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Bruno Barata

Bruno Barata

Vai-e-vem entre Guimarães e Braga

Património, paisagem e criação contemporânea, de Guimarães a Braga. O dia perfeito termina à mesa do chef Rui Filipe no restaurante Palatial, dono de uma das mais recentes estrelas Michelin.

O dia começa no Largo da Oliveira, o coração de Guimarães. Classificado Património Mundial pela UNESCO, o centro histórico de fachadas vívidas pede passos curtos e vagar para testemunhar a cidade a amanhecer sem pressa. No meio do largo, o Padrão do Salado, pequeno templo gótico de 1340, conta a história de uma vitória distante e confirma a escala medieval que aqui se preserva. À volta, cafés e esplanadas animam a “sala” urbana onde religião, poder e comércio se cruzaram durante séculos, herdeiros do mosteiro fundado por Mumadona Dias no século X.

Dali, uma curta subida leva-nos ao Castelo de Guimarães. A fortaleza, também erguida por Mumadona e reforçada entre os séculos XI e XIII, dá corpo ao símbolo do berço de Portugal: aqui nasceu D. Afonso Henriques e, à sombra das imponentes muralhas, vislumbra-se o passado distante do antigo povoado monástico.

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O destino seguinte é a Citânia de Briteiros, a cerca de 15 quilómetros. A bordo do DS Nº8 Étoile, cada curva se transforma numa pausa e o caminho torna-se parte do destino. A estrada já é experiência, mas é quando o outeiro se abre que as ruínas ganham escala. Ocupada entre os séculos VI a.C. e I d.C., a antiga cidade castreja revela urbanismo surpreendente: ruas lajeadas, quarteirões definidos, casas protegidas por muralhas sucessivas e balneários que testemunham antigos rituais.

De volta ao carro, meia hora depois entramos em Braga, a antiga Bracara Augusta, cidade de muitas camadas. Uma curta caminhada pelo centro evidencia a sua vocação religiosa, afirmada a partir da Idade Média, tendo como símbolo a Sé, consagrada em 1089. Mas a história também se conta através de palacetes barrocos, fontes seculares e esplanadas clássicas como a do Café Vianna, junto à Praça da República. Fundado no século XIX, foi palco de tertúlias e do desenrolar da política local, e viveu episódios curiosos como – reza a lenda – os passos iniciais para a criação do Sporting Clube de Braga. Debaixo das arcadas, a esplanada é um eterno convite para observar o vai-e-vem. No interior, viaja-se no tempo entre espelhos, tetos e piso originais. Pausa perfeita para um almoço leve.

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A tarde reserva um passo rumo ao futuro e outro bem assente no passado. Cinco minutos de caminhada levam-nos ao Gnration, centro cultural que se tornou referência nacional nas artes digitais. Instalado no antigo quartel da GNR desde 2013, tem programação ancorada em música, artes e tecnologia. E a viagem ao passado completa-se a 8 quilómetros do centro, no imperdível Mosteiro de São Martinho de Tibães. Fundado no final do século XI, viveu os seus dias de glória quando foi elevado a Casa-mãe da Congregação Beneditina em Portugal (e, mais tarde, no Brasil) entre 1567 e 1834. O conjunto que hoje se visita mostra o esplendor dos séculos XVII e XVIII: igreja e claustros de grande escala, talha de brilho quente, jardins e mata envolvente. Em outubro de 2024, foi elevado ao estatuto de Monumento Nacional.

Regressamos a Braga com a luz a descer. No DS Nº8 Étoile, a condução faz-se suave, em modo 100% elétrico, com suspensão ativa preditiva que lê a estrada. Bancos climatizados com massagem antecipam o fecho do dia. É chegada a hora do Palatial.

Bruno Barata

Depois de temporadas em grandes cozinhas no estrangeiro, o chef vimaranense Rui Filipe regressou a casa com uma missão e um objetivo. A missão: assumir pela primeira vez o cargo de chef executivo de um restaurante, aos 30 anos. O objetivo: conquistar o seu lugar ao sol no Guia Michelin num período de três anos. Não aconteceu como previa. Apenas um ano depois de comandar as bancadas do restaurante Palatial, em Braga, subiu ao palco de uma gala para receber a tão almejada recompensa.

“A chegada da estrela um pouco mais cedo do que o esperado foi uma surpresa, mas acho que significa o reconhecimento do trabalho que temos vindo a fazer”, diz o chef. “A nossa fonte de inspiração é o Minho. Sabemos que é muito difícil para um restaurante de alta cozinha colocar o Minho no prato. Então aquilo que fazemos é inspirar-nos no receituário tradicional e depois dar-lhe as nossas voltas.”

Por trás de uma sala colorida e minimalista, Rui Filipe protagoniza o seu espetáculo através de pratos como a salada de gamba da costa com limão, malagueta e ajo blanco, finalizada com vinagre de framboesa, e o leitão à Bairrada, cozinhado a baixa temperatura durante 17 horas e servido com cenoura, rúcula e caril. “Cozinhamos muitas vezes como os nossos avós, em forno a lenha, sobre brasas, mas com o conhecimento de hoje”, diz o chef. “É assim que fazemos a ligação do clássico com o contemporâneo.”

No final, percebe-se porque é que a estrela chegou cedo: há uma equipa que traduz o território sem amarras, com técnica e sabor à frente de tudo. No Berço de Portugal, caminho e destino acabam por dizer a mesma coisa: voltar a casa pode ser o melhor dos futuros.

Gostou desta viagem? Há muito mais para acompanhar no guia “Entre Estradas e Estrelas” com a DS Automobiles.

Retratos: Bruno Barata/Nuvem Conteúdo
Pratos: Bárbara Tomaz

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