O jornal Esquerda.net reabriu a época de caça aos gambuzinos. Como já havia feito no ano passado por esta altura, voltou a publicar um artigo recorrendo a insinuações e teorias da conspiração para tentar desacreditar uma série de organizações, entre as quais a Students For Liberty (SFL), desta vez mencionando-nos no contexto de um caso de corrupção da Huawei. Esta estratégia não é nova: em vez de debater ideias e responder aos argumentos que defendemos, o Esquerda.net opta por lançar suspeitas infundadas sobre a nossa organização, insinuando que somos uma espécie de “lobby internacional” financiado por indústrias maléficas. Nada poderia estar mais longe da realidade.
No primeiro artigo, publicado por autor anónimo em fevereiro de 2024, o Esquerda.net tentou associar a SFL a um conjunto de interesses empresariais, referindo que os nossos parceiros internacionais recebem apoios de empresas de petróleo e tabaco, sobretudo através de citações do interior da sua câmara de eco. Como se isto não bastasse, as próprias fontes indicadas limitam-se a fazer também alegações sem o mínimo de base factual. Deste modo, insinuam que, pelo facto de uma parte ínfima do financiamento destas organizações provir de empresas dessas indústrias, todas as organizações apoiadas por elas seriam meros fantoches a seu serviço. Talvez para um jornal que depende inteiramente de um partido político, a ideia de uma organização sem controlo partidário pareça confusa. Em todo o artigo surgem ligações de liberais a várias organizações (imagine-se) liberais, e até menções soltas a alguns líderes iliberais mas que na mitologia desta área política pertencem ao mesmo grupo de vilões. O Esquerda.net descobriu o furo jornalístico do ano, quiçá da década: liberais associam-se a organizações com causas liberais!
O argumento é tão frágil quanto previsível: ao invés de refutar os princípios do liberalismo, tentam invalidá-los através de uma suposta culpa por associação. É uma tática baixa para desviar o foco do debate sobre liberdade individual, responsabilidade e limitação do poder estatal. Este é, aliás, um dos erros de raciocínio fundamentais desta corrente política: como encaram o Estado como a solução para qualquer problema usando a sua força coerciva, assumem que todos os seus adversários também defendem a imposição de uma visão de cima para baixo. Não compreendem que o liberalismo não pretende substituir uma forma de dirigismo por outra, mas sim combater a coerção e permitir que as pessoas decidam livremente os seus próprios caminhos. É por essa razão que não conseguem conceber que a defesa da liberdade seja um fim em si mesmo e não um mero disfarce para ocultar interesses obscuros.
No mesmo artigo, o Esquerda.net volta a distorcer a realidade ao alegar que a SFL nega a ciência climática e se opõe ao ambientalismo, demonstrando uma incompreensão total sobre o nosso posicionamento. Pior, baseia esta insinuação num link da Greenpeace que nem sequer tem qualquer referência ao que o Esquerda.net afirma. A SFL defende um ambientalismo baseado no livre mercado, promovendo soluções sustentáveis através de direitos de propriedade bem definidos, inovação tecnológica e incentivos de mercado. O artigo ignora deliberadamente esses princípios e não apresenta qualquer prova concreta que sustente as suas acusações, recorrendo, como sempre, à sua câmara de eco e a insinuações infundadas. Afinal, é mais fácil construir espantalhos e criar polémicas do que admitir que existem abordagens ambientais eficazes fora da burocracia e do intervencionismo estatal. A verdadeira questão não é quem tem o monopólio da virtude ambiental, mas sim que modelo gera melhores resultados. Infelizmente, para o Esquerda.net, a honestidade intelectual continua a ser secundária face à necessidade de alimentar narrativas ideológicas vazias.
Agora, no seu artigo mais recente, a estratégia repete-se, mas de forma ainda mais bizarra. Ao falar sobre um caso de corrupção na Huawei, o Esquerda.net menciona que um dos envolvidos, um empresário português, está registado como lobista do Instituto Milton Friedman, associação que já participou em eventos com a SFL. Com isto, forçam uma ligação artificial, insinuando que a SFL, de alguma forma, teria qualquer envolvimento ou responsabilidade neste caso.
O que o artigo olvida, convenientemente, é que este caso ilustra como a concentração de poder no Estado facilita a manipulação política e económica por parte dos mais poderosos. Quando poucas pessoas decidem o rumo de vastos setores da economia e da sociedade, torna-se muito mais fácil para grupos de interesse influenciá-las, seja por meio de lobby ou mesmo corrupção. No caso da Huawei, bastaria garantir a influência sobre um pequeno número de decisores políticos no Parlamento Europeu para obter benefícios desproporcionais. É conhecida a estrutura acionista da Huawei, que através da sua holding, é detida em 1,14% pelo seu fundador e os restantes 98,86% seriam propriedade dos seus funcionários através de um Programa de Participação de Funcionários, controlado por um comité sindical. O problema é que, na China, os sindicatos não são independentes: estão subordinados à Federação Nacional de Sindicatos, controlada pelo Partido Comunista Chinês. A área política representada no Esquerda.net critica a Huawei e a influência do Estado Chinês, mas a sua preocupação real não parece ser a promiscuidade entre poder político e agentes económicos. Pelo contrário, o que as suas propostas e bandeiras políticas sugerem é que o problema, para eles, não é a concentração de poder o controlo de agentes económicos em si, mas o facto de não serem eles a dispor desse poder em Portugal. Se fosse o seu partido a exercer essa influência, certamente seria justificada como “estratégica” ou “para o bem comum”.
O ataque constante à SFL revela, acima de tudo, um medo do debate, já característico. Em vez de discutirem os méritos das nossas posições, preferem recorrer à difamação e a táticas de descredibilização pessoal. Esta é a estratégia típica de quem não tem argumentos sólidos contra a defesa da liberdade económica, dos direitos individuais e da limitação do poder estatal. Por isso, deixamos um convite aberto ao Esquerda.net: se acreditam que os nossos princípios são errados, debatam connosco. Foquem-se em confrontar ideias de forma honesta e aberta. O que não faremos é ceder ao jogo das insinuações infundadas e do medo irracional de quem quer manter a sociedade refém de um discurso único. A liberdade assusta aqueles que dependem do Estado para impor as suas visões. Mas nós continuaremos a defendê-la.