|
|
“Vale mais atuar mais cedo do que mais tarde para depois não termos os efeitos de segunda ordem que sejam bastante maiores”. Foi assim que Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal, no final de maio, em entrevista ao Jornal de Negócios e Antena 1, declarou a perspetiva de que a reunião do BCE desta quinta-feira, 11 de junho, resulte numa subida das taxas de juro. E assumiu: “Estou mais preocupado com a questão da inflação do que uma desaceleração da economia significativa”. |
O governador do Banco de Portugal, que não tem nesta reunião direito de voto (há um sistema rotativo do BCE no voto dos membros do conselho de governador), não se livrou, depois destas palavras, de um pedido do PS para se ir explicar ao Parlamento. “Importa que a Assembleia da República possa conhecer de forma mais aprofundada a avaliação efetuada pelo Banco de Portugal relativamente aos riscos inflacionistas identificados, aos fundamentos económicos que sustentam a posição expressa pelo seu governador e aos potenciais impactos que uma eventual subida das taxas de juro poderá ter sobre a economia portuguesa, as famílias e as empresas”, escrevia o PS no requerimento. |
Agir rápida e decididamente. É este o mote para a reunião desta quinta-feira, em que o BCE deve mesmo subir a taxa de juro em “apenas” 25 pontos base, para dar um sinal face a uma inflação que já escala acima dos 3%. Atuar já a pensar no travão à inflação ou esperar para depois com receios do contágio de uma subida de taxas à economia — numa altura em que os agentes económicos diminuem a sua confiança — é o que divide os analistas e que será a pedra de toque da reunião liderada por Christine Lagarde que já estava na liderança do BCE quando teve de tomar idêntica decisão em 2022, altura em que o BCE acabou acusado de agir tarde. A decisão do BCE é divulgada esta quinta-feira à hora do almoço. As Euribor, que comandam os juros do crédito à habitação, já estão a subir. O conflito no Irão continua a ter avanços e recuos e Portugal já teve de pagar mais pela emissão de dívida por isso mesmo. |
Prestação Social Única e a polémica do trabalho social e do canal de denúncias |
É já esta sexta-feira que o Parlamento vai debater a prestação social única (PSU). Serão 37 minutos. Nada mais nada menos para os deputados tirarem dúvidas sobre a intenção do Governo de reunir numa única prestação 13 apoios que hoje existem, nomeadamente o rendimento social de inserção. Mas mais polémica do que a junção é a pretensão de obrigar os beneficiários dessa prestação social trabalharem em tarefas sociais. Não apenas os beneficiários mas qualquer membro da família (desde que em idade ativa). A polémica instalou-se com este trabalho gratuito, mas também com a pretensão de se criar um canal de denúncias para que se possam denunciar casos. |
O Governo fez chegar ao Parlamento a proposta por via de um pedido de autorização legislativa, condicionando a intervenção da oposição. O PS já fez saber que tal como está a proposta não passará. O Chega impões condições. A votação na generalidade é esta sexta-feira — podendo (ou não) descer à especialidade. A PSU é uma das reformas inscritas no PRR, que a ser implementada resulta num cheque de 620 milhões. |
O tutor para ter carta de condução |
Na realidade a lei já previa a possibilidade de, no ensino da condução, um candidato à carta poder ser orientado por um tutor. Mas agora mudou-se o regime para que seja mais fácil a opção por aulas de condução por um tutor. A medida foi anunciada em janeiro, aperfeiçoada até abril e publicada em Diário da República para entrar em vigor no início de julho. |
E a partir dessa altura, não será necessária qualquer formação específica para ser tutor de condução. Qualquer pessoa com carta de ligeiros há pelo menos 10 anos pode ser “professor”, desde que haja um seguro para cobrir eventuais danos causados no decurso da instrução. E, por isso, embora o ensino por tutor não possa ser pago, há encargos que podem cair para o lado do aluno. E as escolas de condução não ficam fora do processo. |

|
A EMPRESA |
Numa altura em que os avisos sobre a inteligência artificial são cada vez maiores, inclusive das próprias empresas que a desenvolvem (a Anthropic anunciou que o seu Claude passou de “super-prestável a super-humano”), as megas operações de entrada em bolsa (na sigla anglo-saxónica IPO) são anunciadas e a da Space X vai mesmo acontecer esta semana. A Anthropic também já anunciou e esta semana foi a vez da OpenAI entregar o pedido. Mas enquanto essas ainda estão em “banho maria”, Elon Musk dá o pontapé de saída destas mega operações. Na sexta-feira a Space X (que detém o Twitter, convertido em rede X) fará a sua estreia em bolsa, com uma operação multimilionária. Quer conseguir na operação 75 mil milhões de euros. E a venda das ações pelo seu fundador Elon Musk vai torná-lo bilionário. |
Elon Musk espera que o seu “exército” de fãs o ajude em mais esta viagem e, por isso, a Space X terá mais ações destinadas ao público em geral do que a maioria destas gigantes operações. Será a colocação mais cara de sempre de uma empresa em bolsa. |
E por hoje, neste feriado nacional, é tudo. Amanhã começa o Mundial 2026, que além de outras motivou protestos por causa do preço dos bilhetes. Como a procuradoria geral de Nova Jersey disse: “A FIFA transformou a compra de um bilhete para o Campeonato do Mundo num caminho tortuoso de confusão”. Daqui a um mês — com estádios mais ou menos cheios — veremos quem será o campeão. Obrigado por subscrever a newsletter de Economia do Observador. Regressamos na próxima quarta-feira à sua caixa de correio eletrónico. Até lá continue a seguir-nos no site e na rádio. E envie-nos dúvidas e sugestões. |