Durante dias, vendeu-se ao mundo a imagem de um novo começo: o cessar-fogo entre Israel e o Hamas. As manchetes falavam de esperança, os diplomatas de “avanço histórico”, e os comentadores suspiravam pela paz. Bastou uma semana para o sonho se desfazer — e, ironia das ironias, não foi Israel quem deu o primeiro tiro, outra vez.

Durante meses, muitos repetiram que “Israel não quer paz”, que “Netanyahu sabota tudo” e que “os israelitas vivem da guerra”. Pois bem, a trégua chegou, Israel suspendeu operações, abriu corredores humanitários e libertou prisioneiros. O que fez o Hamas? Voltou a disparar, como sempre. A resposta habitual de quem transforma o seu próprio povo em escudo humano e cada cessar-fogo em intervalo táctico.

O Hamas é o maior inimigo dos palestinianos. Governa Gaza com punho de ferro, desvia ajuda humanitária, esconde mísseis em hospitais e escolas, e depois exibe cadáveres perante câmaras para comprar compaixão. A sua “resistência” é um teatro cruel onde os civis pagam o bilhete com a vida. E, quando alguém ousa lembrar isto, o mundo cala-se — talvez por embaraço, talvez por conveniência.

E agora? Onde estão os activistas das flotilhas? Os que gritavam nas ruas que “Israel é o obstáculo à paz”? Será que vão organizar outra viagem de protesto a Gaza, agora que o Hamas volta a disparar? Ou a indignação perdeu o vento a favor?

Culpar Israel é sempre mais fácil — dá bons títulos e evita pensar. Mais difícil é admitir o óbvio: o Hamas não quer paz porque vive da guerra. Cada morte é uma vitória política, cada ataque uma forma de sobrevivência. Não há coexistência possível com quem celebra o sangue e teme o silêncio.

O cessar-fogo que o Hamas não quis é a prova definitiva de que o problema não é a ausência de diálogo, mas a existência de um interlocutor que só fala a linguagem da destruição. Israel pode errar — e erra. Mas quem ainda acredita que o Hamas é parte da solução, é porque decidiu fechar os olhos à realidade.