Este país não é para velhos. Nem este nem outro qualquer que ambicione crescer, compreender o mundo, valorizar o futuro e respeitar quem cá fica, mesmo quando vê o mundo de forma diferente.

Digo “velhos” sem insulto e sem metáfora fácil. Não falo de idade biológica. Falo de visão do mundo. Falo de preparação. Falo de estudo, de contacto com a realidade actual, de capacidade para interpretar um tempo que mudou mais nos últimos vinte anos do que em todo o século anterior.

É por isso que me parece quase óbvia a eleição de Cotrim de Figueiredo.

Sim, estou a ser simplista. Admito até alguma arrogância. Mas a pergunta tem de ser feita: como é possível aceitarmos que as restantes candidaturas sejam relevantes para este tempo?

Não está em causa a experiência acumulada. A experiência, por si só, não é virtude. Pode ser apenas repetição. Não está em causa a idade, nem o número de anos de serviço. Está em causa o mundo que cada candidato conhece e aquele para o qual está preparado.

Os dados disponíveis sobre intenções de voto até aos 35 anos – divulgados em várias sondagens recentes – mostram uma vantagem clara de Cotrim de Figueiredo neste grupo etário. Isto não é um detalhe. Estes eleitores não são “imaturos” nem “desinformados”, como tantas vezes se sugere. São indivíduos que estudaram, viajaram, trabalham em mercados abertos, lidam com tecnologia, concorrência e mudança todos os dias. São eles que melhor entendem o mundo que existe e o que querem para amanhã.

O que têm os outros candidatos para acrescentar, como facilitadores políticos ou humanos, neste contexto?

Gouveia e Melo construiu o seu percurso num sistema hierárquico fechado, onde existe uma só voz e a discordância não é um valor. Isso não é um defeito pessoal, é uma limitação estrutural.

Marques Mendes é um produto acabado de um mundo político de que muitos portugueses já desistiram. Acresce-lhe uma longa carreira como comentador, que o tornou mais previsível do que relevante.

Seguro é inócuo. Não mobiliza, não incomoda, não projecta futuro.

André Ventura não quer ser Presidente da República. Quer ser outra coisa, noutro palco.

André Filipe não é deste século.

Jorge Pinto e Catarina Martins não compreendem um mundo que já não funciona segundo as categorias em que foram formados.

E há ainda uma dimensão que muitos desvalorizam, mas que é tudo num Presidente da República. A representação. Não numa lógica fútil ou superficial, mas numa lógica real e concreta. A forma como um Presidente se apresenta, comunica e é reconhecido dentro e fora do país importa. Importa na forma como Portugal é levado a sério em reuniões internacionais, em cimeiras europeias, em contactos diplomáticos e económicos. A estética, no sentido sério do termo, também é substância. É linguagem, é contexto, é compreensão dos códigos do mundo actual. Podemos romantizar o desprezo por isso, mas no momento da verdade vale muito pouco. Um país pequeno, aberto e dependente do exterior não se pode dar ao luxo de ser representado por quem parece deslocado do tempo em que vive.

Este país não é para velhos.

Gostem os velhos ou não, e eu incluo-me neles.