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Estavam a pedi-las. Por um lado, são os “media”, que tanto divulgam o extraordinário trabalho do governo em prol da nação como, ocasionalmente, veiculam notícias que colocam em causa o extraordinário trabalho do governo em prol da nação. Por outro lado, é o povo, que sendo um bocadinho destrambelhado, nem sempre consegue distinguir os factos das calúnias. Estas maçadas, que prejudicam a consolidação de uma democracia sã, têm de ser superadas. Vai daí, nada mais natural e urgente que o anúncio, para o início de 2020, de uma “campanha de sensibilização” que “visa a convivência democrática entre uma comunicação social livre e uma população formada e capaz de exigir e procurar informação séria”. Estou a citar o “Jornal de Notícias”, que, num paradigma de rigor e patriotismo, tomou a informação oficial à letra e transcreveu-a sem aspas, comentários ou críticas.

O anúncio da campanha coube ao secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Propaganda, desculpem, e Media, Nuno Artur Silva, cuja obra e dignidade estão acima de diversas suspeitas – um homem que, desinteressadamente, já apoiava o dr. Costa nos tempos da autarquia lisboeta não carece de provar o seu amor ao bem-estar colectivo. Do alto desse amor, o sr. prof. dr. Artur Silva quer que as pessoas distingam o “jornalismo profissional, com qualidades de investigação, de análise e de crítica, rigor e isenção” daquilo “que não é informação, mas opinião em rede amplificada, ou seja, corrente de opinião desinformada”. Ou seja, que distingam a realidade da boataria destinada a sabotar a prosperidade que temos. Esta necessidade de disciplinar os “media” e educar as massas é essencial a qualquer país moderno e civilizado. A própria Venezuela não a dispensa.

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