De Domingo para segunda-feira passados decorreu a entrega dos Óscares em Hollywood. O cenário foi ligeiramente diferente, mais contido, menos ostentação e talvez alguma contenção, menos político e, tudo isto, numa gala que se dedica a deixar quem por ela passa pavonear-se “no seu melhor”. Talvez os fogos florestais e a devastação de que foi alvo a região de Los Angeles tivessem, infelizmente, ajudado a esta maior moderação.
Importam-me os filmes e não a gala.
Importam-me algumas mensagens e não a gala.
O momento “In Memoriam” dos Óscares de 2025 importa, também, e importa todos os anos, mas este foi particularmente importante, trazendo a homenagem de Morgan Freeman a Gene Hackman, ao sublinhar a importância marcante da sua obra e carreira.
Os mais atentos lembrarão a quantidade imensa de filmes onde participou Hackman: mais de 50 (80, na verdade). Os mais atentos recordarão os dois Óscares na sua carreira (em The French Connection e em Unforgiven). E ainda quatro globos de ouro.
Mas o mais importante de tudo no discurso de Freeman, ao evocar o ex-amigo Hackman, fica resumido a apenas duas frases.
Duas frases que são o âmago da homenagem ao homem e ao ator que foi Hackman. E que deveriam estar presentes em qualquer pessoa e em qualquer liderança:
Referiu Freeman: “Aprendi com Hackman o que é ser um intérprete generoso cujos dons elevam o trabalho de todos.”
Quanto ao legado de Hackman, Freeman sublinhou que o ator não se preocupava com tal e apenas sublinhava: “Apenas espero que as pessoas se lembrem de mim como alguém que tentou fazer um bom trabalho.”
Duas armas essenciais.
Em duas frases e para todos:
A generosidade que eleva outras pessoas e prol do bem comum.
A preocupação com o fazer um bom trabalho. E que os outros se lembrem de nós por nada mais que não o termos tentado fazer o melhor trabalho.
Há mensagens tão boas como estas e com outros argumentos. Mas estas, pela simplicidade, penso que resumem bem o que de bom alguém pode querer para si: engrandecer outros, deixar um bom trabalho ou a tentativa de um bom trabalho. Para um líder são, acima de tudo, absolutamente centrais.