Nas redes sociais, com destaque para o Facebook, alega-se que Donald Trump cortou a palavra a Keir Starmer durante uma visita oficial do primeiro-ministro britânico a Washington.
“Você mencionou o Canadá, acho que está a tentar procurar uma divisão entre nós que não existe. Nós somos das nações mais unidas e tivemos ótimos debates no dia de hoje, mas nós não debatemos sobre o Canadá”, diz Starmer no excerto propagado online. Logo de seguida, ouve-se a voz do Presidente dos EUA: “Já chega!”
Vários utilizadores nas redes sociais defendem que se tratou de uma interrupção forçada de Trump, numa tentativa de impedir que Starmer prosseguisse o tema.
No final de fevereiro, o primeiro-ministro do Reino Unido visitou Washington. No encontro entre os líderes norte-americano e britânico, a guerra na Ucrânia e o comércio marcaram a agenda da visita oficial. Keir Starmer elogiou Donald Trump por ter criado “um momento de oportunidade tremenda para se alcançar um acordo de paz histórico” na Ucrânia.
As imagens propagadas nas redes sociais são do momento em que os dois líderes respondiam a questões dos jornalistas na Casa Branca. Mas o vídeo daquele mesmo momento, captado num ângulo que não se circunscreve à cara de Keir Starmern, é mais esclarecedor sobre o que de facto aconteceu.
Na página de YouTube da Casa Branca é possível ver a conferência de imprensa na totalidade. Por volta dos 18:40 minutos, surge Starmer a dizer que o Canadá não foi discutido na reunião e, logo de seguida, ouve-se Trump a dizer “já chega”. Mas, neste plano mais aberto da conferência de imprensa, fica mais claro que o Presidente dos Estadoa Unidos não se dirige ao primeiro-ministro britânico — fala, sim, para o jornalista que tinha colocado as questões anteriormente. E passa, depois, a palavra a outro órgão de comunicação social.
Ou seja, nas redes sociais está a ser omitido um contexto importante para se perceber o que realmente se passou entre os dois líderes. Como noticiou o Independent, Andrew Feinberg, o correspondente do jornal na Casa Branca, estava a pressionar Keir Starmer sobre o desejo, antes manifestado pelo Presidente dos EUA, de tornar o Canadá no 51.º estado e sobre as tarifas sobre importações recentemente anunciadas (e, entretanto, suspensas) pela nova administração norte-americana, não só ao Canadá, mas também ao México.
A Casa Branca acabou por acusar mais tarde Feinberg de “tentar incitar os líderes à divisão” numa declaração no X afirmando que Trump não estava a interromper o discurso de Starmer, mas sim a dar por terminado o tempo para questões ao jornalista.
A Reuters, que realizou esta verificação de factos, questionou o jornalista sobre o sucedido. “Estava a tentar responder a Starmer que me acusou de tentar encontrar uma divisão entre ele e Trump. Creio que comecei a dizer ‘Não, senhor, não é essa a minha intenção’ quando Trump me ‘calou’”, respondeu Feinberg via e-mail à agência de notícias.
Conclusão
Em resumo, é impreciso e enganador afirmar que Donald Trump tenha cortado a palavra a Keir Starmer durante a sua visita à Casa Branca no final de fevereiro. O ângulo que está a ser partilhado nas redes sociais deste momento omite o ângulo em que o Presidente dos EUA é visível e em que se dirige a um jornalista do Independent e não ao primeiro-ministro britânico. Não deixa de ser notório, no entanto, a necessidade que Trump teve em impedir que se falasse no Canadá, sendo que Starmer tinha acabado de referir que esse assunto não tinha sido discutido na reunião entre os líderes.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ENGANADOR
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.