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Todos estamos presos no mesmo movimento: os séculos passam e as civilizações também; o mármore esculpido torna a ser pedra e toda a construção pode voltar ao pó num dia só. Vimos isso agora quando ardeu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, mas vemos isso de muitas outras maneiras. Nas memórias que ficam para sempre perdidas porque ninguém cuidou de as guardar; nas esculturas involuntariamente amputadas e nos impérios voluntariamente decapitados; nos acervos que apodrecem em lugares frios e escuros, sem luz que os ilumine; nos documentos em que ninguém toca por estarem reservados a sábios; nos escritos e manuscritos que se acumulam em arquivos à espera de mestres de leitura, tradução e transposição.

A memória dos homens não é a sua menor fraqueza, diria Yourcenar. Há ainda maiores e piores, mas a memória, sempre tão frágil e tão efémera, merece ser restaurada, libertada, reconhecida e exposta ao ar. O esquecimento é próprio da condição humana e também por isso cuidar da memória histórica, resgatando património cultural e musical, eleva a nossa condição. Recuperar obras antigas, descobrir inéditos, revelar tesouros incríveis a partir dos quais se pode estudar e investigar, aprender e ensinar é humanizar a própria Humanidade.

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