Siga aqui o nosso liveblog da guerra na Ucrânia

O Presidente norte-americano mostrou-se confiante de que o homólogo russo cumprirá um eventual acordo de paz e não voltará a atacar a Ucrânia. “Quando tivermos um acordo, esse é o acordo. Se eu não tivesse vencido a eleição acho que nem estaríamos a falar com [Vladimir] Putin agora”, sublinhou durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro britânico. Keir Starmer, por sua vez, elogiou Donald Trump por ter criado “um momento de oportunidade tremenda para se alcançar a um acordo de paz histórico” na Ucrânia. Mas deixou um aviso: “Temos de fazê-lo bem.”

Os líderes norte-americano e britânico estiveram reunidos esta quarta-feira em Washington, com a guerra na Ucrânia e o comércio a marcar a agenda. Em declarações aos jornalistas, em duas conferências de imprensa que decorreram durante a tarde, destacaram a relação de longa data entre os dois países e a conversa “construtiva” em matéria de um possível acordo de paz entre Kiev e Moscovo.

Donald Trump foi questionado sobre a importância de uma força de manutenção de paz na Ucrânia — Reino Unido e França já se disponibilizaram para enviar soldados. Para o Presidente dos EUA, é cedo para falar no assunto. “Estamos muito bem encaminhados num acordo, mas ainda não chegamos a acordo. Não gosto de falar de manutenção de paz até termos um acordo”, afirmou, acrescentando que garantir medidas de segurança será fácil e que o difícil é fechar um acordo.

Trump não se comprometeu em apoiar uma eventual força de paz apoiada pelo Reino Unido. Quando um jornalista perguntou o que faria caso soldados britânicos fossem atacados, sugeriu, em tom de brincadeira, que os militares poderiam enfrentar a Rússia sozinhos. “Se precisarem de ajuda, eu vou sempre ajudar os britânicos, ok? Mas eles não precisam de ajuda”, apontou, acrescentando que o Reino Unido tem soldados “incríveis.”

Sobre uma adesão da Ucrânia à NATO, Trump sublinhou que é um cenário irrealístico: “Foi isso que começou tudo isto. O Biden disse isto e as armas começaram [a disparar].” Sublinhou também que a sua administração está a trabalhar para devolver os territórios ocupados pela Rússia à Ucrânia, mas reconheceu que poderá não ser possível fazê-lo na totalidade.

Durante a conferência de imprensa, Trump foi questionado por duas vezes sobre as recentes declarações em que descreveu o Presidente ucraniano como um ditador por não ter realizado eleições durante a guerra. “Eu disse isso? Eu não acredito que disse isso. Próxima pergunta”, respondeu à primeira questão, ignorando mais tarde uma segunda sobre se vai pedir desculpa a Volodymyr Zelensky quando se reunirem na sexta-feira em Washington.

O líder norte-americano disse que no encontro com Zelensky será assinado um acordo sobre a exploração pelos EUA de terras-raras e minerais na Ucrânia em troca de apoio militar. Salientou que é um negócio “muito importante” para os dois países e reiterou o argumento que já tinha deixado há dias, de que seria improvável ocorrem ataques com norte-americanos a trabalhar nos territórios ucranianos.

Quais são os 11 pontos do acordo que prevê a exploração de recursos ucranianos pelos Estados Unidos?

O Presidente dos EUA também foi questionado sobre se apoia o Artigo 5.º da NATO, que define que um ataque a um é um ataque a todos. “Eu apoio e não acredito que vamos ter razão para o usar. Acho que vamos ter uma paz de sucesso” na Ucrânia, afirmou. Deixou, ainda assim, uma ressalva: um acordo de paz deve chegar rapidamente. “Se não acontecer rápido pode não acontecer de todo”, apontou.

[No podcast “Somos Todos Malucos“, António Raminhos fala sobre os nossos medos, ansiedades e superações em conversas descomplicadas e divertidas em torno da saúde mental. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts e no Spotify]

Keir Starmer: “A paz não pode recompensar o agressor”

O primeiro-ministro britânico, por seu turno, pediu que se evite qualquer acordo que “recompense o agressor” nas negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia, três anos depois do início da invasão russa. “Há um slogan famoso no Reino Unido, pós-Segunda Guerra Mundial, que diz ‘temos de conquistar a paz’ e é isso que temos de fazer agora, porque não pode ser uma paz que recompense o agressor ou encoraje regimes como o Irão”, defendeu Keir Starmer.

Starmer frisou que “a história deve estar do lado do pacificador, não do invasor”, apelando a um “bom acordo”. Garantiu que o Reino Unido está a trabalhar em estreita colaboração com os líderes europeus e estava preparado para enviar tropas e aeronaves para o terreno para apoiar qualquer eventual acordo, porque, na sua opinião, “esta é a única forma pela qual a paz durará”.

O primeiro-ministro britânico observou que o seu país dará à Ucrânia “mais ajuda monetária do que nunca” este ano e sublinhou que anunciou esta semana que o Reino Unido vai aumentar o seu orçamento de defesa para 2,5% do produto interno bruto (PIB) até 2027, o maior aumento desde o fim da Guerra Fria, em resposta à situação global criada pela invasão russa à Ucrânia. “Já somos um dos maiores fornecedores da NATO e agora estamos a ir muito mais além”, destacou.

Na visita a Washingon, Starmer trouxe um convite do Rei Carlos III para que Trump e a primeira-dama norte-americana visitem o Reino Unido. “Este é um convite para uma segunda visita de Estado. Isto é muito especial. Nunca aconteceu antes. Não tem precedentes. E penso que simboliza a força da nossa relação”, disse Starmer ao entregar a carta ao presidente, perante a comunicação social. O Presidente dos EUA aceitou prontamente o convite.

A viagem de Starmer, que acontece poucos dias depois da visita do Presidente francês Emmanuel Macron a Trump, reflete a crescente preocupação sentida por grande parte da Europa de que a pressão agressiva de Trump para encontrar um fim para a guerra sinaliza a sua vontade de ceder demasiado a Putin. A aproximação de Trump à Rússia perturbou os aliados históricos dos Estados Unidos na Europa.