Sobre a recente situação da vaga de insegurança que se vive no Areeiro em Lisboa o actual presidente de Junta (que não dava sinais de vida desde 8 de março quando andou a distribuir flores pela freguesia a propósito do “Dia da Mulher”) Fernando Braancamp proclamou à Lusa que “tem feito todos os esforços para resolvê-la”. Pois bem: se os tem feito tem sido um modelo de discrição: desde esse “momento floral” até estas declarações à Lusa (que são o produto do esforço e foco dos moradores e não de iniciativas da Junta) que não aparecia em público (continua a não aparecer) nem fazia declarações aos Media nem nos meios da Junta. Lamentamos que tenha sido obrigado a despertar do sono de Cinderela mas o mundo não parou e o problema dos consumos e tráfico de droga no Portugal Novo não abrandou (desde que se intensificou em Março de 2018) e, pelo contrário, reforçou-se desde, pelo menos, meados do ano passado.

Por outro lado a actual vaga de crime (que dá sinais de abrandamento muito pelo fruto do reforço – temporário – dos meios da PSP na freguesia) não começou com o alojamento temporário de Sem Abrigo no Pavilhão do Casal Vistoso como se infere das palavras do presidente da Junta: “Eu tinha advertido para o facto de terem trazido os sem-abrigo para ali e que confiná-los naquele espaço [Pavilhão do Casal Vistoso] iria trazer-nos problemas. Garantiram que não, porque iriam ficar sob vigilância da Polícia Municipal e da PSP” reforçando e ainda em termos mais graves que “a concentração dos sem-abrigo no Pavilhão do Casal Vistoso – onde foi instalado um centro de acolhido provisório devido à pandemia de COVID-19 – também fez aumentar o consumo de droga e a violência”. Por outro lado, a actual vaga de crime começou pelo menos duas semanas antes do Pavilhão estar a funcionar como alojamento de Sem Abrigo e, as detenções até agora realizadas não incluíram ninguém que estivesse no pavilhão…

Portanto, Braancamp erra cronologicamente quando associa o tráfico de droga ao alojamento temporário de Sem Abrigo no Pavilhão e por outro erra, do ponto de vista cronologico, Humanista e factual, quando liga o alojamento de Sem Abrigo com o aumento da criminalidade no Areeiro. Basicamente consegue o pleno ao errar em identificar todos os aspectos do problema… não acertando em nenhum.

Sejamos claros: ninguém está livre de cair (ou de os seus) caíram nesta situação por isso desenhar classificações automáticas: sem abrigo > droga > crime é mais que é injusto: é desumano e pode ser uma forma de o PSD local se defender contra o esperado crescimento do eleitorado do Chega através de um discurso primário (populista), simplista (a realidade é complexa) e fácil (a realidade é difícil) mas este não foi, certamente,  um dos melhores momentos de Fernando Braancamp enquanto presidente de Junta pelo PSD… Para conquistar votos não vale tudo…

Chega de Populismo ou melhor, já Chega de Populismo: para isso já temos André Ventura (ex-PSD) não precisamos de ver também um presidente de Junta de um partido moderado, centrista e social-democrata a embarcar no mesmo tipo de discurso… A melhor defesa contra o Populismo não é ser mais Populista que os Populistas e ultrapassá-los pela Direita: é ser mais realista, concreto, objectivo e concretizador. Posso não ser candidato nas próximas autárquicas mas este presidente de Junta parece ser e antecipa esta corrida pelas marcações no solo muito (excessivamente) à direita para a próxima campanha…

Ademais tanto nós como este presidente sabemos uma coisa: não podemos resolver aquilo que não está na nossa esfera de competências: a Junta não pode acabar com o tráfico de droga no Portugal Novo mas há acções que pode fazer e que vão muito além das proclamações populistas à Lusa: pode reforçar – muito – a limpeza urbana nas ruas em torno do Pavilhão (onde esta se degradou severamente nas últimas semanas); pode reforçar (como fez Arroios) toda a estrutura de apoio aos Sem Abrigo afastando-os das ruas e das dependências; pode cumprir a promessa eleitoral (que fez a vários moradores) de financiar ou co-financiar um Guarda Nocturno dedicado à freguesia (algo que não colide com nenhuma Lei ou determinação jurídica) e pode fazer muito mais pressão junto das autoridades sendo que nesse “muito” não se enquadra referir o problema da insegurança dois meses e meio depois dele ter começado e apenas depois de ter sido – muito – pressionado pelos Media e moradores a fazer algo a este respeito.