António Costa – por acaso – apanhou um autocarro para ir a uma Loja do Cidadão. E não é que – por acaso – estava na mesma carreira um jornalista pronto a fotografá-lo? A sorte, hein?

Foi mesmo sorte. Porque assim pudemos ver o nosso estimado primeiro ministro como ele é. Um homem simples e descontraído, que apanha um autocarro para ir tratar dos seus assuntos. Um de nós. Assim até fica a saber o estado dos transportes públicos em Lisboa (não é famoso) e o trânsito para quem não se locomove em viaturas oficiais prioritárias (ui, nem vamos falar disso). Não é uma pessoa altaneira que vai de táxi ou de uber, ou pega no seu carro e conduz ele próprio (ou pede a alguém da família para lhe dar boleia), como fazem os manientos atarefados que não podem perder tempo.

Alguma crítica merece esta artimanha inteiramente espontânea que por mero acaso foi parar aos jornais? Ora essa, claro que não. O nosso amado e reverenciado primeiro-ministro simplesmente mostrou as suas qualidades humanas. E é bom vermos essa parte dos políticos. Que, de resto, António Costa já havia mostrado quando posou, em família, para uma revista cor de rosa.

Há uns vinte anos, quando éramos todos menos enjoados e indignados, Herman José tinha um programa de humor que, pelo meio, tratava de coisas sérias. Uma vez convidou uma Elisa Ferreira ministra do Ambiente e uma stripper para se despir em frente à ministra em protesto pela poluição no rio Trancão. Mário Soares, então Presidente da República, foi entrevistado. E o casal Cavaco Silva, era a parte masculina do casal primeiro-ministro, também.

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