUA para que a Ucrânia realize eleições — a contraproposta pede apenas que sejam realizadas o mais rápido possível após a assinatura do acordo de paz — ou o número de efetivos ucranianos nas Forças Armadas, com o plano europeu a incluir um limite para a dimensão do exército ucraniano de 800 mil soldados em “tempo de paz”, sendo que os EUA propunham 600 mil. Além disso, face à vontade norte-americana de criar estruturas de investimento em conjunto com a Rússia para a reconstrução da Ucrânia, os europeus defendem apenas que “a Ucrânia será totalmente reconstruída e compensada financeiramente, incluindo através de ativos soberanos russos que permanecerão congelados até que a Rússia compense os danos causados à Ucrânia”.

Não sendo talvez o aspeto mais importante da contraproposta, o ponto 15 é um dos mais reveladores da atual situação entre os EUA e os parceiros europeus. Na proposta norte-americana, referia-se a criação de uma task-force “russo-americana sobre questões de segurança para promover e garantir o cumprimento de todas as disposições deste acordo”. A contraproposta mantém-na idêntica, mas inclui a participação da Ucrânia e dos europeus.

Ainda não foram conhecidas as ondas de choque face a esta reação europeia ou se esta vai ter o efeito de alterar a discussão. Quando questionado na tarde de domingo se já tinha lido este documento, Marco Rubio limitou-se a dizer que não sabia de qualquer contraproposta. Depois do comunicado conjunto de Washington e Kiev, publicado durante a madrugada de segunda-feira na Europa, esperam-se agora as reações dos parceiros europeus à aproximação entre as duas partes. Desta forma, a Ucrânia sai aparentemente fortalecida de Genebra, mesmo sem se conhecer ainda um novo plano de paz resultante das negociações com os EUA.

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