A Educação é o melhor e o mais poderoso investimento que um país pode fazer no seu futuro. Os benefícios privados e individuais são evidentes, por norma, pessoas mais educadas são mais saudáveis, têm melhores salários, são menos propensas a cometer crimes e são mais exigentes com o poder político. Mas para além do retorno para o indivíduo, o investimento em Educação retorna grandes benefícios públicos para a vida do país que incluem, por exemplo, menores taxas de abstenção nas eleições, menores gastos com o sistema judicial e criminal, menores gastos com saúde e melhor qualidade de vida no geral. Pelo que se costuma dizer que mais caro do que investir em Educação, é não investir em Educação.

Uma das formas mais utilizadas para medir a Educação de um determinado país é através do nível educacional da sua população, normalmente distinguem-se três principais níveis: nível básico; nível secundário e pós-secundário; e nível superior. O gráfico seguinte compara, através dos dados do Eurostat, a percentagem da população (entre os 25 e os 64 anos) de cada país da União Europeia que terminou o ensino secundário e/ou o ensino superior:

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Observando este gráfico, percebe-se que Portugal é o país menos educado de toda a União Europeia, com apenas 52% da população a concluir o ensino secundário e/ou superior até 2019, encontrando-se cerca de 26 pontos percentuais abaixo da média da UE (78%). Este baixo nível de instrução pode ajudar a explicar vários problemas do nosso país como: o baixo crescimento económico, baixa produtividade, baixos salários, elevada abstenção eleitoral, baixa literacia digital, baixa literacia financeira, pouca exigência com o poder político, etc.

Para entender o porquê de estarmos tão abaixo do resto da Europa, temos de olhar para o nosso passado histórico. Portugal é um dos mais antigos Estados-nação da UE e tem historicamente um elevado grau de homogeneidade linguística, pelo que, ao contrário de outros Estados, não necessitou de apostar na alfabetização da sua população para que se falasse a mesma língua em todo o país. Outro fator histórico relevante é o facto de Portugal ter vivido uma ditadura durante mais de 40 anos no século passado. Estes regimes são conhecidos por não apostar na Educação, de modo a que a população seja o mais analfabeta e com menores níveis de instrução possível, tornando-se mais fácil de manipular. Se olharmos para outros países que tiveram ditaduras fascistas durante o século XX, como Espanha e Itália, constatamos que também estão na cauda da UE no que diz respeito ao nível educacional das suas populações.

Contudo, apesar de estar bastante atrás dos outros países da UE, é importante referir que Portugal tem tido uma evolução bastante positiva, como se pode ver no próximo gráfico que mostra, através de dados do INE, a evolução do nível de escolaridade da população ativa portuguesa (dos 15 aos 64 anos) entre 1998 e 2019:

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Portugal passou de ter, em 1998, menos de 20% da população com o ensino secundário e/ou superior para mais de 52% da população, em 2020. Uma evolução positiva, mas ainda insuficiente para chegarmos perto da média europeia. E não se perspetiva que Portugal consiga aproximar-se dos lugares cimeiros, porque se olharmos para o gráfico seguinte, que compara o nível de escolaridade da população jovem (dos 25 aos 34 anos) entre os diversos países da UE:

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Vemos que Portugal continua na cauda da Europa, só à frente de dois países, Espanha e Malta, e a cerca de 9 pontos percentuais da média europeia. Este segmento da população vai permanecer no mercado de trabalho durante mais 30 a 40 anos, e cerca de 25% destes indivíduos não completou o ensino secundário, pelo que não se projeta grandes progressões salariais e de carreira para estas pessoas, a menos que se requalifiquem.

Este atraso a nível educacional de Portugal em relação aos outros países europeus tem consequências noutros fatores que compõem o capital humano, como as competências digitais. No âmbito do quadro de competências digitais, a Comissão Europeia desenvolveu o indicador de competências digitais, que é baseado em quatro áreas especificas: informação, comunicação, resolução de competências e conhecimentos de software. Este indicador tem quatro resultados possíveis: sem competências; competências baixas; competências básicas; e competências acima de básicas. Podemos comparar o número de indivíduos, que possuem as competências digitais básicas ou acima de básicas, entre os países da UE através do seguinte gráfico:

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Portugal ocupa o 19º lugar da classificação, com apenas 52% da população portuguesa a possuir pelo menos as competências digitais básicas, não muito distante da média europeia (56%), mas a 27 pontos percentuais da 1ª posição, ocupada pelos Países Baixos.

Este conjunto de dados mostram que Portugal tem um problema em relação ao nível educacional e de qualificações da sua população. O que é um obstáculo a que Portugal tenha um crescimento económico sustentável e a que esteja preparado para enfrentar os novos desafios da Revolução Industrial 4.0 e de outras mudanças na sociedade.

Para resolver este défice de nível educacional ao resto da UE, uma das soluções poderá ser a captação de capital humano estrangeiro qualificado. Isto pode ser realizado ao nível das empresas, mas também ao nível das universidades na captação de estudantes internacionais. Contudo, esta estratégia não resolve por completo o problema, apenas o suaviza.

A solução passa por um grande programa de requalificações que prepare os trabalhadores e dote-os das competências necessárias para lidar com uma economia mais verde, mais digital e mais inovadora. Este programa deve envolver as Universidades, os Politécnicos, as Escolas Profissionais e as empresas. Em conjunto com este programa, deve-se também repensar o sistema de ensino português, modernizá-lo e adaptá-lo às novas realidades.

Numa altura em que tanto se discute onde se deve investir o dinheiro dos apoios europeus, não nos podemos esquecer que investir na Educação da sua população é o melhor investimento que um país pode fazer.