Agora a culpa é das fake news. Do WhatsApp. Do facebook. Em resumo das redes sociais… Sim, as tais que eram uma maravilha de potencialidades na primeira vitória de Obama e que agora se estão a tornar numa espécie de entidade demoníaca responsável por a História não estar a cumprir a escatologia oficial que dá o progressismo estatista como o pilar do paraíso mais que certo do nosso futuro.

Nos anos 70, e muito particularmente no que a Portugal respeita, a culpa era do boato. O boato era reaccionário. O boato servia a reacção. Enfim, como concluía o material da Dinamização Cultural, já com o reaccionário devidamento animalizado num lacrau, havia que esmagar o boato. Sem piedade, claro.

Do boato que servia a reacção às fake news que continuam a servir a reacção apenas mudou o suporte. Imutável é essa concepção da direita como a reacção a um progressismo tão natural quanto positivo. E é essa direita-reacção que, não conseguindo convencer pelos seus argumentos, recorre a hordas de reaccionários, invariavelmente conectados com capitalistas e cérebros estrangeiros, para gerarem os tais boatos, as fake news… Em resumo, mentiras ou verdades manipuladas que impedem o povo de perceber a verdade e desse modo cumprir o seu papel enquanto eleitores: confirmar com o seu voto aquilo que antecipadamente foi apresentado como o curso inevitável dos acontecimentos. Na direita o povo só vota  porque se deixa enganar.

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