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Nos últimos 18 dias estive a trabalhar fora do país. Só Deus sabe o que sofri nestes dias, por estar fora de casa, longe da família . Foram dias de aflição, sempre em sobressalto à espera de más notícias, ansioso para saber como é que a minha filha recuperava da Covid. Recuperou bem.

A priori, tendo tido Covid em Novembro, continuo imune, mas quando se está fora aumenta o receio de voltar a ficar doente, com a agravante de ser no estrangeiro.

Viajar faz parte da profissão que escolhi e com a Europa parada tive de ir para outros mercados lutar por um futuro melhor para a minha família, para mim e para a empresa que me emprega.

De regresso a Lisboa, faltando apenas duas horas para chegar, fui assaltado por uma enorme tristeza: como é que é possível que me sinta mais seguro no Dubai do que em minha própria casa?

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A diferença é que nos Emiratos Árabes Unidos há liderança e as regras cumprem-se. Seja porque a polícia autua, seja porque há uma pressão social para cumprir:

  • Não se entra em Lisboa no avião da Emirates com destino ao Dubai sem se apresentar um teste de PCR Covid-19 negativo, feito, no máximo, 96 horas antes da partida;
  • Não se anda na rua sem máscara;
  • O distanciamento social é mantido e o dia-a-dia está organizado para que assim seja;
  • Há reforço dos transportes públicos;
  • Para viajar para outras regiões do país não é necessário qualquer documento a autorizar  a deslocação. É preciso apresentar um teste de PCR Covid-19 negativo realizado, no máximo, nas 72 horas anteriores.

Que contraste com a Europa, onde no ano passado viajei duas vezes para o Luxemburgo e nem à ida, nem no regresso me foi exigido o resultado de um teste à Covid-19.

Vindo do Dubai, também tenho de apresentar um teste de PCR Covid-19 negativo, feito no máximo, nas 72 horas anteriores à partida. É fácil de fazer, custa um terço do preço em Portugal, e pode fazer-se num qualquer posto da Autoridade de Saúde do Dubai, que existem nos principais centros comerciais da cidade ou em dezenas de clínicas e drive-ins.

Hoje estou realmente irritado com quem nos governa, ansioso por ter quem nos lidere, desiludido em quem confiei, não apenas ao nível nacional, mas também europeu.

Até ao dia 1 de Fevereiro, nos Emiratos Árabes Unidos, um país com cerca de 9,4 milhões de habitantes, foram administradas mais de 3,4 milhões de doses da vacina, cerca de 10 vezes mais do que em Portugal. E não foi porque há mais ou menos dinheiro nos Emiratos. É porque lá, há quem lidere e entenda que fechar o país não é opção.

Foram criadas as condições para se controlar a Covid-19 para que o país não parasse por completo. E até esta semana não parou. Os restaurantes, os hotéis, os escritórios, o comércio estão abertos, sem vendas ao postigo, mas ao balcão.

Tudo porque há meses que a região se preparou.

Sinceramente, no Dubai, para além de mais protegido, senti-me menos enganado e com maior liberdade do que em Portugal.