Morreu Miguel Macedo. Aos 65 anos, vítima de um ataque cardíaco. Partiu discretamente, como viveu grande parte da sua vida. Foi um político de palavra, um servidor público sério, um homem de convicções firmes.

Não foi um homem de estridências, nem de protagonismos fáceis. Não precisou de levantar a voz para se fazer ouvir. Na política, soube construir pontes quando tantos preferiam erguer muros. No Governo, soube ser firme sem perder a humanidade.

Em 2014, quando o seu nome surgiu envolvido na investigação dos vistos gold, tomou a decisão mais difícil que um político pode tomar: demitiu-se. Não porque fosse culpado – nunca foi –, mas porque sabia que o Estado não podia viver sob suspeita. Quis preservar a honra do cargo que ocupava. A sua própria honra trataria ele de a defender mais tarde, nos tribunais.

Foi absolvido de todas as acusações em 2019. Mas o julgamento da opinião pública já estava feito, e os estragos estavam consumados. Porque, em Portugal, a presunção de inocência muitas vezes é um pormenor. A lama das manchetes raramente se limpa com a mesma força com que foi atirada. E os que antes lhe apertavam a mão ficaram subitamente mais distantes.

Miguel Macedo nunca se vitimizou. Nunca procurou vingança, nem tentou recuperar à força o que lhe foi tirado. Fez como sempre fez: seguiu o seu caminho, com a discrição que o caracterizava.

Hoje, o país despede-se dele. Com elogios justos, mas tardios. Com o reconhecimento que deveria ter sido mais alto quando ele ainda podia escutá-lo.

Descansa em paz, Miguel. Levas contigo algo raro: a consciência tranquila. Que a história saiba fazer o que a política tantas vezes falha em fazer: ser justa.