Com a guerra na Ucrânia começaram a circular várias informações falsas na internet sobre o conflito. Neste artigo de verificação de factos analisamos uma publicação que alega que a subida dos preços dos combustíveis nada tem a ver com a ofensiva russa em território ucraniano.

A invasão russa da Ucrânia teve início a 24 de fevereiro. Ao analisar a variação do preço do barril de Brent nos últimos meses (gráfico abaixo), verifica-se que, ainda que desde finais de 2021 o preço deste produto registasse uma subida, a partir do início de março há uma aumento mais acentuado dos preços. De recordar que o Brent é o indicador de referência para as importações nacionais de petróleo.

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O especialista em mercados de energia, Ricardo Marques, explica que “a guerra nesta altura está a sustentar os preços” do petróleo. O facto “a Rússia ser o terceiro maior produtor mundial e o segundo maior exportador” justifica que, com a instabilidade decorrente do conflito armado e, mais recentemente, com o anunciado corte nas importações de petróleo russo, o preço da transação deste produto sofra um aumento. Ricardo Marques recorda ainda que “cerca de 5% da produção de petróleo mundial é exportada pela Rússia”.

O analista aponta que, à data da invasão russa, o consumo de combustíveis “já estava a subir por causa do levantamento das restrições da pandemia. A produção está a ser retomada de forma lenta, por isso já havia desequilíbrio no mercado. Com a ameaça de a Rússia não exportar ou reduzir consideravelmente a exportação de petróleo [devido às sanções económicas de que tem sido alvo por parte da comunidade internacional], o mercado desequilibrou mais ainda e daí resultou uma subida de preços“.

Ricardo Marques realça que o aumento de preços de petróleo “já vinha de trás”, mas acrescenta que o conflito em território ucraniano “foi um empurrão” para uma escalada dos preços.

Um mês depois do início da invasão russa à Ucrânia, o secretário-geral da ONU defendeu que o conflito significa uma crise global. António Guterres referia-se ao impacto da guerra nos mercados de energia, alimentos e fertilizantes.

Citado pela agência de notícias espanhola EFE, o líder das Nações Unidas salientou que “nenhum país se pode isolar de um colapso do sistema económico global, do efeito dominó do açambarcamento de alimentos ou combustíveis, ou do impacto a longo prazo do aumento da pobreza e da fome”.

ONU alerta para crise global de alimentos e energia devido à guerra na Ucrânia

Conclusão

A publicação em análise afirma que o aumento do preço dos combustíveis não está relacionado com a guerra na Ucrânia. Mas ao Observador o especialista em mercados de energia, Ricardo Marques, explica que há uma relação de causalidade. O analista lembra também que a Rússia é o terceiro maior produtor mundial e o segundo maior exportador de petróleo e que com a invasão em território ucraniano houve um desequilíbrio nos mercados o que provocou um aumento dos preços dos combustíveis.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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