Donald Trump está a ser criticado depois de ter associado os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 a Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado pelo estado norte-americano do Michigan. Durante um comício realizado este domingo, o Presidente dos Estados Unidos chamou-lhe “jihadista” e afirmou que, caso seja eleito, terá de passar por um detetor de metais para entrar no Senado.

Durante o discurso, Trump acusou El-Sayed de representar uma ameaça para o país e afirmou que uma vitória dos democratas abriria as portas à entrada de extremistas islâmicos nos Estados Unidos. “Se Abdul e os democratas vencerem, vão abrir as portas e convidar hordas de jihadistas para as nossas costas, criando um pesadelo de violência e terror até ao ponto em que nem sequer poderão celebrar o Natal”, disse.

O líder norte-americano fez ainda várias acusações ao candidato e respetiva família, incluindo a alegação de que El-Sayed pertencia à Irmandade Muçulmana, uma organização islamista fundada no Egito. Trump apresentou também como convidado o pai de Todd Beamer, um dos passageiros do voo 93 da United Airlines que, a 11 de setembro de 2001, enfrentou os sequestradores antes de o avião se despenhar num campo na Pensilvânia.

“O Michigan tem de se levantar e lutar, tal como Todd fez, para impedir que um jihadista entre no Capitólio“, afirmou Trump.

As declarações de Trump motivaram várias críticas, a começar pelo próprio El-Sayed. Num comício, o candidato democrata acusou Trump de tentar desviar a atenção dos problemas económicos e sociais dos norte-americanos através de ataques à sua identidade religiosa. “Acham que, ao apontarem para o meu nome e para a minha fé, vão conseguir fazer com que ignorem o facto de não conseguirem pagar a gasolina, as compras ou nem conseguir ir a um médico?”, questionou.

Além disso, depois de Trump ter optado por se referir a El-Sayed pelo nome do meio, Mohamed, o democrata disse que não ligava à forma como o seu nome era dito e que, depois de novembro, Trump pode chamar-lhe “apenas Senador“.

O senador Bernie Sanders, que participou no comício de El-Sayed, também criticou os ataques. “A razão pela qual estão a usar a islamofobia contra Abdul é porque não têm nada a dizer sobre os problemas reais”, afirmou.

El-Sayed, antigo responsável de saúde pública nascido nos Estados Unidos, filho de pais egípcios, concorre contra o republicano Mike Rogers nas eleições de 3 de novembro. A disputa é considerada uma das mais renhidas das eleições intercalares e tem sido marcada por uma campanha particularmente agressiva, num estado com uma comunidade significativa de norte-americanos de origem árabe. O lugar é atualmente ocupado pelos democratas e poderá ser decisivo para determinar o equilíbrio de forças no Congresso. Caso vença, El-Sayed será o primeiro muçulmano eleito para o Senado.

As dez corridas que vão ditar o controlo do Senado — e o resto do mandato de Donald Trump

As acusações contra El-Sayed e a sua família baseiam-se em publicações antigas da sua meia-irmã, num artigo de opinião de 2011 sobre os protestos pró-democracia no Egito e numa carta aberta que o candidato terá assinado em 2012. O debate centra-se nas alegadas ligações à Irmandade Muçulmana, uma organização islamista cujos ramos foram alvo de medidas da administração Trump.

O candidato rejeita as acusações de ligação a grupos extremistas e negou qualquer relação com a Irmandade Muçulmana.

Questionado sobre as acusações de islamofobia, Davis Ingle, porta-voz da Casa Branca, defendeu o Presidente e criticou as propostas de El-Sayed. “Abdulrahman Mohamed El-Sayed quer aumentar drasticamente os impostos, defende o corte do financiamento à polícia e quer destruir a indústria automóvel do Michigan ao proibir os veículos movidos a gasolina”, afirmou, acrescentando que “o Presidente Trump continuará a denunciar, sem pedir desculpa, extremistas completos e absolutos como El-Sayed”.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]