As mortes em Portugal aumentaram drasticamente com o início da vacinação contra a Covid-19. Será verdade? É falsa a alegação que está a correr as redes sociais, em várias publicações. No caso da que foi analisada pelo Observador, o utilizador arranca com a seguinte frase: “Enquanto por cá existe um silêncio ensurdecedor, lá fora é diferente.” A imagem que acompanha o post apresenta uma panóplia de imagens, que pretendem ser recortes de imprensa, escritas em castelhano e inglês. E é nessas duas línguas, “lá de fora”, que se alega que a vacinação e as mortes por Covid-19 estão, de alguma forma, relacionadas.

Vamos por partes. “A vacinação em Portugal foi lançada a 29 de dezembro.” Esta primeira afirmação está errada, já que a campanha de vacinação contra a Covid-19 arrancou a 27 de dezembro, à semelhança de outros países europeus. Nesse primeiro dia foram vacinados 4.534 profissionais de saúde.

Já o número cumulativo de mortes a 29 de dezembro é real (6.751), embora o que interessaria apontar era o valor de dois dias antes, data de início da inoculação, quando o valor estava nos 6.619 óbitos acumulados desde o início da pandemia.

O valor apontado a seguir está, de novo, errado. A 1 de março, Portugal não acumulava 16.317 óbitos, já que o valor real era até ligeiramente superior, 16.351 mortes, como se pode consultar no site de estatísticas WorldMeter, na página dedicada ao nosso país.

A alegação tem estado a correr nas redes sociais

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A partir daqui, faz-se uma leitura errada e tenta relacionar-se dois factos: o início da vacinação com o pico de mortes por Covid em Portugal quando, até à data, não há nenhuma morte relacionada com a toma do fármaco, segundo a Autoridade Nacional do Medicamento. No seu “Relatório Vacinas para a Covid-19”, de 7 de maio, o Infarmed avança que houve notificação de 35 mortes registadas após a vacinação, nenhuma com “relação causal direta demonstrada com a vacina administrada”.

Quanto ao pico das mortes por Covid-19, ele deu-se, de facto, na altura em que surge no gráfico que acompanha a publicação. A 28 e a 31 de janeiro de 2021 registaram-se 303 óbitos, o valor mais alto até hoje, numa altura em que a percentagem de população vacinada era residual. Entre 27 de dezembro e 14 de fevereiro, apenas 3% da população tinha sido vacinada com a primeira dose do fármaco, segundo o primeiro relatório de vacinação divulgado no site da Direção Geral de Saúde.

Depois desse pico — que é atribuído tanto pelas autoridades de saúde como pelo próprio Governo ao relaxamento das medidas durante o período de Natal — a curva dos óbitos entrou em sentido decrescente, enquanto que a da vacinação tem estado a aumentar. O relatório de vacinação mais recente, até 9 de maio, dá conta de que 29% da população já tomou, pelo menos, uma dose da vacina. Nesse mesmo dia, os óbitos acumulados chegavam a 16.992.

Conclusão

Falso. A campanha de vacinação em Portugal começou a 27 de dezembro (e não a 29), à semelhança de outros países europeus, e a um ritmo bastante lento. Quando se deu o pico das mortes por Covid-19 — a 28 e a 31 de janeiro registaram-se 303 óbitos, o valor mais alto até hoje — a percentagem de população vacinada era residual. Depois desse pico, a curva dos óbitos entrou em sentido decrescente, ao contrário da da vacinação que tem estado a aumentar, não havendo qualquer relação entre as vacinas e as mortes por Covid-19, como se pode ler no “Relatório Vacinas para a Covid-19” da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), de 7 de maio. Das 35 mortes registadas após a vacinação, nenhuma tem “relação causal direta demonstrada com a vacina administrada”.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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