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Amor e Sexo

No casamento há mais ou menos sexo?

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O que estamos a criar, jovens a viver relações virtuais? Uma geração que nunca teve tanta liberdade, arrisca em startups, pouco no amor e não se querem “agarrar"? Verdade, mas isso implica menos sexo.

As novas descobertas vêm de um estudo do US General Social Survey (GSS). Este estudo questionava os americanos se tinham tido relações sexuais no ano anterior. Enquanto apenas 7% das pessoas na faixa dos 30 anos disseram que não e 13% das pessoas na faixa dos 50 anos, entre 18 e 29 anos a percentagem era de 23%. Ou seja, quase um quarto dos jovens adultos afirmaram não ter tido relações sexuais no ano anterior. Mas não será esta exatamente a fase de desenvolvimento de maior libido? Então o que está a acontecer? Muito provavelmente, e se compararmos com gerações anteriores, isto está a acontecer pelo adiamento do casamento.

Já o havia escrito num artigo do Observador: os jovens estão a ver e viver as relações,  o sexo e o casamento, de outra forma. De resto, o Atlantic escreveu um longo artigo na mesma altura, sem eu o saber, curiosamente também falando de uma coach de relacionamentos que incitava os jovens a convidar alguém para sair, raro nos dias de hoje. Este excelente trabalho explica muito bem o espírito do tempo quanto às relações, sexo e casamento em termos sociológicos.

Mas casamento não significa, aliás, o “fim da novidade” do amor, como tanto se diz? Ou os eternos machões afinal não têm assim tanto “bom sexo”, mas afinal desejam é ter uma relação duradoura? “Agarrar-se” a um amor é perder liberdade ou ganhá-la?

Segundo Jean Twenge, no mesmo artigo, professor de psicologia na San Diego State University e autor de “iGen”, disse ao Washington Post que a crescente falta de sexo entre os jovens de 20 e poucos anos, nos Estados Unidos, é atribuída principalmente a estarmos a casar mais tarde. As pessoas casadas têm acesso a sexo regular de uma forma que muitas pessoas solteiras não têm. É simples. Menos casamento parece significar menos sexo. A coabitação claramente não preenche a lacuna, por assim dizer, porque muitas pessoas na casa dos 20 anos não são casadas nem coabitam. Além disso, está comprovado que o casamento contribui para a estabilidade da relação, por causa do reforço da confiança e dos investimentos específicos do compromisso (Cherlin, 2004).

Será que o casamento traz mais ou menos sexo? Por um lado, muito se diz que a intimidade acaba com os filhos e com a habituação ao mesmo parceiro. Por outro, também podemos questionar: será que entrar e sair de relações permite este crescimento na sexualidade e na descoberta do outro? Afinal, em termos sexuais, o tempo do homem é diferente do da mulher e a relação precisa de tempo e espaço para florescer e muita empatia mútua. Este imediatismo que vivemos permite desenvolver o papel da intimidade na relação e a importância da confluência de duas pessoas diferentes, mas que se completam?

No que toca a relações homossexuais adultas, os estudos apontam que a quantidade de sexo não é o problema, já as relações são menos duradouras que as heterossexuais. Outrossim, apenas 10% dos americanos adultos LGBT são casados e em Portugal, segundo a Pordata, contam apenas como 1% das uniões civis.

Há quem explique a falta de sexo dos millenials com as redes sociais. É possível. O aumento exponencial da pornografia e da masturbação é outra explicação, bem diz também o artigo do Atlantic. A solidão é uma epidemia geral, de resto, para todas as faixas etárias. O que estamos a criar, jovens a viver relações virtuais? Uma geração que nunca teve tanta liberdade, arrisca tanto em startups e pouco no amor? A instabilidade laboral? Também. O pouco tempo que se despende nas relações? Também. Casa-se mais tarde? Igualmente. Os jovens não se querem “agarrar” tão cedo? Verdade, mas isso implica menos sexo. Afinal, foi esta a revolução sexual que pretendíamos nos anos 60?

Co-fundador do site datescatolicos.org, gestor

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