O anti-semitismo regressou à Europa, o continente onde aconteceu o Holocausto. Os europeus decentes devem combater o anti-semitismo. É uma das lutas políticos mais importantes dos tempos que correm.

Dou o exemplo de Londres. Ando pela cidade e vejo igrejas e mesquitas sem forças de segurança, onde cristãos e muçulmanos podem rezar em liberdade e em segurança. Quando passo pelas sinagogas, vejo polícias armados a garantir a segurança dos judeus 24 horas por dia, os sete dias da semana. Hoje, os judeus não podem practicar a sua religião em segurança. Estamos a falar de Londres, a cidade e a capital do país que foram refúgios para muitos judeus durante o Holocausto.

Foi o radicalismo islâmico que trouxe o anti-semitismo de regresso à Europa. No Holocausto, foram europeus que practicaram o maior crime da história moderna contra os judeus. Hoje, são descendentes de estrangeiros ou estrangeiros, e financiados, treinados, armados e doutrinados por outros estrangeiros. O problema não é apenas o aumento dos imigrantes muçulmanos na Europa. O maior problema é o crescimento do radicalismo islâmico entre as comunidades muçulmanas. Muito do radicalismo islâmico chega com muitos imigrantes vindos de países como a Síria, o Iraque, o Afeganistão, a Somália, e de um passado a combater em grupos jihadistas.

Mas muitas das mesquitas são o maior instrumento de promoção do radicalismo islâmico na Europa. Estas mesquitas são financiadas por grupos ou regimes radicais, como a Irmandade Muçulmana, grupos radicais do Paquistão ou o Irão, onde os Imans radicalizam os crentes que vivem em Londres (e noutras cidades europeias).

A existência de Israel é um tema central do anti-semitismo da Europa do século XXI. A violência dos bombardeamentos israelitas em Gaza e a transmissão de imagens chocantes pelas televisões em todo o mundo levam muitos a olhar para a Palestina como vítima e Israel como o agressor. Mas não é essa a realidade. A verdade é a seguinte: Israel é o mais forte, e o Hamas é o mais fraco. De facto, o agressor foi o Hamas. Atacou Israel no dia 7 de Outubro de 2023, o maior ataque terrorista da história israelita. Israel defendeu-se. Pode argumentar-se que a resposta israelita foi despropositada. Mas os israelitas sabem com quem estão a lidar, com um grupo terrorista, violento e totalitário. Se um dia o Hamas tivesse mais poder do que Israel, destruía o país e matava todos os israelitas que pudesse. É a lição dos ataques de 7 de Outubro. Muitos dos europeus bem-intencionados, que se emocionam com as imagens de Gaza, não conhecem a história das guerras entre Israel e os países árabes, e também desconhecem a história de Gaza e do Hamas. Acreditam na propaganda islâmica, difundida por televisões dominadas por redações de esquerda. Eu entendo as boas intenções e a indignação, mas estão a ser enganados.

Em grande medida, a propaganda contra Israel na Europa resulta da aliança entre a extrema-esquerda e o radicalismo islâmico. Essa aliança é clara no Reino Unido, onde os verdes se aliaram ao islamismo radical em muitos municípios nas eleições locais recentes, aparecendo nalgumas cidades com o nome de “coligação Gaza.” A aliança entre a esquerda radical e os islâmicos também existe em França, na Bélgica e em Espanha. As flotilhas para Gaza foram igualmente um exemplo dessa aliança.

O mais extraordinário é que esta aliança é entre movimentos políticos com valores opostos. Algumas das grandes causas das esquerdas radicais são a igualdade entre géneros, os direitos das minorias homossexuais e o combate às alterações climáticas. Vejamos a posição do Hamas, que governa Gaza desde o início do século usando uma violência extrema para manter o seu poder, sobre estas questões. Rejeita a igualdade entre homens e mulheres. Pelo contrário, nega às mulheres os mesmos direitos atribuídos aos homens. As mulheres europeias, que atacam Israel por causa de Gaza, e que lutam pela igualdade entre géneros nos seus países, devem saber o seguinte: se vivessem em Gaza, não teriam muitos dos direitos que têm na Europa e que, vejam bem, teriam em Israel.

Vamos aos homossexuais e aos defensores das ideias LGBT na Europa. Se vivessem em Gaza, estariam presos ou seriam condenados à morte. Os europeus que participam nas marchas LGBT nas cidades europeias ou que querem ver a bandeira LGBT nos edifícios públicos no dia contra a homofobia, devem saber que o fazem porque vivem na Europa. Também poderiam participar em marchas semelhantes em Israel. Em Gaza essas marchas são proibidas, e as bandeiras LGBT nunca foram hasteadas em qualquer edifício público. São queimadas e os seus defensores são assassinados.

As extremas esquerdas britânicas sabem muito bem que as causas pelas quais lutam no seu país são absolutamente rejeitadas pelos seus aliados palestinianos. Tal como o Hamas também conhece as causas defendidas pelas extremas-esquerdas. Mas há um pacto entre eles para não falarem das diferenças. Por uma razão muito simples: têm um inimigo comum.

O inimigo comum é o Ocidente. O “Ocidente” entendido como a democracia liberal e pluralista, a economia de mercado, a aliança transatlântica e a integração europeia. Tal como o Hamas, os Verdes britânicos são contra a democracia liberal, são anti-capitalistas e contra a economia de mercado. Detestam os Estados Unidos e a NATO, e são contra a União Europeia.  Os Verdes conseguem detestar mais a União Europeia do que o Reform. É este anti-ocidentalismo que une as extremas-esquerdas e o islamismo radical, quando tudo o resto os separa.

É este anti-ocidentalismo que também explica o ódio das extremas-esquerdas a Israel. Olham para Israel como o último exemplo do colonialismo ocidental. Por isso defendem o fim de Israel, como “país colonizador.” Será a única maneira de acabar com o “colonialismo ocidental” no Médio Oriente. O Hamas e os radicais islâmicos também olham para Israel como um “estado colonizador.” Aproveitam o desconhecimento da maioria dos europeus sobre a criação de Israel através de uma Resolução da ONU.

Mas há outro ponto essencial da história do século XX que muitos europeus ignoram. A Irmandade Muçulmana, que financia o radicalismo islâmico na Europa e da qual o Hamas descende, foi o maior aliado da Alemanha nazi no Médio Oriente durante a segunda guerra mundial. Hoje, na Europa, as esquerdas radicais são aliadas dos antigos aliados da Alemanha nazi. Se se entender isto, percebe-se muito melhor o anti-semitismo que hoje ataca judeus nas ruas de Londres e noutras cidades europeias. Os europeus e os portugueses que ainda acreditas nos valores fundamentais das nossas sociedades devem lutar com toda a força e convicção contra o regresso do anti-semitismo à Europa.