Um post que está a circular nas redes sociais alega que um grupo de manifestantes protestou em frente à residência oficial de Luís Montenegro, no Palácio de São Bento. O vídeo que acompanha a publicação mostra os manifestantes com bandeiras de Angola, o que tem originado vários comentários racistas.
Mas a alegação é falsa.
O edifício que aparece no vídeo não é, claramente, a residência oficial do primeiro-ministro português. Aliás, imagens do Palácio de São Bento facilmente comprovam que tanto a rua como o edifício que aparecem na publicação são muito diferentes.
Mais ainda: para perceber de que edifício se tratava o Observador analisou um frame do vídeo no Google Lens e descobriu que, na verdade, se trata da Embaixada de Portugal em Londres, o que é comprovado por uma pesquisa no Google Maps, que comprova que se trata exatamente da mesma rua e do mesmo edifício.
Mas a manifestação da comunidade angolana em frente à Embaixada de Portugal em Londres esteve, de alguma forma, relacionada com Luís Montenegro?
Não. O protesto decorreu no final de junho deste ano para exigir justiça pela morte de Maria Luemba, uma jovem angolana encontrada morta a 12 de junho de 2025, em Sever do Vouga, no distrito de Aveiro. A manifestação teve também como objetivo pressionar as autoridades e justiça portuguesas a tomar medidas em relação à morte da jovem e a investigar as causas da morte.
Conclusão
Por isso, não é verdade que um grupo de manifestantes angolanos tenha protestado em frente à residência oficial de Luís Montenegro. O protesto decorreu, na verdade, em frente à Embaixada de Portugal em Londres, com o propósito de pressionar as autoridades portuguesas a agir em relação à morte de uma jovem angolana em Portugal, no início de junho deste ano.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:
FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.