Quero criar uma empresa.
Quero dar emprego.
Quero gerar riqueza.
Quero pagar impostos — sim, leram bem. Quero contribuir para o país. Mas também gostava de saber uma coisa simples: até que ponto posso ter sucesso sem ser imediatamente promovido ao estatuto de vilão?

Vivemos num país onde a desconfiança em relação à riqueza parece ser genética. Se alguém ganha dinheiro, é logo olhado de lado. Se ganha “muito”, é automaticamente suspeito. E se for “rico” … pronto, temos ali o inimigo número um do povo.

Quero ajudar, mas com cuidado — não vá tornar-me mau.

Como defensor da liberdade individual, dos direitos humanos e da iniciativa privada, gostava sinceramente de saber: quanto posso ganhar sem que deixem de me tratar por “senhor” e passem a chamar-me “capitalista sem escrúpulos”? Há um teto informal de bondade económica?

Será que posso:
– Ter uma empresa com 5 empregados? Aparentemente, ainda sou boa pessoa.
– E com 20? Hmm… já é preciso ver o carro que conduzo.
– E se criar uma rede de lojas, pagar bons salários, e investir noutros projetos? Pronto. Já sou o “patrão” que explora e “não paga impostos”.

A riqueza não é pecado. Mas o sucesso parece ser.

Mesmo que pague. Mesmo que cumpra tudo. Mesmo que gere emprego, inovação e riqueza.

O mais curioso nisto tudo é que ninguém parece saber dizer quando é que alguém “tem demais”. Não há critério. É mais um sentimento: aquele desconforto vago que aparece quando alguém consegue fazer o que a maioria não conseguiu.

Mas esse desconforto não devia ser com quem sobe. Devia ser com o sistema que dificulta que mais gente suba. Porque o problema de Portugal não é haver ricos — é haver tão poucos.

O país precisa de quem cria. Não de quem se esconde.

Se eu investir, empregar, criar soluções e pagar impostos… não estou a tirar nada a ninguém. Estou a acrescentar. O bolo não é fixo. Cresce com mais empresas, mais investimento, mais liberdade para inovar.

Se a ambição passar a ser vista como ameaça, o que sobra é estagnação. Se todos os que têm ideias se autocensuram com medo do julgamento, sobra conformismo.

E é por isso que volto à pergunta central:
Até quanto posso crescer sem deixar de ser uma “boa pessoa”? 100 mil euros? Um milhão? Um jato privado? Um escritório com vista?

Alguém que me diga. Prometo parar mesmo antes da linha.