Vivemos um tempo complexo, dentro e fora de portas. A Europa e o mundo atravessam uma fase de incerteza profunda, marcada por mudanças tectónicas nos equilíbrios internacionais, pela erosão de referências comuns e pelo avanço persistente de forças políticas que exploram o medo, o ressentimento e a desinformação. O individualismo e o egoísmo coletivo ganham terreno, alimentados por populismos ruidosos, demagogias simplificadoras e até por uma visão neoliberal que fragiliza a coesão social e territorial.

A escolha do Presidente da República não pode ser encarada como um exercício meramente simbólico. O Presidente é, em muitos momentos, o último garante do nosso sistema democrático – um último fusível que protege a estabilidade quando os equilíbrios se tornam frágeis. Por isso, deve ser alguém que escute antes de falar, que pense antes de agir e que pondere antes de decidir. Alguém sem medo do escrutínio, com experiência política sólida, sentido de Estado e capacidade de elevação, sem ceder à tentação da palavra fácil ou do comentário permanente.

É por estas razões que apoio a candidatura de António José Seguro. Um apoio firme, consciente e exigente. Seguro oferece garantias claras na defesa dos valores democráticos, do princípio da igualdade, da coesão social e territorial e do cumprimento escrupuloso da Constituição da República Portuguesa. Fá-lo com uma visão serena, institucional e distante de intrigas, num tempo em que essa atitude se tornou menos frequente – e, justamente por isso, mais necessária.

A eleição de António José Seguro contribui para reequilibrar um sistema político que, hoje, se encontra fortemente deslocado para a direita, nas suas diferentes expressões. Esse equilíbrio não corresponde a polarização nem a confronto, mas ao cumprimento da função própria da Presidência da República: assegurar estabilidade institucional, promover moderação no exercício do poder e garantir o respeito rigoroso pelas regras democráticas.

O sentido de equilíbrio estende-se também à economia e à Europa. António José Seguro revela sensibilidade para os desafios do crescimento económico com convergência, para a justiça social e para a redução das assimetrias, bem como um conhecimento profundo das dinâmicas europeias. Nos debates, demonstrou consistência, preparação e uma atitude irrepreensíveis, afirmando-se com clareza como o candidato mais bem preparado para servir Portugal como Presidente da República.

Importa, por isso, falar com clareza ao eleitorado da esquerda e ao mais amplo campo progressista, que não se esgota numa identidade partidária, mas se reconhece num conjunto de valores democráticos fundamentais. Sem questionar a legitimidade nem o mérito das várias candidaturas, a dispersão de votos na primeira volta pode deixar o país, logo no dia seguinte, perante um horizonte dominado pela direita. A escolha feita na primeira decisão conta, por isso, mais do que nunca, e exige a capacidade de reconhecer, desde já, qual a candidatura com condições reais para disputar e vencer uma segunda volta.

Num tempo de incerteza, Portugal precisa de um Presidente que seja âncora, não amplificador do ruído. António José Seguro pode ser esse Presidente. E, por isso, tem o meu voto.