À época do massacre do Hamas em Israel, que aconteceu em outubro de 2023, o Presidente Joe Biden (Partido dos Democratas) manifestou as suas posições sobre o Hamas. Nelas, afirmou compromissos de carácter belicista a favor de Israel. Das suas declarações, feitas em território israelita, destacaram-se aquelas em que compara o Hamas a Putin e as outras em que decide firmar um compromisso militar dos EUA para com Israel:

‘Hamas e Putin representam ameaças diferentes, mas têm algo em comum: ambos querem aniquilar completamente uma democracia vizinha — aniquilá-la completamente. (…) Em Israel, precisamos garantir que eles tenham o que precisam para proteger seu povo hoje e sempre. O pacote de segurança que estou enviando ao Congresso e pedindo que ele adote é um compromisso sem precedentes com a segurança de Israel, que aguçará a vantagem militar qualitativa de Israel, com a qual nos comprometemos — a vantagem militar qualitativa.’2

Um ano depois do massacre do Hamas em Israel, o ainda Presidente Joe Biden reforçou a sua posição sobre o tema, reafirmando novamente o compromisso militar dos EUA para com Israel:

‘Ao pôr do sol, 7 de outubro tornou-se o dia mais mortal para o povo judeu desde o Holocausto. (…) O ataque de 7 de outubro trouxe à tona memórias dolorosas deixadas por milênios de ódio e violência contra o povo judeu. É por isso que, logo após o ataque, me tornei o primeiro presidente americano a visitar Israel em tempos de guerra. Deixei claro então ao povo de Israel: vocês não estão sozinhos. Um ano depois, a vice-presidente Harris e eu continuamos totalmente comprometidos com a segurança do povo judeu, a segurança de Israel e seu direito de existir. Apoiamos o direito de Israel de se defender contra ataques do Hezbollah, Hamas, Houthis e Irã. Na semana passada, sob minha orientação, os militares dos Estados Unidos mais uma vez auxiliaram ativamente na defesa bem-sucedida de Israel, ajudando a derrotar um ataque de míssil balístico iraniano.’3

Nesta ótica de defesa a Israel, outros democratas vieram a público defender a intervenção bélica dos EU por conta do Hamas.  Barack Obama, que serviu como 44.º Presidente dos EUA e de quem Joe Biden foi Vice-Presidente (Partido dos Democratas), afirmou que apoiaria totalmente ‘o apelo do Presidente Biden para que os Estados Unidos’ apoiassem ‘o aliado de longa data na perseguição ao Hamas, no desmantelamento das suas capacidades militares e na facilitação do regresso seguro de centenas de reféns às suas famílias’4, naquilo que acabou por se revelar um massacre continuadamente patrocinado por dinheiros dos EUA ao longo dos últimos dois anos à Faixa de Gaza, segundo a comentarista e repórter Candace Owens (Partido dos Republicanos – MAGA)5 .

Inacreditavelmente, um ano após a manifestação favorável de Kamala Harris e Joe Biden à intervenção dos EUA em Gaza para que os reféns regressassem, é a própria vice-presidente Kamala Harris (acusada de fingir e caricaturar a sua identidade étnica para manipular o eleitorado afro-americano)6 que afirma estar de ‘coração partido’ com a própria ineficiência dos resultados que surgem em virtude das suas políticas externas, lamentando as ‘dezenas de milhares de vidas perdidas, crianças fugindo repetidamente em busca de segurança, mães e pais lutando para obter comida, água e medicamentos’7  na Palestina, como se a mesma não fosse a governante responsável pela sua própria incompetência e por nada fazer para que o objetivo principal da intervenção bélica fosse cumprido: trazer os reféns que o Hamas fez no dia 7 de Outubro de volta para casa, sãos e salvos. Durante o discurso, aproveitou a oportunidade para declarar que ‘passou da hora de um acordo de reféns e cessar-fogo para acabar com o sofrimento de pessoas inocentes’, deixando o imbróglio deste conflito, que se iniciou na Presidência Joe Biden, para ser resolvido por quem ganhasse as eleições presidenciais de 2024, uma vez que um mês depois deste discurso perderia oficialmente a eleição presidencial.

Kamala Harris não era uma política qualquer na cena americana, mas sim a vice-presidente de Joe Biden, que discursou em conjunto com ela a partir da Casa Branca no dia 7 de outubro de 2024, em memória do trágico evento que aconteceu um ano antes no festival de música Re’im. Não admira que a tentativa de resolução do conflito Hamas-Israel por parte da equipa Biden-Harris tenha sido prontamente caracterizada como uma ‘catástrofe´, pelo jornal Inglês The Guardian.8 Esta ‘catástrofe’ foi o suficiente para que Harris fosse criticada pelo vice-Chefe de Gabinete da Casa Branca quando ela reapareceu na esfera pública 100 dias depois de perder as eleições para o atual Presidente, Trump.

Para Stephen Miller, Harris ganhar as eleições teria significado ‘o fim da América’, 9   uma vez que sob a sua vice-presidência seriam os EUA que estariam agora a ser invadidos. Miller disse que com Joe Biden e Kamala Harris, os criminosos foram congratulados enquanto os cidadãos de bem foram marginalizados. Já Donald Trump tinha criticado anteriormente Kamala Harris quando a mesma o acusou de vir a fazer aquilo que, até agora, ainda não fez, como deixar Israel a lutar sozinha. Portanto, as críticas de Stephen Miller que dão a entender que Kamala diz uma coisa, mas faz outra, são contundentes. A verdade é que Kamala Harris é tudo menos precisa quando afirma, neste seu discurso de regresso à política, que a América de Trump abandonou os seus aliados; contrariamente ao esperado pelas vozes mais sonantes do movimento Make America Great Again, os bombardeamentos ao Irão comprovam exatamente o oposto: Trump está alinhadíssimo com o maior aliado dos EUA, Israel. Ou seja, apesar de todo o fogo de vista, a posição da América perante os aliados de sempre, nomeadamente dos aliados do partido dos democratas,10 manteve-se sob a Presidência de Donald Trump.

Se é verdade, no entanto, que se confirma assim que figuras proeminentes de ambos os lados do palanque político americano lutam pela causa de Israel (quer republicanos quer liberais), talvez seja surpreendente para o leitor que aquelas que mais se destaquem historicamente não sejam os apoiantes do movimento MAGA mas sim os democratas, onde se incluiu e destaca Hillary Rodham Clinton e o seu marido, o Presidente Bill Clinton.  A ex-primeira-dama (Partido dos Democratas) e candidata em 2016 às presidenciais americanas, afirmou em 2023 que um cessar-fogo completo entre o Hamas e Israel iria facilitar a reorganização do Hamas e prolongar o conflito armado no tempo, desejando que o cessar-fogo não se desse de imediato.11Contudo, este seu desejo manifesta contrariedades; se o objetivo é que o conflito não se prolongue, desejar que não haja um cessar-fogo completo significa exatamente a continuação da guerra em Gaza. O facto é que o Partido dos Democratas assumiu um compromisso militar de defesa em Israel, pelas mãos do Presidente Joe Biden e de Kamala Harris, nos quais foram gastos uma totalidade de quase dezoito biliões de dólares americanos em ajuda financeira e militar. O dinheiro foi concedido por parte do Governo Federal dos EUA sob a alçada de Biden, segundo consta na plataforma notmytaxdollars.org . 12

É certo que o apoio dos Clinton aos conflitos armados no Médio-Oriente não se manifesta como novo, pese embora a invasão ao Iraque ter sido protelada pelo Presidente Republicano George W. Bush e o seu vice-presidente Dick Cheney (Partido dos Republicanos). A realidade é que esta dupla de republicanos contou, à época, não só com a ajuda da narrativa-teórica de Bibi Netanyahu 13, protagonista atual dos ataques em Gaza e do conflito com o Irão, mas também contou com o apoio político formal de Hillary, que esteve do lado da invasão.14

No entanto, pela parte dos democratas, uma figura que já se avistava como potencialmente proeminente votou contra a invasão ao Iraque. Falamos do ainda senador Barack Obama (Partido dos Democratas), que anos mais tarde, já como Presidente, surpreendeu ao declarar que a invasão ao Iraque foi um sucesso tremendo e que o país que os EUA deixavam para trás foi resultado de ‘um feito extraordinário’, demarcando-se radicalmente daquela que foi sua visão enquanto senador.15

Para o leitor mais esquecido, ou demasiado jovem para já ter tomado conhecimento deste acontecimento, fique a saber que há uma enorme semelhança entre o argumento utilizado por Trump para bombardear o Irão e o argumento utilizado por Cheney, Bush e Hillary para justificarem o ataque ao Iraque por parte da América. Foi com base na ideia de que também o Iraque tinha armamento nuclear (ou estava prestes a consegui-lo) que os militares americanos invadiram o país em 2003. Assim, à semelhança do que está a acontecer agora, o argumento não convenceu a totalidade dos americanos 16 e para piorar a situação, alguns anos mais tarde, os chineses começaram a ter acesso a informação sobre as tropas americanas no terreno iraquiano e usaram-nas para desestabilizar a invasão e pretensão americana-israelita sobre o Médio-Oriente.17 Devido à fragilidade do argumento que justificava a ação das Forças Armadas estadunidenses no Iraque (semelhantemente ao agora utilizado pelo Presidente Trump para atacar o Irão) e devido à desunião entre as pretensões políticas e a vontade popular dos americanos,  ao desentendimento entre os partidos políticos americanos que outrora, juntos, sustentaram  a guerra no Iraque, a informação sensível acerca do que se passava no Iraque não pôde mais ser contida e veio ao de cima que as tropas dos EUA torturaram cidadãos que estavam presos em solo iraquiano, com o conhecimento e a anuência de generais norte-americanos. 18

Claro que falar só dos democratas enquanto aliados de Israel no conflito EUA / Iraque é esquecermo-nos dos principais protagonistas desta invasão, Bush e Cheney 19; e mais, é olvidarmos por completo as semelhanças que estes republicanos e os democratas acima mencionados possuem no que toca às críticas que teceram à candidatura e eleição de Donald Trump para 47.º Presidente dos EUA. Não é só o apelo pelo sustento económico e bélico de Israel por parte dos EUA que juntam os atores políticos dos dois partidos atualmente, mas é antes e principalmente o ódio a Donald Trump que os une.20

Dick Cheney e a sua filha Liz, no que concerne às críticas a Donald Trump, estão na vanguarda argumentativa, na mesma linha do horizonte onde se encontram os democratas anteriormente mencionados. Na verdade, Dick Cheney demonstrou publicamente o seu apoio a Kamala Harris para 2024 e garantiu ir votar nela. Para Cheney, o ‘Donald Trump jamais poderia voltar a ser confiado para ocupar o Poder’ 21. Em resposta ao surgimento da filha de Cheney, que disse ter-se ‘arrependido de ter apoiado Donald Trump no passado’22, o ainda candidato a Presidente respondeu-lhe: ‘Acho que Liz Cheney é um desastre. Tudo o que ela quer é preparar tropas para a guerra. Se alguma vez a puserem no campo de batalha, ela será a primeira a acobardar-se. Ela não lutaria. Ela acobardar-se-ia tão depressa! (…) Estas são as pessoas que não se importam de matar outras pessoas, mas se tivessem de ser eles a lutar, não lutariam. Ela é uma cobarde’. 23

Aparentemente, a opinião que os Cheney têm do candidato Donald Trump, agora presidente, são quase iguais às dos Obama ou até dos Clinton. Unidos sobre Israel, mas também nos ataques ao candidato, os Obama e os Clinton dramatizaram a possibilidade da sua eleição. Obama publicou no Facebook um vídeo onde escreve que só ‘porque Donald Trump age de forma estranha não significa que sua presidência não seja perigosa. E você não precisa acreditar em mim. Ultimamente, algumas das pessoas que melhor conhecem Trump têm dito, sem rodeios, que ele não deveria ser presidente novamente’. 24  E Hillary Clinton talvez tenha inspirado os passos do 44º Presidente dos EUA, pois em 2016 ela já avisava o lobby americano pró-Israel, o AIPAC, num tom alarmista, que Trump não poderia assumir o Poder: ‘Trump é perigoso para a segurança de Israel!’.25   Ainda assim, Hillary afirmou 8 anos depois que ‘Trump está ainda mais perigoso’ do que era em 2016. Ironicamente, hoje seriam obrigados a dizer o contrário no que diz respeito ao apoio dos EUA a Israel. 26

Há, no entanto, quem represente a exceção à regra. Se há uns anos o partido republicano dominava o lobby da guerra, hoje são os membros mainstream do partido republicano que se opõem veementemente a qualquer política que não coloque a América em primeiro lugar.27

Um breve olhar sobre os conservadores católicos, do movimento ‘MAGA’, que não tomam o lado da América no conflito Israel-Irão. Uma exceção, parece.

Há atualmente uma turma de conservadores, católicos e americanos que se dirigem sem medo ao Presidente Donald Trump (Partido dos Republicanos), para demonstrarem que estão contra a ajuda a Israel, opondo-se ao bombardeamento em Gaza e à entrada dos EUA na guerra contra o Irão.28 É um grupo de conservadores católicos, republicanos, cujos motivos que sustentam a sua posição passam pela crença de que Israel nunca conseguiria operar a ‘perseguição que faz a minorias religiosas’ sem a ajuda financeira e militar promovida pelo lobby americano pró-Israel, o famoso AIPAC, contra os quais vários movimentos americanos se têm manifestado contra.29 Contudo, parte dos argumentos que estes MAGA people 30  invocam são os mesmos da esquerda que juram querer combater. Pelo menos é disto que recentemente têm sido acusados: de serem a woke right, principalmente por cadeias noticiosas que operam desde Tel-Aviv.31

Voltando a esta direita de que quase todos os meios de comunicação se esquecem de falar (com a exceção de alguns)32, vale a pena notar nos membros que a constituem: três grandes nomes do movimento conservador, católico e republicano dos EUA como Tucker Carlson, ex-jornalista da Fox News e católico, Candace Owens, ex-repórter do The Daily Wire e católica, e Steve Bannon, ex-Conselheiro Sénior do Presidente Trump e católico.

Dentro das acusações que os três conservadores recebem por se manifestarem contra a (má) influência de Israel dentro das fronteiras americanas, está a de que eles não representam verdadeiramente o movimento Make America First Again uma vez que, como diz a jornalista Karys Rhea do The Epoch Times , ‘eles são WOKE’.

Mas dentro das acusações que os três conservadores fazem à influência de Israel sobre os EUA está a de que Bibi Netanyahu (Primeiro-Ministro de Israel) controla a política internacional estadunidense de forma negativa, através do apoio americano que recebe para as ‘atrocidades que comete’ e, claro, tal é motivo para que Bibi se gabe sem comedimento,33 afirma Candace Owens.34  Candace, a voz mais profusa sobre o assunto, dá palco ao tema EUA-Israel no podcast que detém com o nome The Candace Show. A repórter acusou várias vezes Israel de ser o principal país a fornecer armas para aquilo que ela chama do holocausto contra Cristãos que está a acontecer ao redor do mundo, especificamente na Arménia, ‘o país Cristão mais antigo do mundo’. Lamentando-se, diz: ‘ninguém fala disso’.35

Ao entrevistador britânico Piers Morgan, conhecido do público português pela entrevista intimista que fez ao craque CR7,36 Candace esclareceu o porquê da sua ‘birra’ contra as guerras israelitas que os EUA apoiam: ‘Eu primeiramente sou Cristã. Então as minhas preocupações serão com o que se está a passar contra os Cristãos em redor do mundo, porque somos nós, nós somos a religião número um a ser perseguida no mundo. E todos os Cristãos que estão a ver isto têm de perceber que o tempo para começarmos a dar voz a esta perseguição é agora. Temos estado calados sobre as coisas que nos andam a acontecer há muito tempo, e os MEDIA claramente não são nossos fãs.’ E questiona: ‘Quando é que haverá cobertura mediática equitativa sobre os Cristãos estarem a ser perseguidos e mortos na Armênia, na Nigéria, e o tratamento que os Cristãos recebem na américa e ao redor do mundo hoje em dia? Quando isso acontecer, poderás perguntar-me se utilizarei a minha plataforma e a minha voz para falar sobre ‘o que está a acontecer em Israel’. O que te parece?’.

Mas as críticas deste trio maravilha, conservador, não são novas, pelo contrário, mantêm-se contundentes face àquelas que apresentavam contra a política externa americana do ex-vice-Presidente de Barack Obama, o então Presidente Joe Biden, responsável por deixar o Afeganistão e as suas meninas pequenas a arderem nas mãos do talibã e por ter entregado ao regime iraniano, juntamente com Kamala Harris (democrata), 16 biliões de dólares um ano antes da eleição que os tiraria do poder. 37

Tucker Carlson, uma das vozes mais empenhadas em eleger o Donald Trump nas eleições de 2024, e amigo de Owens, também criticou negativamente a retirada do Afeganistão organizada pelo governo Biden-Kamala. À época. Carlson disse no canal aberto da Fox News que ‘Biden fez o extremamente necessário da PIOR forma possível. (…)  Vinte anos depois e após a despesa dos triliões de dólares americanos no Afeganistão, os nossos líderes atuais não conseguiram programar ou executar ordeiramente uma retirada do país. Nem sequer conseguiram assegurar uma rota segura de saída. E isto é a principal lição sobre a ‘queda de Cabul’. Somos liderados por bufões. Eles não têm noção alguma do que estão a fazer. Sabemos isto agora: são impostores! Tudo aquilo em que tocam, transforma-se em caos. Não apenas lá, mas aqui também’, mantendo sempre o foco no facto de a soberania americana dever residir na vontade do povo e não na vontade dos lobby que apoiam os atores políticos americanos.38

Entre estas e as demais críticas ao ex-Presidente (Joe Biden), que incluem o facto de o mesmo não ter conseguido conter o início da guerra Rússia-Ucrânia em solo europeu, nem de ter conseguido terminá-la, está a de que os Estados Unidos da América e o seu povo, simples, humilde e trabalhador, nada recebem de positivo face às continuadas investidas de Israel contra as nações do Médio Oriente.39

Para Bannon, ex-conselheiro do Presidente Trump, a questão piora. Bannon indicou temer uma escalada no conflito da Ucrânia, mesmo após a tomada de posse de Trump, pelas ações inconsequentes do Primeiro-Ministro britânico e de Joe Biden, chegando a questionar o britânico Nigel Farage no seu podcast acerca de uma teoria que Bannon teria:  ‘Acreditas que Biden e até mesmo o governo trabalhista do Reino Unido e o resto da OTAN’ estarão a tentar ‘escalar isto para que o presidente Trump — a capacidade dele de intervir e negociar um acordo de paz seja superada pelos eventos atuais no campo de batalha’?40

Ainda no The War Room (podcast de Bannon) o ex-conselheiro compara o atual momento de guerra em que os EUA estão envoltos, por força da aliança com Israel, com o ano de 2003: ‘Os filhos dos políticos foram para lá e morreram no Iraque e no Afeganistão? Os filhos dos políticos não foram para lá. (…) Isto sequer está a ser feito em nome dos interesses vitais dos EUA, neste momento? Estar de volta ao Médio-Oriente para fazer uma guerra? (…) De repente temos de ser nós a defender Israel porquê?’.

Criticando desta forma a Fox News por atualmente fazer parte do conjunto de veículos que desinformam a sociedade americana e que tentam doutrinar os americanos com falsos pretextos e falsas razões para que esta guerra aconteça, como motivos religiosos fundamentalistas,41 os dois amigos Tucker e Steve Bannon denunciaram a perseguição que é feita dentro dos EUA àqueles que se opõem à estação televisiva e que se assumem como vozes contra a guerra,42 tal como aconteceu com os três, que agora vêem as igrejas e os pastores americanos a serem financiados para pregarem sobre o ‘antissemitismo’ desta MAGA people que se manifesta contra o holocausto que Israel promove na Faixa de Gaza.43

A verdade é que num dos discursos do candidato republicano às Presidenciais(Trump), proferido na Conferência da Guarda Nacional (Detroit) ainda em campanha, o mesmo afirmou que quando ele voltasse à Casa Branca expulsaria ‘os belicistas, os aproveitadores…’ e restauraria ‘a paz mundial’. No discurso da sua inauguração, a 20 de janeiro de 2025, prometeu: ‘Mediremos o nosso sucesso não apenas pelas batalhas que vencermos, mas também pelas guerras que terminarmos e, talvez o mais importante, pelas guerras em que nunca entraremos’.

Desta forma, os três MAGA people partilhavam a crença de que Donald Trump não levaria a cabo qualquer tipo de investida militar, muito menos uma que fosse conivente com Israel e que mandasse tropas americanas para morrer no estrangeiro, sendo que a promessa do Presidente foi a de colocar os interesses dos EUA em primeiro lugar.44 Um artigo da CNN americana chega mesmo a levantar a questão: ‘Trump prometeu uma presidência pacificadora. O que aconteceu?’.45

Por fim, os três apoiantes do ‘MAGA’ vêem-se a braços com a decisão do Presidente atual em bombardear o Irão no dia 21 de junho, uma vez que ‘America First’ significa, para eles, que os americanos que passam fome e vivem na rua têm que ser colocados em primeiro lugar e não Israel, nomeadamente quando se trata de alocar recursos humanos americanos e recursos financeiros do Governo Federal dos EUA para fora do país.46 Para eles está claro que os EUA não têm de financiar guerras que não iniciaram, ou sequer devem participar em guerras pelas quais não tenham interesse direto (razões de segurança nacional ou ameaça iminente aos EUA) e que ainda por cima visam crianças e civis inocentes como alvos a abater, algo que ‘não pode ser motivo de orgulho’.47 Fica uma pergunta por responder: qual é o verdadeiro motivo da união entre EUA e Israel? Seja qual for a resposta, o movimento MAGA parece estar dividido for good.

Bibliografia Digital 
(1)- https://www.vox.com/world-politics/23916266/us-israel-support-ally-gaza-war-aid
(2)- https://ru.usembassy.gov/remarks-by-president-biden-on-the-united-states-response-to-hamass-terrorist-attacks-against-israel-and-russias-ongoing-brutal-war-against-ukraine/
(3)- https://bidenwhitehouse.archives.gov/briefing-room/statements-releases/2024/10/07/statement-from-president-joe-biden-marking-one-year-since-the-october-7th-attack/
(4)- https://www.dn.pt/arquivo/diario-de-noticias/obama-a-forma-como-israel-conduz-esta-luta-contra-o-hamas-e-importante-17218809.html
(5)- https://www.youtube.com/watch?v=k5VoCMFL8N4 (minuto 8:03)
(6)- https://www.dailymotion.com/video/x73a356 / https://www.youtube.com/watch?v=wsaSvI5ZCNo
(7)- https://www.theguardian.com/us-news/2024/oct/07/harris-7-october-hamas-israel
(8)- https://www.theguardian.com/commentisfree/2024/oct/14/kamala-harris-israel-gaza
(9)- https://www.youtube.com/watch?v=rRq-ZGvxCN0 / https://www.nbcnews.com/politics/kamala-harris/kamala-harris-reemerge-trump-speech-rcna203387
(10)- https://www.politico.com/news/2024/06/09/aipac-republican-donors-democratic-primaries-00162404
(11)- https://thehill.com/blogs/blog-briefing-room/4309620-clinton-makes-case-against-cease-fire-in-hamas-must-go-op-ed/
(12)- https://www.cfr.org/article/us-aid-israel-four-charts
(13)- https://www.youtube.com/watch?v=PHzSr52fZLQ
(14)- https://progressive.org/op-eds/clinton-s-iraq-war-vote-still-appalls/ /
(15)-https://www.theguardian.com/world/2011/dec/14/barack-obama-iraq-war-success
(16)- https://www.axios.com/2025/06/19/israel-iran-war-americans-poll
(17)- https://www.swissinfo.ch/eng/chinese-hackers-turned-focus-to-u-s-experts-on-iraq-security-firm/40492822
(18)-  https://www.npr.org/2023/03/21/1164916991/looking-back-on-shocking-revelations-u-s-forces-tortured-iraqis-at-abu-ghraib /  / https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/general-americano-afirma-que-superiores-sabiam-de-abusos-em-abu-ghraib-aio7lrblzpy4dkgd0uhyq7dqm/
(19)- https://www.publico.pt/2008/03/16/mundo/noticia/inicio-da-guerra-no-iraque-foi-ditado-ha-cinco-anos-na-cimeira-das-lajes-1322785 /https://observador.pt/2016/07/07/relatorio-britanico-confirma-que-a-invasao-do-iraque-ja-estava-decidida-antes-da-cimeira-das-lajes/
(20)- https://www.youtube.com/watch?v=9K5kvfvWNRQ
(21)- https://www.youtube.com/watch?v=9W7rc-HrmIc&t=458s ~
(22)- https://www.youtube.com/watch?v=a1ezenDxjNc
(23)- https://www.youtube.com/watch?v=tZwH2oU-lPU (minuto 3:03)
(24)- https://www.facebook.com/barackobama/videos/just-because-donald-trump-acts-goofy-doesnt-mean-his-presidency-wouldnt-be-dange/1042513147674986/
(25)- https://www.theguardian.com/us-news/2016/mar/21/hillary-clinton-aipac-donald-trump-israel-us-election
(26)- https://edition.cnn.com/2024/10/24/politics/video/hillary-clinton-trump-unhinged-src-digvid
(27)- https://www.nytimes.com/2025/06/18/us/politics/trump-israel-iran-transgender.html
(28)- https://observador.pt/especiais/falcoes-de-um-lado-pombas-do-outro-guerra-irao-israel-divide-aliados-de-trump-que-pressionam-decisao-final-do-presidente/
(29)- https://www.aljazeera.com/news/2024/3/11/reject-aipac-us-progressives-join-forces-against-pro-israel-lobby-group
(30)- https://www.bbc.com/portuguese/articles/c72596pq4dro
(31)- https://www.youtube.com/watch?v=7ZYl5L4M_co / https://whiterosemagazine.com/candace-owens-goes-woke/
(32)- https://www.publico.pt/2025/06/16/mundo/noticia/apoio-israel-divide-aliados-donald-trump-2136838 / https://observador.pt/especiais/falcoes-de-um-lado-pombas-do-outro-guerra-irao-israel-divide-aliados-de-trump-que-pressionam-decisao-final-do-presidente/
(33)- https://www.youtube.com/watch?v=VrFOAgGlaWs / https://www.aljazeera.com/news/2010/7/18/netanyahu-us-easily-manipulated
(34)- https://www.youtube.com/shorts/sIEUyLykJFA
(35)- https://www.youtube.com/watch?v=iWhaoQlEg0c / https://areferencia.com/asia-e-pacifico/israel-forneceu-armas-decisivas-para-a-vitoria-do-azerbaijao-em-nagorno-karabakh/
(36)- https://observador.pt/2022/11/13/o-manchester-united-tentou-forcar-a-minha-saida-senti-me-traido-ronaldo-quebra-o-silencio-e-ataca-clube-e-ten-hag-em-entrevista/
(37)- https://foreignaffairs.house.gov/getting-answers-on-afghanistan-withdrawal/ / https://mast.house.gov/2023/11/biden-handed-over-16-billion-to-iran
(38)- https://www.theguardian.com/world/2021/oct/22/rightwing-us-pundit-candace-owens-compares-australian-government-to-the-taliban-calling-it-a-tyrannical-police-state-
(39)- https://www.facebook.com/FoxNews/videos/tucker-our-leaders-are-running-out-of-ways-to-criticize-the-taliban/1078306192705451/
(40)- https://www.newsweek.com/steve-bannon-biden-ukraine-missiles-russia-sink-trump-peace-plan-1989419
(41)- https://www.youtube.com/watch?v=smemFVe0l5E&t=4s (minuto 49:57)
(42)- https://www.youtube.com/watch?v=tFM6L6TopsM (minuto 6:55)
(43)- https://www.youtube.com/watch?v=Nz6gUQP3w-Y (minuto 1:51)
(44)- https://www.nytimes.com/2025/06/18/us/politics/trump-israel-iran-transgender.html
(45)- https://edition.cnn.com/2025/06/18/politics/trump-peacemaker-iran-israel-conflict-analysis
(46)- https://www.youtube.com/shorts/7Lf-5XZH5Ughttps://www.youtube.com/shorts/JBTniuczgIg
(47)- https://www.youtube.com/shorts/o_evQX1mnk0