O Governo decidiu que era tempo de “apoiar as famílias”. A ideia até soa bem. Mas o diabo está, como sempre, nos detalhes. O que era para ser um pacote de medidas para facilitar a vida de quem quer ter filhos, parece mais um manual de instruções mal traduzido do sueco… com peças a faltar.

Num país onde já temos poucos filhos, cada vez mais tarde e cada vez mais longe (porque os jovens continuam a fugir para fora), talvez fosse de esperar um bocadinho mais de visão estratégica. Mas não. Tivemos regulamento, formulário e vigilância.

Amamentar? Só com atestado

Sim, leu bem. A proposta do Governo limita a dispensa para amamentação aos primeiros 2 anos da criança. Até aqui tudo certo. Mas agora é preciso ir ao médico e renovar o atestado de seis em seis meses, como se os bebés fossem mudar de dieta sem avisar.

Porque claro, a mãe que quer amamentar já não tem noites mal dormidas, agora tem mais uma ida à repartição da burocracia. Nada grita “apoio à parentalidade” como mais papelada.

Luto gestacional? Pode chorar, mas que não seja durante o horário laboral.

O direito a faltar ao trabalho por luto gestacional vai desaparecer. A alternativa? Faltas não remuneradas. Traduzindo: se perdeu um bebé, o Estado dá-lhe um abraço… e tira-lhe o ordenado. Muito solidário, sim senhor.

Flexibilidade horária… desde que o patrão queira
O direito dos pais com filhos até 3 anos a fixarem turnos e horários vai à vida. Agora só há “preferência”, e depende da boa vontade da empresa. É como dizer a uma criança que pode escolher o que quer jantar… mas só se for sopa.

O país dos filhos… adiados

Estas medidas, dizem eles, são para “estimular a natalidade”. Só que cá fora, na vida real, ninguém tem filhos porque uma lei o diz. Ter filhos é uma decisão emocional, financeira, e profundamente pessoal. Se queremos mais crianças, temos de dar confiança e liberdade, não regras de três e papel químico.

Uma metáfora à medida:
É como oferecer um carrinho de bebé… com rodas quadradas, motor a carvão e manual em latim. A intenção é boa, mas vai dar mais trabalho do que ajuda.

Querem resultados? Têm de confiar.

Apoiar verdadeiramente as famílias seria:

Licenças simples, claras e sem labirintos.
Creches acessíveis.
Confiança nos pais, não exames mensais de motivação parental.
Se queremos mais bebés, não precisamos de mais formulários. Precisamos de mais liberdade.

Porque nenhuma família floresce com medo de errar no impresso do anexo B.