Charlie Kirk foi assassinado.
Conhecem-se muitas reacções, umas de júbilo, outras de pesar. O politicómetro consegue explicar ambas.
O politicómetro é um novo instrumento para compreender o fundamento e a motivação de qualquer política.
As políticas de direita assentam no primado do Indivíduo, colocando a dignidade de cada pessoa em primeiro lugar. Isto significa que a vida de qualquer pessoa é o valor primordial, mesmo que a sua opinião atrapalhe a imposição de um determinado modo de funcionamento de uma sociedade.
As políticas de esquerda assentam no primado do Estado, colocando o colectivo em primeiro lugar. Isto significa que limitar a liberdade de expressão de qualquer pessoa é aceitável se contribuir para impor um determinado modo de funcionamento de uma sociedade.
Convém fazer um esclarecimento. Há partidos políticos considerados de esquerda (socialistas, progressistas e outros) que defendem políticas de direita conforme o politicómetro as classifica, por exemplo permitindo a existência de empresas privadas. Há partidos políticos considerados de direita (conservadores, nacionalistas e outros) que defendem políticas de esquerda conforme o politicómetro as classifica, por exemplo aceitando a escolaridade obrigatória imposta pelo Estado. É tal a confusão no actual espectro político que muitos advogam que a dicotomia esquerda-direita já não faz sentido. Ao invés, o politicómetro é clarificador:
- À direita corresponde o primado do individual, o primado do Indivíduo (pessoa, família, empresa, ou agente económico separado do Estado) e impostos baixos;
- À esquerda corresponde o primado do colectivo, o primado do Estado e impostos elevados.
Na perspectiva das políticas de (extrema) esquerda, matar Charlie Kirk é aceitável porque defendia políticas contrárias às de esquerda. Revela intolerância, sectarismo e falta de humanidade, sendo a morte dele um bom motivo de troça e escárnio. Há dias usei uma das plataformas de inteligência artificial generativa para perguntar quantas reacções positivas havia à morte de Charlie Kirk, tendo obtido a resposta de que era difícil estimar com rigor, mas eram no mínimo 500 mil e podiam ser mais de 5 milhões. É provável que, se Charlie Kirk fosse comunista, matá-lo seria aceitável para algumas pessoas conotadas com partidos políticos de direita, não compreendendo que estariam também a defender políticas de extrema esquerda.
Na perspectiva das políticas de direita, matar Charlie Kirk é inaceitável porque é uma pessoa.
Há políticos de esquerda que, neste caso, alinham com a perspectiva de direita afirmando que este assassínio não é aceitável, quaisquer que tenham sido as motivações. No entanto, esses mesmos políticos cancelaram ou aceitaram o cancelamento de opiniões contrárias às suas, impediram ou aplaudiram o impedimento da progressão profissional de pessoas que opinaram de forma diferente da sua e demonizaram ou concordaram com a demonização das pessoas que não têm a sua opinião.
Não só o fizeram, como continuam a fazê-lo e provavelmente vão continuar no futuro.
Além disso, defendem a criminalização do “discurso de ódio”, que lhes vai servir para perseguir quem discorda da sua visão do mundo e, em alguns casos, até defendem a censura.
Tudo isto contribui para disseminar a mentalidade de que está certo limitar a liberdade de expressão das pessoas e até silenciar quem tem uma opinião contrária, levando a que algumas pessoas façam distúrbios, danifiquem a propriedade alheia ou atentem contra a integridade física de outras pessoas (ao ponto de matar), para limitar essa liberdade. Ou seja, os políticos de esquerda legitimam a violência, uns são patetas porque não têm consciência disso, outros são hipócritas porque é isso mesmo que querem ver acontecer.
Actualmente, este tipo de políticas de esquerda é designado pelo termo “woke”. O termo em si é um exemplo da perversão da linguagem em que os políticos de esquerda são exímios. Em inglês, significa estar desperto, quando na realidade se fica anestesiado pela divulgação exaustiva das mensagens de esquerda em todos os meios de comunicação.
Ser “woke” é uma consequência de ser “politicamente correcto”, que também é uma perversão da linguagem. Na prática, politicamente correcto significa “esquerdisticamente correcto” e moldou a mentalidade de múltiplos políticos, jornalistas e académicos, todos desligados da realidade, bem como a mentalidade de um vasto número de votantes paternalistas que querem o “paizinho Estado” a proporcionar-lhes uma vida confortável e sem esforço.
O “esquerdisticamente correcto” domina os meios de comunicação há muitos anos, desde o milénio passado. E continua a dominar! Em Portugal, os meios de comunicação estão inundados com mensagens políticas de esquerda, alinhados com o crescimento do leviatã Estado.
Mas não são só os meios de comunicação…
Post scriptum: Como explicou Friedrich von Hayek no livro O Caminho da Servidão, as políticas de esquerda têm uma tendência totalitária. Isso permite perceber a razão de muitos políticos de esquerda terem afinidade com terroristas, que são inequivocamente totalitários e dizem abertamente que quem não concorda com eles deve morrer. Para estes políticos de esquerda, está certo reconhecer como Estado uma zona geográfica dominada por terroristas. São patetas porque não percebem que isso vai gerar ainda mais violência ou são hipócritas porque usam a violência como um mero instrumento para atingir objectivos totalitários.