Uma publicação feita num grupo de Facebook chamado “Portimão Sempre” apelava a quem pudesse ajudar para comprar ou arranjar algum fornecedor que entregasse luvas no hospital de Portimão. Na mensagem, lia-se que os profissionais iam recusar prestar cuidados nesse mesmo dia, 7 de maio, já que não teriam parte do material essencial para se protegerem. Mas segundo a administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) não faltaram luvas no hospital de Portimão. Esta publicação é falsa.

Publicação feita no grupo “Portimão Sempre” a denunciar falta de luvas no hospital de Portimão.

A informação que consta desta partilha nas redes sociais chegou a ser notícia nos jornais regionais, mas, ao Observador, a presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), Ana Paula Gonçalves, nega que tenham faltado, em algum momento, luvas no hospital de Portimão.

Fonte oficial do CHUA disse ao Observador que, a 7 de maio, data em que o pedido de ajuda foi feito no Facebook, chegaram 55 mil luvas ao hospital. Essa encomenda já tinha sido realizada anteriormente e estava agendada para aquele dia. Ana Paula Gonçalves esclarece que, a 5 de maio, tinham chegado a Portimão 6.000 luvas e que, no dia seguinte — dia da publicação —, a Proteção Civil tinha feito um donativo de mais 10.000.

Ainda relativamente ao restante material de proteção individual (EPI), Ana Paula Gonçalves diz ao Observador que não foi registada qualquer falha: “Vamos gerindo de forma parcimoniosa o que vamos tendo, mas tem chegado”. Ou seja, nada do que está escrito na publicação do Facebook é verdadeiro.

Segundo profissionais de saúde do hospital de Portimão ouvidos pelo Observador essa gestão traduz-se num grande racionamento do material existente, que tem levado até alguns profissionais a comprar as próprias luvas para ir trabalhar, por exemplo. Ainda que o conselho de administração garanta que as luvas nunca faltaram, algo corroborado pelos profissionais ouvidos pelo Observador, estes deixam como alerta que isso se tem devido às doações e apoios externos e que muitas vezes não há os tamanhos indicados das luvas para trabalhar. Esta quinta-feira, por exemplo, segundo uma das profissionais ouvidas, estavam a chegar aos funcionários apenas luvas “de tamanho XXL e não os habituais S, M e L utilizados”.

O CHUA inclui os hospitais de Portimão, Faro e Lagos, a urgência básica de Loulé, Vila Real de Santo António, Albufeira e Lagos e o Centro de Medicina Física de Reabilitação do Sul e, segundo Ana Paula Gonçalves, desde o início da pandemia da Covid-19 não houve registo de nenhuma falta de luvas em qualquer das unidades. A presidente do conselho de administração acrescentou ainda que os “abastecimentos então a retomar a normalidade, depois da fase em que o mundo todo parou”.

Conclusão

É falso que no dia 7 de maio tenham faltado luvas no hospital de Portimão. Segundo a administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) nesse mesmo dia chegou uma encomenda com 55 mil luvas e foram doadas pela Proteção Civil mais 10 mil, acrescentando que “não falhou” a distribuição de luvas às unidades do CHUA desde o início do combate à Covid-19. Segundo fonte oficial do CHUA o aprovisionamento é feito e “de acordo com os gastos e necessidade, vai havendo gestão de stock” para os hospitais de Faro e Portimão e restantes unidades que integram o Centro Hospitalar Universitário do Algarve.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

Errado

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

(Fact check atualizado às 19 horas do dia 14 de maio para acrescentar relatos de profissionais de saúde do hospital de Portimão)

Nota 1 : este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de factchecking com o Facebook e com base na proliferação de partilhas — associadas a reportes de abusos de vários utilizadores — nos últimos dias.

Nota 2: O Observador faz parte da Aliança CoronaVirusFacts / DatosCoronaVirus, um grupo que junta mais de 100 fact-checkers que combatem a desinformação relacionada com a pandemia da COVID-19. Leia mais sobre esta aliança aqui.

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