Um utilizador do Facebook repartilhou um tweet que remete para o link de um documento disponível online onde é possível verificar que a vacina da Moderna contém luciferina na sua composição. Esta cadeia de partilhas termina com um comentário deste utilizador: “Isto é real? Preciso de pesquisar isto. É muito macabro para ser real.” O tweet em causa foi originalmente publicado por uma conta chamada Disclose.tv e foi entretanto apagado, mas permanece disponível no Facebook porque foi alvo de uma captura de ecrã, sendo ainda possível ler a ideia principal: “A vacina de RNA da Moderna contém luciferina dissolvida em 66,6 ml de fosfato.”

Uma vez que o tweet original foi apagado, não é possível seguir o rasto ao link, pelo que ficamos sem saber quem é o autor do documento citado, mas garantidamente não se trata da autoridade do medicamento americana. Através de uma pesquisa no site da Food and Drug Administration (FDA) é possível chegar ao documento da autorização do uso da vacina e em parte nenhuma se encontram referências à luciferina como elemento que compõe a vacina.

A mesma informação é confirmada ao Observador por Miguel Castanho, investigador do Instituto de Medicina Molecular: “A vacina da Moderna não inclui luciferina. O texto que é mostrado evidencia claramente que um procedimento é a mistura de RNA com lípidos para formar a mistura (lipoplexo), outro procedimento independente é a administração de luciferina num animal de laboratório”, explica ao Observador.

De facto, a luciferina “pode ser usada em muitas experiências laboratoriais, em vários campos de investigação”, revela Miguel Castanho. “É uma técnica de base, nada tem de específico para vacinas, podendo ser usada para os mais diversos fins, quase sempre relacionados com a necessidade de provar a existência de determinados compostos em células ou tecidos.”

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A partilha deste utilizador encara a utilização deste elemento nas vacinas como algo “macabro”, mas a verdade é que “a toxicidade da luciferina é baixa”, revela o investigador especialista em Bioquímica, acrescentando que, apesar disso, “não tem utilidade como medicamento ou parte de medicamento”.

“A luciferina é a molécula responsável pela emissão de luz de alguns insetos, como o pirilampo. É uma molécula útil em investigação científica porque quando encontra uma proteína chamada luciferase emite luz. Se quisermos saber se um determinado composto entra numa célula, por exemplo, podemos ligar esse composto à luciferase e depois colocar luciferina à disposição da célula. Se a luciferina for transformada emitindo luz, então é sinal de que a ludiferase está presente. Por consequência, o composto também está presente”, explica ao Observador.

Conclusão

Não é verdade que a vacina da Moderna contenha luciferina na sua composição. Esta “molécula responsável pela emissão de luz de alguns insetos” até tem uma toxicidade baixa, mas não tem qualquer utilidade como medicamento ou parte de um medicamento”, revela o especialista do Instituto de Medicina Molecular Miguel Castanho. A referência a este elemento também não consta do documento de aprovação desta vacina emitido nos Estados Unidos da América.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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