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Regra nº 1. Os problemas reais não existem.

Numa escola do Porto, um miúdo de 12 anos atirou uma bola para dentro da sala de aula e partiu uma lâmpada. Todos nós ou muitos de nós quando andámos na escola vimos partir lâmpadas com bolas ou partimo-las nós mesmos. Mas nunca vimos uma sucessão de factos como os registados há dias nesta escola do Porto: partida a lâmpada o professor pediu a uma funcionária para varrer os pedaços de vidro. A aula prosseguiu e o rapaz de 12 anos não só ligou ao pai como voltou a brincar com a bola. O professor retirou-lha. Saltando por cima das mesas, o aluno “tentou chegar à bola” Como não conseguiu, empurrou o professor. Em seguida dá-lhe murros e pontapés. Levado à direcção de turma o dito aluno, quando a oportunidade lho permite, “desferiu um forte pontapé” nos testículos do mesmo professor, que caiu no chão. Mas a coisa ainda não acabara: terminada a aula ainda deu um murro na testa do professor. Ao passar por um funcionários disse: “Já lhe parti o focinho”.

Resumindo, temos o professor a pedir “a uma funcionária para varrer os pedaços de vidros” pois é óbvio que já não tinha autoridade para mandar o menino varrer ele mesmo. Em seguida a criancinha com um sentimento de absoluta impunidade ora usa o telemóvel ora salta por cima das mesas. Depois agride o professor em trẽs momentos diferentes, três, e acaba a declarar a um funcionário que, claro, também não se deve ter afoitado a chamar-lhe a atenção, “Já lhe parti o focinho”. Do pai não há notícias.

O que agora aconteceu na Escola  Francisco Torrinha é apenas um caso que pela sua gravidade conseguiu quebrar o manto de silêncio que actualmente impera sobre as escolas. Estas voltaram aos bons velhos tempos em que tudo nelas se reduz à questão da carreira dos professores e dos auxiliares. Do resto, ou seja dos alunos, dos conteúdos, da disciplina, do ser professor, só se fala quando de todo em todo uma situação chocante quebra o manto de silêncio. Foi assim com a constatação de que a disciplina de Educação para a Cidadania se transformou num franchising lectivo para activistas das mais desvairadas causas agora transformada em doutrina incontestada. Foi assim também há algumas semanas com a agressão a uma professora da Escola Básica da Torrinha por parte de uma mãe e foi agora novamente nesta  escola do Porto, aqui com um aluno de 12 a espancar um professor de 63 em três momentos diferentes. Ou, se quisermos observar os factos doutra perspectiva, com um professor de 63 anos a deixar-se agredir em três momentos diferentes  por um aluno de 12 anos.

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