1230,6kWh poupados 1230,6 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

i

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

Ventura aposta tudo na mobilização para travar excesso de confiança das sondagens

André Ventura nunca foi a votos com sondagens tão boas e corre o risco de o eleitorado desmobilizar e não ir às urnas. Líder do Chega acredita no eleitorado fiel, mas dramatiza no apelo ao voto.

André Ventura chega à noite de domingo numa posição inédita na sua vida política: lidera sondagens e os números apontam-no como o favorito para vencer a primeira volta das eleições presidenciais. A realidade que até aqui não conhecia faz soar sirenes, as mesmas dos grandes partidos, que tantas vezes sofrem com o conformismo de quem dá tudo como ganho e não vai às urnas.

O líder do Chega está habituado a surpreender, sempre teve menos nas sondagens do que urnas, em todas as noites eleitorais tem a possibilidade de criticar as empresas de sondagens pelas falhas e, desta vez, é o próprio que não tem margem para falhar. Por isso, nos últimos dias de campanha, começou a dramatizar no apelo ao voto para evitar deslizes ou dissabores pedindo que ninguém se deixe “embalar pelas sondagens”.

“Habituámo-nos, enquanto movimento de transformação, a surpreender o país. Não nos interessa ganhar sondagens. Temos que ganhar as eleições no próximo domingo e por isso é importante que todos saiam, todos votem e ninguém fique a ver as coisas acontecer. O pior para um país acontece quando ficamos a olhar para as coisas a acontecer e não fazemos nada. Nunca fomos um movimento de sofá. Se estamos em primeiro não vamos querer só ficar em primeiro, vamos querer ficar em primeiríssimo no próximo dia 18”, explicou num almoço-comício em Ponte de Lima, não só embalado pelas sondagens, mas também pelo ambiente do 43.º aniversário.

De repente, Ventura passa do homem que tirou as pessoas do sofá — nas últimas duas eleições legislativas foi o Chega a subir e abstenção a diminuir — para o homem que precisa mesmo que as pessoas saiam do sofá para repetir os feitos históricos que foi carimbando para não correr o risco do balde de água fria.

Na comitiva, acredita-se que, mesmo com os números a apontarem para o primeiro lugar, o Chega é sempre prejudicado pelas sondagens e que Ventura pode ter mais do que apontam as pesquisas. O próprio candidato deixava escapar: “Se eles nos põem a ganhar nas sondagens, é porque estamos a dar aos outros uma tareia verdadeiramente monumental.” E fazia previsões tendo em conta o passado: “Se nos dão 24% é porque já estamos nos 30% provavelmente.” Seja como for, cautela e apelo são as palavras de ordem.

O cenário nunca antes visto e a rejeição a descer

Quando André Ventura foi a votos em 2022, na altura em que se sentava sozinho na Assembleia da República, a grande sondagem da Católica dava 6% ao Chega (entre 7 e 9 deputados), o partido conseguiu 7,18% e conquistou 12 parlamentares. Dois anos depois, em 2024, na mesma sondagem publicada a 2 dias das eleições, o partido liderado por Ventura surgia com 16% das intenções de voto (33 a 41 deputados) e conseguiu 50 com mais de 18%. E nas últimas legislativas, quando essa mesma sondagem apontava para 19% (entre 43 e 50 deputados) o Chega subiu e sentou 60 parlamentares no hemiciclo.

Além disso, a última sondagem aponta ainda uma taxa de rejeição de Ventura em queda. Se neste momento 64% das pessoas respondeu “não votaria de certeza”, há um mês esse número estava nos 71% na mesma pesquisa. E, ainda que nenhum cenário entre os big five favoreça Ventura, a verdade é que há três candidatos com taxas de rejeição maiores: Jorge Pinto (78), António Filipe (75) e Catarina Martins (74). Para termos de comparação, a taxa mais baixa é a de António José Seguro, com 41%.

Nas ruas, à medida que o Chega vai crescendo, a rejeição também se torna cada vez menor. Em quase duas semanas de campanha foram praticamente nulos os momentos de tensão com o candidato (ao contrário do que tinha acontecido nas legislativas em que houve várias manifestações da comunidade cigana a marcar a agenda de Ventura) e as bocas que se foram ouvindo são cada vez menos, até porque a bolha é maior e mais intensa, não dando tanta margem para interpelações a Ventura.

Até aos dias de hoje, o Chega foi sempre subvalorizado relativamente ao resultado das urnas. Com os números a subirem e Ventura a estabilizar-se no primeiro lugar, fazem-se contas sobre como é possível colmatar o possível conformismo e aposta-se tudo na fidelização do eleitorado.

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

O eleitorado do Chega e o piscar de olho a toda a direita

André Ventura começou por chamar, com toda a campanha focada nas bandeiras do Chega, o eleitorado do partido que, ao que tudo indica, seria mais do que suficiente para passar à segunda volta tendo em conta a dispersão de candidaturas e o facto de nenhum se destacar com muita distância.

Ainda que vá reconhecendo ao longo da campanha que haverá pessoas que votaram no Chega e não votarão em si ou vice-versa, a meta sempre foi conquistar “100% do eleitorado do Chega”. E há sondagens que vão apontando para números superiores a 80%, com a grande sondagem da Católica a revelar que são 77%. A mesma pesquisa diz ainda que Ventura pode ir buscar 6% do eleitorado da AD e esse foi outro dos objetivos estabelecidos por Ventura — “extravasar para a AD”.

Longe de conseguir entrar nesse eleitorado, Ventura fez o apelo a pensar no futuro ou mesmo na próxima volta: “O povo de direita, o povo de centro-direita, o povo que é antissocialista, que não quer socialismo, só tem uma opção nestas eleições: concentrar os votos para que eu consiga ter a maior margem de diferença possível face a António José Seguro.”

Nos últimos dias, antecipou um problema com os boletins dos emigrantes, que têm de se deslocar a consolados para votar, ao contrário das eleições legislativas, em que recebem boletins em casa: “Nós sabemos porque é que eles não podem votar, porque o sistema político tem medo do voto deles. Provavelmente, não há nenhum português que se tenha ido embora de Portugal para França, Luxemburgo, Suíça porque correu bem cá. Foram-se embora porque os dois partidos que governaram os traíram”, afirmou, criticando a quem está, “basicamente, tirar-lhes o direito de voto”.

Foi construindo um discurso mais moderado do que faz habitualmente e muito mais comedido nos ataques aos adversários. E quando as sondagens começaram a mostrar um cenário mais constante entre os três da frente — Ventura, Seguro e Cotrim —, o candidato apoiado pelo Chega praticamente eliminou Luís Marques Mendes dos rivais, passando a falar só do liberal e do socialista. Quem nunca foi eliminado até ao fim foi mesmo Luís Montenegro, o alvo preferencial de Ventura durante toda a campanha.

Ao ponto de ter desafiado o primeiro-ministro a reconhecer o que faria numa segunda volta das presidenciais se o frente a frente fosse entre “um socialista e alguém com quem fez acordos na área da imigração, na área da nacionalidade, na área da descida de impostos, todas as medidas da habitação que o Governo queria aprovar, aprovou por causa do Chega”. Mais: disse que tudo faria para evitar que um socialista chegasse ao Palácio de Belém.

Além disso, André Ventura acredita mesmo “uma coisa é ir à segunda volta com 22 ou 23, outra é partir para a segunda volta com 26, 27 ou 28” e que é relevante ter “a vitória mais folgada possível”, mesmo que, como foi reconhecendo ao longo de toda a campanha, a segunda volta seja uma outra história — em que antecipa que vão ser “todos contra” si. Nas palavras de Ventura, o sistema contra o antissistema, mesmo que Gouveia e Melo passasse.

DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.