O Natal está mesmo aí à porta. Mas não abram ainda, que antes de entrar o tempo da paz, da harmonia e da união em torno do que realmente importa, quero falar na nova liderança da Juventude Socialista. Afinal, a altura do ano em que todos olhamos para o futuro com fé é a mais indicada para, além de apalpar nalgas aproveitando estar tudo a olhar para a frente, dosear bem essas esperanças.
E com que micro-dose de esperança — nano-dose. Nano-dosezinha — uma pessoa fica após assistir ao processo de eleição da nova liderança da JS. O passado do PS teve um grande momento aquando da afirmação do partido contra o comunismo. O presente do PS deprime a todo o momento por negar o grande momento de afirmação do partido contra o comunismo. O futuro do PS tem o mérito de, por se antecipar tão medonho momento, tornar o presente ligeiramente tolerável. Se isto não é encarar a vida com optimismo não sei o que será.
Ora, então, o que temos? Para já, que é feito do comunistazito que sucedeu à comunistazita (as minhas desculpas a Zita Seabra pela evitável formulação) e que, até agora, mandava na Juventude Socialista? Espero que se encontre muito bem, já devidamente instalado naquele tipo de cargo remunerado ao nível de direcção de multinacional, mas em que se trabalha afincadamente para manter o país na direcção da internacional socialista, com desvios para paragens prolongadas na internacional comunista. Em qualquer caso, sem dúvida o lugar onde Miguel Costa Matos merece estar e que nós merecemos pagar.
Para o lugar desta jovem certeza, concorreram dois jovens promissores. Promissores no sentido de dar ideia que prometeram ser tão entusiasmantes como um Toyota Corolla de 1999. Cinzento. Quer dizer, um dos jovens, o derrotado Bruno Gonçalves, é já um valor seguro. Não sei se daqueles valores seguros que o PS mastiga e deita fora, tipo António José Seguro, mas ser deputado europeu já ninguém tira a este menino. Isto é campeão que calça na Liga Europa, mas veio cá comprovar que nem para fazer uma perninha nos sub-23 serve.
Mas está no parlamento europeu. Só que não é bom o suficiente sequer para a JS. Mas serve perfeitamente para o parlamento europeu. Talvez porque no espírito de António Costa ter sido eleito presidente do Conselho Europeu, a qualidade exigida a um euro-deputado esteja ao nível da estação de metro da Baixa-Chiado.
E esse nível Bruno Gonçalves cumpre com distinção. Basta lembrar que passou a noite em que foi eleito deputado europeu e o primeiro dia no parlamento europeu com, respectivamente, um cachecol e um lenço alusivos à “causa palestiniana”. Ele que se apresenta como um assumido defensor dos “Direitos do Homem e da Mulher”. Há piadas que se fazem por si próprias. E depois há coisas, sem piada alguma, que também aparecem feitas do nada, como este tipo de carreira socialista que, tal é o amor por movimentos terroristas, ainda acaba no actual posto de António Guterres.
António Guterres que é também inspiração para Bruno Gonçalves no que ao não saber fazer contas com o PIB diz respeito. Em debate com a sua opositora e recém eleita líder da JS, Sofia Pereira, Bruno e Sofia, a propósito da Habitação, embrulharam-se em contra-argumentos, sempre contra a Matemática. Sofia comprovou baralhar-se mais com a tabuada do que Mariana Mortágua com o 7×8, e Bruno, rápido na detecção do erro de Sofia, corrigiu-a, também ele erradamente, mas desta feita demonstrando total inépcia no cálculo de percentagens.
100% delicioso. 100% hilariante. 100% deprimente. Mas, talvez por ser quase, quase Natal, este confronto de, digamos, ideias merece, além do duplo chumbo a Matemática, um louvor. É que no meio do actual processo de bloquização de esquerda do PS, ver Bruno Gonçalves, impante, a revelar a Sofia Pereira que se enganou nas contas, estando ele próprio completamente equivocado, está para lá de ser um refrescante caso de mansplaining: émanmalsplaining.
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